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01 janeiro, 2012

Jordânia propõe reunião preparatória Palestina- Israel. Palestina mantêm posição negocial.

From: Negotiations Affairs Department Office
Sent: domingo, 1 de Janeiro de 2012 16:43
Subject: Dr. Saeb Erekat, Chief Palestinian Negotiator, expressed his appreciation to the invitation of His Majesty King Abdallah II to meet with Quartet and with the parties in Amman.

FOR IMMEDIATE RELEASE

Dr. Saeb Erekat, Chief Palestinian Negotiator, expressed his appreciation to the invitation of His Majesty King Abdallah II to meet with Quartet and with the parties in Amman.  
"This invitation is part of ongoing Jordanian efforts to compel Israel to comply with its international legal obligations and those under the Quartet Road Map, specifically its obligation to freeze all settlement construction in all the occupied Palestinian territory, including occupied East Jerusalem."
Dr. Erekat called upon Israel to "seize this opportunity to stop all settlement construction, accept the two-state solution on the 1967 border, and release Palestinian prisoners, in order to have the conducive environment called for under the Quartet Statement of 23 September 2011, for meaningful and credible talks."

عبر الدكتور صائب عريقات كبير المفاوضين عن فائق تقديره لجلالة الملك عبد اللة الثاني لدعوتة إجتماع بين الأطراف في عمان.
وأضاف كبير المفاوضين: إن هذه الدعوة تأتي ضمن الجهود الأردنية المستمرة لإلزام الحكومة الإسرائيلية الإلتزام بالشرعية الدولية ومنها خطة خارطة الطريق والتي تنص على تجميد تام لإستيطان في الأراضي الفلسطينية المجتلة بما فيها القدس الشرقية.
ودعا كبير المفاوضين: الحكومة الإسرائيلية بإستغلال هذة الفرصة لوقف نشاطتها الإستيطانية والقبول بمبدأ حل الدولتين على حدود حزيران 1967 وإطلاق سراح الأسرى, وذلك لإيجاد أرضية مناسبة كما جاء في بيان الرباعية في 23.09.2011 لبدأ بمحدثات ذات مغزىا حقيقي لإنهاء الأحتلال وقيام الدولة الفلسطينية وعاصمتها القدس الشرقيه.

26 outubro, 2011

Após a reunião com o Quarteto: "Fórmulas falhadas não podem ser reexperimentadas"

PALESTINE LIBERATION ORGANIZATION

NEGOTIATIONS OFFICE

Press Release

26 October 2011


"We explained to the Quartet that we are prepared to sit at the negotiating table as soon as the Israeli government freezes all settlement construction and accepts clear terms of reference, specifically the 1967 borders"


Please find below links to the press release, issued by Chief Palestinian Negotiator, Dr. Saeb Erekat, following the meeting with Quartet representatives this afternoon:


"We explained to the Quartet that we are prepared to sit at the negotiating table as soon as the Israeli government freezes all settlement construction and accepts clear terms of reference, specifically the 1967 borders.  These are not favors that Israel is doing for us. These are its obligations in accordance with international law and the Road Map.  Anything short of that will simply put us back on the failed track that we have been on for the last 20 years."

21 fevereiro, 2011

Posição de Portugal no Conselho de Segurança votando contra a actividade colonial ilegal de Israel nos territórios palestinos ocupados

ACTUALIZAÇÂO em 2011.02.22 - 18:45

Com a inserção no fim deste post do texto original (em inglês) da declaração do Embaixador José Filipe Moraes Cabral, Representante Permanente de Portugal nas Nações Unidas, na reunião do Conselho de Segurança, do passado dia 18 de Fevereiro de 2011, sobre a a proposta de resolução sobre a situação no Médio Oriente, incluindo a questão da Palestina (S/2011724).

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Declaração (em inglês) do Embaixador José Filipe Moraes Cabral, Representante Permanente de Portugal nas Nações Unidas, na reunião do Conselho de Segurança, do passado dia 18 de Fevereiro de 2011, sobre a a proposta de resolução (S/2011724) que teria condenado a actividade colonial de Israel [nos territórios palestinos ocupados ilegalmente], que Portugal e os restantes membros do Conselho a votaram favoravelmente, com uma única excepção:  a dos EUA que a vetaram.

A proposta de resolução que foi patrocinada por quase dois terços dos membros das Nações Unidas, nomeadamente por Portugal, caracterizava como ilegais os colonatos israelitas em territórios palestinos ocupados desde 1967 reiterando a exigência para que todas as atividades de colonização cessassem imediatamente.


O Embaixador José Filipe Moraes Cabral declarou que a posição da sua delegação sobre a construção de colonatos era bem conhecida. A posição inalterada de Portugal tem sido de que a construção de colonatos é ilegal. Além disso, a actividade de colonização e de crescimento natural em e nos arredores de Jerusalém Oriental e em outras partes do território palestino ocupado corrói as esperanças de paz e devem cessar imediatamente.

O Embaixador convidou ambas as partes a regressarem às negociações directas em questões fundamentais, logo que possível, afirmando que o objectivo deve ser, como sempre, o estabelecimento de dois Estados vivendo lado a lado em paz.

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Explanation of vote by the Representative of Portugal, H. E. Ambassador José Filipe Moraes Cabral, on the Resolution on the situation in the Middle East, including the question of Palestine, in the Security Chamber (New York, 02.18.2011)

6484th Meeting of the Security Council

Madam President,

Portugal’s position on Israeli settlements in the Palestinian Occupied Territory is well known. We have repeatedly stated that settlements, including in East Jerusalem, are illegal under international law and an obstacle to peace. This has also been the position of the European Union. So it will not surprise you, Madam President, if my statement follows closely that of France, Germany and the United Kingdom.

Settlements thwart attempts to move the negotiations process forward, they also erode the prerequisites of the two state solution – a goal we remain firmly committed to. All settlement activities, including natural growth, in East Jerusalem and the rest of the West Bank should cease immediately.

Our ultimate goal remains that of a lasting, just and comprehensive peace in the Middle East. A peace based on the creation of a sovereign, independent, democratic, contiguous and viable Palestinian state, living in peace and security side by side with Israel and its other neighbours.

Therefore, we call on both parties to return as soon as possible to direct negotiations towards an agreement on all core issues by September 2011.

The parameters of a final status agreement are known to all:

− a Palestinian State based on the June 4 1967 borders,
− security arrangements that fully respect the sovereignty of the Palestinian State while protecting the security of both Palestinians and Israelis,
− Jerusalem as the capital of two States, according to modalities to be negotiated between the parties on its status, and
− a just, fair and agreed solution to the refugee problem.

The Palestinian Authority has worked diligently in preparing for statehood. In doing so, it has proven itself as a dependable partner and demonstrated its capacity to assume full sovereignty as an independent, democratic and peaceful state, living in peace with Israel.

As I have previously stated, it is essential that the parties urgently resume direct negotiations. Our aim is an agreement on all final status issues. With this in mind, we look forward to active international and regional diplomatic efforts so we can indeed welcome Palestine as a full member of the United Nations by September 2011.

I thank you.

O texto da resolução contra o colonialismo israelita ilegal que os EUA vetou

Texto (em inglês) da proposta de resolução S/2011/24 apresentada ao Conselho de Segurança da ONU classificando como ilegais os colonatos israelitas em territórios palestinos ocupados desde 1967 e reiterando a exigência de que todas as actividades de colonização devem cessar imediatamente.

Esta proposta foi patrocinada por quase dois terços dos membros das Nações Unidas, incluindo Portugal que a votou favoravelmente. A proposta não foi aprovada pelo veto dos EUA.


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17 janeiro, 2011

Comité dos Direitos Palestinos (UN) apela para que Israel escolha entre a Paz e os colonatos

Alarmed by Surging Construction Activity, Palestinian Rights Committee Supports Call for Israel to Choose between Peace, Settlements

A seguir à tradução encontrará o documento original em inglês.

Alarmado pelo crescimento da actividade de construção, o Comité de Direitos Palestinos subscreve o apelo para que Israel escolha entre a Paz e os colonatos.

O Secretariado do Comité para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino aprovou em 14 de Janeiro a seguinte declaração sobre actividades ilegais de colonização de Israel nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental:

O Secretariado do Comité para o Exercício dos Direitos Inalienáveis do Povo Palestino está muito alarmado com o recente recrudescimento da actividade nos colonatos israelitas. O Governo israelita ignorou os repetidos apelos da comunidade internacional para uma interrupção completa das actividades de colonização no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, que são ilegais sob a lei humanitária internacional e constituem um obstáculo importante aos esforços para retomar o processo de paz para atingir uma solução abrangente, justa e duradoura da questão da Palestina.

Estas políticas ilegais são contrárias a todos os esforços internacionais para ajudar que as negociações sobre um estatuto legal permanente tenham êxito.

A recente decisão do Governo israelita para atribuir mais de meio bilião de dólares (USD) em subsídios para a expansão dos colonatos ao longo do ano de 2012 é a sinalização clara da intenção de Israel de continuar as suas políticas ilegais, o que torna as negociações com os palestinos fúteis, ameaçando as possibilidades de conseguir atingir a solução de dois Estados com base nas fronteiras pré-1967.

Após ter expirado a moratória parcial sobre [as actividades de construção e desenvolvimento] dos colonatos, em Setembro passado, a construção de mais de 1.600 habitações, em colonatos, nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental e arredores, já foram iniciadas.

As casas de palestinos continuam a ser demolidas para dar lugar a colonos ilegais, ao arrepio de condenação universal de tais práticas ilícitas e provocativas.

O Comité gostaria de lembrar a Israel que a paralisação completa das construções, incluindo [as resultantes do] crescimento natural, é uma obrigação de Israel no âmbito do Roteiro do Quarteto.

O Conselho de Segurança, por meio da resolução 446 de 22 de Março de 1979, determinou que os colonatos eram contrários ao direito internacional e um obstáculo para a paz. 

O Comité apela a Israel para estender a moratória por tempo indeterminado, aplicá-la a Jerusalém Oriental, e remover os postos avançados não autorizados em conformidade com o Roteiro. 

Além disso, acções dos colonos - como o desenraizamento de oliveiras pertencentes a palestinos, vandalismo, furto, profanação de cemitérios, e assédio e intimidação dos palestinos - tornaram-se uma ocorrência quase diária e muitas vezes parece ser tolerada pelas autoridades israelitas. Tais acções violam direitos humanos dos palestinos, aumentam as tensões entre os dois lados e devem ser interrompidas.

O Comité é de opinião que a implementação de uma renovada moratória sobre os colonatos iria contribuir significativamente para a retomada de negociações directas substantivas entre as partes. Estas conversações decisivas só podem ter êxito numa atmosfera de mútua confiança e boa-fé. A construção de colonatos é contraditória com o objectivo de acabar com a ocupação israelita que começou em 1967 e que mina gravemente a confiança e as legítimas aspirações do povo palestino de viver num Estado independente e viável. 

A liderança palestina demonstrou maturidade política ao se envolver em negociações directas com Israel, enquanto deixava bem claro desde logo que Israel teria de escolher entre os colonatos e a paz. O Comité apoia plenamente esta posição de princípio.

Há um consenso internacional inequívoco quanto à ilegalidade dos colonatos nos Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental. O que falta é a vontade política para tomar medidas no sentido de parar a expansão dos colonatos, com vista a eventualmente retirá-los da terra ocupada. 

Embora reconhecendo os esforços realizados nos últimos anos pelo Quarteto e pelos seus membros individualmente para promover um congelamento dos colonatos e um retorno às negociações, a Comissão insta o Conselho de Segurança, o Quarteto, e as Altas Partes Contratantes das Convenções de Genebra para reafirmarem de forma inequívoca a sua posição de princípio sobre a questão dos colonatos, com vista a compelir Israel a cumprir as suas obrigações. 

O futuro do processo de paz está por resolver. A comunidade internacional deve enviar uma mensagem clara e inequívoca: a actividade de colonização é ilegal e incompatível com a paz. Deve parar. Isto é imperativo para ter negociações credíveis que possam atingir o objectivo declarado do processo de paz com base nas resoluções pertinentes das Nações Unidas, os princípios de Madrid, incluindo o princípio terra-por-paz, a Iniciativa de Paz Árabe e o Roteiro do Quarteto.

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17 January 2011
General Assembly
GA/PAL/1179

Department of Public Information • News and Media Division • New York

Alarmed by Surging Construction Activity, Palestinian Rights Committee Supports Call for Israel to Choose between Peace, Settlements


The Bureau of the Committee on the Exercise of the Inalienable Rights of the Palestinian People adopted on 14 January the following statement on Israel’s illegal settlement activities in the Occupied Palestinian Territory, including East Jerusalem:

The Bureau of the Committee on the Exercise of the Inalienable Rights of the Palestinian People is greatly alarmed by the recent upsurge in Israeli settlement activity. The Israeli Government has ignored the international community’s repeated calls for a complete cessation of settlement activities in the Occupied Palestinian Territory, including East Jerusalem, which are illegal under international humanitarian law and constitute a major obstruction to the efforts to resume the peace process towards achievement of a comprehensive, just and lasting settlement of the question of Palestine. These illegal policies run counter to all international efforts at helping the permanent status negotiations succeed. The recent decision of the Israeli Government to allocate more than half a billion United States dollars worth of subsidies for the expansion of settlements through the year 2012 is signalling Israel’s clear intent to continue its illegal policies, thus rendering the negotiations with the Palestinians futile and further threatening the possibilities for achieving the two-State solution on the basis of the pre-1967 borders.

Following the expiration of the partial settlement moratorium last September, construction of more than 1,600 settlement units has already been undertaken in the Occupied Palestinian Territory, including in and around East Jerusalem. Palestinian homes continue to be demolished to make room for illegal settlers, in defiance of universal condemnations of such unlawful and provocative practices. The Committee would like to remind Israel that a complete halt to settlement construction, including natural growth, is an Israeli obligation under the Quartet’s Road Map. The Security Council, by its resolution 446 of 22 March 1979, determined that settlements were both contrary to international law and an impediment to peace. The Committee calls upon Israel to extend the moratorium indefinitely, apply it to East Jerusalem, and remove the unauthorized outposts in line with the Road Map. In addition, actions by settlers — such as the uprooting of olive trees belonging to Palestinians, vandalism, theft, desecration of cemeteries, and harassment and intimidation of Palestinians — have become an almost daily occurrence and often seem to be tolerated by the Israeli authorities. Such actions violate Palestinian human rights, raise tensions between the two sides and must be halted.

The Committee is of the view that the implementation of a renewed settlement moratorium would contribute significantly to a resumption of meaningful direct negotiations between the parties. These crucial talks can only succeed in an atmosphere of mutual trust and good faith. Settlement construction is contradictory to the goal of ending the Israeli occupation that began in 1967 and gravely undermines trust and the legitimate aspirations of the Palestinian people to live in a viable State of their own. The Palestinian leadership has demonstrated political maturity by engaging in direct negotiations with Israel, while making it abundantly clear at the outset that Israel would have to choose between settlements and peace. The Committee fully supports that principled stance.

There is an unambiguous international consensus with regard to the illegality of the settlements in the Occupied Palestinian Territory, including East Jerusalem. What is lacking is the political will to take action in order to stop settlement expansion with a view to eventually remove them from the occupied land. While appreciative of the efforts in recent years by the Quartet and its individual members to promote a settlement freeze and a return to negotiations, the Committee strongly urges the Security Council, the Quartet, and the High Contracting Parties to the Geneva Conventions to unequivocally reaffirm their position of principle on the settlement issue with a view to compelling Israel to live up to its obligations. The future of the peace process hangs in the balance. The international community should send a clear and unambiguous message: settlement activity is illegal and incompatible with peace. It must stop. This is imperative for having credible negotiations that can achieve the stated objective of the peace process on the basis of the relevant United Nations resolutions, the Madrid principles, including the land-for-peace principle, the Arab Peace Initiative and the Quartet Road Map.

* *** *

For information media • not an official record

16 dezembro, 2010

ONU reitera rejeição dos colonatos israelitas em terras palestinas

As Nações Unidas reiteraram a sua rejeição à construção de colonatos israelitas nos territórios palestinos ocupados e deixou aos Estados Unidos a tarefa de retomar os contactos indirectos entre Tel Aviv e a Autoridade Palestina.

A ONU mantém que a actividade de colonização é contrária à lei internacional, ao Road Map e à posição do Quarteto para o Médio Oriente, afirmou o coordenador da organização para o processo de paz nessa região, Robert Serry.

Durante a sua comparecência mensal ante o Conselho de Segurança para analisar o conflito nessa área o diplomata fez questão de frisar que Israel deve cumprir suas obrigações, congelando a edificação nos colonatos e desmantelando os que foram construídas desde Março de 2001.

Assim mesmo, considerou necessária a participação dos Estados Unidos como mediador entre Tel Aviv e a parte palestina para retomar as reuniões indirectas.

A intransigência israelita em prosseguir com a construção nos colonatos foi o argumento utilizado por Washington para, há cerca de duas semanas, abandonar as pressões que exercia sobre Israel para o regresso às negociações directas.

Segundo Serry, é crucial "a mediação de uma terceira parte", referindo o papel ora outorgado a Washington com o objectivo de alcançar uma solução de dois Estados (um israelita e outro palestino) e o fim da ocupação dos territórios iniciada em 1967.

Liga Árabe desaprova negociações com Israel sem uma posição firme dos EUA

Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países árabes manifestaram-se hoje contra qualquer negociação entre Israel e os palestinos, directa ou indirecta, a menos que os Estados Unidos tomem uma posição firme sobre as futuras fronteiras de um Estado palestino. A Liga Árabe é formada por 22 países.

Os esforços de Washington para um acordo de paz entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP) sofreram um grande revés após o próprio governo americano desistir de pressionar Israel a congelar as construções em colonatos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios palestinos ocupados ilegalmente por Israel.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Hamad bin Jassim, declarou hoje que os árabes estão cépticos sobre a capacidade dos EUA em pressionarem Israel nas questões que são centrais no conflito israelo-palestino. Segundo ele, os árabes não podem apoiar uma retomada das negociações. Uma proposta de resolução dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Liga Árabe pede aos EUA que declarem a fronteira de 1967, anterior à Guerra dos Seis Dias, como base para futuras negociações.

26 setembro, 2010

Moratória israelita expira a 30 de Setembro

Segundo um despacho da AFP, a moratória de dez meses “congelando” a construção em território palestino da Cisjordânia, ilegalmente ocupado e colonizado por Israel, deverá expirar no final de Setembro, de acordo com uma ordem militar, e não hoje, dia 26, como tem vindo a ser entendido. 

A ordem militar n.º 1653, que foi emitida imediatamente após a decisão do gabinete israelita, de 26 de Novembro de 2009, que aprovou a moratória sobre a construção na Cisjordânia, define 30 de Setembro como a data em que expirará os efeitos da moratória.
 
Até agora, a data aceite para o fim do congelamento tem sido 26 de Setembro - exactamente 10 meses após a data daquela decisão ter sido anunciada.
 
O gabinete do primeiro-ministro não fez quaisquer comentários sobre a discrepância entre as duas datas.

31 agosto, 2010

Público - Difíceis problemas para as negociações israelo-palestinianas

Público - Difíceis problemas para as negociações israelo-palestinianas por * Mariano Aguirre | 27/08/2010

Trancrição integral pelo seu interesse

A base de um acordo seria voltar à divisão do território anterior à guerra de 1967 e aos pormenores combinados em 2000

As conversações directas que vão principiar a 2 de Setembro entre Israel e a Autoridade Palestiniana, e que foram anunciadas triunfalmente pelos Estados Unidos na sexta-feira passada, encontrarão dificuldades muito sérias. O objectivo declarado de Washington, que serve de medianeiro, é chegar num ano à chamada solução dos dois Estados, que estabeleça um Estado palestiniano em parte da Cisjordânia (internacionalmente conhecido por Cisjordânia; mas a que os judeus chamam Samaria e Judei) e em Gaza, com Jerusalém Oriental como capital.

A base de um acordo seria voltar à divisão do território que existia antes da guerra de 1967 e aos pormenores combinados em 2000, denominados os Parâmetros de Clinton. O ex-Presidente norte-americano impulsionou os encontros entre israelitas e palestinianos que, à última hora, não resultaram. Um possível acordo implicaria:

a. O fim da ocupação da Cisjordânia por Israel. Mais de 40 por cento desta zona está ocupada por colonos israelitas que vivem em 131 colonatos (100 considerados ilegais pelas próprias autoridades israelitas, mas que não foram evacuados). Em alguns casos os colonatos são cidades de até 40.000 habitantes. Informalmente foi proposto que se realizariam trocas de território, para não desmantelar esses colonatos. Noutros casos, o Governo israelita ofereceria aos seus habitantes indemnizações e novos locais para habitar. A população palestiniana da Cisjordânia é de aproximadamente 2.407.681 habitantes, enquanto os colonos totalizam 310.200. Os nacionalistas religiosos são uma parte muito poderosa da sociedade israelita que se oporá fortemente a abandonar os colonatos.

b. O regresso total ou parcial, ou indemnizações, para os refugiados palestinianos que foram expulsos das suas terras e propriedades nas guerras entre Israel e diversos países árabes, em 1948 e 1967. Entre os sobreviventes dessas duas vagas de refugiados e os seus descendentes o número ascende a mais de quatro milhões, que vivem, muitos deles, em condições precárias, em campos de refugiados na Cisjordânia, Gaza, Líbano, Jordânia, Síria, Iraque e outros países.

c. Declarar a parte árabe e oriental da cidade de Jerusalém capital do Estado palestiniano, e que a comunidade internacional aceite que a parte ocidental seja a capital de Israel. Também neste caso os colonos israelitas, que ocuparam e estão a ocupar casas e terrenos em diversos bairros e em zonas periférias que fazem parte de Jerusalém seriam relocalizados ou teriam que aceitar viver numa zona sob soberania árabe. Segundo dados oficiais de Israel, 194.000 judeus habitam em bairros anexados por Israel e considerados parte de Jerusalém.

d. O Estado palestiniano teria competências para a sua segurança interna, mas estaria desmilitarizado. Isto significa que não teria armas pesadas que pudessem servir para um ataque a Israel.

Gaza converteu-se numa questão especial. Tomada desde 2007 pelo movimento Hamas, não foi possível até agora que se alcançasse um acordo com a Autoridade Palestiniana. Por um lado, seria incompleto negociar e eventualmente alcançar um acordo sobre a declaração de um Estado palestiniano sem Gaza, onde vive mais de um milhão de palestinianos. Por outro, a Autoridade Palestiniana poderia negociar com Israel e em paralelo, ou posteriormente, negociar com o Hamas a partir de uma posição mais forte.

Segundo informação que circulou nos últimos dias em meios da imprensa árabe, o Presidente Barack Obama teria exercido uma dura pressão sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o Presidente Mahmud Abbas para que aceitem conversações directas. A Autoridade Palestiniana manteve nos últimos meses que enquanto não acabar a construção de novos colonatos e a expulsão de palestinianos das suas casas não voltaria a falar com Israel.

Pressionado pelos Estados Unidos, o Governo israelita declarou em Novembro passado uma moratória, com diversas excepções, na política de ampliar ou criar novos colonatos, moratória que termina no dia 26 de Setembro. Todos os membros da direita e ultradireita da coligação do Governo israelita, com a excepção do Partido Trabalhista, pressionam Netanyahu para que não prorrogue a moratória. Esse será o primeiro obstáculo para as negociações, já que a Autoridade Palestiniana possivelmente se retira ou ameaça retirar-se se isso acontecer.

Um segundo obstáculo é o pedido de Israel de obter as máximas garantias de segurança. O Governo de Netanyahu alega que depois da retirada de Israel de Gaza e do Líbano se verificaram ataques com mísseis a partir dessas zonas. No caso de as forças de Israel se retirarem da Cisjordânia, como é que se garantiria a segurança? Israel quer que os palestinianos só se ocupem da segurança interna. Um argumento acrescentado é que mais de 60 por cento da população jordana é palestiniana e que, portanto, a fronteira ao longo do rio Jordão se tornaria muito insegura.

Outro argumento de Israel é que a Autoridade Palestiniana, apesar das reformas e avanços que estão a ser feitos pelo primeiro-ministro Salam Fayyad, não é fiável. "Que aconteceria se, como aconteceu em Gaza, o Hamas tomasse o poder na Cisjordânia?", perguntava-me recentemente um professor em Telavive.

O fantasma do Hamas funciona, neste sentido, de duas formas negativas. Se se formasse um governo de unidade nacional entre a Fatah e o Hamas, então Israel considera que seria perigoso. Mas se o Hamas continuar a controlar Gaza, então Israel alega que não pode negociar só com uma parte dos palestinianos. Ao mesmo tempo, o Governo israelita não dialoga com o Hamas por o considerar um grupo terrorista que procura a destruição do Estado de Israel.

O terceiro obstáculo é o regresso dos refugiados. Para Israel negociar o regresso terá que aceitar que em 1948 e 1967 houve expulsão de palestinianos, algo que oficialmente nunca foi admitido. A tese histórica oficial é que os árabes palestinianos fugiram instigados pelos Governos dos países vizinhos, que os alarmaram ou os instigaram a fugir alegando que ao terminar a guerra poderiam voltar. Historiadores israelitas colocaram isto em questão, indicando que se verificou uma expulsão premeditada usando o medo e o terror. Para qualquer Governo palestiniano aceitar que não haja reconhecimento do direito de regresso é um passo difícil de assumir, mas que possivelmente se poderia conseguir em troca de recuperar a Cisjordânia. Para um Governo israelita aceitar que houve expulsões em 1948 e 1967 é colocar em questão a legitimidade do momento de nascimento do Estado.

O quarto obstáculo é o pedido do Governo israelita de que a Autoridade Palestiniana reconheça o carácter judaico do Estado de Israel. Para os palestinianos, isto supõe legitimar que os refugiados nunca poderão recuperar as propriedades que perderam e, além disso, coloca em perigo a situação dos cidadãos árabes que têm nacionalidade ou residência israelita, e que vivem em Israel. A população judaica de Israel é de 5.726.000 habitantes (75,5 por cento); os árabes israelitas são 1.548.000 (20,4 por cento).

O quinto grande problema é Jerusalém, dado que Israel reafirmou que está fora de questão negociar o seu estatuto e o controlo israelita. Como afirmou em 2009 o primeiro-ministro Netanyahu: "Jerusalém não é um colonato mas sim a capital histórica de Israel".

Estes não são os únicos problemas, mas se se conseguir superar o dia 26 de Setembro, e os Estados Unidos e o Quarteto (União Europeia, Estados Unidos, Nações Unidas e Rússia) mantiverem uma firme posição a favor da solução dos dois Estados, então talvez se possa avançar para outros escalões igualmente complexos.  


30 agosto, 2010

Colonos recordam a Netanyahu promessas de recomeçar as construções

Segundo a EFE o conselho dos colonatos judaicos da Cisjordânia retomou hoje, um dia antes do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu partir para Washington para as negociações de paz com os palestinos, uma campanha para que ele cumpra a sua promessa de continuar as construções nas colónias implantadas em territórios ocupados da Palestina.

Os anúncios, que aparecem nos principais jornais israelitas lembram as promessas, tanto de Netanyahu, em Dezembro do ano passado, como a de outros ministros ao longo do ano, que o congelamento de dez meses declarado por Israel é único e improrrogável quando chegar ao seu fim, no dia 26 de Setembro.

Lançada pela primeira vez em Julho pelo chamado Conselho da Judeia, Samaria e Gaza, ou "Conselho de Yesha", os anúncios são apoiados há semanas por gigantescos cartazes colocados nos principais cruzamentos e ruas de Israel, exortando o povo para que exija dos seus políticos o cumprimento das suas promessas.

Netanyahu não tem intenção de anunciar a continuação da moratória por motivos políticos internos, mas não se descarta que a continue em silêncio.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, advertiu, de novo, ontem à noite Israel para que não construa nos colonatos se quer que as negociações de paz, que começam na próxima quinta-feira em Washington cheguem a bom termo.

26 agosto, 2010

Liberman: O pirómano

Lieberman: Settlement building should restart in September - Haaretz Daily Newspaper | Israel News


Lieberman: a construção de colonatos deve recomeçar em Setembro

Não existem motivos para que a construção não deva ser reatada nos principais colonatos da Cisjordânia quando o congelamento de 10 meses terminar em 26 de Setembro, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Eis a súmula do artigo. Se quiser saber mais sobre este tema é só seguir  o link.

24 agosto, 2010

OLP reafirma posições de referência para as negociações com Israel

O Dr. Saeb Erekat, chefe negociador palestino, numa conferência de imprensa realizada ontem para discutir as posições palestinas no avanço das negociações directas com Israel, marcadas para começar em 2 de Setembro em Washington, destacou a declaração do Quarteto para o Médio Oriente como um ponto de viragem na decisão da OLP de entrar em negociações directas. A declaração, feita em 20 de Agosto de 2010, mencionava os termos de referência de Madrid, as resoluções do Conselho de Segurança e da Iniciativa Árabe de Paz como ponto de partida para esta nova ronda de negociações. A OLP considera que estes princípios serão as bases para as negociações directas.

O Dr. Erekat começou por afirmar que quaisquer conversações de paz bem sucedidas devem conduzir a um Estado soberano palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital e uma solução justa e acordada para o problema dos refugiados, em conformidade com a Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 194 (UNGAR 194).

O Dr. Erekat destacou o compromisso palestino para com as negociações de paz, mencionou ainda as suas sérias reservas quanto às intenções e o compromisso de Israel com uma paz justa e duradoura entre palestinos e israelitas.

Esse cepticismo, disse ele, é resultado das continuadas actividades de colonização, demolições de casas e outras práticas ilegais no território palestino ocupado, de Israel. O compromisso de Israel para um acordo negociado e para uma solução de dois Estados serão evidentes no terreno. Se novos concursos para construção forem emitidos (um plano que já foi anunciado pelo governo de Netanyahu) durante o processo de negociação, será uma afronta clara à paz e os palestinos serão assim expulsos do processo de negociações.

O Dr. Saeb Erekat afirmou que o presidente Abbas enviou uma série de cartas ao presidente Obama, a Lady Ashton, ao Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e ao Presidente Medvedev. Nessas cartas, o presidente Abbas expressou o seu compromisso com a paz e exigiu que a comunidade internacional tome uma posição forte e inequívoca sobre a obrigação de Israel de congelar todas as actividades de colonização, sem excepções. O Presidente Abbas também reiterou a posição da OLP: se a colonização, as demolições de casas e os despejos continuarem, os palestinos não continuarão negociando.

O Dr. Erekat também mencionou que, mesmo antes de as negociações directas começaram, Israel já tornou conhecidas as suas pré-condições - um Estado palestino desmilitarizado, uma zona de segurança no Vale do rio Jordão e o reconhecimento palestino de um Estado "judeu".

Os Palestinos entram nestas negociações, para as quais foram chamados ao lado de Israel, de boa fé e sem condições prévias pedindo para ter um parceiro israelita disposto a aceitar os termos de referência, há muito estabelecidos e internacionalmente aceites das nossas negociações.

Fonte: PLO Media Brief - 23de Agosto de 2010

17 agosto, 2010

Israel rejeita qualquer condição prévia às negociações directas de paz

O governo de Israel rejeita qualquer condição prévia para regressar às negociações directas de paz com os palestinos, informou um alto funcionário do gabinete israelita antes de uma reunião do Quarteto para o Médio Oriente, sundo a AFP.

"Israel está preparado para negociações directas imediatas, mas sem nenhuma condição prévia", afirmou à AFP esta fonte, que pediu anonimato.

"Os palestinos, que perdem um tempo precioso negando-se a reiniciar os contactos directos, poderão colocar na mesa de negociações todos os temas que quiserem", completou.

Segundo a imprensa israelita, os sete ministros mais importantes do governo decidiram no domingo que Israel deve rejeitar um comunicado que o Quarteto para o Médio Oriente (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) deve divulgar nos próximos dias.

De acordo com a imprensa, no comunicado o Quarteto pedirá a Israel o prolongamento do período de 10 meses de congelamento parcial da colonização na Cisjordânia, que expira em 26 de Setembro.

Ainda de acordo com os jornais israelitas, o comunicado deverá propor que se estabeleça um prazo de um ou dois anos para concretizar um acordo sobre a criação de um Estado palestino.

Enquanto Netanyahu entoa a mantra da paz, vai socapando ao máximo a realização das necessárias conversações. Não se entende porque se recusa a congelar a colonização em territórios ocupados da Palestina, quando face a lei internacional e ao rationale de um acordo de paz, esses colonatos deveriam ser extintos, salvo acordo entre as partes de permuta de territórios.

29 julho, 2010

Israel considera "inaceitável" definir uma agenda para iniciar conversações directas de paz

As condições apresentadas pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para o início das negociações directas entre palestinos e israelitas são "inaceitáveis", segundo a RFI.

A declaração foi feita hoje pelo vice-primeiro ministro de Israel, Sylvan Shalom.

Mas quais são as condições que Abbas enunciou? O que Abbas pretende é definir uma Agenda e nela incluir os temas necessários à construção da paz, nomeadamente:

  • a retirada total das tropas de Israel da Cisjordânia e de Jerusalém Orienta;
  • o fim da construção de novos colonatos na região;
  • a manutenção do mesmo traçado, para as futuras fronteiras do Estado palestino, das fronteiras de antes da guerra de 1967;


Se não existir uma Agenda prévia vão negociar o quê? E se estes pontos não são importantes quais serão? E porquê que Israel não avança com a sua própria de Agenda?

Esta táctica de Israel é velha. Assim tem vindo a protelar a resolução do conflito. E enquanto protela, com a conivência dos EUA e dos seus aliados e "capachos", vai expandindo a sua colonização.

Para mim só há uma solução: a definição de um plano de paz pelo Conselho de Segurança, com objectivos e agenda definida. A partir daí ficaria claro quem quer a paz e quem anda a ludibriar a opinião pública mundial.

Não há espaço para mais contemporizações.

Numa visita aos Estados Unidos no dia 6 deste mês de Julho, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu avanços em nome da paz. Mas o seu governo recusa, por exemplo, prorrogar a moratória, que termina no próximo dia 26 de Setembro, onde se pretendia interromper a construção e expansão de colonatos na Cisjordânia, o que aliás Israel não tem cumprido na íntegra. Veja-se a última limpeza étnica levada a efeito no ocupado Vale do Jordão com a destruição da aldeia de Parsieh.

Mahmoud Abbas também espera que as discussões sejam retomadas do ponto em que foram suspensas em 2008, antes da ofensiva israelita sobre a Faixa de Gaza, na época em que Ehud Olmert era primeiro-ministro de Israel.

Hoje quinta-feira, estão reunidos os ministros dos Negócios Estrangeiros da Liga Árabe, no Cairo para discutir a retoma do processo de paz.

Entretanto acabámos de saber que a Liga Árabe deixou a "porta aberta" para que sejam retomadas as conversas directas entre palestinos e israelitas, mas condicionou esse diálogo a uma negociação "séria" e com "resultados definitivos".

"As experiências anteriores (em diálogos entre palestinos e israelitas) só serviram para perder tempo", afirmou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, no final de uma reunião de um comité especial da organização.

"Queremos que as conversas directas comecem, mas que sejam sérias e definitivas, para chegar a resultados definitivos", acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Hamad bin Yazin bin Gaber Al-Thani.

28 julho, 2010

Lieberman: Israel não prorrogará moratória sobre a construção de colonatos em território palestino ocupado; De Moratinos, presente, nem um ai!

Israel não planeia prorrogar o prazo para a interrupção da construção de novos colonatos na Cisjordânia para depois de Setembro, declarou nesta quarta-feira, 28, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Avigdor Lieberman, durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Miguel Ángel Moratinos, segundo informações do jornal israelita Haaretz.

Lieberman rejeitou ainda qualquer ligação entre a moratória e o início das negociações de paz directas com os palestinos.

Por seu lado Miguel Ángel Moratinos, afirmou que [non pasa nada - a boutade é minha] as relações bilaterais entre Espanha e Israel se encontram num "excelente momento".

Adiantando que no próximo ano se intensificará a agenda de encontros de alto nível entre ambos os países em razão de se cumprir o 25.º aniversário do início dessas relações.

Sobre o processo de paz nem uma palavra!

Aliás quando se verifica que entre os acordos mais recentes, entre Espanha e Israel está o firmado em Março pela ministra de Defesa espanhola, Carme Chacón, e o seu homólogo israelita, Ehud Barak, para a cooperação militar e o intercâmbio tecnológico em matéria de defesa, podemos concluir qual é o nível de avaliação ética e moral que o Governo espanhol faz de Israel: Irmãos de armas!

27 julho, 2010

UE reafirma a sua posição sobre Gaza e o Processo de Paz no Médio Oriente

A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Políticas de Segurança, Senhora Catherine Ashton, informou o Conselho dos ministros dos Negócios Estrangeiros da sua recente viagem ao Médio Oriente e em particular sobre a sua visita a Gaza.

O Conselho, por sua vez, sublinhou a necessidade urgente de uma solução duradoura para a situação em Gaza e para a recuperação da sua economia.

Apelou para a imediata, continuada e incondicional abertura dos postos de passagem para o fluir da ajuda humanitária, mercadorias e pessoas para e de Gaza.

Foi ainda analisado o possível papel que a UE poderá ter contribuindo para melhorar o acesso.

A Alta Representante da UE, numa declaração à comunicação social em nome do Conselho, reiterou o apelo da UE para que as conversações de proximidade [ou indirectas, mediadas por George Mitchell, enviado especial para o Médio Oriente do Presidente Barack Obama] conduzam tão rapidamente quanto possível ao reatamento de conversações directas de paz em direcção a um acordo na base de uma solução de “Dois-Estados”, negociado entre as partes, nos próximos de 24 meses.

A Senhora Ashton instou as partes para encontrarem uma forma de endereçar todos os pontos controversos reafirmando o empenho da EU na sua posição sobre o Processo de Paz do Médio Oriente, definido nas conclusões do Conselho de Dezembro de 2009, instando para que o governo israelita acabe com todas as actividades de colonização, apelando a ambas as partes para evitarem quaisquer actividades provocatórias e exigindo a imediata libertação de Gilad Shalit

18 julho, 2010

Liga Árabe: Negociações directas só com garantias escritas

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, assegurou, neste domingo, depois de se reunir, no Cairo, com o emissário americano para o Médio Oriente, George Mitchell, que os palestinos não podem começar negociações directas com Israel sem garantias por escrito.

"Não podemos passar automaticamente de um tipo de negociação para outro sem garantias por escrito", declarou Musa, cuja organização apoiou as negociações indirectas entre palestinos e Israel em Maio.

Musa fez estas declarações depois de se reunir com Mitchell.

Na véspera, Abbas também pedira a Washington garantias sobre a interrupção da colonização israelita em Jerusalém Oriental antes de retomar negociações directas com Israel.

"Até o momento, não há esclarecimentos sobre a posição americana a respeito de um certo número de problemas, em particular os que permitiriam passar a discussões sobre um acerto final", explicou um dirigente da OLP, Yasser Abed Rabbo, ao comentar o encontro de Abbas com Mitchell.

Os palestinos exigem uma paralisação total da colonização antes de negociar a paz.

De seu lado, Mitchell classificou seu encontro com Abbas de "muito produtivo". Como é habitual, o mediador americano não entrou em detalhes.

17 julho, 2010

Congelamento dos colonatos, a chave para as negociações directas, declarou Abbas

Os palestinos devem começar as negociações directas de paz com os israelitas assim que eles congelarem as construções nos colonatos da Cisjordânia, informou hoje o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ao mediador americano, George Mitchell.

Abbas e Mitchell reuniram esta tarde na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

Durante a reunião o presidente da ANP afirmou ao mediador que "não é contra as conversas directas e que foi o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que as bloqueou e assim é ele que detém a chave para que se inicie um diálogo directo", declarou à imprensa o chefe negociador palestino, Saeb Erekat.

Netanyahu, acrescentou Erekat, deve declarar uma paragem total na construção de colonatos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia e aceitar que as negociações sejam retomadas no ponto em que ficaram no último processo negociador (Annapolis), finalizado abruptamente em Dezembro de 2008 com o ataque militar israelita contra Gaza, na qual morreram mais de 1.400 palestinos, na sua maioria civis.

O mediador americano realizou este fim-de-semana a sexta ronda das chamadas "conversas de proximidade" procurando convencer as partes a iniciarem uma negociação directa antes do fim do prazo, em Setembro.

No final deste mês a ANP deverá fazer o ponto da situação do resultado das actuais negociações à Liga Árabe, que em Maio apoiou e incentivou Abbas a negociar com a mediação americana durante um prazo de quatro meses.

Abbas salientou que Israel deverá aceitar a presença de forças internacionais no futuro Estado palestino e compensar, com territórios do mesmo valor, os territórios actualmente ocupados pelos colonatos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que ficassem sob soberania israelita.

30 maio, 2009

Voz calma, Grande Pau, por Uri Avnery


Esta é a crónica de Uri Avnery datada de há uma semana atrás e que só agora é publicada por manifesta falta de recursos na oportunidade.

Continuamos a solicitar o apoio de tradutor@s pro bono, bem como de colaborador@s que tenham interesse por esta causa.

Barack Obama é frequentemente comparado a Franklin Delano Roosevelt, mas é de um outro Roosevelt que ele segue o exemplo: O Presidente Theodore Roosevelt, que, 108 anos atrás, aconselhou os seus sucessores: "Falem suavemente e tenham na mão um grande pau!".

Esta semana, o mundo inteiro viu como isso é feito. Obama, sábado no Gabinete Oval, lado a lado com Binyamin Netanyahu, falou aos jornalistas. Estava sério, mas descontraído. A linguagem corporal falou claramente: Netanyahu inclinando-se assiduamente para a frente, como um bufarinheiro vendendo a sua mercadoria, Obama inclinado para trás, tranquilo e seguro de si.

Ele falou suavemente, muito suavemente. Mas inclinado contra a parede por detrás dele, escondido pela bandeira, estava na verdade um grande pau.

O MUNDO queria, naturalmente, saber o que se passou entre os dois quando se encontraram sozinhos.

Regressado a casa, Netanyahu esforçadamente tentou apresentar a reunião como um grande sucesso. Mas após os holofotes desligados, o tapete vermelho enrolado, podemos analisar o que tínhamos realmente visto e ouvido.

Entre as suas grandes proezas, Netanyahu enfatizou a questão iraniana. "Chegámos a um acordo completo", anunciou orgulhosamente uma e outra vez.

Acordo sobre o quê? Sobre a necessidade de impedir o Irão de obter "capacidade nuclear militar".

Só um momento. O que é que ouvimos, "militar"? De onde é que esta palavra apareceu de surpresa? Até agora, todos os governos israelitas insistiram que o Irão deveria ser impedido de adquirir qualquer capacidade nuclear de todo. A nova fórmula significa que o governo Netanyahu aceita agora, que o Irão tenha uma "não militar" - que nunca está muito longe da "militar" - capacidade nuclear.

Esta não é a única derrota de Netanyahu sobre a questão iraniana.

Antes da sua viagem, exigiu que Obama desse ao Irão apenas três meses, " até Outubro", e que, depois "todas as opções estariam sobre a mesa". Um ultimato, que incluía uma ameaça militar.

Nada disto ficou.

Obama disse que iria conduzir um diálogo com o Irão até o final do ano, e que então teria de avaliar o que tinha sido alcançado e considerar o que fazer a seguir. Se ele chegasse à conclusão de que não tinha havido progresso, tomaria novas medidas, incluindo a imposição de sanções mais severas.

A opção militar tinha desaparecido.

É verdade que, antes da reunião Obama dissera a um jornal que "todas as opções estão sobre a mesa", mas o facto de que ele não o repetir na presença de Netanyahu diz tudo.

Sem dúvida que Netanyahu pediu permissão para atacar o Irão, ou - no mínimo – para ameaçar de tais ataques. A resposta foi um Não absoluto.

Obama está decidido a evitar um ataque israelita. Ele tem alertado o governo de Israel de forma inequívoca. Só para ter a certeza de que a mensagem teria sido adequadamente absorvida, enviou o chefe da CIA a Israel para a entregar pessoalmente a todos os líderes israelitas.

O plano israelita para um ataque militar ao Irão foi retirado da mesa - se alguma vez esteve lá.

Netanyahu pretendia ligar o Irão com a questão palestina, de forma negativa: enquanto existir o perigo iraniano, a questão palestina não pode ser tratada.

Obama inverteu a fórmula e fez uma ligação positiva: progressos na questão palestina são uma condição prévia para um progresso sobre a questão iraniana.

Isto faz sentido: os conflitos não resolvidos estão a alimentar o Irão, dando-lhe um motivo para ameaçar Israel e enfraquecer a oposição, do Egipto e da Arábia Saudita, às ambições do Irão.

A principal mensagem de Obama diz respeito a uma questão que retornou ao centro da cena esta semana: colonatos.

Esta palavra praticamente desaparecera durante o reinado de Bush, o Júnior. É verdade, que todas as administrações dos E.U.A. se opuseram à expansão dos colonatos, mas, desde a fracassada tentativa, de James Baker, o secretário de Estado de Bush, o Velho, de impor sanções a Israel, ninguém mais se atreveu a fazer qualquer coisa acerca disso. Em Washington resmungam, com os fundamento que criaram. Em Jerusalém dissimulam, e sobre o terreno, construíram.

Como um chefe palestino observou: "Estamos a negociar sobre a divisão da pizza e, entretanto, Israel já está comendo."

Tem de ser repetido uma e outra vez: os assentamentos são um desastre para os palestinos, um desastre para a paz e uma dupla ou tripla catástrofe para Israel.

Primeiro, porque o seu principal objectivo é fazer com que o estabelecimento de um Estado palestiniano seja impossível e, assim, impedir a paz para sempre.

Em segundo lugar, porque eles sugam a medula da economia israelita e engolem recursos que deveriam ser utilizadas para ajudar os pobres.

Terceiro: porque os colonatos minam o Estado de direito em Israel, propagam o cancro do fascismo e empurram todo o sistema político para a direita.

Portanto Obama está certo quando coloca a questão dos colonatos à frente de tudo o resto, mesmo à frente das negociações de paz. Uma paragem total na construção dos colonatos vem antes de qualquer outra coisa. Quando um corpo sangra, a hemorragia tem de ser estancada antes de que a doença possa ser tratada. Caso contrário, o paciente vai morrer de perda de sangue e não haverá ninguém para tratar. Este é precisamente o objectivo de Netanyahu.

Esta é a razão porque Netanyahu se recusou a aceder ao pedido. De outra forma a sua coligação iria por água abaixo e seria obrigado a demitir-se ou a criar uma coligação alternativa com o Kadima. A infeliz Tzipi Livni, que não encontrou um papel na oposição, provavelmente não deixaria escapar a oportunidade.

Netanyahu tentará usar Barak contra Barack.

Com a ajuda de Ehud Barak está colocando em cena uma performance de "demolir postos avançados", a fim de desviar a atenção da construção em curso nos colonatos. Veremos se este truque tem sucesso e se a liderança dos colonos vai desempenhar o seu papel nesta charada. No dia seguinte ao regresso de Netanyahu, Ehud Barak demoliu pela sétima vez (!) Maoz Esther, um posto avançado composto de sete cabanas de madeira. Poucas horas depois, os colonos regressaram ao local.

(O exército israelita construiu uma aldeia Árabe, inteira, no Negev para fins de treino. Alguém ironizou esta semana que o exército também tinha construído este posto avançado que é lotado com soldados disfarçados de colonos, de modo que pode ser demolido, cada vez que exista pressão da América. Depois os soldados constroem tudo de novo, pronto para ser utilizado na próxima vez que a pressão seja exercida).

A RECUSA DE congelar os colonatos significa a recusa de aceitar a solução dos Dois Estados. Em vez disso, Netanyahu faz malabarismos com slogans vazios. Fala sobre "dois povos que vivem juntos em paz", mas recusou-se a falar de um Estado palestino.

Um dos seus assessores apelidou a exigência dos Dois Estados de "jogo infantil". Mas este não é, de todo, um jogo infantil. Já foi provado que, negociações onde os objectivos não tenham sido previamente definidos, não levam a qualquer lugar. O Acordo de Oslo colapsou precisamente por este motivo. Netanyahu espera que a próxima ronda de negociações, também fracasse por causa disso.

Ele não apresentou um plano de sua própria iniciativa. Não porque não tenha nenhum plano, mas porque ele sabe que ninguém o iria aceitar.

O plano de Netanyahu é: o total controlo israelita sobre todo o território entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Ilimitada colonização judaica por todo o lado. Limitado auto-governo para uma série de enclaves palestinos com uma densa população palestina, que serão cercados por colonatos. Jerusalém, na sua totalidade permanecerá como parte de Israel. Nem um único refugiado palestino regressará ao território de Israel.

Esta mercadoria não vai encontrar compradores no mundo inteiro. Então Netanyahu, um vendedor profissional, tenta embrulhá-la num belo pacote.

Por exemplo: os palestinianos vão "governar-se a eles próprios".

Onde exactamente? Aonde serão as fronteiras? Ele já declarou que os palestinos não podem ter controlo sobre "o seu espaço aéreo ou as suas fronteiras". Um estado sem forças armadas e sem controlo sobre o seu espaço aéreo e as passagens de fronteira – parece-se suspeitosamente com os Bantustans do falecido regime racista de apartheid na África do Sul.

Eu não ficaria surpreso se, em qualquer momento no futuro, Netanyahu começasse a chamar a estas reservas nativas "um Estado palestiniano".

No entretanto, ele tenta ganhar tempo e adiar as negociações o mais tempo possível.

Ele exige que os palestinos reconheçam Israel como "o estado do povo judeu", esperando e tendo esperança que eles rejeitarão esta ideia com as duas mãos. E, de facto, aceitar isso significaria desistir desde logo, do seu principal trunfo - a questão dos refugiados - e também espetar uma faca nas costas dos 1,5 milhões de palestinos que são cidadãos de Israel.
Netanyahu está pronto para aceitar a proposta de Obama de envolver os estados árabes e outros estados muçulmanos no processo de paz - uma ideia que tem sido sempre rigorosamente rejeitada por todos os governos de Israel. Mas isto é apenas mais um dos coelhos que ele vai tirar do seu chapéu de tempos a tempos, a fim de adiar tudo.

Antes de dezenas de estados árabes, e talvez mais de cinquenta estados muçulmanos decidirem aderir ao processo, meses, talvez anos, vão passar. E, entretanto, Netanyahu exige deles um pagamento adianto, sob a forma da normalização - o que significa que todo o mundo árabe e muçulmano daria o seu único trunfo sem obter nada em troca. Pura gorjeta.

Este é o plano de trabalho de Netanyahu.

TEM Obama um plano de paz?

Se colocarmos todas as suas declarações dos últimos dias juntas, parece que ele tem.

Quando ele fala de "dois Estados para dois povos", praticamente aceita o plano de paz que, por agora, se tornou um consenso em todo o mundo: como os "parâmetros" apresentadas por Bill Clinton, nos seus últimos dias de mandato; como a parte central da proposta de paz saudita; e como os planos de paz do movimento da paz israelita (o projecto de acordo de paz da Gush Shalom, a iniciativa de Genebra, a declaração Ayalon-Nusseibeh e mais).

Em suma: um Estado Palestino soberano e viável, lado a lado com Israel; as fronteiras pré-1967 - com pequenas e acordadas trocas territoriais; o desmantelamento de todos os colonatos que não fiquem ligados a Israel, nas trocas territoriais; Jerusalém Oriental como capital da Palestina e Jerusalém Ocidental como capital de Israel; uma solução mutuamente aceitável para o problema dos refugiados; uma passagem segura entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza; acordos mútuo em matéria de segurança.

ENTRETANTO, por todo o mundo, há um consenso crescente de que a única maneira de pôr as rodas da paz em movimento novamente será Obama publicar o seu plano de paz e convocar ambas as partes a aceitá-lo. Se necessário, em referendos populares.

Obama poderia fazer isso no discurso que fará daqui a cerca de uma semana no Cairo, durante a sua primeira visita presidencial ao Médio Oriente. Não é por acaso, que não irá a Israel durante esta visita, algo quase sem precedentes para um presidente dos E.U.A.

Para fazer isso, deve estar pronto para confrontar o poderoso lobby israelita. Parece que está pronto para isso. O último presidente que se atreveu a fazer isso foi Dwight D. Eisenhower, que obrigou Israel a devolver o Sinai logo após a guerra 1956. "Ike" foi tão popular que não tinha receio do lobby. Obama não é menos popular, e talvez tenha a mesma ousadia.

Como "Teddy" Roosevelt sugeriu: quando alguém tem um grande pau, não tem que o brandir. Pode dar-se ao luxo de falar suavemente.

Espero que Obama irá efectivamente falar suavemente - mas de forma clara e inequívoca.