Mostrar mensagens com a etiqueta ICAR.Pedofilia.Bélgica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ICAR.Pedofilia.Bélgica. Mostrar todas as mensagens

29 junho, 2010

Pedofilia: O estranho caso da "Comissão católica de investigação"

Pedofilia: Comissão de investigação de crimes na igreja demite-se após acção policial in Ionline

A comissão de investigação de crimes de pedofilia na Igreja Católica belga demitiu-se hoje, conta-nos o Ionline,

A comissão vai demitir-se em bloco”, anunciou hoje publicamente um dos seus membros, Karlijn Demasure, (professora de teologia numa universidade católica,), à saída da reunião deste organismo criado há dez anos para investigar denúncias de casos de pedofilia na igreja belga."

Há dez anos?
Então porquê que ainda em Abril deste ano o porta-voz da Conferência de Bispos Católicos da Bélgica, Eric De Beukelaer, propôs, a criação de uma comissão de investigação sobre a forma como a Igreja Católica tratou os casos de abuso?

Diz-nos o Ionline: "Em causa está uma investigação da polícia belga que a comissão acusa de ter apreendido 450 dossiers que, segundo o presidente do organismo, Peter Andriaenssens, continham testemunhos de vítimas que queriam manter o anonimato. "

E continua:

Retiramo-nos. O debate deve ser feito, agora, entre as vítimas, os responsáveis políticos, a justiça, a igreja e a opinião pública”.

Eu diria que o escândalo extravasou para o domínio público e que assim a "Comissão de Encobridores" deixou de fazer sentido, até porque, em certas circunstâncias, o encobrimento e a cumplicidade, para além da moral e da ética, são crimes que podem dar prisão.
 
Há que dizer que a pedofilia na Igreja Católica Belga não é novidade.

Cerca de 300 denúncias de casos de pedofilia cometidos por clérigos tinham sido apresentados aos bispos da Bélgica no passado dia 12 de Abril de 2010, ou seja há mais de dois meses. A notícia foi então distribuída pela Agência France Press, e mais dizia:

O fundador do grupo Direitos Humanos da Igreja Católica local, o padre Rick Davillé, afirmou que prestou assistência a inúmeras vítimas mas que apenas 15 casos foram investigados até o final e os culpados nunca foram punidos.

"Entre 1992 e 1998, apresentamos mais de 300 queixas de vítimas de abusos cometidos por padres, mas apenas 15 acabaram com a confissão dos acusados.

O religioso criticou a falta de apoio da hierarquia católica belga e disse que nunca houve punições.

O padre informou que a maioria das queixas foi deixada de lado por prescrição do caso e, inclusive, algumas vítimas foram acusadas de difamação.

Uma onda de escândalos sobre clérigos pedófilos tem eclodido pela Europa e Estados Unidos, sendo as mais altas hierarquias da Igreja Católica acusada de tê-los acobertado durante décadas.

28 junho, 2010

Bento XVI cúmplice pelo silêncio e na contumácia

Público - Bento XVI deplora buscas da polícia belga

Pelo menos na Bélgica, e para já, terá acabado a impunidade. E digo para já porque não se sabe em quê que resultarão as inevitáveis pressões políticas.

A Igreja Católica Belga afirma que ceca de 7 milhões de belgas - cerca de 75% da população total - professa a sua religião. No entanto, como por toda a parte na Europa, a secularização tem feito sentir fortemente os seus efeitos.

Segundo um estudo de Hooghe Marc, Quintelier Ellen & Reeskens Tim, "Kerkpraktijk in Vlaanderen. Trends en extrapolaties 1967-2004." Ethische Perspectieven, 16(2) (2006), pp. 113-123, publicado em de 2006, pelo Centro de Politologia da Universidade Católica de Lovaina, a assistência às missas dominicais caiu abaixo dos 10%.

Números mais recentes, não confirmados, apontam para os 6%.

Mas quantidade não quer dizer poder. O poder está nas elítes que dominam as finanças e a política e estas sabem que tem na Igreja Católica Apostólica Romana uma sua incondicional aliada.

É interessante anotar a reacção de Bento XVI, um cumplíce de sempre da política de silêncio que sempre envolveu os crimes de pedofília e não só.

Cumplice porque sabia e escondeu!

Era impossível desconhecer, sendo desde 1981 perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeado pelo Papa João Paulo II, cargo que manteve até ser eleito Papa em Abril de 2005.

A missão da Congregação para a Doutrina da Fé é promover e salvaguardar a doutrina sobre a fé e a moral católica em todo o mundo: Por esta razão, tudo aquilo que, de alguma maneira, tocar estes temas cai sob sua competência e assim claramente os casos de abuso sexual.

Mas o maior crime não foi o silêncio. Foi o beneplácito à política de realocação aministrativa de clérigos noutras paróquias onde, na maioria das vezes, voltavam a reincidir no abuso sexual.

NR: Veja sobre este tema a apresentação do livro "Sexo, Padres e Códigos Secretos - 2.000 anos de abuso sexual na Igreja Católica"