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02 março, 2011

Palestina:A administração da ocupação [ao frio estilo nazi] I

Um videoclipe filmado recentemente numa aldeia palestina nos territórios ocupados da Cisjordânia, mostra soldados israelitas a entrar numa casa à 1:00 da madrugada, a fim de fotografar e recolher informações sobre as crianças da casa. Moradores da aldeia acreditam que esta nova actuação está ligada às manifestações das sextas-feiras contra um colonato próximo, construído nas terras da aldeia.

A aldeia de An Nabi Salih está localizada a aproximadamente 15 km ao norte de Ramallah, e fica vizinha ao colonato israelita de Hallamish, que foi criado em 1977, numa área de 187 hectares, dos quais 61 hectares foram retirados à aldeia. O colonato tem uma população de 981 habitantes e é descrita como "ideológica" pela organização israelita Peace Now. O colonato está localizado a 10,7 quilómetros de Israel, nos territórios ocupados da Cisjordânia, em violação clara do artigo 49.º da Quarta Convenção de Genebra, que foi ratificada por Israel em 1951.

No início de 2010, o colonato de Hallamish expandiu-se e incorporou mais terras da aldeia, levando a manifestações regulares dos habitantes da aldeia, às sextas-feiras, e a prisões, incluindo a detenção de crianças tão jovens como de 11 anos. No mais recente desenvolvimento filmado por uma câmara como parte do projecto de distribuição de câmaras da [organização israelita] B'Tselem, os soldados israelitas aparentam estar a fotografar sistematicamente crianças da aldeia nas suas casas, à noite, com fria eficiência administrativa.

Em 19 de Fevereiro de 2011, 14 de um total de 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, votaram a favor de um projecto de resolução reafirmando a ilegalidade dos colonatos israelitas nos territórios ocupados da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, e pedindo a imediata suspensão da sua construção. A resolução não for aprovada porque a Administração Obama exerceu o seu poder de veto pela primeira vez desde que chegou ao governo.




2011/03/01

The administration of occupation


[1 March 2011] – A recent video clip filmed in a Palestinian village in the occupied West Bank, shows Israeli soldiers entering a house at 1:00 am in order to photograph and collect information on children in the house. Residents of the village believe that this development is connected to Friday demonstrations against a nearby settlement built on village lands.
The village of An Nabi Salih is located approximately 15 km north of Ramallah, and is adjacent to the Israeli settlement of Hallamish, which was established in 1977, on 187 acres, of which 61 acres were taken from the village. The settlement has a population of 981 inhabitants and is described as 'ideological' by the Israeli organisation Peace Now. The settlement is located 10.7 kilometres from Israel, in the occupied West Bank, in clear violation of Article 49 of the Fourth Geneva Convention, which was ratified by Israel in 1951.  
In early 2010, the settlement of Hallamish expanded and incorporated more village lands leading to regular Friday demonstrations by the villagers, and a number of arrests, including the arrest of children as young as 11 years. In the latest development caught on camera as part of B'Tselem's camera distribution project, Israeli soldiers appear to be systematically photographing children from the village in their homes at night, with chilling administrative efficiency.< /p>
On 19 February 2011, 14 out of a total of 15 members of the UN Security Council, voted in favour of a draft resolution reaffirming the illegality of Israeli settlements in the occupied West Bank and East Jerusalem, and calling for an immediate halt to construction. The resolution failed to pass as the Obama Administration exercised its veto power for the first time since coming to office.

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22 outubro, 2010

Actualização: "Porquê os colonatos?" por Hagit Ofran

Actualizado com a tradução para português às: 19:15 de 2010.10.24
 
Respigado do blog da secção "Médio Oriente" do site da organização "The Elders"



Porquê os colonatos?

"Colonatos" será de certeza uma palavra-chave durante a visita da missão dos “Elders” a Israel e aos territórios palestinianos ocupados. A questão do "congelamento dos colonatos", está na agenda mundial, como parte dos esforços para iniciar negociações reais entre os palestinos e Israel. Mas porquê que a questão dos colonatos é vista como um obstáculo no caminho para a paz?

Como judia israelita que acredita firmemente que a única maneira para que possamos realizar o sonho sionista de um Estado judeu e democrático, na terra de Israel é estabelecer um Estado palestino lado a lado com Israel, eu vejo a construção em curso nos colonatos como a nosso própria "marcha da insensatez".

Nos 43 anos de ocupação, Israel estabeleceu 120 colonatos (e outros 95 "postos avançados” ilegais)  [todos eles são ilegais face ao direito internacional e às resoluções do Conselho de segurança das Nações Unidas] na Cisjordânia. Eles são o lar para 296.700 colonos. Em Jerusalém Oriental, 192 mil israelitas residem em outros 12 bairros israelitas em terras ocupadas anexadas unilateralmente por Israel.

Para que os dois lados possam viver em paz, Israel terá de parar com a ocupação e permitir a criação de um Estado palestino viável nos territórios ocupados. A maioria destes colonatos terá de ser removida. Como Israel continua a desenvolver os colonatos, isso tornar-se-á cada vez mais difícil.

Há algumas semanas atrás, [o movimento israelita] Peace Now organizou "uma conferência de imprensa nos céus". Convidamos cerca de 50 jornalistas, membros do Knesset e líderes de opinião pública para um voo sobre a Cisjordânia. Foi uma das nossas maneiras de transmitir a mensagem ao povo israelita, de que os colonatos já estão muito grandes e profundamente encravados no território [ocupado] - e que estamos, portanto, quase num ponto sem retorno para a solução dos Dois Estados.

Screenshot of Peace Now's 'Facts on the ground' map project
Projecto do mapa de “Factos no terreno“ do movimento Peace Now

Em paralelo a nossa organização irmã, a Americans for Peace Now, lançou uma nova aplicação para iPhone com um mapa de todos os colonatos e informações detalhadas acerca deles para que todos possam ver e entender a importância da questão.

O gráfico seguinte mostra o número de novas habitações que começaram a ser construídas nos colonatos entre 1973 e 2009, segundo dados do Departamento Central de Estatísticas de Israel.

Graph showing settlement construction from 1973 to 2009
Gráfico mostrando a construção de colonatos de 1973 a 2009

Como podemos ver, mesmo após o início do processo de Oslo, em 1993, quando Israel e os palestinos concordaram em iniciar um processo que deveria ter terminado com um acordo de dois estados em 1999, Israel continuou a construir nos colonatos. De facto, desde os acordos de Oslo, o número de colonos mais do que duplicou (de 116.000 em 1993 para 296.700 em 2009).

Colonatos e o processo de paz

Cada novo tijolo assente nos colonatos é uma mensagem aos palestinos de que Israel não tem intenção de abandonar os territórios ocupados. A liderança palestina perde o que resta da sua credibilidade junto do povo palestino, sempre que a construção continua. Para eles, é quase impossível continuar as negociações com Israel, enquanto a construção estiver em curso.

Alguns podem argumentar que isso significa que Israel não quer realmente a paz. Eu acho que essa é uma explicação muito simplista.

A opinião pública de Israel mudou drasticamente nos últimos anos. Quando o primeiro-ministro Rabin iniciou o processo de Oslo, em 1993, houve muita oposição em Israel contra isso (liderada por Netanyahu, então como membro do Knesset). Mesmo na área do Partido Trabalhista, havia receio em mencionar as palavras "Estado palestino". Com o passar dos anos, muitos daqueles que se opuseram fortemente à solução de Dois Estados, incluindo Ehud Olmert e Tzipi Livni (talvez até o próprio Netanyahu), juntaram-se àqueles que defendem essa posição. As sondagens mostram que a maioria dos israelitas está disposta a desistir dos colonatos e a pagar o preço da paz, só que eles não acreditam que o outro lado vá concordar.

Então porque é que Israel continua a construir nos colonatos?

Eu penso que psicologicamente o povo israelita considera que já concordamos em desistir da maioria dos colonatos. É como se tivéssemos feito a nossa parte: agora estamos esperando que os palestinos façam a sua parte e que aprovem as últimas questões. Até que os palestinos possam avançar nesta direcção, parece que a construção de colonatos é "business as usual" para a maioria dos israelitas.

Eu acredito que essa atitude acaba por prejudicar os interesses de Israel. O Projecto do Observatório dos Colonatos do movimento Paz Agora tenta desafiar essa sensação de complacência, reunindo informações sobre a construção de colonatos para que possam ser conhecidos e debatidos na imprensa israelita.

Desejo à missão dos Elders uma boa viagem. Estou certo de que o facto de estarem aqui mais uma vez, levantará a questão dos colonatos e ajudará a explicar a um povo cansado da urgência da paz.

Hagit Ofran dirige o Projecto do Observatório dos Colonatos do movimento israelita Paz Agora (Shalom Achshav). Amplamente reconhecida como a maior especialista de Israel em colonatos da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, Hagit é responsável por monitorar, controlar e analisar a construção e planeamento dos colonatos israelitas na Cisjordânia.

O seu trabalho inclui viagens diárias através da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental monitorando a evolução relacionada com colonatos, obtendo e analisando fotos aéreas dos colonatos e examinando documentos oficiais israelitas.

16 maio, 2010

Manifestação Sionista aponta para a retirada de Israel e que Jerusalém seja a capital das duas nações

Cerca de 2.000 pessoas de todo o país participaram numa manifestação de esquerda perto da Praça de Zion, em Jerusalém, na noite de sábado.

A manifestação, organizada por membros do chamado "Campo da esquerda Sionista", foi realizada sob a bandeira: "Os sionistas não colonizam."

A manifestação foi organizada pelo Movimento da Esquerda Nacional, pelo Peace Now, pela Iniciativa de Genebra, pelo Meretz, pela Ofek, célula de estudantes da Universidade Hebraica, e por activistas do Partido Trabalhista. Muitos dos participantes empunharam bandeiras de Israel durante a manifestação.

Os manifestantes foram confrontados por alguns activistas de direita segurando cartazes dizendo: "Jerusalém - apenas para os judeus."

Falando no evento, Dr. Gadi Taub afirmou:

"Nós precisamos ter certeza de que o argumento nacional e o argumento dos direitos humanos não se contradizem. Ambos os argumentos conduzem à saída do território."

"Ser sionista significa sair dos territórios e não o domínio sobre outro povo", afirmou. "O partido nacional não é a Direita. A Direita é o partido bi-nacional."

Taub acrescentou que o Sionismo: não era sobre a terra, mas sim, sobre a libertação do povo.

"Esta é a visão de Ben-Gurion e a visão de Herzl", afirmou. "Se nós não deixarmos os territórios, perderemos a realização do sionismo - um Estado judeu e democrático".

A cantora Achinoam Nini, que actuou no comício, referiu o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, dizendo que "hoje, 15 anos após aquela terrível assassinato, tomamos o nosso destino nas nossas próprias mãos."

"Nós escolhemos o diálogo constante até que a paz seja alcançada. Jerusalém deve ser uma cidade de paz - uma capital para duas nações.", afirmou.