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27 fevereiro, 2013

Stéphane Frédéric Hessel: O indignado!



VEMO-LO PARTIR MAS A SUA MARCA CONTINUA DISTINTA!

 Stéphane Frédéric Hessel 
(Berlim, 20 de Outubro de 1917 – Paris, 26 de Fevereiro de 2013)
(De origem alemã obteve a nacionalidade francesa em 1937)

Combatente da Resistência Francesa, devido à sua origem judia foi capturado e torturado pela Gestapo, tendo sobrevivido aos campos de concentração nazis, de Buchenwald e Dora-Mittelbau. Diplomata e embaixador, participou da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948.

Escreveu o manifesto “Indignai-vos!” e actualmente era membro do Júri do Tribunal Russell sobre a Palestina.

ALGUNS DESTAQUES:

Em 2004, juntamente com outros ex-combatentes da Resistência, assinou a petição "Por um Tratado de uma Europa Social" e, em Agosto de 2006, foi um dos signatários de um apelo contra os ataques aéreos israelenses no Líbano. O apelo foi lançado pelo ramo francês da organização “Judeus europeus para uma paz justa”, foi publicado no “Libération” e noutros jornais franceses.

Em 21 de Fevereiro de 2008, na Place de la Republique, Hessel exigiu que o governo francês disponibilizasse os fundos necessários para proporcionar alojamento para os sem-abrigo e denunciou a incapacidade do governo francês de dar cumprimento ao artigo 25.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em 5 de janeiro de 2009, Hessel criticou os ataques militares de Israel na Faixa de Gaza, dizendo: "Na verdade, a palavra que se aplica - que deve ser aplicada - é “crime de guerra”' e até mesmo “crime contra a humanidade”. Mas esta palavra deve ser usada com cuidado, especialmente quando se está em Genebra, na sede do Alto Comissariado para os Direitos Humanos, que podem ter uma opinião importante sobre essa questão. Da minha parte, tendo visitado Gaza, depois de ter visto os campos de refugiados com milhares de crianças, a forma como são bombardeados surgem como um verdadeiro crime contra a humanidade. "

Em Outubro de 2010 publicou o ensaio/manifesto “Indignai-vos!”, publicado em português em 2011, pela editora Objectiva (ISBN: 9789896720766).

Neste manifesto, dirigido então aos franceses, mas que rapidamente se internacionalizou, pois o diagnóstico servia a muitos outros povos – o primeiro sinal dessa adoção foi dada pelo uso, em Espanha, do título do manifesto para denominar os manifestantes que em 2011 se levantaram contra a corrupção e contra o assalto financeiro a que começaram a ser submetidos pelo Governo: “Los Indignados” - alertava para o facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação pessoal como no tempo em que o nacional-socialismo ameaçava o mundo. Afirmando que se procurarmos, (para nós infelizmente as razões estão bem patentes) certamente encontraríamos razões para a indignação, nomeadamente: o fosso crescente entre muito pobres e muito ricos, o desrespeito pelos emigrantes e pelos direitos humanos, a necessidade de proteger o ambiente, a necessidade de restabelecer uma imprensa livre, a necessidade de proteger o sistema social, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a situação dos palestinos, recomendando que as pessoas lessem o Relatório Goldstone (Setembro de 2009), entre tantas outras, e apelando para a insurreição pacífica e não-violenta, pois afirma: "cabe-nos a todos em conjunto zelar para que a nossa sociedade se mantenha uma sociedade da qual nos orgulhemos."

Depois do “ Indignai-vos!”  Stephane Hessel, publicou em 2011 e em parceria com o jovem jornalista francês Gilles Vanderpooten, o resultado de uma entrevista/conversa que intitulou de "Engagez-vous!" (Participai!) – publicado em português pela Editorial Planeta com o título “Empenhai-vos! (ISBN: 9789896572082), tendo como subtítulo “Indignarmo-nos já não chega!“ – onde, segundo a sinopse da editora “intensifica as suas exigências morais porque, diz ele, não basta indignarmo-nos. Cada um de nós, com a sua própria sensibilidade, deve empenhar-se em todas as frentes de combate da nossa época: os direitos do homem, a defesa dos ilegais e dos sem-abrigo, a luta contra as desigualdades, a ecologia… Eterno otimista, Hessel acredita que a Natureza é «rica em ardis» e convida as gerações jovens a indignar-se e a resistir às coisas escandalosas que as rodeiam.”

Em 2011, Hessel foi incluído, pela revista Foreign Policy, na sua lista dos principais pensadores globais "por trazer o espírito da resistência francesa para uma sociedade global que perdeu o seu coração

Atualmente era membro do Júri do Tribunal Russell sobre a Palestina.

(Este Tribunal é uma organização internacional privada, que emerge da sociedade civil e que se constituiu, segundo o modelo do Tribunal Russell, [a investigação e denúncia de comprovados crimes de guerra e contra a humanidade a nível internacional], em Março de 2009, pela vontade de um grande grupo de cidadãos envolvidos na promoção da paz e da justiça no Médio Oriente e que terá a sua sessão final nos próximos dias 16 e 17 de Março, em Bruxelas.)

14 janeiro, 2012

"Encerrem Guatanamo" Assinem a Petição da Amnestia Internacional


Faltam 09 Dias, 05 Horas, 29 Minutos, 53 Segundos
para terminar a assinatura da Petição.
Assinar Petição

50 Years. Amnesty International.



Guantánamo: 10 anos depois continuam as violações dos Direitos Humanos

 Dez anos depois dos primeiros prisioneiros entrarem em Guantánamo, mais de 150 pessoas continuam detidas no centro de detenção. A maioria está presa por tempo indefinido e sem julgamento ou acusação formal.

Mais de 110.000 pessoas já assinaram a petição no mundo inteiro. E você já assinou?

Foi a 11 de Janeiro de 2002 que os primeiros prisioneiros foram levados para a baía de Guantánamo, como consequência dos atentados de 11 de Setembro. Desde então, o centro de detenção de Guantánamo tem sido notícia de primeira página em todo o mundo devido às chocantes violações de direitos humanos ali praticadas, tais como detenções arbitrárias, detenções secretas,’’rendições’’, tortura, maus tratos e julgamentos injustos.

Dez anos depois, mais de 150 pessoas continuam detidas em Guantánamo. A maioria está presa por tempo indefinido e sem julgamento ou acusação formal.

Os que foram levados a tribunal enfrentaram julgamentos injustos feitos por comissões militares e alguns podem vir a enfrentar a pena de morte. O governo afirma que mesmo aqueles que forem considerados inocentes podem continuar presos por tempo indeterminado.
Até agora não foram prestados esclarecimentos nem reparações pelas violações dos Direitos Humanos a que estes e outros detidos foram sujeitos.

As preocupações com os Direitos Humanos em Guantánamo continuam a ser uma história inacabada.

Quanto tempo ainda tem de passar para que o governo dos Estados Unidos feche o último capítulo da história de Guantánamo e honre as suas obrigações quanto aos Direitos Humanos?
 
Assine a petição até dia 23 de Janeiro. Esta será entregue ao presidente Obama antes do seu discurso sobre o Estado da União a 24 de Janeiro de 2012.
Carta que será enviada após assinar a petição
 
We call on the United States President Barack Obama to address the detentions at Guantánamo Bay as a human rights issue that requires urgent attention.

Guantánamo detainees should either be charged and prosecuted in fair trials or released to countries that will respect their human rights, including into the USA if that is the only available option;

The US military commissions, which do not meet international fair trial standards, should be abandoned, as should any pursuit of the death penalty;

Former or current US officials responsible for human rights violations must be held to account, including in respect of crimes under international law such as torture and enforced disappearance by bringing them to justice. Victims of human rights violations must be provided genuine access to effective remedy;

The USA must recognize the applicability of, and fully respect international human rights law, when conducting counterterrorism operations, including detentions in Guantánamo, detention facilities at Bagram in Afghanistan and elsewhere.

Yours sincerely,






Assinar Petição

22 novembro, 2011

Venezuela launches School for Human Rights


Last week, the Venezuelan Public Defender’s Office launched a school for human rights education that will be run by the state-funded Juan Vives Suria Foundation in Caracas and will carry out seminars in twelve of the country’s 23 states.

The new school will aim to “dismantle the liberal, reductionist, and individualist vision of human rights”, said Gabriela Ramirez, Venezuela’s chief public defender, during a press conference at the foundation, which is named after a Catholic Priest famed for his activism in defense of human rights.

“Our vision is not just to train the staff of the Public Defender’s Office, but rather to build an enduring culture of human rights, just as our constitution calls for, and that it be the communities themselves that have the capacity and the competence to defend their rights”, said Ramirez.

Social workers and community activists who have already been leading human rights campaigns or who have denounced human rights violations will be the initial participants in the school. While enrolment is free of charge, aspirant students must submit a proposal outlining a social problem in their community and how their human rights education will help them solve it. The school will also offer a certificate of training in the new Anti-Corruption Law for local advocates who can vigil the behaviour of government institutions and of their own communal councils. 

23 setembro, 2011

Relator Especial da ONU exorta o mundo a reconhecer a realidade de um Estado palestino

Richard Falk
Press Release das Nações Unidas
 
GENEBRA (22 de Setembro de 2011) - O Relator Especial da ONU, sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados desde 1967, Richard Falk, (um judeu-americano por sinal) convidou cada Estado-Membro das Nações Unidas a reconhecer a realidade de um Estado palestino, e pediu a Israel para ouvir a vontade do povo palestino.

"O próximo debate sobre a iniciativa da Palestina nas Nações Unidas proporciona uma oportunidade decisiva para a comunidade internacional responder a um legado de injustiça", sublinhou Falk. "Por mais de 44 anos, os palestinos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza sofreram sob a ocupação opressiva de Israel."

O Relator Especial da ONU chamou a atenção para o facto de que "o Estado de Israel tem vindo a transferir a sua população para centenas de colonatos em território palestino, e enquanto isso sujeitam os palestinos a violações generalizadas e sistemáticas dos seus direitos humanos básicos, desconsiderando obrigações fundamentais do direito internacional humanitário. "

“O estatuto da Palestina como um Estado não é meramente simbólico", disse o perito independente. "Ele habilita a Palestina com direitos e deveres de direito internacional, como a plena jurisdição sobre seu território, legitimidade para se defender de outros Estados, e a capacidade de aderir a tratados internacionais - incluindo os tratados sobre direitos humanos"

"Enquanto muitos israelitas podem estar confortáveis com o status quo, a transformação em curso da região traz consigo novas realidades", observou Falk. "Eu encorajo Israel a estar atento aos apelos por toda a região para uma governação baseada na vontade do povo. A vontade do povo palestino também deve ser respeitada, a partir desta semana na Organização das Nações Unidas, até que os palestinos possam gozar do direito que eles compartilham com todos os outros povos do mundo - o direito à autodeterminação "

"O Estado de Israel e seus zelosos apoiantes nos Estados Unidos deveriam aproveitar esta oportunidade para respeitar a promessa da solução de dois Estados," O relator especial da ONU disse reconhecer que a iniciativa da Palestina tem desafios à sua frente. "Em muitas ocasiões passadas, a obstinação deliberada derrotou os esforços para resolver o conflito. Quase 20 anos de negociações directas têm realmente dado tempo a Israel para minar a solução de dois Estados ".

Em 2008, o Conselho de Direitos Humanos da ONU nomeou Richard Falk (professor emeritus de Direito Internacional da Universidade de Princeton - Estados Unidos da América) como o quinto Relator Especial sobre a situação dos direitos humanos em territórios palestinos ocupados desde 1967. O mandato foi originalmente criado em 1993 pela Comissão das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos.
Saiba mais acerca do mandato e funções do Relator Especial aqui. (em inglês)

14 setembro, 2011

Síria: O receio cresce face ao aumento das mortes de activistas nas prisões

Amnesty International Press release
13 September 2011

Fears grow for Syrian activists as deaths in custody increase Amnesty International has urged the Syrian authorities to reveal the whereabouts of four activists arrested last week near Damascus after the dead body of their friend was returned to his family over the weekend.

The four, who include the brothers Yahya and Ma’an Shurbaji, have not been seen since they were detained in Daraya, a Damascus suburb, on 6 September at the same time as Ghayath Mattar, the dead activist. There are growing fears for their safety.

An Amnesty International report last month listed 88 deaths in custody since April, but seven others, including Ghayath Mattar, have died behind bars in recent weeks, bringing the total to 95.
“It is clear that these human rights activists from Daraya are in grave danger given the very suspicious circumstances surrounding the death of their friend and fellow activist Ghayath Mattar,” said Philip Luther, Deputy Director of the Middle East and North Africa Programme at Amnesty International.

“The spiralling total of detainee deaths together with the Syrian authorities’ failure to conduct any independent investigations points to a pattern of systematic, government-sanctioned abuse in which every detainee must be considered at serious risk,” said Philip Luther.

The official account given to Ghayath Mattar’s family by security officials is that he was “shot by armed gangs” although he is known to have been in detention since 6 September and video and other evidence suggests that he was tortured prior to his death. The 26-year-old had helped to lead peaceful protests in Daraya in which demonstrators responded to the security forces’ violence by carrying flowers.

Ghayath Mattar and Yahya Shurbaji were arrested by plain-clothes officers on 6 September after Yahya Shurbaji’s brother Ma’an called to say he had been injured when security forces raided his home. Sources have told Amnesty International that Ma’an Shurbaji was already in custody at the time, and was forced to make the call to lure his brother in for arrest.

Two other activists from Daraya, Mazen Zyadeh and Mohamed Tayseer Khoulani, were reportedly arrested at the same time as Ma’an Shurbaji. Air Force Intelligence confirmed Ghayath Mattar’s arrest on 6 September in a telephone call to his family days before his body was handed over to them.

“Yahya Shurbaji is at particular risk, given his active role in organizing peaceful protests since March. Syrian authorities must immediately reveal the detainees’ whereabouts and give them access to lawyers, their families and any needed medical assistance,” said Philip Luther.

Fears also continue to grow for six other activists from Daraya whose families have had no access to them since they were arrested in July and August. Like those detained on 6 September, they are believed to be held by Air Force Intelligence, one of several Syrian security agencies and the main one currently operating in Daraya.

According to a family friend, security forces surrounded the cemetery when Ghayath Mattar was buried to try and prevent the family from holding a public funeral, then used live fire against mourners, killing a 17-year-old boy and injuring four others.

Syrian authorities have not publicly said if any charges have been brought against the activists still in detention, but Amnesty International believes that they were detained for their involvement in pro-reform protests.

“If these men are being held solely on the basis of their peaceful human rights activism, we would consider them to be prisoners of conscience and they must be released without delay,” said Philip Luther. 

Nota: Título e destaques de minha responsabilidade 

20 janeiro, 2011

'Não é a velha Europa que dá o exemplo, é a América Latina" Entrevista a Mons. Jacques Gaillot


Este texto é apresentado sob a norma brasileira e sem revisão.

São poucos os franceses que conhecem o nome da máxima autoridade da Igreja Católica no país, mas a imensa maioria sabe quem é o Monsenhor Jacques Gaillot. Homem, de olhar sereno e voz pausada, que fez de sua vocação religiosa uma opção pelos direitos humanos, especialmente os direitos dos pobres e prisioneiros da injustiça. 

Em entrevista ao jornalista colombiano Hernando Calvo Ospina, Gaillot denuncia o clima de injustiça reinante na França hoje, diz que a Igreja Católica virou às costas para o povo pobre e caminha para virar uma seita, e aponta a América Latina como a região que deve servir de exemplo para os que lutam contra a injustiça.

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São poucos os franceses que conhecem o nome da máxima autoridade da Igreja Católica no país, mas a imensa maioria sabe quem é o Monsenhor Jacques Gaillot. Homem extremamente humilde, de olhar sereno e voz pausada, que sem usar frases grandiloquentes diz o que gostaríamos de escutar de muitos políticos.

Nasceu em 11 de setembro de 1935 em Saint-Dizier, uma pequena cidade da França. Aos 20 anos, deixou o seminário para realizar o serviço militar. Foi para a Argélia, onde havia uma guerra de libertação contra o colonialismo francês. Conta que foi uma sorte não ter sido obrigado a usar armas, pois foi destacado para trabalhos sociais, a viver com a comunidade.

- O que significou para você ter vivido essa guerra?

- Esta experiência começou a mudar a minha vida. Ali me encontrei com o Islã, uma religião muito diferente da católica e sobre a qual nada conhecia. Fiquei sabendo que os muçulmanos tinham fé em um Deus, que oravam e que eram hospitaleiros. Eles foram como meus irmãos. Esta interreligiosidade influiu em minha fé. Também vivi a violência da guerra, razão pela qual fui me convertendo em um militante da não violência. Realmente, a Argélia foi um seminário para mim.

- Após 22 meses na Argélia, você foi enviado a Roma e, em 1961, foi ordenado sacerdote. Até que, em 1982, foi nomeado bispo da cidade de Evreux, na França. Mas em 13 de janeiro de 1995, o Vaticano decidiu retirar-lhe essa missão pastoral. O que aconteceu?

- Alguns dias antes dessa data fui chamado a comparecer diante das autoridades do Vaticano sem saber por quê. Ante minha incredulidade, em algumas horas fui declarado culpado e, em menos de um dia, foi decretada minha expulsão da diocese. O cardeal Bernardin Gantin, prefeito da Congregação dos Bispos, me propôs que eu assinasse minha demissão e assim poderia manter o título honorífico de bispo emérito de Evreux. Não assinei nada. Então me nomearam bispo de Partenia, uma diocese que não existe desde o século V, situada na atual Argélia.

Com minhas poucas roupas deixei a diocese de Evreux. Como não tinha onde ficar, me instalei durante um ano em um prédio recuperado por famílias sem teto e estrangeiros sem documentos, em Paris. Depois fui acolhido por uma comunidade de missionários.

- O que levou o Vaticano a tomar uma decisão tão drástica? Talvez suas posições políticas e compromissos sociais? 

Porque, vejamos: em 1983, foi um dos bispos que não votou a favor de um texto episcopal sobre a dissuasão nuclear. Em 1985, apoiou o levante palestino nos territórios ocupados por Israel, além de se encontrar com Yasser Arafat em Tunís. Em 1987, preferiu viajar até a África do Sul para visitar um preso, militante contra a segregação racial, ao invés de ir à peregrinação pela Virgem de Lourdes. Em 1988, defendeu na revista “Ele” a ordenação de homens casados. No mesmo ano se declarou a favor de dar a benção a homossexuais. No dia 2 de fevereiro de 1989, publicou na revista “Gai Pied” um artigo intitulado “Ser homossexual e católico”. Desde 1994, você se envolveu diretamente na fundação de associações de apoio a marginalizados, passando a ser conhecido como “O bispo dos sem”: sem documentos, sem teto...Não acredita que isso já seja o suficiente para conseguir inimigos entre os círculos de poder eclesiástico e civil?

- Ainda que siga sem provas concretas até hoje, fontes confiáveis me disseram que o governo francês, em particular o ministro do Interior da época, Charles Pascua, tem a ver com a decisão do Vaticano. Não esqueçamos que, na França, este ministério está encarregado dos Cultos. Tenho certeza que um livro meu contra a lei de imigração foi a gota d’água que entornou o copo.

O Vaticano e o governo francês quiseram me isolar. Mas em 1996, no primeiro aniversário de minha partida de Evreux, alguns amigos criaram na internet a Associação Partenia (1), fazendo de mim um “bispo virtual”. Não imaginaram que eu iria acabar animando a única diocese em expansão, com mais fiéis no mundo e em diferentes idiomas.

Imediatamente agradeci ao Vaticano e a Pascua, porque eles me fizeram dar mais passos na direção da outra margem, onde encontrei outra vida. Agora tenho toda a liberdade, vivo na ação com os excluídos da sociedade. Posso viver com as pessoas, compartilhar suas alegrias e suas angústias. Tem sido maravilhoso conhecer todas as pessoas que conheci. Enquanto isso, Pascua está sendo processado por vários delitos e a Igreja a cada dia perde mais cristãos.

- Como, você avalia atualmente a Igreja Católica?

- A Igreja nos ensinou que Deus quis trazer-nos as desgraças e assim nos leva à resignação. Isso não é cristão. A Igreja procura fazer Deus intervir para nos forçar a obedecer e a não pensar. Muitos discursos sobre Deus falam dele, mas quando alguém fala bem do ser humano, isso me diz muito de Deus. A Instituição segue impávida em seu pedestal, longe do povo e de Deus. A seguir assim, se converterá em uma seita, porque muitas pessoas estão partindo para outras religiões. A Igreja vive uma hemorragia.

A Igreja deve mudar, modernizar-se, reconhecer que os casais têm direito a se divorciar e a usar a camisinha, que as mulheres podem abortar, que homens e mulheres podem ser homossexuais e se casar, que as mulheres podem chegar ao sacerdócio e ter acesso às esferas de decisão. Deve-se revisar a disciplina do celibato para que os sacerdotes possam amar como qualquer outro ser humano, sem ter que viver relações clandestinas, como delinquentes.

A situação atual é perversa e destruidora tanto para os indivíduos como para a Igreja. O Vaticano é a última monarquia absoluta da Europa. A Igreja deve aceitar a democracia em todos os níveis. E deve mudar de modelo porque o atual não é evangélico.

- O que você pensa da Teologia da Libertação, que teve um desenvolvimento importante na América Latina?

- Eu me interessei por ela porque é uma teologia que fala dos pobres. Não se fala da liturgia, nem do catecismo, nem da Igreja; fala-se do povo pobre. Ensina que são os próprios pobres que devem tomar consciência da necessidade de sua libertação.

Alguns de nós fomos muito tocados pelos ensinamentos de Dom Helder Câmara, no Brasil, um grande teólogo (2); do Monsenhor Leónidas Proaño, no Equador (3); de Oscar Romero, em El Salvador, e outros sacerdotes latino-americanos, principalmente. Para mim foi um choque brutal quando Romero foi assassinado celebrando a missa, em 24 de março de 1980. Ele havia deixado a Igreja dos poderosos para estar com os pobres. Achei admirável essa conversão.

Na América Latina, existiram alguns padres e freiras que pegaram em armas (4). Eu respeito sua decisão, não os julgo, ainda que não esteja de acordo com ela por ser um adepto da não-violência.

Evidentemente, a Teologia da Libertação é perigosa para os poderosos. Quando os pobres são submissos aceitam seu triste destino, então não há nada que temer, são pão abençoado para os poderosos. Os detentores do poder podem dormir tranquilos. Mas se os pobres despertam e adquirem consciência de sua condição, convertendo-se em atores da mudança, então isso produz medo no poder.

Parece que é terrível quando os pobres tomam a palavra e questionam a instituição eclesiástica. No mesmo instante, ela diz: “Atenção, cuidado com esses comunistas”. Porque sempre prevaleceu a obsessão da infiltração comunista. Por isso, regularmente, as ditaduras, os governos repressivos e o Vaticano se unem em um combate comum. Infelizmente não existem muitos rebeldes na Igreja, porque a instituição sempre formou para a obediência e para a submissão.

- Como você vê a situação social e econômica na França hoje?

- Eu julgo uma sociedade em função do que ela faz pelos mais desfavorecidos. E é claro que eu só posso fazer um juízo severo, porque na França não se respeita a todos os seres humanos. Para mim o problema número um é a injustiça que reina por toda parte. Os que estão no poder não investem nos pobres. Temos um governo que só favorece os ricos. Por isso temos três milhões de pobres.

Muitos de nossos cidadãos acreditam que os trabalhadores ilegais se aproveitam do sistema, sem saber que eles recebem o formulário de impostos em suas casas. Ou seja, eles são conhecidos pelo governo, mas como não estão com os papéis em dia não podem se beneficiar de nenhuma ajuda social. Isso é uma extorsão por parte do Estado!

E a Igreja o que faz? Tomemos como exemplo o que ocorreu em 23 de agosto de 1996, quando quase mil policiais das forças especiais forçaram a ponta de machado as portas da Igreja Saint-Bernard-de-la-Chapelle em Paris, tirando a força 300 estrangeiros em situação irregular. Eu estava escandalizado e desgostoso porque o próprio bispo havia pedido sua expulsão. E quando alguém expulsa humanos que se protegem em uma igreja, está dessacralizando essa igreja. Desgraçadamente, isso continua acontecendo.

E o que se faz com os estrangeiros ilegais? São jogados em centros de detenção, e recebem um tratamento próprio de campos de concentração. Isso é o que ocorre hoje na França. Nas prisões, ocorre um suicídio a cada três dias. É um número enorme. O único horizonte para muitos desses presos é o suicídio, Nunca se viu algo igual. Na Europa, a França tem o recorde de suicídios por enforcamento na prisão.

- E o discurso sobre a crise econômica, onde se situa?

- Nesta crise, não são os ricos que estão em crise, são os mais pobres. Protestamos o ano passado contra as leis propostas pelo governo porque elas penalizavam os pobres. Hoje, muitos franceses só vão ao médico, ao dentista, ao oftalmologista quando é algo verdadeiramente de urgência. E às vezes já é tarde. Os direitos sociais estão sendo eliminados. E a crise atinge as famílias. Se alguém comprou uma casa, perde o trabalho e não arruma outro, deve revendê-la. Isso traz muitos problemas de droga e delinquência.

A moradia social não é uma prioridade política, porque aqueles que estão no poder possuem boas mansões. Constrói-se pouco e as pessoas não sabem aonde ir, restando-lhes as ruas ou algum sótão insalubre. E isso não importa, ainda que existam muitos edifícios vazios em Paris. Quando chega o inverno, o governo fala de “planos”. Então, abrem-se ginásios ou algumas salas para abrigar os milhares que não tem onde morar. Mas esses “planos” não são solução para o frio. A solução é construir habitações dignas. É uma vergonha, é desumano e não é cristão deixar que centenas de pessoas morram de frio nas calçadas e ruas da França.

Como disse o escritor Victor Hugo: “Fazemos caridade quando não conseguimos impor a justiça”. Porque não é de caridade que necessitamos. A justiça vai às causas; a caridade, aos efeitos. Eu não estou dizendo que não se deve ajudar com um prato de sopa ou um abrigo a quem está nas ruas. Existem urgências. Eu faço isso, mas minha consciência não fica tranquila, porque penso que devemos lutar contra as causas estruturais que prendem essas pessoas na injustiça. O mais triste é que as pessoas vão se acostumando com a injustiça. E eu digo: Despertem! Tenham vergonha! Vamos nos indignar contra a injustiça!

Hoje, a injustiça está presente por toda a França. Existem oásis de riqueza, de luxo exorbitante, e extensos guetos de miséria. Na França, há uma violação flagrante dos Direitos Humanos. Por isso devemos combater, para que os direitos das pessoas sejam respeitados.

No ano passado, ocorreram manifestações massivas de protesto contra diferentes projetos do governo, que se fez de surdo para o barulho das ruas.

Eu acredito que, quando não se respeita o povo que se expressa nas ruas, não se tem em conta o futuro. Na França, ficou um sentimento de raiva. Isso não pode seguir assim. Não se pode seguir metendo a polícia por todas as partes para conter a inconformidade do povo. Isso está nos levando na direção de um regime policial. A injustiça não traz paz. É exatamente o contrário. Existe fogo sob uma panela que querem manter fechada. Ela pode explodir.

- As suas lutas pela justiça não se dão só na França. Sua palavra e ação se manifestam em outros lugares também. Poderia dar alguns exemplos?

- Seguimos lutando pelos direitos do povo palestino. Israel é um Estado colonialista que rouba terra palestina e exclui esse povo pela força. Há mais de 60 anos que a Palestina vive sob a ocupação israelense e a injustiça. E a chamada “comunidade internacional” faz bem pouco ou nada. Por isso estamos nos mobilizando em todas as partes para exercer uma pressão sobre o governo israelense. E uma das ações é boicotar os produtos vindos de Israel, principalmente aqueles que são produzidos nos territórios ocupados. Cerca de 50 produtos agrícolas são produzidos na Palestina para benefício israelense. Enquanto os palestinos viverem na injustiça, não haverá paz.

Cuba. Este é um país que tem futuro. Eu pude constatar que é um povo digno, corajoso e solidário. Em Cuba pode haver pobreza, mas não existe a miséria que se vê em qualquer país da América Latina, ou na França, ou nos Estados Unidos. Apesar do bloqueio imposto pelos EUA, todos têm saúde e educação gratuita, e ninguém dorme nas ruas. É incrível!

Eu faço parte do Comitê Internacional pela Libertação dos Cinco Cubanos presos nos EUA. Eles lutaram contra as ações terroristas que estavam sendo preparadas em Miami. Resolvi participar do Comitê porque me dei conta da injustiça cometida contra eles e que não pode ser tolerada.

- Qual a sua avaliação sobre a maneira pela qual a imprensa francesa trata os processos sociais e políticos alternativos que se desenrolam na América Latina? Por que essa imprensa tem a tendência a ridicularizar presidentes como Evo Morales e Hugo Chávez?

- Esse comportamento da imprensa deve-se ao fato de que, regularmente, a França apóia a quem não deveria apoiar. É uma questão de interesses. Estes presidentes não fazem o que os ricos querem, assim a França se coloca ao lado dos ricos. É como faz na África também.

Agora, a participação das mulheres latino-americanas na política é sensacional. Uma mulher na presidência do Brasil é algo extraordinário! Na França, não fomos capazes nem de ter uma primeira ministra: somos tão machos! Ah, sim, uma vez tivemos a senhora Edith Cresson, mas ela não pode ficar por muito tempo já que tentaram massacrá-la em função de sua condição de mulher. Somos machos e vulgares como não se pode imaginar! Hoje, não é a velha Europa que dá o exemplo, é a América Latina. Devemos olhar para lá.

- Duas últimas perguntas: o que outros altos membros da Igreja Católica pensam do senhor? E, como cidadão e ser humano, vê alguma alternativa para a situação social da França?

- Em geral, minhas relações com os outros bispos são cordiais, ainda que alguns prefiram me ignorar. Não me enviam nenhum documento da Conferência Episcopal, não me convidam para a assembleia anual em Lourdes. Tampouco dizem o porquê, e eu também não perguntei, embora outros sacerdotes tenham perguntado, sem receberem uma resposta até hoje. Às vezes, isso não é confortável, mas o que me conforta é que estou em paz com minha consciência, por dizer o que penso, por denunciar a injustiça.

Quanto à segunda pergunta, tenho confiança e esperança nos homens e mulheres. Vamos seguir avançando. Existem movimentos cidadãos que estão criando um tecido associativo alternativo. Vejo muitas lutas que nascem e se desenvolvem pouco a pouco. É formidável! Cada um deve encontrar o caminho onde outros lutam. A unidade: é isso que pode ajudar a salvar a democracia e os direitos das pessoas. Eu tenho esperança.

Notas:

1) http://www.partenia.com/

2) Foi arcebispo de Olinda e Recife. Morreu em 27 de agosto de 1999.

3) Chamado de « Bispo dos Índios », e também de « O bispo vermelho». Exercia seu trabalho pastoral na cidade de Riobamba. Morreu em 31 de agosto de 1988.

4) Vários sacerdotes e freiras somaram-se às guerrilhas. O precursor foi Camilo Torres, na Colômbia, que morreu em combate em 15 de fevereiro de 1966. Na Nicarágua, durante a guerra contra a ditadura de Somoza, muitos seguiram seu exemplo, sendo Ernesto Cardenal o mais famoso.

(*) Hernando Calvo Ospina, jornalista colombiano residente na Europa, autor de vários livros, entre os quais: Salsa, Don Pablo Escobar, Perú: los senderos posibles y Bacardí: la guerra oculta

Tradução: Katarina Peixoto

27 dezembro, 2010

As demolições de casas por Israel são traumáticas para as crianças Palestinas

O comunicado que a seguir reproduzo, em inglês,  foi-me enviado pela Human Rights Education Associates (HREA),que é uma organização internacional não-governamental que apoia o ensino dos Direitos Humanos; a formação de activistas e profissionais; o desenvolvimento de programas e materiais educativos; e o desenvolvimento de uma comunidade, [centrada nesses interesses], através das tecnologias on-line.

O comunicado foi produzido pelo serviço de Notícias das Nações Unidas (UN News Service)

Eu gostava de o poder traduzir, mas é-me de todo impossível.

23 December 2010 – A senior United Nations official today condemned the demolition of two refugee homes in East Jerusalem, stressing in particular the trauma caused to Palestinian children forced to witness their homes being destroyed.

“These condemnable acts have a devastating impact,” Barbara Shenstone, the West Bank Field Director for the UN Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East (UNRWA), said in a news release.

“I call on the Israeli authorities to cease demolitions and evictions in occupied areas which are in contravention of Israel’s obligations under international law, including the UN Convention on the Rights of the Child, to which Israel is a party.”

The nine-member extended Subuh family, whose home in the Ras Al Amud district of East Jerusalem was destroyed on 21 December, has been living at the location of their demolished home in two tents.

The Jerusalem Municipality gave the family just one day to destroy their home and threatened to demolish the house in 24 hours unless they complied. The family destroyed the house themselves at a cost of 60,000 new Israeli shekels rather than pay the Municipality to do so, which costs twice as much.

Also under orders from the Jerusalem Municipality, the four-member al Shukiwi family destroyed their home in the Ath Thuri district of East Jerusalem on 19 December.

Ms. Shenstone noted that while children around the world are enjoying the holiday season in their homes, the children from these families have suffered the trauma and indignity of watching their homes being destroyed.

After witnessing the demolition of his home, one of the children, aged two, said “all I want to do is die.”

The UN says there has been an almost 45 per cent increase in demolitions in 2010, during which 396 Palestinian structures were demolished in East Jerusalem and other areas under full Israeli control in the West Bank, as compared to 275 in 2009. As a result, 561 people have been displaced, including 280 children, and the livelihoods of over 3,000 people have been affected.

UNRWA, which is assisting some 4.7 million Palestinians in the occupied Palestinian territory, Jordan, Lebanon and Syria, has provided emergency food assistance, cash and social worker support to the families uprooted by the recent demolitions.

Yesterday the UN Humanitarian Coordinator for the occupied Palestinian territory, Maxwell Gaylard, criticized Israel’s demolition of Palestinian homes, which he said have a “severe social and economic impact” on the lives and welfare of Palestinians and increase their dependence on humanitarian assistance.

“The position of the United Nations remains that the Government of Israel must take immediate steps to cease demolitions and evictions in the West Bank, including East Jerusalem,” he said in a statement that was issued as he visited the site of the house of the Subuh family that was demolished the previous day.

26 novembro, 2010

"A Igreja tem medo de enfrentar a sua homossexualidade" afirma o teólogo alemão David Berger

A Igreja tem medo de enfrentar a sua homossexualidade - Rumos Novos

A afirmação é de David Berger, teólogo ultraconservador alemão, ex-professor na Academia Pontifícia São Tomás de Aquino e homossexual, à jornalista Laura Lucchiniin, publicado no El País (25/11/2010) e traduzido e republicado em português no blog Rumos Novos do Grupo de Homossexuais Católicos.

Berger comenta ainda algumas passagens do livro-entrevista ao Papa, publicado esta semana, nomeadamente a que refere a afirmação de Joseph Ratzinger de que a homossexualidade, embora seja congénita, é moralmente inaceitável. Com estas declarações, segundo Berger, «a homofobia chegou ao máximo». «Não há que deixar-se desorientar pelas suas declarações acerca do preservativo. A Igreja, com este pontífice, parece-se cada vez mais com uma seita». «Nenhuma mudança é possível»,

Basta seguir o link acima para ter acesso ao texto completo que recomendo.

06 setembro, 2010

Protestos em Lisboa contra a expulsão de ciganos



A melhor cobertura televisiva da manifestação.

No entanto a peça escrita que acompanha a reportagem televisiva e as fotografias, também se baseou no despacho da Lusa e assim se repete a história rídicula e não verdadeira de que a PSP teria criado um perímetro de segurança à volta da Embaixada de França por ouvir palavras de ordem.

 Quem fará o escrutínio sobre a veracidade e qualidade das notícias da Lusa?

Manifestação contra medidas "racistas" do Governo francês em Lisboa e Porto

Manifestação contra medidas "racistas" do Governo francês em Lisboa e Porto - Mundo - PUBLICO.PT

05 setembro, 2010

Manifestações em Lisboa e Porto contra expulsão de ciganos em França I


Tal como noutras grandes cidades da Europa e em mais de 138 localidades francesas, realizaram-se, em Lisboa e no Porto, protestos contra as medidas de expulsão em massa e em razão da etnia, de ciganos, cidadãos europeus, de França.

Em Lisboa a concentração aconteceu junto à Embaixada francesa. Os manifestantes chamaram racista ao governo francês e pediram ao Governo português para seguir os passos de Espanha, criando medidas especificas de integração da população cigana.

Fonte: RTP 2010-09-05 09:57:50

27 agosto, 2010

Use os seus direitos para acabar com a pobreza! Um apelo da Amnistia Internacional



Mais de 1 bilião de pessoas em todos os continentes vivem em “bairros de lata”.

Mais de meio milhão de mulheres morrem em cada ano de complicações relacionadas com a gravidez e o parto – uma em cada minuto.

Todos os dias, em todas as regiões do mundo, as pessoas que vivem na pobreza são discriminadas – quer através de actos individuais de outros, quer pela discriminação institucional do Estado.

Nós [Amnistia Internacional] temos provas de violações de direitos humanos que aprofundam a pobreza.

Trata-se de violações dos direitos humanos que levam à discriminação, à exclusão, a mulheres que morrem durante o parto, ao despejo das suas casas, à segregação nas escolas, ou a mulheres que morrem durante a gravidez por falta de acesso aos cuidados de saúde.

Por todo o mundo, temos provas documentadas de violações dos direitos humanos que têm mantido as pessoas pobres. Juntas, essas violações dos direitos humanos e as provas destacam o mau estado dos progressos realizados para atingir os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Em Setembro de 2010, líderes mundiais se reunir-se-ão na Cimeira dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio das Nações Unidas de Desenvolvimento do Milénio (ODM) para acelerar os progressos para alcançar os ODM até 2015. A Amnistia Internacional estará presente, para através da sua voz exigir um maior enfoque na protecção dos direitos humanos como a solução para a pobreza global.

Assine a petição até 10 de Setembro e iremos entregar a sua assinatura aos Presidentes da Cimeira dos  Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.


Quais são os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio?

Em Setembro de 2000, chefes de Estado e de Governo de 189 países, incluindo Portugal, reuniram-se nas Nações Unidas. Ali assinaram a Declaração do Milénio, comprometendo-se a lutar contra a pobreza e fome, a desigualdade de género, a degradação ambiental e o vírus do VIH/SIDA. Assumiram ainda o compromisso de melhorar o acesso à educação, a cuidados de saúde e a água potável.

Para avaliar o cumprimento daquele compromisso, foram estabelecidos 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM), a alcançar até 2015:
  • Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome
  • Alcançar o ensino primário universal
  • Promover a igualdade de género e empoderar as mulheres
  • Reduzir em dois terços a mortalidade infantil
  • Reduzir em 75% a mortalidade materna
  • Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças graves
  • Garantir a sustentabilidade ambiental
  • Fortalecer uma parceria global para o desenvolvimento

N.B.: As Nações Unidas tem um site, em português, de informação e apelo à acção, sobre o tema "Objectivo 2015 - Campanha do Milénio das Nações Unidas" dirigido a apoiar esta campanha em Portugal.

18 julho, 2010

No 2.º Dia Mundial de Mandela e por ocasião do seu 92.º aniversário

Madiba* e o seu neto Bambata
In: http://archives.obs-us.com/obs/english/books/Mandela/Mandela.html


De entre todas as fotografias que conheço de Nelson Mandela é esta a que mais me toca.

Talvez por ser a síntese de um passado de luta, de um presente, então de afirmação, e de um futuro de esperança.

Por certo por ser a sereníssima expressão da Paz, de um Homem de bem consigo, e com o futuro amparado nos seus braços.

Nelson Mandela, Madiba, é um dos Homens que marcam não apenas a história do mundo, pela positiva, mas também e no fundamental o progresso da Humanidade.

Por tudo que sofreu, sem esmorecer, por tudo que concretizou com firmeza mas com humanidade, pelo exemplo que ainda hoje nos continua a dar na liderança da luta pelos Direitos Humanos.

Madiba dedicou toda a sua vida à luta contra a opressão na África do Sul, pelos direitos humanos, pela igualdade racial, pela justiça e pela liberdade.

Líder do movimento anti-apartheid e do Congresso Nacional Africano (ANC) foi libertado em 1990, depois de vinte e sete anos de prisão.

Se Mandela foi um herói na luta, na clandestinidade e na prisão, foi um estadista exemplar na paz, tendo tido um papel decisivo para a transição pacífica da África do Sul para uma sociedade multirracial e democrática.

Hoje continua a sua caminhada na vida tendo sempre presente a Humanidade, como o demonstra na sua iniciativa “The Elders”, ou agora com a iniciativa "Make an Imprint ", onde nos pede 67 minutos do nosso tempo para trabalho voluntánio na nossa comunidade ou em prol de uma causa.

Obrigado Madiba por nos continuares a dar um tão belo e luminoso exemplo de dedicação à causa da liberdade, da justiça e da dignidade humanas.

Estarás sempre no nosso coração.

Desejamos-te, Madiba, muitos mais anos de vida, com saúde, e cheios de felicidade.

Obrigado Madiba.

Link para a Fundação Nelson Mandela

* Madiba – Título honorário adoptado pelos antepassados do clan Mandela. Hoje, a palavra Madiba é um sinónimo de “Nelson Mandela”.

14 julho, 2010

Embaixada de Israel critica Portugal; RTP "altera" agenda ministerial

A embaixada de Israel em Lisboa - o único país do Médio Oriente que detém armas nucleares e um dos que não respeita de forma persistente e continuada o direito internacional e os direitos humanos, quer os do povo palestino, quer, ultimamente, os dos seus próprios cidadãos - criticou o facto de Portugal receber Manucher Mottaki, o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.

O chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, não comentou as críticas, mas refere que Portugal segue a fórmula de Bruxelas: sanções e negociações.

Segundo uma peça da RTP1, donde foi respigada a notícia: "A agenda de trabalho incluiu a questão do armamento nuclear iraniano [?] e direitos humanos."

Não sei quem foi o "inventor" que redigiu a tele-notícia, inserta no fim deste post, para que conste, ou se em vez de se basear no comunicado do MNE, que abaixo transcrevo, se baseou nalgum comunicado de imprensa da Embaixada de Israel em Lisboa, mas o certo é que a RTP informou mal e distorceu os factos.

Luís Amado recebe homólogo do Irão

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros recebe hoje o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, no quadro de uma deslocação a Portugal realizada a pedido deste.

No decurso do encontro entre os dois Ministros serão naturalmente evocados com o Irão, país com o qual Portugal mantém relações diplomáticas baseadas num legado histórico e cultural multisecular, temas da agenda bilateral e multilateral, incluindo em matéria de Direitos Humanos.

O programa nuclear do Irão será também abordado.

Recorde-se a este respeito que a política adoptada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, através da Resolução 1929, de 9 e Junho, e pela União Europeia, na sequência da Declaração do Conselho Europeu de 17 de Junho, assenta no binómio sanções e negociações que Portugal apoia e subscreve.

Com o reforço dos mecanismos sancionatórios, a via do diálogo constitui forma privilegiada de manter a porta aberta para uma resolução abrangente e duradoura dos problemas pendentes, que restaure a confiança internacional na natureza pacífica do programa nuclear iraniano . Nesse sentido, Portugal congratula-se com o facto de, ao nível da União Europeia, a Alta Representante Catherine Ashton ter acordado com o Negociador-Chefe do Irão para as questões nucleares, Dr. Saeed Jalili, o reatamento do processo negocial, em momento e em lugar a estabelecer entre as Partes.

A prova da desinformação. Ao serviço de quem?

23 junho, 2009

"Free Gaza" zarpa de novo contra o bloqueio a Gaza


Daqui a dois dias o Movimento “Free Gaza” navegará de novo 240 milhas nos mares, de Chipre a Gaza, na sua oitava missão, com o objectivo de, uma vez mais, romper o cerco a Gaza, por mar, cerco que mantém 1,5 milhões de seres humanos, há mais de dois anos como que encarcerados, no maior campo de concentração da história.
Nos porões do “Free Gaza” e do “Spirit of Humanity” seguirão poucas toneladas de cimento – os barcos são pequenos - e malas cheias de brinquedos, lápis e livros para colorir, para crianças, tudo artigos proibidos pelo governo de Israel.

Duas das organizadoras, Huwaida Arraf e Greta Berlim, bem como a ex-congressista dos E.U.A., Cynthia McKinney, numa conferência de imprensa realizada em Doha, no Catar, na passada segunda-feira, exortaram o mundo a reconhecer os direitos humanos e civis dos palestinos ... direitos que lhes são negados há mais de 61 anos.

"As pessoas em Gaza estão sobrevivendo em condições sub-humanas. As crianças estão morrendo, e os governos estão silenciosos. É importante continuar a enviar barcos a Gaza para desafiar o criminoso bloqueio imposto por Israel", afirmou a Sra. Huwaida Arraf.

"Os doadores internacionais prometeram mais de US $ 4BN para reconstruir Gaza, mas nenhum deles faz o que quer que seja quanto ao facto de Israel não permitir a entrada de materiais de construção no território. É por isso que 36 de nós, de 16 diferentes países, zarparemos na quinta-feira: Para dizer ao mundo para fazer alguma coisa. " acrescentou.

Quando perguntada que garantias tem o grupo recebido do governo israelita, a resposta veio desafiadora:

"Nós não procurámos obter autorização ou coordenar a viagem com as autoridades israelitas. Israel tem abusado grosseiramente da sua autoridade como uma potência ocupante, violando diariamente os direitos humanos dos palestinos, impondo-lhes uma punição colectiva. É tempo da comunidade internacional parar a cumplicidade com a política de bloqueio ilegal de Israel. "

O grupo pretende realizar, pelo menos, três missões ao longo do Verão, a 25 Junho, a 14 de Julho e a 16 de Agosto, perto do aniversário da primeira viagem bem sucedida.