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16 dezembro, 2010

MNE da Noruega espera que Estado Palestino possa ser estabelecido em 2011

Doadores internacionais irão reunir para discutir as necessidades financeiras da Autoridade Palestina em Abril de 2011, informou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, Jonas Gahr Stoere, afirmando ainda esperar que o Estado palestino possa ser estabelecido no próximo ano.

As declarações de Stoere, que lidera o comité encarregado de coordenar a ajuda internacional para os palestinos, foram realizadas no final de um encontro, em Oslo, com o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad.

Não precisando uma data para a reunião de doadores acrescentou:

"Todos nós devemos aderir à ideia de que 2011 será o ano no qual poderemos ver um novo Estado no palco mundial: o Estado Palestino".

"Para que isso aconteça, as instituições precisam de estar sólidas, a governação precisa de ser transparente, e a segurança, as escolas, precisam de estar a funcionar".

Por seu lado Fayyad enfatizou o trabalho feito pela Autoridade Palestina para diminuir a sua dependência da ajuda internacional. 

As informações são da Dow Jones e Associated Press.

24 agosto, 2010

OLP reafirma posições de referência para as negociações com Israel

O Dr. Saeb Erekat, chefe negociador palestino, numa conferência de imprensa realizada ontem para discutir as posições palestinas no avanço das negociações directas com Israel, marcadas para começar em 2 de Setembro em Washington, destacou a declaração do Quarteto para o Médio Oriente como um ponto de viragem na decisão da OLP de entrar em negociações directas. A declaração, feita em 20 de Agosto de 2010, mencionava os termos de referência de Madrid, as resoluções do Conselho de Segurança e da Iniciativa Árabe de Paz como ponto de partida para esta nova ronda de negociações. A OLP considera que estes princípios serão as bases para as negociações directas.

O Dr. Erekat começou por afirmar que quaisquer conversações de paz bem sucedidas devem conduzir a um Estado soberano palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital e uma solução justa e acordada para o problema dos refugiados, em conformidade com a Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 194 (UNGAR 194).

O Dr. Erekat destacou o compromisso palestino para com as negociações de paz, mencionou ainda as suas sérias reservas quanto às intenções e o compromisso de Israel com uma paz justa e duradoura entre palestinos e israelitas.

Esse cepticismo, disse ele, é resultado das continuadas actividades de colonização, demolições de casas e outras práticas ilegais no território palestino ocupado, de Israel. O compromisso de Israel para um acordo negociado e para uma solução de dois Estados serão evidentes no terreno. Se novos concursos para construção forem emitidos (um plano que já foi anunciado pelo governo de Netanyahu) durante o processo de negociação, será uma afronta clara à paz e os palestinos serão assim expulsos do processo de negociações.

O Dr. Saeb Erekat afirmou que o presidente Abbas enviou uma série de cartas ao presidente Obama, a Lady Ashton, ao Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e ao Presidente Medvedev. Nessas cartas, o presidente Abbas expressou o seu compromisso com a paz e exigiu que a comunidade internacional tome uma posição forte e inequívoca sobre a obrigação de Israel de congelar todas as actividades de colonização, sem excepções. O Presidente Abbas também reiterou a posição da OLP: se a colonização, as demolições de casas e os despejos continuarem, os palestinos não continuarão negociando.

O Dr. Erekat também mencionou que, mesmo antes de as negociações directas começaram, Israel já tornou conhecidas as suas pré-condições - um Estado palestino desmilitarizado, uma zona de segurança no Vale do rio Jordão e o reconhecimento palestino de um Estado "judeu".

Os Palestinos entram nestas negociações, para as quais foram chamados ao lado de Israel, de boa fé e sem condições prévias pedindo para ter um parceiro israelita disposto a aceitar os termos de referência, há muito estabelecidos e internacionalmente aceites das nossas negociações.

Fonte: PLO Media Brief - 23de Agosto de 2010

30 junho, 2010

Não haverá Estado Palestino antes de 2012! "Decreta" Avigdor Liberman

Avigdor Lieberman, afirmou que não haverá Estado palestino antes de 2012, ao receber ontem , em Jerusalém, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, Sergei Lavrov.

Uma declaração de circunstância para "amansar" Obama e os seus aliados.

11 junho, 2010

Viver em paz na Palestina, sob um governo Palestino, afirmou o rabino Dovid Feldman do Neturei Karta International

Tradução do declaração do Rabi Dovid Feldman do movimento religioso Neturei Karta International, (uma corrente do Judaísmo ortodoxo),  por ocasião do ataque à "Freedom Flotilla".

"Os autênticos Judeus ortodoxos em todo o mundo condenam de forma inequívoca a matança a sangue frio, realizada pelas forças de ocupação sionistas contra inocentes, pacíficos, amantes da liberdade e nobres activistas comprometidos com a paz e os direitos humanos", afirmou o rabino Dovid Feldman do Neturei Karta International.

"Este ataque brutal ocorreu em águas internacionais a bordo de navios que transportavam ajuda humanitária para os nossos irmãos, os residentes palestinos da cercada Faixa de Gaza. Foi um acto claramente ilegal, que viola, de uma forma séria, direitos humanos básicos e sagrados, a justiça e a lei.

"Esse tipo de comportamento, infelizmente, só se poderia esperar dos sionistas", continuou. "Toda a existência do seu estado foi construída, desde o início, sobre Heresia, esbulho e assassinato. Oprimiram, assassinaram e expulsaram um povo inteiro da sua terra.

Tudo isso nos aflige, especialmente porque foi feito em nome de todo o povo judeu e, em nome da religião judaica. A verdade é que a Tora se opõe totalmente a tudo o que fazem. A Tora ensina-nos a misericórdia, a Tora proíbe o assassinato e a Tora proíbe o roubo.

De acordo com a Tora, toda a terra do Jordão ao Mar Mediterrâneo deverá ser devolvida ao povo palestino ". "Os judeus estão no exílio por decreto divino, e qualquer tentativa de acabar com este decreto Todo-Poderoso é uma rebelião contra D-us. A Tora ensina que uma rebelião contra D-us não pode ser bem sucedida.

Achamos que é imperativo declarar claramente que o Estado de "Israel" não representa o povo judeu, e certamente a religião judaica. Eles não têm direito de falar em nosso nome nem no nome da sagrada Tora. Eles envergonham a Terra Santa com as suas abominações, matanças e inúmeras outras acções que emanam deste Estado ilegítimo.

Além disso, a própria existência deste Estado é ilegítima como a sagrada Tora estrita e explicitamente proíbe qualquer domínio judaico sobre a Terra Santa. Quando o movimento sionista surgiu há um século, todos os nossos rabinos alertaram-nos para que não tivéssemos qualquer ligação com eles.

Os sionistas com a sua perversão do Judaísmo denegriram o nome de judeus e da Tora em todo o mundo. São os piores inimigos de D-us, da Tora e do verdadeiro povo judeu, que sempre se manteve fiel a D-us em todas as circunstâncias. Subsequentemente, são a maior causa da exacerbação do anti-semitismo em todo o mundo.

"Os judeus ao longo dos séculos sempre tiveram excelentes relações com seus vizinhos árabes. Em séculos passados, durante os quais os judeus sefarditas viviam em comunidades prósperas por todo o mundo árabe, foi uma época de ouro entre os nossos povos.

Quem pôs um ponto final nessa idade de ouro?

Só o sionismo político. Na verdade, ainda hoje existem alguns países árabes e muçulmanos que ainda têm comunidades judaicas que vivem, entre eles, pacificamente. E mesmo os palestinos (de ambos, os principais partidos) declararam que não tem nenhum problema com os judeus que vivem entre eles; eles apenas se opõem ao sionismo político.

Manifestamos o nosso profundo pesar às famílias dos inocentes assassinados, assim como os nossos sinceros desejos de rápida recuperação a todos os feridos pelas forças de ocupação sionistas. Possa o Céu enviar-lhes completa e rápida recuperação.

"Nós esperamos e rezamos por um fim pacífico e rápido do estado sionista. Então os judeus serão capazes de viver em paz na Palestina sob um governo Palestino, assim como eles tem vivido, até hoje, noutros países árabes.

"Que possamos merecer o cumprimento da promessa dos profetas da revelação do reino de D-us sobre todo o mundo, e que a cada momento todos os povos O possam servir em unidade".


O Neturei Karta é uma corrente da ortodoxia judaica que se opôs à fundação do Estado de Israel e mantêm a oposição à existência do chamado, segundo eles, "Estado de Israel".

Oportunamente trataremos de publicar as origens e fundamentos deste movimento religioso que defende o fim do Estado de Israel, de forma rápida mas pacífíca.

NB: Utilizámos  a expressão"D-us" dado que a mesma surgia no texto traduzido como "G-d", respeitando assim a crença do se autor.

20 maio, 2010

Gush Shalom, um movimento israelita pela paz israelo-palestina

NB: Este post é uma tradução da informação publicada  no web site do Gush Shalom. Destina-se a dar a conhecer um movimento israelita que desde 1993 luta pela paz e conciliação entre israelitas e palestinos.


Gush Shalom (traduzido do hebraico, o nome significa "O Bloco da Paz") é o núcleo duro do movimento pacifista israelita.
Frequentemente descrito como "firme", "militante", "radical" ou "consistente", é conhecido pelas suas posição firmes em tempos de crise, como na Intifada de Al-Aksa.
Durante anos até hoje, Gush Shalom tem desempenhado um papel preponderante na determinação da agenda política e moral das forças de paz em Israel, bem como em quebrar o chamado "consenso nacional" com base na desinformação.
 
Gush Shalom is an extra-parliamentary organization, independent of any party or other political grouping. Some of its activists do belong to political parties, but the Gush is not aligned to any particular party. 
Gush Shalom é uma organização extra-parlamentar, independente de qualquer partido ou outro grupo político. Alguns dos seus activistas pertencem a partidos políticos, mas o Gush não está alinhado com qualquer partido em particular.

OBJECTIVOS

O principal objectivo do Gush Shalom é influenciar a opinião pública israelita e conduzi-la para a paz e a conciliação com o povo palestino, com base nos seguintes princípios:


Pôr fim à ocupação;

Aceitando o direito do povo palestino em estabelecer o Estado independente e soberano da Palestina em todos os territórios ocupados por Israel em 1967;

Restabelecendo a pré-"Linha Verde" de 1967, como a fronteira entre o Estado de Israel eo Estado da Palestina (com possíveis pequenas trocas de territórios acordadas entre as partes), a fronteira estará aberta para a livre circulação de pessoas e bens, sujeito a acordo mútuo;

Confirmando Jerusalém como capital dos dois Estados, com Jerusalém Oriental (incluindo o Haram al-Sharif), servindo como capital da Palestina e Jerusalém Ocidental (incluindo o Muro das Lamentações), servindo como capital de Israel. A cidade deverá estar unida ao nível físico e municipal, com base num acordo mútuo;

Reconhecendo, em princípio, o Direito de Retorno dos Refugiados Palestinos, permitindo a cada refugiado escolher livremente entre uma indemnização e o repatriamento para a Palestina e Israel, e fixando, por mútuo acordo, em quotas anuais, o número de refugiados que será capaz de retornar a Israel, sem enfraquecer as fundações de Israel;
Garantindo a segurança de ambos, Israel e Palestina, por mútuo acordo e sob garantias;

Aspirando à paz global entre Israel e os países árabes e à criação de uma união regional.

HISTÓRIA

O Gush Shalom foi fundada por Uri Avnery e outros activistas em 1993, quando se tornou evidente que todos os  antigos grupos pela paz em Israel eram incapazes ou não tinham vontade de se opor às medidas  repressivas introduzidas pelo novo governo do Partido Trabalhista liderado por Yitzhak Rabin.

.Quando Rabin expulsou 415 militantes islâmitas do país [Israel] no final de 1992, um protesto espontâneo  de judeus e árabes israelitas conduziu à implantação de tendas frente ao escritório do primeiro-ministro em Jerusalém.

Este protesto durou 45 dias e 45 noites durante o inverno.  

Após debates nas tendas, e tendo em vista o silêncio de outros grupos pacifistas israelitas, alguns dos manifestantes decidiram que um novo movimento de paz israelita  era necessário e fundaram o Gush Shalom.

04 junho, 2009

O discurso de Obama no Cairo por SMS # 7

Obama está a discursar no campus da Universidade do Cairo e seguindo as práticas da sua campanha eleitoral está a utilizar o SMS para enviar mensagens para quem se tivesse inscrito no site American.gov.

Iremos publicar esses SMS conforme os formos recebendo.

SMS # 1

I have come here to seek a new beginning between the United States and the Muslim world based upon mutual interest and mutual respect.

Eu vim aqui para buscar um novo começo entre os Estados Unidos e o mundo muçulmano com base em mútuos interesses e mútuo respeito .

SMS # 2


We reject the same thing that people of all faiths reject: the killing of innocent men, women, and children.

Rejeitamos a mesma coisa que as pessoas de todas as fés rejeitam: a matança de inocentes, homens, mulheres e crianças.

SMS # 3

America will not turn our backs on the legitimate Palestinian aspiration for dignity, opportunity, and a state of their own.

A América não vai virar as costas à legítima aspiraçãodos Palestinianos à dignidade, oportunidade e a um estado seu.

SMS # 4

No system of government can or should be imposed upon one nation by any other.

Nenhum sistema de governo pode ou deve ser imposto a uma nação por outra qualquer.

SMS # 5

Freedom of religion is central to the ability of peoples to live together. We must always examine the ways in which we protect it

A liberdade de religião é um elemento central para a capacidade dos povos viverem juntos. Devemos sempre examinar as formas como a protegemos.

SMS # 6

The United States will partner with any Muslim-majority country to support expanded literacy for girls.

Os Estados Unidos farão parcerias com qualquer país maioritariamente muçulmano para apoiar a expansão da alfabetização das raparigas.

SMS # 7

The people of the world can live together in peace. We know that is God's vision. Now, that must be our work.


Os povos do mundo podem viver juntos em paz. Sabemos que esta é a visão de Deus. Agora, este deve ser o nosso trabalho.

30 maio, 2009

Voz calma, Grande Pau, por Uri Avnery


Esta é a crónica de Uri Avnery datada de há uma semana atrás e que só agora é publicada por manifesta falta de recursos na oportunidade.

Continuamos a solicitar o apoio de tradutor@s pro bono, bem como de colaborador@s que tenham interesse por esta causa.

Barack Obama é frequentemente comparado a Franklin Delano Roosevelt, mas é de um outro Roosevelt que ele segue o exemplo: O Presidente Theodore Roosevelt, que, 108 anos atrás, aconselhou os seus sucessores: "Falem suavemente e tenham na mão um grande pau!".

Esta semana, o mundo inteiro viu como isso é feito. Obama, sábado no Gabinete Oval, lado a lado com Binyamin Netanyahu, falou aos jornalistas. Estava sério, mas descontraído. A linguagem corporal falou claramente: Netanyahu inclinando-se assiduamente para a frente, como um bufarinheiro vendendo a sua mercadoria, Obama inclinado para trás, tranquilo e seguro de si.

Ele falou suavemente, muito suavemente. Mas inclinado contra a parede por detrás dele, escondido pela bandeira, estava na verdade um grande pau.

O MUNDO queria, naturalmente, saber o que se passou entre os dois quando se encontraram sozinhos.

Regressado a casa, Netanyahu esforçadamente tentou apresentar a reunião como um grande sucesso. Mas após os holofotes desligados, o tapete vermelho enrolado, podemos analisar o que tínhamos realmente visto e ouvido.

Entre as suas grandes proezas, Netanyahu enfatizou a questão iraniana. "Chegámos a um acordo completo", anunciou orgulhosamente uma e outra vez.

Acordo sobre o quê? Sobre a necessidade de impedir o Irão de obter "capacidade nuclear militar".

Só um momento. O que é que ouvimos, "militar"? De onde é que esta palavra apareceu de surpresa? Até agora, todos os governos israelitas insistiram que o Irão deveria ser impedido de adquirir qualquer capacidade nuclear de todo. A nova fórmula significa que o governo Netanyahu aceita agora, que o Irão tenha uma "não militar" - que nunca está muito longe da "militar" - capacidade nuclear.

Esta não é a única derrota de Netanyahu sobre a questão iraniana.

Antes da sua viagem, exigiu que Obama desse ao Irão apenas três meses, " até Outubro", e que, depois "todas as opções estariam sobre a mesa". Um ultimato, que incluía uma ameaça militar.

Nada disto ficou.

Obama disse que iria conduzir um diálogo com o Irão até o final do ano, e que então teria de avaliar o que tinha sido alcançado e considerar o que fazer a seguir. Se ele chegasse à conclusão de que não tinha havido progresso, tomaria novas medidas, incluindo a imposição de sanções mais severas.

A opção militar tinha desaparecido.

É verdade que, antes da reunião Obama dissera a um jornal que "todas as opções estão sobre a mesa", mas o facto de que ele não o repetir na presença de Netanyahu diz tudo.

Sem dúvida que Netanyahu pediu permissão para atacar o Irão, ou - no mínimo – para ameaçar de tais ataques. A resposta foi um Não absoluto.

Obama está decidido a evitar um ataque israelita. Ele tem alertado o governo de Israel de forma inequívoca. Só para ter a certeza de que a mensagem teria sido adequadamente absorvida, enviou o chefe da CIA a Israel para a entregar pessoalmente a todos os líderes israelitas.

O plano israelita para um ataque militar ao Irão foi retirado da mesa - se alguma vez esteve lá.

Netanyahu pretendia ligar o Irão com a questão palestina, de forma negativa: enquanto existir o perigo iraniano, a questão palestina não pode ser tratada.

Obama inverteu a fórmula e fez uma ligação positiva: progressos na questão palestina são uma condição prévia para um progresso sobre a questão iraniana.

Isto faz sentido: os conflitos não resolvidos estão a alimentar o Irão, dando-lhe um motivo para ameaçar Israel e enfraquecer a oposição, do Egipto e da Arábia Saudita, às ambições do Irão.

A principal mensagem de Obama diz respeito a uma questão que retornou ao centro da cena esta semana: colonatos.

Esta palavra praticamente desaparecera durante o reinado de Bush, o Júnior. É verdade, que todas as administrações dos E.U.A. se opuseram à expansão dos colonatos, mas, desde a fracassada tentativa, de James Baker, o secretário de Estado de Bush, o Velho, de impor sanções a Israel, ninguém mais se atreveu a fazer qualquer coisa acerca disso. Em Washington resmungam, com os fundamento que criaram. Em Jerusalém dissimulam, e sobre o terreno, construíram.

Como um chefe palestino observou: "Estamos a negociar sobre a divisão da pizza e, entretanto, Israel já está comendo."

Tem de ser repetido uma e outra vez: os assentamentos são um desastre para os palestinos, um desastre para a paz e uma dupla ou tripla catástrofe para Israel.

Primeiro, porque o seu principal objectivo é fazer com que o estabelecimento de um Estado palestiniano seja impossível e, assim, impedir a paz para sempre.

Em segundo lugar, porque eles sugam a medula da economia israelita e engolem recursos que deveriam ser utilizadas para ajudar os pobres.

Terceiro: porque os colonatos minam o Estado de direito em Israel, propagam o cancro do fascismo e empurram todo o sistema político para a direita.

Portanto Obama está certo quando coloca a questão dos colonatos à frente de tudo o resto, mesmo à frente das negociações de paz. Uma paragem total na construção dos colonatos vem antes de qualquer outra coisa. Quando um corpo sangra, a hemorragia tem de ser estancada antes de que a doença possa ser tratada. Caso contrário, o paciente vai morrer de perda de sangue e não haverá ninguém para tratar. Este é precisamente o objectivo de Netanyahu.

Esta é a razão porque Netanyahu se recusou a aceder ao pedido. De outra forma a sua coligação iria por água abaixo e seria obrigado a demitir-se ou a criar uma coligação alternativa com o Kadima. A infeliz Tzipi Livni, que não encontrou um papel na oposição, provavelmente não deixaria escapar a oportunidade.

Netanyahu tentará usar Barak contra Barack.

Com a ajuda de Ehud Barak está colocando em cena uma performance de "demolir postos avançados", a fim de desviar a atenção da construção em curso nos colonatos. Veremos se este truque tem sucesso e se a liderança dos colonos vai desempenhar o seu papel nesta charada. No dia seguinte ao regresso de Netanyahu, Ehud Barak demoliu pela sétima vez (!) Maoz Esther, um posto avançado composto de sete cabanas de madeira. Poucas horas depois, os colonos regressaram ao local.

(O exército israelita construiu uma aldeia Árabe, inteira, no Negev para fins de treino. Alguém ironizou esta semana que o exército também tinha construído este posto avançado que é lotado com soldados disfarçados de colonos, de modo que pode ser demolido, cada vez que exista pressão da América. Depois os soldados constroem tudo de novo, pronto para ser utilizado na próxima vez que a pressão seja exercida).

A RECUSA DE congelar os colonatos significa a recusa de aceitar a solução dos Dois Estados. Em vez disso, Netanyahu faz malabarismos com slogans vazios. Fala sobre "dois povos que vivem juntos em paz", mas recusou-se a falar de um Estado palestino.

Um dos seus assessores apelidou a exigência dos Dois Estados de "jogo infantil". Mas este não é, de todo, um jogo infantil. Já foi provado que, negociações onde os objectivos não tenham sido previamente definidos, não levam a qualquer lugar. O Acordo de Oslo colapsou precisamente por este motivo. Netanyahu espera que a próxima ronda de negociações, também fracasse por causa disso.

Ele não apresentou um plano de sua própria iniciativa. Não porque não tenha nenhum plano, mas porque ele sabe que ninguém o iria aceitar.

O plano de Netanyahu é: o total controlo israelita sobre todo o território entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Ilimitada colonização judaica por todo o lado. Limitado auto-governo para uma série de enclaves palestinos com uma densa população palestina, que serão cercados por colonatos. Jerusalém, na sua totalidade permanecerá como parte de Israel. Nem um único refugiado palestino regressará ao território de Israel.

Esta mercadoria não vai encontrar compradores no mundo inteiro. Então Netanyahu, um vendedor profissional, tenta embrulhá-la num belo pacote.

Por exemplo: os palestinianos vão "governar-se a eles próprios".

Onde exactamente? Aonde serão as fronteiras? Ele já declarou que os palestinos não podem ter controlo sobre "o seu espaço aéreo ou as suas fronteiras". Um estado sem forças armadas e sem controlo sobre o seu espaço aéreo e as passagens de fronteira – parece-se suspeitosamente com os Bantustans do falecido regime racista de apartheid na África do Sul.

Eu não ficaria surpreso se, em qualquer momento no futuro, Netanyahu começasse a chamar a estas reservas nativas "um Estado palestiniano".

No entretanto, ele tenta ganhar tempo e adiar as negociações o mais tempo possível.

Ele exige que os palestinos reconheçam Israel como "o estado do povo judeu", esperando e tendo esperança que eles rejeitarão esta ideia com as duas mãos. E, de facto, aceitar isso significaria desistir desde logo, do seu principal trunfo - a questão dos refugiados - e também espetar uma faca nas costas dos 1,5 milhões de palestinos que são cidadãos de Israel.
Netanyahu está pronto para aceitar a proposta de Obama de envolver os estados árabes e outros estados muçulmanos no processo de paz - uma ideia que tem sido sempre rigorosamente rejeitada por todos os governos de Israel. Mas isto é apenas mais um dos coelhos que ele vai tirar do seu chapéu de tempos a tempos, a fim de adiar tudo.

Antes de dezenas de estados árabes, e talvez mais de cinquenta estados muçulmanos decidirem aderir ao processo, meses, talvez anos, vão passar. E, entretanto, Netanyahu exige deles um pagamento adianto, sob a forma da normalização - o que significa que todo o mundo árabe e muçulmano daria o seu único trunfo sem obter nada em troca. Pura gorjeta.

Este é o plano de trabalho de Netanyahu.

TEM Obama um plano de paz?

Se colocarmos todas as suas declarações dos últimos dias juntas, parece que ele tem.

Quando ele fala de "dois Estados para dois povos", praticamente aceita o plano de paz que, por agora, se tornou um consenso em todo o mundo: como os "parâmetros" apresentadas por Bill Clinton, nos seus últimos dias de mandato; como a parte central da proposta de paz saudita; e como os planos de paz do movimento da paz israelita (o projecto de acordo de paz da Gush Shalom, a iniciativa de Genebra, a declaração Ayalon-Nusseibeh e mais).

Em suma: um Estado Palestino soberano e viável, lado a lado com Israel; as fronteiras pré-1967 - com pequenas e acordadas trocas territoriais; o desmantelamento de todos os colonatos que não fiquem ligados a Israel, nas trocas territoriais; Jerusalém Oriental como capital da Palestina e Jerusalém Ocidental como capital de Israel; uma solução mutuamente aceitável para o problema dos refugiados; uma passagem segura entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza; acordos mútuo em matéria de segurança.

ENTRETANTO, por todo o mundo, há um consenso crescente de que a única maneira de pôr as rodas da paz em movimento novamente será Obama publicar o seu plano de paz e convocar ambas as partes a aceitá-lo. Se necessário, em referendos populares.

Obama poderia fazer isso no discurso que fará daqui a cerca de uma semana no Cairo, durante a sua primeira visita presidencial ao Médio Oriente. Não é por acaso, que não irá a Israel durante esta visita, algo quase sem precedentes para um presidente dos E.U.A.

Para fazer isso, deve estar pronto para confrontar o poderoso lobby israelita. Parece que está pronto para isso. O último presidente que se atreveu a fazer isso foi Dwight D. Eisenhower, que obrigou Israel a devolver o Sinai logo após a guerra 1956. "Ike" foi tão popular que não tinha receio do lobby. Obama não é menos popular, e talvez tenha a mesma ousadia.

Como "Teddy" Roosevelt sugeriu: quando alguém tem um grande pau, não tem que o brandir. Pode dar-se ao luxo de falar suavemente.

Espero que Obama irá efectivamente falar suavemente - mas de forma clara e inequívoca.