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10 agosto, 2014

Wikileaks: Ban Ki-moon trabalhou com Israel para solapar relatório da ONU

O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon colaborou em segredo com Israel e os Estados Unidos para enfraquecer os efeitos de um relatório da Comissão de Inquérito acusando Israel de violações de direitos humanos em Gaza, em Dezembro 2008 - Janeiro 2009, de acordo com um artigo da TeleSUR (ver link), baseado em informações da Wikileaks.

"O relatório demonstrou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) teve um papel directo em sete dos nove ataques contra edifícios da ONU na Faixa de Gaza, e acusou Isreal de não ter cumprido a inviolabilidade e a imunidade das instalações da ONU."

De todas as formas fica-me uma questão em aberto. Dissesse o que dissesse a carta do Ki-moon que capeou o relatório, nenhum dos membros do Conselho de Segurança, tendo tido conhecimento do relatório, nada disse ou fez?






Wikileaks: Ban Ki-Moon trabajó en secreto para favorecer a Israel




26 agosto, 2012

Abriu hoje a Cimeira dos Não Alinhados (NAM)

Cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados (NAM).

Abriu hoje em Teerão a cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados (NAM).

O ministro dos Negócios Estrangeiros da nação anfitriã, Ali Akbar Salehi, abriu a cimeira convidando os delegados da organização, de 120 membros, a promover o diálogo entre as civilizações, a estar alerta para aqueles que praticam "políticas egoístas de interferência"

e instando os delegados para resistir a "sanções económicas unilaterais ... decretadas por certos países contra países não-alinhados".

Salehi apelou ao NAM para fortalecer a paz e eliminar a discriminação e alertou para o crescente poder do Conselho de Segurança e para a necessidade da sua reforma.

Cerca de 35 chefes de Estado ou de governo participam nesta cimeira do Movimento dos Países Não Alinhados, que abarca potências regionais como a Índia até pequenas ilhas do Caribe.

A lista de convidados inclui também o secretário-geral Ban Ki-moon, que resistiu à pressão diplomática para boicotar o evento depois de o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, ter afirmado que Israel é um "tumor cancerígeno" que não tem lugar no Médio Oriente.

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA declarou que o Irão não era "merecedor" de organizar o evento e que iria tentar " manipular os participantes ".

29 novembro, 2010

ONU espiada pelos EUA? Ainda os Wikileaks em conferência de imprensa de hoje na ONU.

Na conferência de imprensa de hoje da ONU o "prato forte" não foi à volta da Palestina - apenas foi referido em resumo as declarações de circunstância de Ban Ki-moon - mas antes a "suposta" espionagem dos EUA aos serviços e quadros da ONU, nomeadamente ao seu Secretário-geral.

Como verão (a partir dos 3:52) as perguntas dos jornalistas - a qualidade sonora é má - incidiram sobre as revelações dos documentos agora publicados pela Wikileaks e que referem que os EUA tiveram acesso às palavras-chave de computadores e até à contabilização das milhas aéreas recebidas de bónus como passageiro frequente por Ban Ki-moon. O porta-voz não conseguiu explicar como eram utilizadas esses bónus, se para proveito próprio do Secretário-geral ou se revertiam a favor da ONU.

O porta-voz protelou os esclarecimentos, no geral, afirmando não poder comentar sobre a autenticidade da documentação.

No entanto afirmou claramente que o Secretário-geral teria sido informado do conteúdo dos documentos pela embaixadora dos EUA [Susan Rice] antes da sua publicação.


01 setembro, 2010

Israel: Eleições à porta ou o caso do aprendiz de analista

Não sei se repararam mas desde sexta-feira, o movimento que defende a paz em Israel tem vindo a manifestar-se de uma forma firme e clara contra a ocupação ilegal dos territórios palestinos e contra a manutenção de colonatos ilegais.


Apesar de 4 deles já terem recuado face às ameaças governamentais e dos directores das companhias que não aderiram e onde representavam, esta tomada de posição foi algo de inesperado e que veio a demonstrar a cisão que existe entre diversos sectores da sociedade israelita sobre os colonatos e a ocupação ilegal.

De seguida 150 académicos de Israel, afirmaram em carta aberta que se recusariam participar "em qualquer tipo de actividade cultural para além da Linha Verde", que separa Israel da Cisjordânia, e que nem participariam em quaisquer “debates, seminários ou palestras ou em qualquer tipo de iniciativa académica nos colonatos".

Ontem, quase coincidindo no tempo, alguns dos mais conhecidos escritores e intelectuais de Israel pediram um boicote cultural e académico aos colonatos judaicos na Cisjordânia, entre eles três dos mais importantes escritores de Israel - Amos Oz, David Grossman e AB Yehoshua - apoiaram o apelo.

Juntamente com outros artistas e poetas, os escritores assinaram uma carta aberta afirmando: "A legitimação e a aceitação da colonização causa prejuízos perigosos às oportunidades de Israel alcançar um acordo de paz com seus vizinhos palestinos."

Ambas as cartas foram destinadas a mostrar solidariedade para com a iniciativa dos actores, já acima referida.

Hoje aparece Ehud Barak a cometer a “inconfidência” de que Israel estaria disposto a entregar partes de Jerusalém no âmbito das conversações de paz com palestinianos.

Suspeito que esta inconfidência seja uma manobra eleitoral de Ehud Barak, que assim procura “cavalgar” a onda da paz ciente que seja qual for o resultado das negociações a coligação que apoia o governo já não tem futuro e que as eleições estão aí ao virar da esquina.

De facto seja qual for a posição de Netanyahu, nas negociações que começam amanhã o destino da coligação está traçado.

Ou porque Netanyahu ciente da situação se irá procurar colocar na posição de “um corajoso paladino da paz, mas firme na defesa da segurança de Israel”, aceitando os parâmetros e acordos das anteriores negociações israelo-palestinas: Dois Estados; fronteiras de 1967, retirada dos TPO incluindo Jerusalém Oriental, “terras por paz”, programa de indemnizações aos refugiados, assim fazendo cair o governo de coligação mas ganhando o apoio do “amigo americano”.

Vai a votos, ganha as eleições e faz coligação com os trabalhistas e com o Kadima, que anda “desaparecido” ou…

porque escolheu o caminho da rutura usando as já conhecidas mantras “não há interlocutor credível” e/ou “as condições são inaceitáveis”; o Partido Trabalhista de Ehud Barak saí da coligação para cavalgar o processo de paz; vão a votos e Netanyahu perde as eleições porque não agradou nem aos que querem a paz e boas relações com os E.U.A., nem aos que pretendem instituir o Eretz Israel.

Se não falámos dos outros membros do Quarteto é porque, em minha opinião, eles pouco fizeram e fazem para ter expressão nesta equação. 

Uns porque estão rendidos ao “império”: Ban Ki-moon para sobreviver e a Federação Russa porque precisa da tecnologia americana. 

No caso da União Europeia porque não tendo uma política externa definida de acordo com os seus interesses geoestratégicos, acompanha, mesmo que sem convicção, o diktat do aliado e ainda (?) “protector”.

26 agosto, 2010

Israel não coopera com investigação do Conselho dos Direitos Humanos da ONU

Um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) informou na passada terça-feira, 24, que Israel não está a cooperar com a Comissão de Investigação nomeada a 23 de Julho, pelo Conselho de Direitos Humanos, para investigar o incidente, ocorrido em 31 de Maio, quando uma força naval israelita interceptou, em águas internacionais, uma frota que seguia para a Faixa de Gaza com ajuda humanitária, e abordou violentamente um dos navios de pavilhão turco, o Mavi Marmara, provocando a morte de nove activistas que seguiam a bordo, oito turcos e um turco-americano e dezenas de feridos.

Juan Carlos Monge, que é o responsável por acompanhar os peritos investigadores da Comissão, disse que estavam a entrevistar testemunhas e a dialogarem com as autoridades da Turquia e da Jordânia, mas, afirmou, que a Comissão só poderá falar com os soldados israelitas envolvidos no ocorrido se tiver autorização do governo de Israel.

Israel não fez comentários a esse respeito, mas desde a criação desta Comissão fontes oficiais israelitas mostraram pouca vontade de cooperar.

A comissão apresentará as suas conclusões no próximo dia 27 de Setembro.

Recorde-se que o episódio causou revolta na comunidade internacional e fez com que as relações entre Turquia e Israel, anteriormente aliados, se deteriorasem gravemente. 

O incidente também fez com que as atenções internacionais se voltassem para o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza, obrigando Israel a uma alteração na sua política quanto à entrada de bens essenciais e de mercadorias no território palestino – altamente aleatória e restritiva quer quanto à quantidade, quer quanto à variedade.

Esta alteração é uma mera tentativa para alterar a percepção da opinião pública mundial quanto a este crime no tocante aos direitos humanitários e os direitos humanos. No entanto esta “revisão” tem mostrado até agora um alcance bastante limitado, conforme se pode verificar consultando os relatórios semanais da agência das Nações Unidas, OCHA, quanto à situação nos territórios palestinos ocupados.

Por outro lado Israel continua a restringir as exportações e a mobilidade das pessoas.

Neste momento Israel conduz uma investigação interna sobre o caso, através de uma comissão nomeada pelo governo, a Comissão Turkel, que depois de alguma pressão se viu obrigado a ampliar os poderes dessa comissão e a nela integrar dois observadores estrangeiros, também eles escolhidos entre “amigos”. Solução que continua a ser julgada insatisfatória por sectores da sociedade israelita.

Esta investigação, que foi montada para não responder a uma exigência internacional para a realização de uma investigação independente, segue-se a uma outra realizada no âmbito militar cujas conclusões se restringiram aos erros de planeamento e execução deixando de lado as vítimas.

Existem ainda duas outras comissões a investigar o incidente

Uma da Turquia, de nomeação governamental, e outra recém-nomeada (a 2 de Agosto) pelo Secretário-Geral da ONU, numa tentativa clara, em minha opinião, de minimizar o trabalho e os eventuais resultados da comissão de especialistas independentes nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos.

Essa comissão aliás só avançou após ter recebido o acordo de Israel, que por certo condicionou directamente, ou indirectamente através dos E.U.A., a sua composição e assim os seus resultados.

Aliás basta atentar na sua composição – não de especialistas mas sim de políticos – onde campeia como vice-presidente, um estrénuo aliado dos interesses norte-americanos na América do Sul: Alváro Uribe.

De facto, voltando um pouco atrás, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU nomeou em 23 de Julho, uma comissão de inquérito internacional independente, de peritos, ao ataque israelita ao comboio naval de ajuda humanitária, face à inacção do secretário-geral Ban Ki-moon, que ia dilatando no tempo a sua obrigação de nomear a comissão de inquérito a que estava obrigado por deliberação do Conselho de Segurança, de 1 de Junho.

Entretanto esta decisão "obrigou" Ban Ki-moon, em meu entendimento, para tentar "controlar" o processo, a finalmente nomear uma nova comissão, passados 60 (sessenta) dias.

É que a nomeação de uma comissão de investigação internacional e independente não ia de encontro dos melhores interesses de Israel e logo dos Estados Unidos e dos seus aliados.

Os resultados de uma tal investigação poderão ser tão ou mais ruinosos para a credibilidade de Israel do que os do “Relatório Goldstone” sobre a agressão à Faixa de Gaza que se encontra “congelado” para ver se a opinião pública internacional o esquece.

Assim a tentativa era escusar-se a nomear uma tal comissão e a tentar tapar o Sol com a peneira, utilizando porventura os resultados da Comissão Turkel.

Não sendo possível era preciso encontrar rapidamente uma solução e em 9 (nove) dias apenas Ban Ki-moon tira uma Comissão de Investigação política da cartola, chefiada por Geoffrey Palmer, (ex-primeiro-ministro neozelandês) a que Israel “forçadamente” aderiu tentando evitar um "mal maior" tipo "Relatório Goldstone".

Esta comissão "política" é composta, para além de Palmer, por Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, como vice-presidente, e por um representante da Turquia e outro de Israel.

Curiosamente a Comissão espera concluir os seus trabalhos em meados de Setembro, ou seja, antes da Comissão de Investigação nomeada pelo CDH.

Em meu entendimento esta comissão, desde logo pela sua composição, não atingirá o objectivo a que se propôs: a descoberta da verdade sobre o ataque israelita de 31 de Maio ao comboio de navios transportando ajuda humanitária para a faixa de Gaza, onde se destaca a abordagem em águas internacionais, ao navio mercante de pavilhão turco Mavi Marmara, donde resultou a morte de 9 civis e ferimentos em dezenas de outros.

12 agosto, 2010

Chefe das IDF defende ataque à flotilha, reconhece erros e promete mais acção

Chefe das IDF defende ataque à flotilha, reconhece erros e promete mais acção

Neste artigo assinado por Gonçalo Venâncio, informa-se que o Major-General Gabi Ashkenazi, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), defendeu ontem perante o comité Turkel, - um comité nomeado pelo governo de Israel para tentar tapar o Sol com a peneira e fugir às suas responsabilidades de responder perante uma comissão de investigação internacional independente - a legitimidade do raide israelita à Frota da Liberdade, embora tenha reconhecido erros de avaliação na abordagem das tropas de elite ao Mavi Marmara.

Ashkenazi de acordo com as declarações que o Ionline apresenta como suas é mentiroso.

Para camuflar as responsabilidades do governo israelita e as suas na operação ilegítima e criminosa, contra a Flotilha da Liberdade que se dirigia à Faixa de Gaza, transportando ajuda humanitária, passa um atestado de incompetência à comunidade dos serviços de informações israelitas, que agora servem de bode expiatório e, ao mesmo tempo, ao seu Estado Maior e às suas Forças Especiais, quer no tocante à doutrina, quer ao planeamento da operação, quer ao treino.

Quem seguiu a preparação da Freedom Flotilla sabia que o Mavi Marmara levava cerca de 600 passageiros. Ashkenazi afirma que o seu erro "... foi ter pensado que estavam dez ou 15 pessoas no navio"

Estou certo que a Mossad até terá fornecido informação mais detalhada do que uma simples lista de passageiros e a Direcção dos Serviços de Informação Militar tem-se mostrado suficientemente competente para, neste caso, não ter feito o seu trabalho.

Assim quem planeou a operação tinha todos os dados necessários para prever o curso dos acontecimentos e tempo necessário para preparar e treinar os habituais planos de contingência.

O major-general Ashkenazi até no plano técnico é trapalhão quando, de acordo com o artigo do Ionline, afirma que: "Deveríamos ter usado armas de precisão"

As armas das Forças Especiais já são de uma certa precisão. E as armas de precisão não são possíveis de utilizar numa abordagem pois requerem posições fixas de fogo... senão lá se vai a precisão.

O Ionline esqueceu-se de referir o falhanço político do objectivo que o governo de Israel pretendia atingir com o comité Turquel: afastar um inquérito internacional independente.

De facto o Conselho dos Direitos Humanos da ONU nomeou uma comissão de inquérito internacional independente, de peritos, ao ataque israelita ao comboio naval de ajuda humanitária, em 23 de Julho, face à inacção do secretário-geral Ban Ki-moon, que ia dilatando no tempo a sua obrigação de nomear a comissão de inquérito a que estava obrigado por deliberação do Conselho de Segurança.

Entretanto esta decisão "obrigou" Ban, para "controlar" o processo a finalmente nomear uma nova comissão, chefiada pelo primeiro ministro neozelandês Geoffrey Palmer, a que Israel forçadamente aderiu para tentar evitar um "mal maior" tipo "Relatório Goldstone".

Esta comissão "política" é composta, para além de Palmer, por Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, como vice-presidente, e por um representante da Turquia e outro de Israel.

Em meu entendimento esta comissão, desde logo pela sua composição, não atingirá o objectivo a que se propôs: a descoberta da verdade sobre o ataque israelita de 31 de Maio ao comboio de navios transportando ajuda humanitária para a faixa de Gaza, onde se destaca a abordagem em águas internacionais, ao navio mercante de pavilhão turco Mavi Marmara, donde resultou a morte de 9 civis e ferimentos em dezenas de outros.

Na oportunidade chamo a vossa atenção para uma crónica de Uri Avnery de 6 de Julho de 2009, sobre a conduta ética e moral das Forças Armadas israelitas

06 agosto, 2010

A cerimónia do 65.º aniversário do lançamento da primeira bomba atómica e a indelicadeza do embaixador dos EUA

Pedindo o fim das armas nucleares, a cidade japonesa de Hiroshima lembrou nesta sexta-feira o 65º aniversário do lançamento da primeira bomba atómica, numa cerimónia que, pela primeira vez, teve participação oficial de algumas das potências nucleares, China, Estados Unidos, França e Reino Unido e ainda de um secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), neste caso, Ban Ki-moon.

Estiveram ainda presentes outros diplomatas representando 70 países.

Às 8h15 locais, exactamente a mesma hora em que o avião americano Enola Gay lançou a bomba atómica em 1945, as 55 mil pessoas que, segundo a agência local Kyodo, se reuniram no parque da Paz de Hiroshima, fizeram silêncio.

O parque ocupa a esplanada deixada pela detonação da bomba de urânio Little Boy, que arrasou Hiroshima, cidade que contava então com cerca de 350 mil habitantes, segundo cálculos actuais.

Cerca de 80 mil pessoas morreram de imediato, e até ao fim de 1945, o número de mortes já chegava às 140 mil. Ao longo dos anos muito mais pessoas morreram precocemente devido aos efeitos da radiação.

Três dias depois deste ataque, os EUA lançaram uma segunda bomba nuclear, agora de plutónio, sobre a cidade de Nagasaki, causando 74 mil mortes até o final daquele ano, levando o Japão à rendição e colocando assim fim à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Na cerimónia que marcou os 65 anos da tragédia, o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, pediu para o Japão abandonar o "guarda-chuva nuclear" dos EUA, país que após a Segunda Guerra Mundial se tornou o seu principal aliado.

Diante de um público que incluía o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, Akiba prestou homenagem aos mortos e aos hibakusha, (literalmente "pessoa afectada pela explosão") como são conhecidos os sobreviventes do desastre atómico, que "sem entender a razão, se viram envolvidos num inferno, para além de seus piores pesadelos".

O pedido do prefeito teve pronta resposta do primeiro-ministro do Japão, que após a cerimónia afirmou que a protecção nuclear dos EUA "continua sendo necessária" para o Japão, embora ao mesmo tempo tenha assegurado que o país tem a responsabilidade moral de liderar a luta contra as armas atómicas.

O embaixador americano compareceu "para expressar respeito por todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial", segundo comunicado da delegação diplomática em Tóquio, que destacou que os EUA e o Japão "compartilham o objectivo comum de avançar na visão do presidente Obama de conseguir um mundo sem armas nucleares".

A participação do embaixador dos EUA tinha suscitado grandes expectativas, que esperava alguma indicação sobre uma visita à cidade do presidente americano, Barack Obama, em Novembro, aquando da sua programada deslocação ao Japão.

No entanto, um porta-voz da Casa Branca afirmou nesta sexta-feira que, por enquanto, uma visita à cidade, que os EUA arrasaram em 1945, não está nos planos do presidente americano.

Ou seja o Senhor Embaixador dos EUA, John Roos, foi a uma cerimónia onde se prestava homenagem às vítimas do primeiro bombardeamento nuclear da história para, mais tarde e por comunicado, lhe tentar retirar significado e fazer propaganda do seu governo, que no entanto continua incapaz de assumir perante o seu aliado, o Japão, a responsabilidade do massacre e sofrimento de milhares de civis. Para fazer tal figura...

O secretário-geral da ONU, por seu lado, reiterou o seu compromisso com a abolição das armas atómicas, e mostrou a sua esperança de poder celebrar em 2020 a existência de um mundo sem ameaças nucleares.

Ban propôs fixar 2012 como o ano de entrada em vigor do Tratado para a Proibição de Testes Nucleares (CTBT), assinado em 1996, mas que continua à espera da ratificação de 44 nações, entre elas Estados Unidos e China.

O alto representante para Desarmamento, Sérgio Duarte, declarou à Rádio ONU, que:

"O Secretário-Geral fez um discurso de esperança, de futuro, de paz. Esta foi a mensagem que ele quis deixar aqui. Foi a primeira vez que um secretário-geral participou na cerimónia. Foi um gesto simbólico muito importante."

Sérgio Duarte afirmou ainda que o testemunho dos hibakusha é importante para que um ataque como este jamais se repita.

"Hoje, a média de idade dos hibakusha é de 77 anos. Em breve, eles desaparecerão. O que é preciso é que a memória deles, e o sofrimento deles ao longo da vida com os efeitos da radiação e dos problemas físicos que tiveram, sejam lembrados para que as gerações futuras saibam que a bomba é um instrumento desumano, que mata indiscriminadamente", concluiu.

26 julho, 2010

Ban Ki-moon não queria investigar ataque israelita

Transcrição de um artigo publicado pela Agência de Notícias IPS. Note que um artigo destes não é escrito no mesmo dia em que é publicado.  Isto porque no dia da sua publicação foi conhecida a decisão do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas de nomear uma comissão de inquérito ao ataque israelita ao comboio naval de ajuda humanitária. Há quem diga que esta nomeação surge à revelia  e a contra gosto do Senhor Ban Ki-moon, por isso achei de interesse apresentar este artigo, a que só agora tive acesso.

ONU não investiga ataque israelense contra flotilha humana
Thalif Deen

Nova York, Estados Unidos, 23/7/2010, (IPS) - Quando o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o assassinato de nove turcos da flotilha humanitária com destino a Gaza também “anotou” a proposta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de realizar uma investigação independente.



Porém, ainda não há sinais de uma “rápida investigação imparcial, confiável e transparente” do incidente de 31 de maio.


O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas designou uma comissão de três membros, liderados pelo juiz Richard Goldstone, para investigar a ofensiva militar israelense contra o território palestino de Gaza, no final de 2008 e começo de 2009, que deixou mais de 1.400 mortos e cinco mil feridos. A Comissão concluiu que Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) cometeram crimes de guerra.


As autoridades israelenses se preocuparam com a possibilidade de o chamado Informe Goldstone complicasse as possibilidades de o Estado judeu lançar outro ataque, disse à IPS o especialista em política Norman Finkelstein. “Lamentavelmente, Ban Ki-moon não implementou as recomendações do Informe Goldstone, de investigar os crimes de guerra, e só prolongou o processo. Agora, demora a criação de uma comissão que investigue os crimes cometidos contra o Mavi Marmara”, o navio da flotilha humanitária abordado pelas forças israelenses em alto mar.


O resultado é previsível, disse Norman, também autor de vários livros, entre eles “This time we went too far: truth and consequences of Gaza invasion” (Desta vez fomos muito longe: verdade e consequências da invasão de Gaza). Além disso, alertou que Israel se prepara para atacar o Líbano. “A ofensiva fará com que as anteriores pareçam mínimas. O Estado judeu poderá lançar um ataque monstruoso porque Ban Ki-moon não cumpriu sua responsabilidade”, previu. Quando a morte e a destruição se abaterem sobre o Líbano, Ban deverá ser culpado, disse Norman.


Por sua vez, um diplomata que pediu para não ser identificado disse que “é óbvio que o secretário-geral está pressionado pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais para que não haja uma investigação internacional sem a anuência de Israel. Se os israelenses aceitarem, o que duvido muito, será uma investigação leve, e não completa como a aprovada pelo Conselho de Segurança”. Em junho, uma equipe de investigação israelense absolveu as forças militares israelenses de crimes no ataque contra a flotilha humanitária.


“É claro que o governo de Israel repudia as críticas e as tentativas da ONU de analisar seu questionável comportamento”, afirmou Richard Falk, professor emérito de direito internacional da norte-americana Universidade de Princeton. Israel não quis colaborar com Richard Goldstone, o difamou e depois repudiou o informe, apesar do escrupuloso esforço para realizar uma análise equilibrada das denúncias contra as forças israelenses por violações dos direitos humanos, mas também palestinas, completou.


“A demora de Ban Ki-moon para designar uma equipe de investigação contrasta com a atitude que assumiu diante de um caso semelhante, o do Sri Lanka contra os rebeldes tamis”, recordou Richard, relator especial da ONU para os territórios palestinos. “Deveria ser óbvio que apenas uma equipe internacional pode realizar uma investigação completa, objetiva e confiável sobre o incidente, no qual Israel recorreu a questionável e desmedido uso da força contra a flotilha humanitária em águas internacionais”, acrescentou.


Ban trabalha muito para levar adiante sua proposta, respondeu o porta-voz da ONU, Martin Nesirky, ao ser consultado se o secretário-geral continua esperando a “permissão” de Israel para designar uma comissão investigadora. “Como sabem, reuniu-se com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e conversou com ele por telefone”, e também tratou do assunto com o chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, acrescentou.


“Não se trata de dilatar o assunto, mas de ter certeza de que todo o mundo está na mesma sintonia”, respondeu Martin quando perguntado sobre qual país, Turquia ou Israel, atrasava o processo. A comissão internacional “nunca verá a luz a julgar pelas últimas experiências”, afirmou, por sua vez, Naseer H. Aruri, reitor da Universidade de Massachusetts.


Israel, Estados Unidos e seus aliados ocidentais conseguiram em outubro passado “adiar” de forma indefinida o envio do Informe Goldstone ao Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra. Israel ameaçou funcionários palestinos de represálias e infligir maior dano ainda à economia dos territórios ocupados, segundo o jornal israelense Haaretz. O mesmo tipo de acusações teria caído sobre a Autoridade Nacional Palestina se não tivesse concordado em adiar a discussão sobre o Informe Goldstone no Conselho de Direitos Humanos.


As flagrantes violações do direito internacional cometidas pelas forças armadas de Israel contra a população civil receberam a mesma resposta tanto do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush (2001-2009), quanto do atual, Barack Obama. “Os dois desculpam e protegem Israel de investigações internacionais e permitem a esse país continuar agindo impunemente”, concluiu Naseer. IPS/Envolverde

(FIN/2010)

21 março, 2010

Ban Ki-moon pede a Israel que acabe com o bloqueio a Gaza

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, na sua visita de hoje à Faixa de Gaza governada pelo Hamas, exortou Israel a acabar com o bloqueio, iniciado em Junho de 2007, afirmando que causa "sofrimento inaceitável" e pediu aos palestinos que resolvam suas diferenças políticas.