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26 janeiro, 2011

Hoje, dia 26 às 17h30, Exijamos o reconhecimento do Estado da Palestina

Hoje, dia 26 às 17h30,

Concentração à frente da Assembleia da República

De apoio

Ao reconhecimento imediato por Portugal e pela União Europeia do Estado da Palestina nas fronteiras de 1967, nos termos do direito internacional aplicável.

De protesto

Pela política de ocupação, de opressão e de repressão do Estado de Israel, materializada nos colonatos, na expulsão forçada de palestinos dos seus lares, na demolição de casas e instalações palestinas, na destruição de colheitas, na terraplanagem de campos de cultivo, nas restrições ao direito à água, à liberdade e mobilidade dos cidadãos palestinos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e nos que se encontram sitiados na Faixa de Gaza, milhão e meio de seres humanos sobrevivendo no meio de uma profunda crise humanitária.

De protesto

Contra a tortura e os maus tratos, o uso desnecessário e excessivo da força, as detenções administrativas que se renovam e prolongam no tempo, onde o direito de defesa é denegado, ao arremedo de “justiça” levada a efeito em tribunais militares especiais, e onde os direitos de defesa dos acusados são postergados, às condições degradantes e onde o direito de visita é negado, situações estas a que estão sujeitos todos palestinos, sejam crianças ou adultos.

De protesto

Pela perseguição às ONGs israelitas que defendem os direitos humanos e humanitários e a Paz no Estado de Israel.

De Protesto

Pela forma como o Governo Português recebe o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel que excedem em muito os interesses e as obrigações diplomáticas de Portugal, nomeadamente enquanto membro do Conselho de Segurança da ONU.

De repúdio

Pela forma como a Assembleia da República e o seu Presidente, Jaime Gama, recebe o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, já que nada obrigava a receber Avigdor Lieberman, que como ministro, como parlamentar no Knesset, e dirigente político de um partido xenófobo de extrema-direita, tem defendido a política ilegal e criminosa de ocupação e colonização dos territórios palestinos, políticas racistas de limpeza étnica e de apartheid, quer nos territórios sob ocupação quer no território de Israel, e de limitação das liberdades dos seus compatriotas israelitas e de organizações israelitas que defendem os direitos humanos, denunciam aquelas políticas e defendem a Paz.

Exigindo

Ao Governo e à Assembleia da República a adopção de medidas que, conforme a Constituição Portuguesa e o direito internacional, pressionem Israel a escolher a Paz e a democracia, nomeadamente reconhecendo o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967.


Compareçam e passem a palavra!

2011: Ano da Palestina!
Exijamos a Paz!

NB:  Foi solicitada autorização para realizar esta iniciativa. ao Governo Civil de Lisboa para realizar esta iniciativa. A única resposta que o Senhor Governador Civil remeteu aos requerentes, até este momento, foi que o pedido fora entregue fora de prazo, não proibindo expressamente a realização da mesma . De acordo com a leitura do jurista Domingos Lopes, não havendo expressa proibição nada impede a concentração de cidadãos no local. Acrescentando eu, desde que sejam respeitadas as indicações das Forças de Segurança destacadas para o local.

25 janeiro, 2011

Avigdor Lieberman em Lisboa. Comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina

Sócrates e Amado recebem um símbolo do apartheid
e do terrorismo de Estado

O Comité de Solidariedade com a Palestina manifesta o mais vivo repúdio pela visita a Lisboa de Avigdor Lieberman, ministro israelita dos Negócios Estrangeiros e figura de proa do partido da extrema-direita Israel Beitenu.

Raia a provocação que o Governo de Portugal e, nomeadamente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal recebam esta visita depois de o Estado português ter condenado os crimes de guerra israelitas contra a Faixa de Gaza por ocasião da votação do relatório Goldstone e sabendo-se que Israel prossegue a sua política colonialista de apartheid e de ocupação da Palestina, que persiste nas suas acções de limpeza étnica contra os árabes israelitas que vivem no seu território e contra os palestinianos nos territórios ocupados, que desrespeita, com a arrogância que se lhe conhece, os mais elementares Direitos Humanos e o Direito Internacional, que se recusa insolentemente a observar as inúmeras Resoluções quer do Conselho de Segurança quer da Assembleia Geral das Nações Unidas, que persegue e pune os seus próprios cidadãos israelitas que não se conformam com a política de terror contra o Povo Palestiniano indefeso, que se afirma, com toda a hipocrisia, como a única «democracia» do Médio Oriente.

Duplamente escandalosa é a recepção dispensada a Lieberman, precisamente quando o parceiro israelita do PS, o Partido Trabalhista, rompe com o Governo e com o seu ex-líder Ehud Barak porque, mesmo para o sionismo militante dos trabalhistas, já se tinha tornado indigesto o estilo do Governo de extrema-direita – intratável, ultimatista e inconveniente nos areópagos internacionais.

É certo que Lieberman passa em Portugal no regresso duma visita à Grã-Bretanha e que não foi aí recebido como um pária da diplomacia internacional (bem ao contrário da sua antecessora no cargo, a ex-ministra Tzipi Livni, que tivera de cancelar uma visita a Londres por pender contra ela um mandato de captura, devido aos crimes de guerra de que era co-responsável na agressão contra a Faixa de Gaza). Mas é só uma questão de tempo até que os crimes de Lieberman, o falcão, comecem a ser tão investigados e conhecidos como os de Livni, a “pomba”. Alguns deram já azo a ondas de indignação em todo o mundo, como o assassínio no Dubai do dirigente do Hamas, Mahmoud al-Mabhouh, com passaportes falsificados de vários outros países; ou como a mortífera acção de pirataria israelita contra a “Flotilha da Liberdade”, em águas internacionais.

Concluímos portanto sublinhando que está a ser recebido em Lisboa um criminoso da guerra suja da Mossad e um falsário internacional de grande calibre, no mesmo dia em que o Peru anuncia reconhecer o Estado palestiniano nas fronteiras de 1967, e num lapso de poucas semanas em que os principais países latino-americanos, incluindo o Brasil, se sucedem a dar esse passo simbólico. A diplomacia portuguesa anda em más companhias e em contra-mão das tendências da diplomacia mundial.

Comité de Solidariedade com a Palestina

Lisboa, 25 de Janeiro de 2011

Visita a Lisboa de Avigdor Lieberman



Este é o despacho da Lusa desta madrugada a que não faço comentários:

O chefe da diplomacia israelita reúne-se na quarta-feira em Lisboa com o primeiro-ministro, José Sócrates, no âmbito de uma visita em que manterá também reuniões com o homólogo português Luís Amado e com o Presidente da Assembleia da República.



Avigdor Lieberman tem o encontro com José Sócrates previsto para as 17:30 de quarta-feira, adiantou hoje à Lusa fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros. 

Antes, na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel será recebido pelo chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, com o processo de paz no Médio Oriente e relações bilaterais na agenda, indicou a mesma fonte. Ao encontro seguir-se-á um jantar de trabalho entre os dois ministros. 

O vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros israelita prossegue a sua visita a Portugal com um encontro com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, que está marcado para a manhã de quarta-feira. 

No mesmo dia, Avigdor Lieberman será também recebido pela Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, indicou a mesma fonte. 

Ainda na quarta-feira, Lieberman tem marcado um encontro com a comunidade israelita em Lisboa e um jantar com a Associação de Amizade Portugal-Israel. [de acordo com o site do MNE trata-se do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Israel ]

O processo de paz israelo-palestiniano, relançado a 02 de setembro de 2010 sob a égide dos Estados Unidos, está novamente num impasse dada a recusa do governo de Benjamin Netanyahu em suspender a construção nos colonatos israelitas na Cisjordânia e de Jerusalém oriental.

02 julho, 2010

Diálogo secreto com turcos causa crise no governo de Israel

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Avigdor Lieberman, criticou duramente o primeiro-ministro Benjamim Netanyahu por manter conversações secretas de reaproximação com a Turquia sem o seu conhecimento prévio. A crise no governo israelita ocorreu antes da reunião de ontem de Netanyahu, com o enviado especial dos EUA ao Médio Oriente, George Mitchell, com Netanyahu.

"O ministro dos Negócios Estrangeiros considera grave o facto de o encontro ter ocorrido sem uma consulta ao ministério. É um insulto às normas de um comportamento aceitável e prejudica a confiança entre o ministro dos Negócios Estrangeiros e o primeiro-ministro", informou, em comunicado, o gabinete de Lieberman.

Os governos israelita e turco tentam reduzir as tensões que se intensificaram depois do ataque à Flotilha da Liberdade que se dirigia para Gaza. Assim o deputado Benjamin Ben Eliezer, do Partido Trabalhista, que integra a coligação de Netanyahu, reuniu-se em segredo, Genebra, com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Ahmet Davutoglu.

Até recentemente, os dois países eram aliados estratégicos no Médio Oriente. Nos últimos dois anos, a relação tem-se vindo a deteriorar, agravando-se com o incidente do Mavi Marmara onde foram assassinados 9 activistas turcos, num assalto de fuzileiros israelitas, aquele navio, de pavilhão turco, em águas internacionais, e que transportava ajuda humanitária para Gaza.

Procurando reduzir a tensão com Lieberman, considerado um dos mais radicais da coaligação no governo, o gabinete de Netanyahu afirmou, que teria havido problemas de comunicação com o MNE.

Na reunião com Mitchell, Netanyahu recebeu elogios por ter amenizado o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, actualmente controlada pelo Hamas.

"Houve progresso na permissão para a entrada de bens em Gaza", afirmou o enviado especial dos EUA. Os dois também analisaram a possibilidade de negociações directas entre Israel e a Autoridade Palestina.

Esta era a situação reportada pela UN OCHA oPt e referida à semana de 13 a 19 de Junho, sobre o número de camiões de mercadorias entrados na Faixa de Gaza, mais logo iremos conhecer a real evolução da decisão de Israel de "suavizar" o bloqueio.

Mas falta esclarecer a situação das exportações das mercadorias produzidas em Gaza, apesar de destruição profunda e alargada do seu tecido produtivo  - no mínimo flores e de morangos - e da liberdade de circulação dos seus habitantes. 

30 junho, 2010

Não haverá Estado Palestino antes de 2012! "Decreta" Avigdor Liberman

Avigdor Lieberman, afirmou que não haverá Estado palestino antes de 2012, ao receber ontem , em Jerusalém, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, Sergei Lavrov.

Uma declaração de circunstância para "amansar" Obama e os seus aliados.

10 maio, 2010

Israel convidado a entrar na OCDE. A trafulhice nas contas não contam


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Os países da OCDE concordaram hoje convidar a Estónia, a Eslovénia e Israel para se tornarem membros da organização.

A Estónia, Israel e a Eslovénia, juntamente com o Chile, que acaba de depositar o seu dossier para se tornar membro de pleno direito, irão contribuir para uma OCDE mais plural e aberta, que está desempenhando um papel cada vez mais importante na arquitectura económica global ", afirmou o secretário-geral da OCDE Angel Gurría.

Durante quase três anos de negociações para a adesão, os três países foram analisados por 18 comissões da OCDE no que diz respeito à sua conformidade com as normas da OCDE e benchmarks. "Todos os três países têm sido receptivos às recomendações da OCDE sobre questões importantes e as negociações de adesão ter sido abertas e construtivas", disse o Sr. Gurría. "O processo de adesão à OCDE produziu mudanças na política real e reformas em todos os países candidatos à adesão. Uma vez que os países se tornem membros, este processo de transformação continuará. "

[Faltou ponderar que Israel é um país ocupante de território de terceiros, que condiciona a vida, oprimindo e reprimindo violentamente cerca de 4 milhões e meio de seres humanos em razão da sua origem, cultura e religião, dos quais cerca de 1,5 milhão se encontra encerrado num campo de concentração a céu aberto, onde sobrevive à mingua de tudo. Que não respeita o direito internacional, nem os direitos humanos nem o direito humanitário – a Faixa de Gaza. Que destruiu pelo ferro e pelo fogo e sufocou o remanescente da já de si incipiente economia palestina, em todas as suas áreas. Que finalmente trafulhou os dados estatísticos que entregou à Comissão de Estatísticas da OCDE. Afinal parece que os standards da OCDE estão ao nível de Israel. Abaixo da ética, nos negócios, abaixo da seriedade, na política. Aliás Portugal também é um bom exemplo.]

O convite para a Estónia, Israel e Eslovénia integrar a OCDE reconhece os esforços já feitos para reformar as suas economias, inclusive em áreas como a luta contra a corrupção, [nem de propósito vi hoje um artigo sobre a corrupção em Israel, intitulado “A who's who of corrupt Israeli officials” da autoria de Matt Beynon Rees do  GlobalPost que é bem claro sobre o tema, apesar de ter deixado de fora outras personagens ex-governantes e actuais, com processos em aberto – por exemplo o actual MNE Avigdor Liberman ], proteger os direitos de propriedade intelectual e assegurar elevados padrões de governança corporativa, enquanto perspectivam novas reformas.

A OCDE dará as boas-vindas aos três futuros membros numa cerimónia especial durante a reunião anual do Concelho da OCDE, a nível ministerial, que se realizará, a 27 de Maio, em Paris. A reunião será presidida pelo Primeiro-Ministro italiano Silvio Berlusconi.

[Israel e a OCDE irão ter um “oficiante” à sua “altura”]

Entretanto Liberman já hoje afirmou que: “… esta resolução é uma marca de homologação para a economia do país e para as suas realizações em tecnologia.

Salientando “… que a resolução foi unânime, apesar das tentativas de entidades anti-israelitas para impedirem a aceitação de Israel pela OCDE. O facto de tais tentativas terem falhado é a prova da sólida posição de Israel na comunidade internacional e mostra o reconhecimento pelos seus resultados, apesar dos ferozes incitamentos contra, em qualquer imaginável contexto: político, segurança e económico.”

28 janeiro, 2009

Do lado errado

Um texto datado de 24.01.2009 da autoria de Uri Avnery, do Gush Shalom (Bloco da Paz), uma organização israelita que se bate pela Paz na Palestina e em Israel, onde analisa o discurso de tomada de posse de Barack Obama.
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DE TODAS as belas frases que Barack Obama proferiu no seu discurso de tomada de posse, estas são as palavras que ficaram presas na minha memória:

"Estão do lado errado da história".

Obama referia-se aos regimes ditatoriais no mundo. Mas nós, também, devemos reflectir sobre estas palavras.

Nos últimos dias tenho ouvido inúmeras declarações de Ehud Barak, Tzipi Livni, Binyamin Netanyahu e Ehud Olmert. E de cada vez que as oiço, estas oito palavras voltam para me assombrar: "Estão do lado errado da história".

Obama estava a falar como um homem do século XXI. Os nossos líderes (israelitas) falam a linguagem do século XIX. Eles lembram-me os dinossauros que antes aterrorizavam a sua vizinhança sem que notassem que o seu tempo já tinha passado.

DURANTE a cerimónia, uma e outra vez, o mosaico multicolorido da família do novo presidente foi mencionado.

Todos os 43 presidentes anteriores eram brancos protestantes, excepto John Kennedy, que era um branco católico.

38, entre eles, foram descendentes de imigrantes das Ilhas Britânicas.

Dos outros cinco, três foram de ascendência holandesa (Theodor e Franklin D. Roosevelt, bem como Martin Van Buren) e dois de ascendência alemã (Herbert Hoover e Dwight Eisenhower).

O rosto da família Obama é muito diferente.

A família alargada inclui brancos e descendentes de escravos negros, africanos do Quénia, indonésios, chineses do Canadá, cristãos, muçulmanos e até mesmo um judeu (um convertido Afro-Americano).

Os dois primeiros nomes do presidente, Barack Hussein, são árabes.

Este é a face da nova nação americana - uma mistura de raças, religiões, países de origem e de cores de pele, uma sociedade aberta e diversificada, onde todos os seus membros são supostamente iguais e identificam-se com os "pais fundadores".

O americano Barack Hussein Obama, cujo pai nasceu num vilarejo do Quénia, pode falar com orgulho do "George Washington, o pai da nossa nação", da "Revolução Americana" (a guerra de independência contra os britânicos), e manter o exemplo dos "nossos antepassados", que incluem tanto os pioneiros brancos como os negros escravos que "sofreram o açoite do chicote".

Essa é a percepção de uma nação moderna, multi-cultural e multi-racial: uma pessoa pertence-lhe ao adquirir cidadania, e a partir desse momento, é o herdeiro de toda a sua história.

Israel é o produto do estreito nacionalismo do século XIX, um nacionalismo fechado e exclusivo, com base na raça e na origem étnica, no sangue e na terra.

Israel é um "Estado judeu", e um judeu é uma pessoa nascida judia ou convertida de acordo com a lei religiosa judaica (Halakha).

Tal como o Paquistão e a Arábia Saudita, Israel é um estado cuja dimensão espiritual é em grande medida condicionada pela religião, raça e origem étnica.

Quando Ehud Barak fala sobre o futuro, ele fala a linguagem de séculos passados, em termos de força bruta e ameaça brutal, com exércitos fornecendo a solução para todos os problemas.

Essa foi também a linguagem de George W. Bush, que na semana passada se escapou furtivamente de Washington, uma linguagem que já soa aos ouvidos ocidentais como um eco do passado distante.

As palavras do novo presidente ressoam no ar:

"O nosso poder por si só não pode proteger-nos, nem nos dá o direito de fazer o que nos apetecer."

As palavras-chave foram "humildade e moderação".

Os nossos líderes estão agora ostentando a sua participação na Guerra de Gaza, na qual desenfreada força militar foi desencadeada intencionalmente contra uma população civil, homens, mulheres e crianças, com o objectivo declarado de "criação de dissuasão".

Na era que se iniciou terça-feira passada, essas expressões só podem despertar horror.

ENTRE Israel e os Estados Unidos abriu-se uma fissura, esta semana, uma estreita fissura, quase invisível - mas ela pode abrir-se num abismo.

Os primeiros sinais são pequenos.

No seu discurso de tomada de posse, proclamou Obama que:

"Somos uma nação de cristãos e de muçulmanos, judeus e hindus - e de não-crentes."

Desde quando?

Desde quando é que os muçulmanos precederam os judeus?

O que aconteceu com o "Património judaico-cristão"? (Uma ideia completamente falsa para começar, já que o Judaísmo está muito mais próximo do Islamismo do que do Cristianismo. Por exemplo: nem o Judaísmo nem o Islamismo apoiam a separação entre religião e estado).

Na manhã seguinte, Obama telefonou a alguns líderes do Médio Oriente.

E decidiu ter um gesto bastante singular: fazendo a primeira chamada para Mahmoud Abbas e só depois telefonando a Olmert.

A media israelita não teve estômago para tanto.

O Haaretz, por exemplo, falsificou conscientemente a informação escrevendo - e não uma vez, mas duas vezes sobre a mesma questão - que Obama teria telefonado a "Olmert, Abbas, Mubarak e ao rei Abdallah" (por essa ordem).

Em vez do grupo de judeus americanos que haviam sido responsáveis pelo conflito israelo-palestiniano durante as administrações de Clinton e de Bush, Obama, no seu primeiro dia no cargo, nomeou um árabe-americano, George Mitchell, cuja mãe havia chegado à América vinda do Líbano com 18 anos, e que, órfão de seu pai irlandês, foi criado por uma família libanesa cristã-maronita.

Estas não são boas notícias para os dirigentes israelitas.

Nos últimos 42 anos, têm prosseguido uma política de expansão, ocupação e de colonização em estreita cooperação com Washington.

Têm confiado no ilimitado apoio americano, desde a oferta massiva de dinheiro e de armas, ao uso do veto no Conselho de Segurança. Este apoio foi essencial para sua política. Este apoio poderá agora ter atingindo o seu termo.
Vai acontecer, naturalmente, de forma gradual.

O lobby pró-Israel em Washington vai continuar a colocar o medo de Deus no Congresso. Um navio enorme como os Estados Unidos só pode mudar de rumo muito lentamente, numa curva suave. Mas a mudança começou já no primeiro dia da administração Obama.

Isso não poderia ter acontecido, se a própria América não tivesse mudado.

Não se trata apenas de uma mudança política. É uma mudança na visão do mundo, na mentalidade, nos valores.

Um certo mito americano, que é muito semelhante ao mito sionista, foi substituído por um outro mito americano. Não é por acaso que Obama dedica ao tema uma tão grande parte do seu discurso (no qual, por sinal, não houve uma única palavra sobre o extermínio dos nativos americanos).

A Guerra de Gaza, durante a qual dezenas de milhões de americanos viram a horrível carnificina na Faixa de Gaza (mesmo que uma rigorosa auto-censura, cortasse quase tudo excepto uma ínfima parte), acelerou o processo de afastamento.

Israel, a corajosa irmãzinha, o fiel aliado de Bush na "guerra ao terror", tornou-se no violento Israel, o monstro enlouquecido, que não tem qualquer compaixão pelas mulheres e crianças, os feridos e os doentes. E quando ventos destes estão soprando, o Lobby perde peso.

Os líderes de Israel não deram conta. Eles não sentiram, quando Obama os colocou num outro contexto, que "o terreno fugira debaixo deles." Eles pensam que este não é mais do que um problema político temporário que pode ser resolvido a contento com a ajuda do Lobby e dos membros servis no Congresso.

Os nossos líderes continuam intoxicados com a guerra e embriagados com a violência.

Refraseando a famosa expressão do general prussiano, Carl von Clausewitz: "A guerra é apenas a continuação de uma campanha eleitoral mas por outros meios." Competem, uns contra os outros, vangloriando-se e bazofiando pela sua parte dos "créditos".

Tzipi Livni, que não pode competir com os homens para a coroa de senhor da guerra, tenta supera-los na tenacidade, na belicosidade, e na dureza de coração.

O mais brutal é Ehud Barak.

Uma vez chamei-lhe "criminoso da paz", porque levou ao fracasso a conferência de Camp David, em 2000, e destruiu o campo da paz em Israel.

Agora, devo chamá-lo de "criminoso de guerra", pois que planificou a Guerra de Gaza sabendo que iria assassinar massivamente civis.

Aos seus próprios olhos e aos olhos de uma grande parte do público, esta é uma operação militar, que merece todos os elogios.

Os seus assessores também pensaram que esta operação iria trazer-lhe sucesso nas eleições.

O partido trabalhista, que tinha sido o maior partido no Knesset durante décadas, tinha encolhido nas sondagens para 12, até 9 lugares, num total de 120.

Com a ajuda da atrocidade de Gaza subiu agora para os 16, se tanto. Não é uma vitória retumbante e não há nenhuma garantia de que não se vá afundar novamente.

Qual foi o erro de Barak?

Muito simples: qualquer guerra ajuda a direita. A Guerra, por sua própria natureza, desperta na população as mais primitivas emoções - ódio e medo, medo e ódio.

Estas são as emoções que a Direita tem cavalgado por séculos.

Mesmo quando é a "Esquerda", que começa uma guerra, ainda é a direita que dela beneficia.

Num estado de guerra, a população prefere uma honesto-e-bondoso direitista que um impostor esquerdista.

Isso está acontecendo com Barak pela segunda vez.

Quando, em 2000, ele espalhou o mantra "Tenho virado cada pedra no caminho para a paz, / Tenho feito aos palestinos ofertas sem precedentes, / Eles rejeitaram tudo, / Não há ninguém com quem falar" -, conseguiu não só estilhaçar a esquerda, mas também preparar o caminho para a ascensão de Ariel Sharon nas eleições de 2001.

Agora, está preparando o caminho para Binyamin Netanyahu (esperando, claramente, tornar-se o seu ministro da Defesa).

E não só para ele.

O verdadeiro vencedor da guerra é um homem que não teve parte em nada dela: Avigdor Liberman.

O seu partido, que, em qualquer país normal seria chamado de fascista, tem vindo a subir nas sondagens. Por quê? Porque Liberman parece e soa como um Mussolini israelita, ele odeia os árabes desenfreadamente, um homem do mais brutal vigor. Comparado a ele, inclusive Netanyahu parece um “fraco”.

Uma grande parte da geração jovem, alimentada por anos de ocupação, mortandade e destruição, depois de duas guerras atrozes, considera-o um líder digno.
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ENQUANTO OS E.U.A. deram um gigantesco salto à esquerda, Israel está prestes a saltar ainda mais para a direita.

Quem viu os milhões agitando-se em Washington, no dia da tomada de posse. sabe que Obama não estava a falar apenas para si próprio. Ele expressava as aspirações do seu povo, o espírito da sua época (Zeitgeist).

Entre a mentalidade de Obama e a mentalidade de Liberman e de Netanyahu não há qualquer contacto. Entre Obama e Livni e Barak (Ehud) também se escancara um abismo.

A pós-eleição de Israel poderá encontrar-se em rota de colisão com o pós-eleitoral da América.

Onde estão os judeus americanos?

A esmagadora maioria deles votaram a favor de Obama. Ficaram entre o martelo e da bigorna - entre o seu governo e a sua natural simpatia por Israel.

É razoável supor, por isso, que irão exercer pressão sobre os "líderes" do judaísmo americano, que aliás nunca foram eleitos por ninguém, e sobre organizações como a AIPAC.(The American Israel Public Affairs Committee – America’s Pro-Israel Lobby).

O forte bordão, aonde os dirigentes israelitas estão habituados a encostar-se em momentos de angústia, poderá revelar-se não ter qualquer valor.

A Europa, também, não é intocável pelos novos ventos.

É verdade que, no final da guerra, vimos os líderes da Europa - Sarkozy, Merkel, Browne e Zapatero - sentados como crianças de escola, atrás de uma mesa, na sala de aula, a ouvir, respeitosamente, as mais abomináveis e arrogantes posições de Ehud Olmert, recitando seu texto, depois dele.

Pareciam aprovar as atrocidades da guerra, falando dos Qassams e esquecendo a ocupação, o bloqueio e os colonatos. Provavelmente não irão pendurar esta foto nas paredes do seu escritório.

Mas durante esta guerra multidões de europeus, vieram em torrentes para as ruas manifestando-se contra os horríveis acontecimentos. As mesmas multidões que saudaram Obama no dia da sua tomada de posse.

Este é o novo mundo. Talvez os nossos dirigentes já estejam sonhando com o slogan: "Pare o mundo, quero descer!" Mas não existe um outro mundo.

SIM, AGORA ESTAMOS no lado errado da história.

Felizmente, há também um outro Israel.

Não está na ribalta, e sua voz é ouvida apenas por aqueles que a querem escutar.

Este é um Israel são e racional, virado para um futuro, de progresso e de paz.

Nas próximas eleições, a sua voz vai ser fracamente ouvida, porque todos os velhos partidos estão firmemente assentes no mundo de ontem.

Mas o que aconteceu nos Estados Unidos terá uma profunda influência sobre o que acontecerá em Israel. A imensa maioria dos israelitas sabe que não poderão existir sem se manterem estreitos laços com os E.U.A.

Obama é agora o líder do mundo, e nós vivemos neste mundo.

Quando ele promete trabalhar "agressivamente" para a paz entre nós e os palestinos, é uma ordem de marcha para nós.

Queremos estar do lado certo da história. Isso vai levar meses ou anos, mas estou certo de que vamos chegar lá. O tempo de começar é agora.