Este documentário não está relacionado com a onda de violência que assola Gaza e Israel desde sábado, mas sim com os acontecimentos de 2008: a operação Cast Lead . Mas para mim foi novidade e acho que devo partilhá-lo aqui.
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31 outubro, 2011
27 janeiro, 2011
Guerra de Gaza: um genocídio premeditado
Uma reportagem exclusiva para a TV4 do Reino Unido: onde soldados israelitas declaram ao Channel 4 News que tinham ordens para "limpar os bairros palestinos", e onde a cineasta Nurit Kedar afirma que "a atmosfera era que ninguém deveria falar sobre esta guerra".
"People in Israel don't like to see themselves in the mirror." Nurit Kedar
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28 dezembro, 2010
Concentração: Recordando o massacre de Gaza; Exigimos a Paz! (2010/12/27): Um balanço
A Concentração de Solidariedade com a Palestina e o povo de Gaza, realizada ontem, 27 de Dezembro, pelas 18:30, no Largo de São Domingos, (Praça da Tolerância), em Lisboa, por ocasião da passagem do segundo aniversário do início da criminosa e sangrenta agressão israelita à Faixa de Gaza, reuniu mais de 50 cidadãs e cidadãos e representações das seguintes organizações: Associação Abril, Comité de Solidariedade com a Palestina, PAGAN, SOS Racismo e Tribunal Mundial sobre o Iraque.
A concentração tinha como objectivo:
- Evocar o 2.º Aniversário do massacre de Gaza;
- Exigir o fim do cerco ilegítimo da Faixa de Gaza por Israel;
- Exigir a materialização do Direito à Autodeterminação do Povo Palestino
- Exigindo a Paz!
A iniciativa excedeu as expectativas iniciais, dados os circunstancialismos – ser uma iniciativa cidadã, o curto espaço de tempo para convocação, a época do ano e a falta de solidariedade de organizações que tendo tradições no trabalho de solidariedade com o povo da Palestina, nem sequer se dignaram responder ao convite que lhes foi endereçado, ao contrário de outras que não podendo assumir uma posição em tempo útil, não deixaram de desejar sucesso para a iniciativa, como a Amnistia Internacional – Portugal e a CGTP-IN.
A concentração foi encerrada com uma breve síntese do evento feita por Ana Benavente, um dos quatro cidadãos*, enquanto tal, que lançaram a iniciativa, e com uma declaração/apelo:
Recordamos! Não esquecemos! Exigimos a Paz!
Registámos a presença da Lusa que gravou um pequeno apontamento.
Uma das perguntas da Lusa foi se a realização desta concentração naquele local não seria uma provocação.
A resposta, menos articulada é certo do que a seguir se apresenta, foi que a Concentração se realizou naquele local por ser um local central na cidade de Lisboa e não por nele existir um Memorial que sendo “evocativo do massacre judaico”** de 1506, é mais inclusivo e abrangente, pois que nele se evoca todas as “Vítimas da Intolerância” e “todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias”.
Aliás evocar um massacre junto do memorial de um outro massacre, ser uma provocação, não tem sentido, porque o sujeito colectivo de qualquer massacre é sempre o mesmo – o ser humano - e as razões objectivas filiam-se normalmente na intolerância, no fanatismo e no ódio, religioso, filosófico, ideológico, político, racial ou de género e na ganância.
O profundo respeito pelas vítimas de origem e/ou fé judaicas não nos impede de condenar, aliás como acontece a cada vez mais judeus, por esse mundo fora, as políticas e acções criminosas do Estado de Israel, e isto sem pôr em causa o seu direito a existir em pé de igualdade com o futuro Estado da Palestina.
* Os outros são Guadalupe Magalhães, Pedro de Azevedo Peres e Vitor Garrido.
** Aliás de judeus, de cristãos novos e de muitos outros arrebanhados na sanha do ódio e fanatismo religioso e da ganância de uns tantos.
27 dezembro, 2010
Operação "Cast Lead" - Dois anos depois
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HOJE; 27/12: Concentração de Solidariedade com a Palestina
HOJE
27 de Dezembro de 2010, às 18:30
Concentração de Solidariedade com a Palestina e o povo de Gaza
Em Lisboa, no Largo de S. Domingos (junto ao Rossio)
Com o objectivo de:- Evocar o 2.º Aniversário do massacre de Gaza
- Exigir a materialização do Direito à Autodeterminação do Povo Palestino
- Exigir o fim do cerco ilegítimo da Faixa de Gaza por Israel
...Exigindo a Paz!
Quem convoca? Um grupo de cidadãs e cidadãos enquanto tal: Eu, a Ana Benavente, a Guadalupe Magalhães e o Vitor Garrido.
Organizações que já declararam o seu apoio: a Associação Abril e o Comité Palestina
Quem nos desejou sucesso apesar de não participarem: a Amnistia Internacional - Portugal e a CGTP-IN.
22 dezembro, 2010
Bolívia reconheceu hoje, oficialmente, a existência do Estado palestino
O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou hoje o reconhecimento da Palestina como Estado independente e soberano, como já o fizeram Brasil e Argentina, no decurso deste mês.
“Assim como outros países, como o Brasil, a Bolívia reconhece o Estado palestino, a sua independência, a sua soberania”, declarou o presidente boliviano, Evo Morales, numa conferência de imprensa na sede do governo.
Morales afirmou também que a decisão foi tomada após análise do governo, que constatou “os graves problemas que os palestinos têm”, com os Estados vizinhos, e que “a Bolívia não quer continuar esperando a solução de braços cruzados”.
“A Bolívia não podia mais esperar diante dos problemas de direitos humanos, temas territoriais, temas de soberania que a Palestina precisa enfrentar”, disse Morales.
Morales afirmou ainda que Israel “comete um genocídio” contra o povo palestino e pediu a outros países e organismos internacionais que assumam as suas responsabilidades para tentar conter Israel.
Em Janeiro de 2009, Morales rompeu relações com Israel como resposta à ofensiva militar na Faixa de Gaza, que deixou milhares de mortos e feridos.
CONTRA O CERCO DE GAZA - CONCENTRAÇÃO DIA 27, 18H30, EM LISBOA
O Comité de Solidariedade com a Palestina
junta-se à iniciativa de um grupo de cidadãos
de assinalar os dois anos do mortífero ataque a Gaza,
manifestando a sua solidariedade com o povo da Palestina
e o seu repúdio pelo apoio do governo português à ocupação e ao apartheid israelita
dia 27 de Dezembro, 18h30
concentração no Largo de S. Domingos (junto ao Rossio), em Lisboa
junta-se à iniciativa de um grupo de cidadãos
de assinalar os dois anos do mortífero ataque a Gaza,
manifestando a sua solidariedade com o povo da Palestina
e o seu repúdio pelo apoio do governo português à ocupação e ao apartheid israelita
dia 27 de Dezembro, 18h30
concentração no Largo de S. Domingos (junto ao Rossio), em Lisboa
28 agosto, 2010
Vermelho e verde, por Uri Avnery (ou o Movimento de Boicote Internacional)
,Título original: Red and Green by Uri Avnery*, August 28, 2010
O Canal 10, um dos três canais de TV de Israel, exibiu nesta semana uma reportagem que certamente terá assustado muitos telespectadores. O seu título era: "Quem está organizando o Movimento Mundial do ódio contra Israel?", E o seu tema: as dezenas de grupos que, em vários países, estão realizando uma vigorosa campanha de propaganda a favor dos palestinos e contra Israel.
Os activistas entrevistados, tanto homens como mulheres, jovens e velhos - um número considerável deles judeus – protestando em supermercados contra os produtos dos colonatos e / ou de Israel, em geral, organizando grandes comícios, fazendo discursos, a mobilizando sindicatos, processando, perante a justiça, políticos e generais israelitas.
Segundo a reportagem, os vários grupos usam métodos semelhantes, mas não existe uma liderança centralizada. Citam (sem referir a fonte, é claro) o título de um dos meus últimos artigos, "Os Protocolos dos Sábios do Anti-Sião" e também afirmam que não existe tal coisa. Na verdade, não há necessidade de uma organização mundial, ele diz, porque em todo o lado existe um impulso espontâneo de sentimentos pro-palestinos e anti-israelitas. Recentemente, na sequência da operação ”Cast Lead” [agressão à Faixa de Gaza] e do incidente com a flotilha [humanitária, em águas internacionais a 31 de Maio], este processo ganhou ímpeto.
Em muitos lugares, revela a reportagem, existem agora coligações vermelho-verde: a cooperação entre movimentos dos direitos humanos de esquerda e grupos locais de imigrantes muçulmanos.
A conclusão da história: este é um grande perigo para Israel, e temos que nos mobilizar contra isto antes que seja tarde demais.
A primeira pergunta que surgiu na minha mente foi: qual o impacto que vai ter esta reportagem sobre o israelita típico?
Eu queria ter a certeza de que isto faria com que ele ou ela pensassem novamente sobre a viabilidade da ocupação. Como um dos activistas entrevistados afirmou: os israelitas devem ser levados a compreender que a ocupação tem um preço.
Eu gostaria de acreditar que esta seria a reacção da maioria dos israelitas. No entanto, receio que o efeito poderá ser muito diferente.
Como a alegre canção dos anos 70 entoa: "O mundo inteiro está contra nós / O que não é tão terrível, nós venceremos. / Para nós, não tem importância / para eles também. / / ... Aprendemos esta canção / Dos nossos antepassados / E vamos também cantá-la / Para os nossos filhos. / E os netos dos nossos netos irão cantá-la / Aqui, na Terra de Israel, / E todo mundo que está contra nós / Pode ir para o inferno. "
O autor desta canção, Yoram Taharlev ("puro de coração") conseguiu expressar uma crença básica judaica, cristalizada ao longo dos séculos de perseguição na Europa cristã, que atingiu o seu clímax durante o Holocausto. Cada criança judia aprende na escola que, quando seis milhões de judeus foram assassinados, o mundo inteiro olhava e não levantou um dedo para salvá-los.
Isso não é absolutamente verdade. Muitas dezenas de milhares de não-judeus arriscaram as suas vidas e as vidas das suas famílias para salvar os judeus - na Polónia, na Dinamarca, em França, na Holanda e noutros países, mesmo na própria Alemanha. Todos nós conhecemos pessoas que foram salvas desta forma - como o ex-presidente do Supremo Tribunal Aharon Barak, que quando criança foi contrabandeado para fora do gueto por um agricultor polaco, e o ministro Yossi Peled, que esteve escondido, durante anos, por uma família católica belga.
Apenas alguns destes heróis, em grande parte desconhecidos, foram citados como "Justos entre as Nações" pelo Yad Vashem. (Entre nós, quantos israelitas numa situação similar arriscariam as suas vidas e as vidas dos seus filhos, para salvar um estrangeiro?)
Mas a crença de que "o mundo inteiro está contra nós" está profundamente enraizada na nossa psique nacional. Isso permite-nos ignorar a reacção do mundo ao nosso comportamento. É muito conveniente. Se o mundo inteiro nos odeia de uma maneira ou de outra, a natureza das nossas acções, boas ou más, não importa realmente. Eles iriam odiar Israel, mesmo se fôssemos anjos. Os Goyim são apenas anti-semitas. [Goyim: termo em yiddish que significa não-judeus, gentios, utilizado normalmente de forma depreciativa (sing. Goy)]
É fácil mostrar que isso também é falso. O mundo nos amou, quando fundámos o Estado de Israel e o defendemos com o nosso sangue. Um dia depois da Guerra dos Seis Dias, o mundo inteiro nos aplaudiu. Eles nos amaram, quando éramos David, eles nos odeiam quando somos Golias.
Isso não convence o mundo-contra-nós. Porquê que não há movimentos mundiais contra as atrocidades dos russos na Chechénia, ou dos chineses no Tibete? Porquê que só contra nós? Porquê que os palestinos merecem mais simpatia do que os curdos na Turquia?
Qualquer um pode responder que desde que Israel exigiu tratamento especial em todas as outras questões, estamos a ser avaliados por normas especiais quando se trata da ocupação e dos colonatos. Mas a lógica não importa. São os mitos nacionais que contam.
Ontem, o terceiro maior jornal de Israel, o Ma'ariv, publicou uma história sobre o nosso embaixador nas Nações Unidas sob o revelador título: "Atrás das linhas inimigas".
Lembro-me de um dos confrontos que tive com Golda Meir no Knesset, após o início da colonização e das reacções de zanga por todo o mundo. Como agora, as pessoas puseram toda a culpa no nosso deficiente "esclarecimento”. O Knesset realizou um debate geral.
Orador após orador declamavam os clichés do costume: a propaganda árabe é brilhante, o nosso "esclarecimento" é desprezível. Quando chegou a minha vez, disse: Não é culpa do "esclarecimento". A melhor "explicação" no mundo não pode "justificar" a ocupação e os colonatos. Se queremos ganhar a simpatia do mundo, não são as nossas palavras que devem mudar, mas as nossas acções.
Ao longo do debate, Golda Meir - como era seu costume - parou à porta da sala de plenário, fumando cigarro-atrás–de-cigarro. Resumindo, ela respondeu a todos os oradores, por sua vez, ignorando o meu discurso. Pensei que ela havia decidido boicotar-me, quando - após uma pausa dramática - ela se virou na minha direcção. "Deputado Avnery pensa que eles nos odeiam por causa do que fazemos. Não conhece os Goyim. Os Goyim gostam dos judeus quando eles são espancados e miseráveis. Eles odeiam os judeus quando são vitoriosos e bem sucedidos." Se, no Knesset, fosse permitido bater palmas todo o Parlamento teria explodido em aplausos.
Existe o perigo de que o protesto em curso por todo o mundo enfrente a mesma reacção: que a opinião pública israelita se una contra os diabólicos Goyim, em vez de se unir contra os colonos.
Alguns dos grupos de protesto não fazem qualquer diferença. As suas acções não são dirigidas ao público israelita, mas à opinião pública internacional.
Não me refiro aos anti-semitas, que estão tentando apanhar uma boleia do movimento. São uma força insignificante. Nem àqueles que acreditam que a criação do Estado de Israel foi um erro histórico, para começar, e que deve ser desmantelado.
Eu quero dizer todos os idealistas que querem acabar com o sofrimento do povo palestiniano e do roubo das suas terras pelos colonos, e ajudá-los a fundar o Estado livre da Palestina.
Estes objectivos podem ser alcançados somente através da paz entre a Palestina e Israel. E essa paz só pode acontecer se a maioria dos palestinos e a maioria dos israelitas a apoiar. A pressão vinda de fora não será suficiente.
Qualquer um que entende isto deve estar interessado num protesto mundial que não empurre a população israelita para os braços dos colonos, mas, ao contrário, isole os colonos e volte a população em geral contra eles.
Como pode isso ser alcançado?
A primeira coisa é diferenciar claramente entre o boicote aos colonatos e um boicote geral a Israel. A reportagem da TV sugere que muitos dos manifestantes não vê a fronteira entre os dois. Ela mostrou uma mulher de meia-idade britânica num supermercado, agitando algumas frutas acima da cabeça e gritando: "Isto vêm de um colonato!" Em seguida, mostrou uma manifestação contra os produtos cosméticos Ahava que são extraídas da parte palestina do Mar Morto. Mas logo depois, veio um apelo para um boicote de todos os produtos israelitas. Talvez muitos dos manifestantes - ou os editores do filme - não tenham claro a diferença.
A direita israelita também dilui essa distinção. Por exemplo: uma recente proposta de lei apresentada no Knesset quer punir aqueles que defendem um boicote aos produtos de Israel, incluindo - como se afirma explicitamente - os produtos dos colonatos.
Se o protesto mundial está claramente centrado nos colonatos, irá certamente obrigar que muitos israelitas compreendam que há uma linha clara entre o Estado legítimo de Israel e a ocupação ilegítima.
Isso também é válido para outras partes da história. Por exemplo: a iniciativa de boicotar a empresa Caterpillar, cujas monstruosas bulldozers são uma arma importante da ocupação. Quando a heróica activista da paz Rachel Corrie foi esmagado até a morte sob uma delas, a empresa deveria ter parado todos os fornecimentos adicionais a menos que assegurasse que elas não seriam utilizadas para repressão.
Enquanto suspeitos de crimes de guerra não forem julgados em Israel, ninguém se pode opor às iniciativas para processá-los no exterior.
Após a decisão tomada esta semana pelas principais companhias de teatro de Israel de actuar nos colonatos, será lógico boicotá-las no exterior. Se eles estão tão empenhados em fazer dinheiro em Ariel, não se podem queixar de perder dinheiro em Paris e Londres.
A segunda coisa é a ligação entre estes grupos e o povo israelita.
Hoje a grande maioria dos israelitas declaram que querem paz e estão dispostos a pagar o preço, mas que, infelizmente, os árabes não querem a paz. A principal corrente do campo da paz, que já trouxe centenas de milhares para a rua, está em estado de depressão. Sente-se isolada.
Entre outras coisas, a sua antes estreita ligação com os palestinos, que foi criada na época de Yasser Arafat depois de Oslo, tornou-se muito frouxa. Assim tem relações com as forças de protesto no exterior.
Se as pessoas de boa vontade querem acelerar o fim da ocupação, devem apoiar os activistas da paz em Israel. Devem construir uma relação estreita com eles, quebrar a conspiração do silêncio contra eles no mundo da media e divulgar as suas corajosas acções, organizar mais eventos internacionais em que os activistas da paz palestinos e israelitas estejam presentes lado a lado. Também seria bom se para cada dez bilionários que financiam a extrema-direita em Israel, houvesse pelo menos um milionário que apoiasse a acção em busca da paz.
Tudo isto se torna impossível se houver um apelo para um boicote a todos os israelitas, independentemente das suas opiniões e acções, e Israel é apresentado como um monstro monolítico. Esta imagem não é apenas falsa, é extremamente prejudicial.
Muitos dos activistas que aparecem nesta reportagem desperta respeito e admiração. Tanta boa vontade! Tanta coragem! Se eles apontarem suas actividades na direcção certa, podem fazer muito bem - bem para os palestinos, e bem para nós, israelitas, também.
* Colunista israelita, ex-membro do Knesset (Parlamento) israelita, e chefe do bloco de paz da esquerda israelita, “Gush Shalom”.
06 agosto, 2010
"Bombardeie um gueto [Gaza] e faça um brinde"
A propósito do cartoon que a ADL classificou de anti-semita lembrei-me de um vídeo realizado por Max Blumenthal e Alternet, em 11 de Janeiro de 2009, em Nova Iorque, por ocasião de uma manifestação a favor do ataque de Israel a Gaza.
O "ovo da serpente" está bem patente, transvestido agora em "nacional-sionismo"
O "ovo da serpente" está bem patente, transvestido agora em "nacional-sionismo"
18 julho, 2010
Em Gaza, Catherine Ashton, Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros, pelo levantamento do bloqueio
Catherine Ashton, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, a porta-voz da diplomacia da União Europeia, visita Gaza, neste domingo, para pressionar o levantamento do bloqueio de Israel sobre o território palestino governado de facto pelo Hamas.
Na sua segunda viagem ao empobrecido enclave palestino em quatro meses, Ashton foi avaliar os resultados do levantamento parcial do bloqueio, na sequência do ataque mortal de 31 de Maio a uma frota de ajuda humanitária a Gaza e que dura há já quatro anos.
"Tornámos claro que queremos ver o povo de Gaza viver uma vida normal", declarou Ashton à comunicação social na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, antes daquela visita.
“É preciso haver uma abertura dos pontos de passagem para que pessoas e mercadorias fluam em ambos os sentidos."
Afirmou ainda que a União Europeia está disposta a enviar observadores para ajudar a operar os pontos de passagem, mas eles teriam que ter um papel claro e trabalhar com a Autoridade Palestiniana.
"Mas neste momento não é algo que esteja em discussão", declarou.
Israel comprometeu-se a permitir a entrada de todas as mercadorias em Gaza, excepto armas e itens de dupla utilização, militar e civil, perante o clamor internacional que se seguiu ao ataque sangrento da flotilha de ajuda humanitária e ao assassinato de nove activistas turcos.
Também afirmou que iria permitir a entrada de materiais de construção no território, mas apenas para projectos fiscalizados internacionalmente, e que o bloqueio naval permaneceria para impedir que o movimento islâmico Hamas importasse mísseis e outras armas.
A União Europeia congratulou-se com as alterações, mas tem pressionado Israel para permitir maior liberdade à deslocação de pessoas e à exportação de bens fabricados em Gaza, onde o quase colapso do sector privado gerou 40 por cento de desemprego.
"O que temos hoje é 75 por cento menos (em volume de tráfego) do que tivemos no primeiro semestre de 2007... Não é isso que queremos", declarou o primeiro-ministro palestino Salam Fayyad, neste sábado.
"A economia de Gaza não pode ser sustentado apenas por importações. É preciso haver exportações", afirmou Fayyad numa conferência de imprensa conjunta com Ashton.
Catherine Ashton irá acentuar estas preocupações durante os seus três dias de viagem pelo Médio Oriente, a qual inclui ainda reuniões com o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, com o mediador americano George Mitchell e outros funcionários.
Ashton não tinha planos para se encontrar com representantes do Hamas, que está ainda categorizado como um grupo terrorista pelos EUA e seus aliados, entre eles a UE, devido à sua recusa em reconhecer Israel e ao seu compromisso com a luta armada.
Em Gaza, Catherine Ashton irá visitar um acampamento de verão e uma escola administrada por uma agência de Socorro aos Refugiados da Palestina das Nações Unidas (UNRWA).
Visitará ainda empresas locais co-financiadas pela União Europeia através do seu programa de reconstrução do sector privado de Gaza.
Esta visita tem lugar no momento em que George Mitchell inicia a sexta ronda de negociações de paz indirectas entre Israel e a Autoridade Palestina, numa tentativa de relançar as negociações directas suspensas depois da guerra de Gaza ter eclodido em Dezembro de 2008.
Fonte: AFP
17 julho, 2010
Congelamento dos colonatos, a chave para as negociações directas, declarou Abbas
Os palestinos devem começar as negociações directas de paz com os israelitas assim que eles congelarem as construções nos colonatos da Cisjordânia, informou hoje o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ao mediador americano, George Mitchell.
Abbas e Mitchell reuniram esta tarde na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.
Durante a reunião o presidente da ANP afirmou ao mediador que "não é contra as conversas directas e que foi o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que as bloqueou e assim é ele que detém a chave para que se inicie um diálogo directo", declarou à imprensa o chefe negociador palestino, Saeb Erekat.
Netanyahu, acrescentou Erekat, deve declarar uma paragem total na construção de colonatos em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia e aceitar que as negociações sejam retomadas no ponto em que ficaram no último processo negociador (Annapolis), finalizado abruptamente em Dezembro de 2008 com o ataque militar israelita contra Gaza, na qual morreram mais de 1.400 palestinos, na sua maioria civis.
O mediador americano realizou este fim-de-semana a sexta ronda das chamadas "conversas de proximidade" procurando convencer as partes a iniciarem uma negociação directa antes do fim do prazo, em Setembro.
No final deste mês a ANP deverá fazer o ponto da situação do resultado das actuais negociações à Liga Árabe, que em Maio apoiou e incentivou Abbas a negociar com a mediação americana durante um prazo de quatro meses.
Abbas salientou que Israel deverá aceitar a presença de forças internacionais no futuro Estado palestino e compensar, com territórios do mesmo valor, os territórios actualmente ocupados pelos colonatos judaicos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, que ficassem sob soberania israelita.
14 maio, 2010
"Eu perdi tudo": Relatório da Human Rights Watch - Destruições ilegais de propriedades civis em Gaza
Um relatório sobre a destruição ilegal de propriedades civis durante a operação Cast Lead
Este relatório, apresentado ontem, documenta as investigações da Human Rights Watch, sobre 12 casos distintos em que as forças israelitas, durante a Operação Cast Lead, destruíram extensamente propriedades civis, incluindo casas, fábricas, plantações e estufas, em áreas sob seu controle, sem qualquer finalidade militar lícita.
As investigações da Human Rights Watch, basearam-se em provas físicas, imagens de satélite e relatos de testemunhas múltiplas em cada local, não tendo encontrado nenhuma indicação de combates nas proximidades, quando ocorreu as destruições.
ISBN: 1-56432-630-6
- Download do relatório (Eng.) (PDF, 2.94 MB)
Table of Contents
- “I Lost Everything”
- Summary
- Recommendations
- Methodology
- Destruction of Property during the Conflict
- Photographs
- Izbt Abd Rabo and Nearby Industrial Areas
- Zeytoun
- Western Beit Lahiya
- Khuza’a, al-Shoka, and al-Fokhari
- International Legal Obligations and Property Destruction
- Acknowledgements
- Appendix 1: Human Rights Watch Letter to IDF
- Appendix 2: IDF response
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20 janeiro, 2009
Unilateral + Unilateral = Bilateral

"Todo o acordo de cessar-fogo tem dois lados", disse hoje (19) o antigo membro do Parlamento Israelita (Knesset) e activista do Gush Shalom, Uri Avnery (1).
"A proclamação arrogante e unilateral feita por Olmert e por Barak, frente às câmaras de televisão, não pararam o disparo de mísseis contra o Negueve, que continuou ainda esta manhã.
"A proclamação arrogante e unilateral feita por Olmert e por Barak, frente às câmaras de televisão, não pararam o disparo de mísseis contra o Negueve, que continuou ainda esta manhã.
Somente quando o Hamas, por sua vez, acrescentou um cessar-fogo unilateral, foi criado um cessar-fogo bilateral na prática, permitindo que o tiroteio parasse na prática.
Por fim atingimos um momento de sanidade, o fim de um terrível banho de sangue, que chocou as pessoas por todo o mundo e que os levou a sair em protesto pelas ruas de cidades de todo o mundo - inclusive nas ruas das cidades de Israel.
Mas, o derramamento de sangue poderá explodir, ainda mais terrível, se o governo persistir na loucura de ignorar o facto principal: o Hamas foi e continua a ser a potência dominante na Faixa de Gaza, mesmo quando o seu poder militar está ferido - devido a uma forte base de apoio entre a população palestina.
Não há solução - quer para os problemas imediatos e urgentes quer para os de longo prazo - sem falar com o Hamas, quer directamente quer através de mediadores.
As tropas israelitas devem ser imediatamente retiradas da Faixa de Gaza, o cerco levantado, e as passagens entre a Faixa e o mundo exterior amplamente abertas.
Os habitantes de Gaza, como os de qualquer outro lugar no mundo, têm todo o direito de abandonar o seu país e de a ele regressar por terra, mar e ar, reavivar e desenvolver a sua economia, exportando os seus produtos e importando o que for que precisem, sem pedir permissão a ninguém.
Mas, o derramamento de sangue poderá explodir, ainda mais terrível, se o governo persistir na loucura de ignorar o facto principal: o Hamas foi e continua a ser a potência dominante na Faixa de Gaza, mesmo quando o seu poder militar está ferido - devido a uma forte base de apoio entre a população palestina.
Não há solução - quer para os problemas imediatos e urgentes quer para os de longo prazo - sem falar com o Hamas, quer directamente quer através de mediadores.
As tropas israelitas devem ser imediatamente retiradas da Faixa de Gaza, o cerco levantado, e as passagens entre a Faixa e o mundo exterior amplamente abertas.
Os habitantes de Gaza, como os de qualquer outro lugar no mundo, têm todo o direito de abandonar o seu país e de a ele regressar por terra, mar e ar, reavivar e desenvolver a sua economia, exportando os seus produtos e importando o que for que precisem, sem pedir permissão a ninguém.
Devem ser abertas rapidamente negociações de forma a permitir o regresso rápido às suas casas e famílias do soldado israelita Gilead Shalit, capturado pelo Hamas, e de um número significativo de prisioneiros palestinos das prisões israelitas.
O governo tem que pagar o preço fixado, há muito, para a libertação de Shalid, e toda esta terrível guerra em Gaza não mudou isso.
O argumento hipócrita do "sangue nas mãos", levantado contra este tipo de acordo, deve ser removido dos vocabulários de uma vez por todas.
O governo tem que pagar o preço fixado, há muito, para a libertação de Shalid, e toda esta terrível guerra em Gaza não mudou isso.
O argumento hipócrita do "sangue nas mãos", levantado contra este tipo de acordo, deve ser removido dos vocabulários de uma vez por todas.
Pelo menos metade dos 1300 palestinos mortos pelo Estado de Israel nas últimas semanas eram civis desarmados, incluindo centenas de crianças. De agora em diante, a expressão "sangue nas mãos" na boca de um político ou militar israelita será uma triste zombaria ou simples descaramento".
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(1) Uri Avnery, jornalista, escritor, parlamentar e activista pela Paz em Israel é um dos fundadores em 1993, do movimento Gush Shalom (Bloco pela Paz).
Nasceu no seio de uma família da classe média a 10 de Setembro de 1923, em Beckum, na Alemanha, como Helmut Ostermann. Com a subida dos nazis ao poder em 1933, a família emigrou para a Palestina.
Aos 15 anos (1938) alistou-se no Irgun, uma organização de direita sionista.
Na Guerra Israelo-árabe de 1948 foi ferido com gravidade
De 1950 a 1990 foi membro da revista Haolam Haseh.
Como defensor do laicismo que separa o Estado da religião, opõe-se à influência do judaísmo ortodoxo na política israelita e propõe um “Israel sem sionismo” para libertar o Estado da carga histórica que na sua visão complica o processo de Paz.
09 janeiro, 2009
Perante a chacina... a solidariedade é um imperativo ético.
Comunicação proferida pelo Dr. Carlos Almeida, investigador científico, na sessão de solidariedade com a Palestina, realizada em Lisboa, na Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, a 7 de Janeiro de 2008 e promovida pelo MPPM - Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.
(A formatação do texto é da responsabilidade do Fórum Palestina.)
No dia 4 de Novembro de 2008, pelas 20.30 horas, uma unidade de infantaria do exército de Israel penetrou na aldeia de Wadi al-Salqa, na zona central da faixa de Gaza.
Os soldados apoderaram-se de uma casa que utilizaram como base, mantendo a família como refém numa divisão da casa.
A partir daquele ponto cercaram uma casa vizinha, ordenando a saída das cerca de vinte e três pessoas que ali viviam. Quando os residentes abandonavam a casa, Haneen Salah al-Humaidi foi ferido nas costas por disparos dos soldados.
No entretanto, militantes do Hamas ripostaram à incursão do exército israelita.
Aquela unidade militar recebeu reforços apoiados pela força aérea.
Cerca das 22.30 horas, um míssil disparado por um avião militar israelita vitimou Mazen Nazmi Abu Sa'da.
Nas primeiras horas do dia seguinte, o exército israelita destruiu a casa de al-Humaidi, arrasou cerca de 25 mil metros quadrados de terrenos agrícolas e prendeu seis membros da família, entre os quais quatro mulheres.
No dia 5 de Novembro, em Khan Yunis, cerca da meia-noite, dois mísseis disparados pela aviação israelita vitimaram quatro militantes do Hamas, e cerca de uma hora depois, dois outros mísseis, disparados sobre a aldeia de al-Qarara, mataram outro militante do Hamas (1).
Naquele mesmo dia 4 de Novembro, em Toubas, cerca de 21 quilómetros a nordeste de Nablus, na Margem Ocidental, cerca da 1.10h da madrugada, o exército israelita penetrou no campo de refugiados de al-Far'a, impondo o recolher obrigatório.
Várias casas foram inspeccionadas e destruídas.
Em protesto, alguns dos residentes lançaram pedras contra os soldados que abriram fogo sobre a população.
Sete pessoas, com idades compreendidas entre os 11 e os 54 anos, ficaram feridas, duas delas com gravidade.
Um dos feridos era um funcionário da UNRWA que se encontrava em serviço no local devidamente identificado (2).
No dia 6 de Novembro, cerca das 9.55 horas, um grupo de agricultores palestinos trabalhava no cultivo das suas terras numa região situada a leste de Khan Yunis, junto à linha de fronteira entre Israel e a faixa de Gaza. Estavam acompanhados por monitores estrangeiros do Movimento de Solidariedade Internacional claramente identificados.
Não obstante repetidas demonstrações sobre o carácter pacífico da sua actividade, uma patrulha do exército israelita abriu fogo sobre os agricultores que foram obrigados a abandonar o local (3).
Três dias depois, a família Al-Kurd foi expulsa, pelo exército israelita, da casa onde vivia, desde 1956, em Jerusalém Oriental. Situada no bairro de Sheik Jarrah, esta foi a primeira de uma série de 28 habitações de palestinos que Israel pretende desalojar para construir no local o colonato de Shimon Há Tsadiq – tsadiq significa justo – que integrará 200 casas.
Abu-Kamal, o patriarca da família, refugiado de Jaffa na guerra de 1948, morreria no hospital, cerca de vinte dias depois, com 62 anos de idade, deixando para trás, mulher, cinco filhos e respectivas famílias.
Durante semanas, a mulher, Umm-Kamal, abrigou-se numa tenda construída junto àquela que fora a sua casa. No dia 21 de Novembro, um bulldozer do exército destruiu a tenda.
No dia 2 de Dezembro, cerca das 15.30 horas, um avião militar israelita disparou um míssil sobre um grupo de crianças palestinas sentadas à beira da rua junto ao centro de saúde na aldeia de al-Shouka, a sudeste de Rafah, na faixa de Gaza, matando duas crianças de 15 e 16 anos, e ferindo com muita gravidade outras duas, de 14 e 17 anos (4).
Estas não são as notícias comuns nos noticiários televisivos.
Não fizeram manchetes em qualquer jornal português, nem sequer nos periódicos de referência europeus.
Fazem parte, no entanto, do dramático quotidiano dos palestinos que vivem nos territórios ocupados por Israel, são retalhos de uma luta tenaz pela sobrevivência, que em cada dia se completa e que em cada manhã se renova, persistente.
Mergulhados, confortavelmente, no nevoeiro da propaganda de guerra, os indefectíveis da política sionista ocultam e mascaram a insuportável ignomínia que é a ocupação, as humilhações, a opressão, as prisões, a tortura, a destruição, os assassínios, a exploração, o muro e os bloqueios.
Quando os governos de Israel decidem, tantas vezes em função da agenda política doméstica, escalar a repressão, como agora em Gaza, muito para lá dos limites do insuportável, silenciam o contexto que encerra a verdade do chamado conflito israelo-palestino, e tudo reduzem a uma culpa próxima, quase primordial, que legitimaria a violência mais indiscriminada e brutal.
Outros, a pretexto de uma suposta isenção que tem de cinismo e hipocrisia o que falta em coerência, deixam-se afundar na mesma nuvem, pronunciam compungidas palavras de compreensão para as “populações civis”, mas assobiam para o ar quando se trata de indagar sobre as razões fundas da guerra, e fecham os olhos aos gritos de dor que ecoam dos escombros de Jabalya e de Gaza.
Como todas, esta guerra tem as suas mentiras. Umas circunstanciais, outras mais constantes.
Sem a pretensão de esperar que a sua crítica e o seu esclarecimento chegue alguma vez a ser escutado por quem, de má fé, as repete, mas tão só por um imperativo solidário de quem não suporta a indiferença, e outro instrumento não tem que a sua voz e as palavras que ela pode pronunciar para expressar a sua revolta, vale a pena desfazer algumas das falsidades que animam os tambores da guerra e embalam os que, de forma cúmplice, lhe dão ânimo.
A propaganda israelita justificou o bombardeamento selvagem de Gaza com a suposta quebra, por parte do Hamas, da trégua implementada desde o dia 19 de Junho de 2008, em Gaza.
Essa alegação é falsa. Foi Israel que, reiteradamente, não cumpriu a sua parte do acordo de cessar-fogo negociado com a intermediação egípcia.
A acção militar desencadeada pelo seu exército, entre os dias 4 e 5 de Novembro em diferentes pontos de Gaza, a que se fez referência no início, e não a reacção sucessiva de várias organizações da resistência palestina, constituiu a verdadeira e decisiva ruptura nesse frágil estado de coisas.
O próprio Ehud Barak não deixou de reconhecer implicitamente a gravidade desses acontecimentos quando, em declarações reproduzidas no próprio dia 5 de Novembro pelas agências de informação, afirmava, de forma dúplice e calculada, a sua disposição em manter a trégua que Israel acabara de violar (5).
Na verdade, o ataque israelita abriu um processo de escalada contínua da violência, e induziu o agravamento das condições do bloqueio imposto sobre a população da faixa de Gaza que durava há 18 meses. E mesmo aí, repetidamente, o Hamas reafirmou, em mais do que uma ocasião, a sua disposição em manter a trégua iniciada a 19 de Junho se o Estado de Israel levantasse o cerco imposto a Gaza como estava obrigado (6).
Ademais, como se verificara aliás na ofensiva levada a cabo contra o Líbano, em 2006, é por demais evidente e nem sequer escondido por parte dos responsáveis militares israelitas, que esta operação militar foi planeada ao longo de muitos meses.
Em boa verdade, segundo diversas referências na imprensa israelita, não desmentidas, a sua preparação iniciou-se durante a própria negociação da trégua (7).
Ela insere-se nos planos gizados pelo chefe da Mossad, general Meir Dagan que, apesar de toda a turbulência política interna que Israel atravessa desde Ariel Sharon, foi recentemente confirmado naquele cargo pelo demissionário Ehud Olmert.
Apresenta uma clara similitude com a operação militar lançada em 2001 sobre a Autoridade Palestina e que conduziria ao cerco e posterior assassinato do Presidente Arafat.
A oportunidade do seu lançamento não está, por outro lado, desligada do calendário eleitoral israelita; como se, uma vez mais, a exibição da mais brutal violência sobre a população palestina constituísse um espécie de certificado de autenticidade necessário a qualquer político israelita com ambições políticas de governo.
Mas não foi apenas no plano estritamente militar que Israel incumpriu os termos da trégua.
Aqueles que acordaram para o conflito no dia em que tocaram as trombetas da guerra, e que logo se perfilaram nos seus postos, repetindo automaticamente a cartilha de Livni, Barak e Olmert, ignoram ou fazem por esquecer que, desde o início da trégua, Israel não desmantelou nem sequer aliviou o férreo bloqueio à circulação de pessoas e bens que impôs sobre a faixa de Gaza.
Que a sua população, estimada em mais de milhão e meio de pessoas vive, desde há cerca de 18 meses, encarcerada na sua própria terra, dependente da ajuda alimentar das Nações Unidas, impedida de cultivar as escassas terras de cultivo disponíveis, sem condições de escoamento para a sua limitada produção de azeitona – um dos poucos produtos agrícolas produzidos em Gaza – e proibida pelo exército e a marinha de guerra israelita de lançar os barcos de pesca ao mar.
Que a água que bebe tem um teor de salinidade muitas vezes superior ao que é admissível ou suportável e que mesmo essa, em resultado da destruição dos serviços e infra-estruturas básicas de sobrevivência, é um bem por demais escasso.
Que os milhares de túneis abertos na zona de Rafah, como todas as organizações humanitárias reconhecem, a começar pela Organização das Nações Unidas para os refugiados palestinos, constituem a única via de acesso a bens de primeira necessidade e que milhares de pessoas rastejam todos os dias com risco da própria vida para procurar, do outro lado da barreira, o sustento que escasseia em Gaza.
Que o bloqueio férreo à entrada de produtos de primeira necessidade tem uma consequência particularmente dramática quando se trata do abastecimento de medicamentos e de combustíveis.
É um eufemismo continuar a repetir que os hospitais de Gaza estão em situação desesperada; há muito que a rede de cuidados de saúde ultrapassou o ponto de ruptura, acorrendo apenas a situações críticas e graças ao esforço dos profissionais de saúde e a alguma, pouca, ajuda internacional.
O circuito, militar e policial, por que passa cada pedido de evacuação de um doente de um hospital de Gaza para o exterior é de tal modo labiríntico que, não poucas vezes, a morte sobrevém antes da tramitação de todo o processo (8).
Totalmente dependente da energia que recebe de Israel, a população de Gaza enfrenta o inverno sem luz, sem água, sem combustíveis, nem sequer para uso doméstico.
Mary Robinson, antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os direitos Humanos afirmou à BBC, no dia 4 de Novembro, a propósito do impacto do bloqueio a Gaza, “Não exagero. Toda a sua civilização foi destruída” (9).
Entretanto, é necessário não sucumbir perante as aparências.
O massacre que está a acontecer ante os nossos olhos todos os dias, a cada hora, nos becos de Jabalya e nas ruas atulhadas de destroços em Gaza, não é uma guerra entre o estado de Israel e o Hamas. Desde logo, porque o Hamas não constitui um exército e a sua capacidade de resistência armada, fantasiada de forma deliberadamente desproporcionada pela propaganda israelita, é mais do que limitada. Qualquer paralelo, nesse particular, com o Hezbollah e a situação no Líbano é destituído de fundamento.
O Hamas é uma organização política, que pese embora as circunstâncias obscuras do seu surgimento, possui uma forte implantação popular, e é o partido maioritário no Parlamento Palestino.
Os bombardeamentos em curso matarão muita gente, destruirão edifícios, arruinarão a já debilitada economia da região, mas não poderão apagar a existência política das organizações da resistência palestina, entre as quais se conta o Hamas.
Mas não é apenas a natureza do Hamas que desmente a falsa equação que opõe Israel àquela organização. É sobretudo a política persistente e continuada de Israel em relação ao povo da Palestina que evidencia o logro com que a propaganda israelita procura confundir a opinião pública.
Senão veja-se o que se tem passado na Margem Ocidental do rio Jordão.
Ao contrário do que acontece em Gaza, a Autoridade Palestina e o Presidente Mahmoud Abbas mantém o controlo sobre as instituições palestinas.
Não consta que, daí, sejam lançados os tão famosos rockets sobre as cidades de Israel.
Ao longo dos últimos meses, e mesmo após o fracasso do processo de Annapolis, o governo de Olmert e a Autoridade Nacional Palestina têm mantido um diálogo mais ou menos contínuo.
Pergunta-se, e qual tem sido a realidade política no terreno?
Foi travada a construção de colonatos?
Foram levantados os postos de controlo do exército israelita e melhoradas as condições de circulação ao longo do território?
(A formatação do texto é da responsabilidade do Fórum Palestina.)
No dia 4 de Novembro de 2008, pelas 20.30 horas, uma unidade de infantaria do exército de Israel penetrou na aldeia de Wadi al-Salqa, na zona central da faixa de Gaza.
Os soldados apoderaram-se de uma casa que utilizaram como base, mantendo a família como refém numa divisão da casa.
A partir daquele ponto cercaram uma casa vizinha, ordenando a saída das cerca de vinte e três pessoas que ali viviam. Quando os residentes abandonavam a casa, Haneen Salah al-Humaidi foi ferido nas costas por disparos dos soldados.
No entretanto, militantes do Hamas ripostaram à incursão do exército israelita.
Aquela unidade militar recebeu reforços apoiados pela força aérea.
Cerca das 22.30 horas, um míssil disparado por um avião militar israelita vitimou Mazen Nazmi Abu Sa'da.
Nas primeiras horas do dia seguinte, o exército israelita destruiu a casa de al-Humaidi, arrasou cerca de 25 mil metros quadrados de terrenos agrícolas e prendeu seis membros da família, entre os quais quatro mulheres.
No dia 5 de Novembro, em Khan Yunis, cerca da meia-noite, dois mísseis disparados pela aviação israelita vitimaram quatro militantes do Hamas, e cerca de uma hora depois, dois outros mísseis, disparados sobre a aldeia de al-Qarara, mataram outro militante do Hamas (1).
Naquele mesmo dia 4 de Novembro, em Toubas, cerca de 21 quilómetros a nordeste de Nablus, na Margem Ocidental, cerca da 1.10h da madrugada, o exército israelita penetrou no campo de refugiados de al-Far'a, impondo o recolher obrigatório.
Várias casas foram inspeccionadas e destruídas.
Em protesto, alguns dos residentes lançaram pedras contra os soldados que abriram fogo sobre a população.
Sete pessoas, com idades compreendidas entre os 11 e os 54 anos, ficaram feridas, duas delas com gravidade.
Um dos feridos era um funcionário da UNRWA que se encontrava em serviço no local devidamente identificado (2).
No dia 6 de Novembro, cerca das 9.55 horas, um grupo de agricultores palestinos trabalhava no cultivo das suas terras numa região situada a leste de Khan Yunis, junto à linha de fronteira entre Israel e a faixa de Gaza. Estavam acompanhados por monitores estrangeiros do Movimento de Solidariedade Internacional claramente identificados.
Não obstante repetidas demonstrações sobre o carácter pacífico da sua actividade, uma patrulha do exército israelita abriu fogo sobre os agricultores que foram obrigados a abandonar o local (3).
Três dias depois, a família Al-Kurd foi expulsa, pelo exército israelita, da casa onde vivia, desde 1956, em Jerusalém Oriental. Situada no bairro de Sheik Jarrah, esta foi a primeira de uma série de 28 habitações de palestinos que Israel pretende desalojar para construir no local o colonato de Shimon Há Tsadiq – tsadiq significa justo – que integrará 200 casas.
Abu-Kamal, o patriarca da família, refugiado de Jaffa na guerra de 1948, morreria no hospital, cerca de vinte dias depois, com 62 anos de idade, deixando para trás, mulher, cinco filhos e respectivas famílias.
Durante semanas, a mulher, Umm-Kamal, abrigou-se numa tenda construída junto àquela que fora a sua casa. No dia 21 de Novembro, um bulldozer do exército destruiu a tenda.
No dia 2 de Dezembro, cerca das 15.30 horas, um avião militar israelita disparou um míssil sobre um grupo de crianças palestinas sentadas à beira da rua junto ao centro de saúde na aldeia de al-Shouka, a sudeste de Rafah, na faixa de Gaza, matando duas crianças de 15 e 16 anos, e ferindo com muita gravidade outras duas, de 14 e 17 anos (4).
Estas não são as notícias comuns nos noticiários televisivos.
Não fizeram manchetes em qualquer jornal português, nem sequer nos periódicos de referência europeus.
Fazem parte, no entanto, do dramático quotidiano dos palestinos que vivem nos territórios ocupados por Israel, são retalhos de uma luta tenaz pela sobrevivência, que em cada dia se completa e que em cada manhã se renova, persistente.
Mergulhados, confortavelmente, no nevoeiro da propaganda de guerra, os indefectíveis da política sionista ocultam e mascaram a insuportável ignomínia que é a ocupação, as humilhações, a opressão, as prisões, a tortura, a destruição, os assassínios, a exploração, o muro e os bloqueios.
Quando os governos de Israel decidem, tantas vezes em função da agenda política doméstica, escalar a repressão, como agora em Gaza, muito para lá dos limites do insuportável, silenciam o contexto que encerra a verdade do chamado conflito israelo-palestino, e tudo reduzem a uma culpa próxima, quase primordial, que legitimaria a violência mais indiscriminada e brutal.
Outros, a pretexto de uma suposta isenção que tem de cinismo e hipocrisia o que falta em coerência, deixam-se afundar na mesma nuvem, pronunciam compungidas palavras de compreensão para as “populações civis”, mas assobiam para o ar quando se trata de indagar sobre as razões fundas da guerra, e fecham os olhos aos gritos de dor que ecoam dos escombros de Jabalya e de Gaza.
Como todas, esta guerra tem as suas mentiras. Umas circunstanciais, outras mais constantes.
Sem a pretensão de esperar que a sua crítica e o seu esclarecimento chegue alguma vez a ser escutado por quem, de má fé, as repete, mas tão só por um imperativo solidário de quem não suporta a indiferença, e outro instrumento não tem que a sua voz e as palavras que ela pode pronunciar para expressar a sua revolta, vale a pena desfazer algumas das falsidades que animam os tambores da guerra e embalam os que, de forma cúmplice, lhe dão ânimo.
A propaganda israelita justificou o bombardeamento selvagem de Gaza com a suposta quebra, por parte do Hamas, da trégua implementada desde o dia 19 de Junho de 2008, em Gaza.
Essa alegação é falsa. Foi Israel que, reiteradamente, não cumpriu a sua parte do acordo de cessar-fogo negociado com a intermediação egípcia.
A acção militar desencadeada pelo seu exército, entre os dias 4 e 5 de Novembro em diferentes pontos de Gaza, a que se fez referência no início, e não a reacção sucessiva de várias organizações da resistência palestina, constituiu a verdadeira e decisiva ruptura nesse frágil estado de coisas.
O próprio Ehud Barak não deixou de reconhecer implicitamente a gravidade desses acontecimentos quando, em declarações reproduzidas no próprio dia 5 de Novembro pelas agências de informação, afirmava, de forma dúplice e calculada, a sua disposição em manter a trégua que Israel acabara de violar (5).
Na verdade, o ataque israelita abriu um processo de escalada contínua da violência, e induziu o agravamento das condições do bloqueio imposto sobre a população da faixa de Gaza que durava há 18 meses. E mesmo aí, repetidamente, o Hamas reafirmou, em mais do que uma ocasião, a sua disposição em manter a trégua iniciada a 19 de Junho se o Estado de Israel levantasse o cerco imposto a Gaza como estava obrigado (6).
Ademais, como se verificara aliás na ofensiva levada a cabo contra o Líbano, em 2006, é por demais evidente e nem sequer escondido por parte dos responsáveis militares israelitas, que esta operação militar foi planeada ao longo de muitos meses.
Em boa verdade, segundo diversas referências na imprensa israelita, não desmentidas, a sua preparação iniciou-se durante a própria negociação da trégua (7).
Ela insere-se nos planos gizados pelo chefe da Mossad, general Meir Dagan que, apesar de toda a turbulência política interna que Israel atravessa desde Ariel Sharon, foi recentemente confirmado naquele cargo pelo demissionário Ehud Olmert.
Apresenta uma clara similitude com a operação militar lançada em 2001 sobre a Autoridade Palestina e que conduziria ao cerco e posterior assassinato do Presidente Arafat.
A oportunidade do seu lançamento não está, por outro lado, desligada do calendário eleitoral israelita; como se, uma vez mais, a exibição da mais brutal violência sobre a população palestina constituísse um espécie de certificado de autenticidade necessário a qualquer político israelita com ambições políticas de governo.
Mas não foi apenas no plano estritamente militar que Israel incumpriu os termos da trégua.
Aqueles que acordaram para o conflito no dia em que tocaram as trombetas da guerra, e que logo se perfilaram nos seus postos, repetindo automaticamente a cartilha de Livni, Barak e Olmert, ignoram ou fazem por esquecer que, desde o início da trégua, Israel não desmantelou nem sequer aliviou o férreo bloqueio à circulação de pessoas e bens que impôs sobre a faixa de Gaza.
Que a sua população, estimada em mais de milhão e meio de pessoas vive, desde há cerca de 18 meses, encarcerada na sua própria terra, dependente da ajuda alimentar das Nações Unidas, impedida de cultivar as escassas terras de cultivo disponíveis, sem condições de escoamento para a sua limitada produção de azeitona – um dos poucos produtos agrícolas produzidos em Gaza – e proibida pelo exército e a marinha de guerra israelita de lançar os barcos de pesca ao mar.
Que a água que bebe tem um teor de salinidade muitas vezes superior ao que é admissível ou suportável e que mesmo essa, em resultado da destruição dos serviços e infra-estruturas básicas de sobrevivência, é um bem por demais escasso.
Que os milhares de túneis abertos na zona de Rafah, como todas as organizações humanitárias reconhecem, a começar pela Organização das Nações Unidas para os refugiados palestinos, constituem a única via de acesso a bens de primeira necessidade e que milhares de pessoas rastejam todos os dias com risco da própria vida para procurar, do outro lado da barreira, o sustento que escasseia em Gaza.
Que o bloqueio férreo à entrada de produtos de primeira necessidade tem uma consequência particularmente dramática quando se trata do abastecimento de medicamentos e de combustíveis.
É um eufemismo continuar a repetir que os hospitais de Gaza estão em situação desesperada; há muito que a rede de cuidados de saúde ultrapassou o ponto de ruptura, acorrendo apenas a situações críticas e graças ao esforço dos profissionais de saúde e a alguma, pouca, ajuda internacional.
O circuito, militar e policial, por que passa cada pedido de evacuação de um doente de um hospital de Gaza para o exterior é de tal modo labiríntico que, não poucas vezes, a morte sobrevém antes da tramitação de todo o processo (8).
Totalmente dependente da energia que recebe de Israel, a população de Gaza enfrenta o inverno sem luz, sem água, sem combustíveis, nem sequer para uso doméstico.
Mary Robinson, antiga Alta Comissária das Nações Unidas para os direitos Humanos afirmou à BBC, no dia 4 de Novembro, a propósito do impacto do bloqueio a Gaza, “Não exagero. Toda a sua civilização foi destruída” (9).
Entretanto, é necessário não sucumbir perante as aparências.
O massacre que está a acontecer ante os nossos olhos todos os dias, a cada hora, nos becos de Jabalya e nas ruas atulhadas de destroços em Gaza, não é uma guerra entre o estado de Israel e o Hamas. Desde logo, porque o Hamas não constitui um exército e a sua capacidade de resistência armada, fantasiada de forma deliberadamente desproporcionada pela propaganda israelita, é mais do que limitada. Qualquer paralelo, nesse particular, com o Hezbollah e a situação no Líbano é destituído de fundamento.
O Hamas é uma organização política, que pese embora as circunstâncias obscuras do seu surgimento, possui uma forte implantação popular, e é o partido maioritário no Parlamento Palestino.
Os bombardeamentos em curso matarão muita gente, destruirão edifícios, arruinarão a já debilitada economia da região, mas não poderão apagar a existência política das organizações da resistência palestina, entre as quais se conta o Hamas.
Mas não é apenas a natureza do Hamas que desmente a falsa equação que opõe Israel àquela organização. É sobretudo a política persistente e continuada de Israel em relação ao povo da Palestina que evidencia o logro com que a propaganda israelita procura confundir a opinião pública.
Senão veja-se o que se tem passado na Margem Ocidental do rio Jordão.
Ao contrário do que acontece em Gaza, a Autoridade Palestina e o Presidente Mahmoud Abbas mantém o controlo sobre as instituições palestinas.
Não consta que, daí, sejam lançados os tão famosos rockets sobre as cidades de Israel.
Ao longo dos últimos meses, e mesmo após o fracasso do processo de Annapolis, o governo de Olmert e a Autoridade Nacional Palestina têm mantido um diálogo mais ou menos contínuo.
Pergunta-se, e qual tem sido a realidade política no terreno?
Foi travada a construção de colonatos?
Foram levantados os postos de controlo do exército israelita e melhoradas as condições de circulação ao longo do território?
Foi interrompida a destruição de casas e de campos de cultivo, ou a anexação de terras?
Foi reprimida a violência dos colonos israelitas contra as aldeias palestinas?
Parou a construção do muro?
Interromperam-se as prisões arbitrárias, os assassinatos selectivos, a tortura nas prisões?
Melhorou a situação dos trabalhadores palestinos que se deslocam diariamente a Israel em busca de trabalho?
Suspendeu-se o plano de limpeza étnica e reordenamento urbanístico de Jerusalém oriental destinado a alterar a sua composição demográfica?
Numa palavra, foi de alguma forma interrompida a política de ocupação e anexação de território palestino, a meticulosa e planeada destruição das condições de existência do povo da Palestina?
Vale a pena a este propósito, coligir alguns dados.
Estão em curso, neste momento, por parte do governo de Israel, mais de 70 projectos de construção dispersos por nove colonatos na margem ocidental, num total de cerca de 4500 habitações, dos quais 94 por cento situam-se na área metropolitana de Jerusalém.
De acordo com dados do próprio governo de Israel, em Junho de 2008, estavam em construção, em colonatos da margem ocidental, com excepção de Jerusalém, 2893 habitações (10).
Nos onze meses após a Conferência de Annapolis, entre Dezembro de 2007 e Outubro de 2008, a construção pública de casas nos colonatos da margem ocidental, de novo sem incluir Jerusalém, registou um aumento de 33 por cento relativamente aos onze meses anteriores (11).
Entre Novembro de 2007 e Novembro de 2008, o número de licenciamentos para a construção nos colonatos aumentou dezassete vezes em relação a igual período do ano anterior, sendo que destes, 77 por cento situam-se nos colonatos localizados em Jerusalém Leste.
Sempre segundo dados do Governo Israelita citados pela OLP, existem planos para a construção, nos colonatos da parte oriental de Jerusalém, de perto de 10 mil novas casas.
Ao mesmo tempo, com a evidente cumplicidade do governo, surgiram na margem ocidental mais 125 colonatos ditos ilegais, sem que qualquer dos 110 previamente existentes tenha sido desmantelado (12).
De acordo com dados das Nações Unidas, nos primeiros 11 meses de 2007, e apenas na margem ocidental, 87 palestinos foram mortos e 1127 foram feridos em resultado das acções do exército israelita.
Nos onze meses seguintes, entre Novembro de 2007 e Novembro de 2008, sempre para a margem ocidental apenas, o número de vítimas mortais baixou para 51 (dos quais 11 são crianças) e o número de feridos subiu para 1210 (343 crianças) (13).
Segundo uma organização não governamental israelita, entre os dias 28 de Novembro de 2007 e 27 de Novembro de 2008, 338 casas de famílias palestinas foram destruídas na margem ocidental do rio Jordão (das quais 99 em Jerusalém Oriental), registando-se em relação a igual período do ano anterior, um aumento de 21 por cento (14).
O número de autorizações de residência a palestinos na zona de Jerusalém que foram revogados durante o ano de 2006 – últimos dados disponíveis – aumentou para 1363, o equivalente à soma dos últimos seis anos anteriores, segundo dados das Nações Unidas (15).
Entre 30 de Abril e 11 de Setembro de 2008, Israel estabeleceu 630 postos de controlo ao longo da margem ocidental o que constitui um aumento na ordem dos 68 por cento, desde Agosto de 2005, e de 12 por cento desde Novembro de 2007, e o número de postos móveis cresceu em 35 por cento (16).
Em 11 de Setembro de 2007, estava concluído o equivalente a 57 por cento do traçado do muro de separação na margem ocidental (415 dos 723 quilómetros previstos), estando então, em fase de construção, mais nove por cento (17).
Na frieza de todos estes números há gente concreta que vive e sofre, todos os dias, milhares e milhares de histórias que não cabem nos noticiários das agências de informação, destinos suspensos, homens e mulheres que teimam em reinventar em cada momento uma nova esperança, um povo que resiste teimosa e heroicamente à aniquilação.
A barbárie que varre, nestes dias, a faixa de Gaza é a face visível, mais brutal e sangrenta, da política continuada, meticulosa e surda, de ocupação sionista e de destruição do povo da Palestina. E assim como esta vai avançando silenciosamente, também a guerra, de forma lenta e quase imperceptível, abandona o topo dos alinhamentos noticiosos na televisão e nos jornais.
Gerações e gerações têm, assim, sido flageladas na mais impune crueldade: Deir Yassin, Sabra e Chatila, Jenin, Gaza.
Foi o Vice-Ministro da Defesa de Israel, Matan Vilnai que, em Fevereiro de 2008, antes portanto do início da trégua, ameaçou lançar sobre Gaza, cito, um “holocausto” (shoah) (18).
A ameaça está cumprida.
Hoje como no passado, famílias inteiras são devoradas no fogo da violência sem quartel.
Ontem mesmo, a imprensa noticiava a morte de nada menos que 60 pessoas de uma mesma família depois de repetidos bombardeamentos sobre as casas onde se tinham refugiado (19).
Mais de quinze mil pessoas, contas da UNRWA, vagueia pela faixa de Gaza na busca desesperada e infrutífera de um refúgio.
Muitos morrem soterrados sob os escombros dos edifícios em colapso.
Escolas, mesquitas e hospitais, infra-estruturas civis, instalações das Nações Unidas, não existem lugares seguros.
Todos são bombardeados, diga-se, sem nenhuma hesitação, de forma deliberada.
Perante esta a chacina, a equidistância é uma perversão, a neutralidade um crime, a solidariedade um imperativo ético.
1 Palestinian Center for Human Rights, “Press Release, 5 November 2008”, ref. 98/2008, e “Weekly Report on Israeli Human Rights Violations in the Occupied Palestinian Territory, nº 44/2008”, 30 October – 5 November 2008.
2 Palestinian Center for Human Rights, “Weekly Report on Israeli Human Rights Violations in the Occupied Palestinian Territory, nº 44/2008”, 30 October – 5 November 2008.
3 Palestinian Center for Human Rights, “Weekly Report on Israeli Human Rights Violations in the Occupied Palestinian Territory, nº 45/2008”, 6 – 12 November 2008.
4 Palestinian Center for Human Rights, “Weekly Report on Israeli Human Rights Violations in the Occupied Palestinian Territory, nº 48/2008”, 27 November – 3 December 2008.
5 Reuters, 05 Nov 2008 15:09:28 GMT, “Barak: Israel wants Gaza truce intact despite raid”.
6 Haaretz, 16 Dez.2008.
7 Haaretz, 27 Dez 08.
8 World Health Organization, West Bank and Gaza, “Access to Health Services for Palestinian people. Case studies of five patients in critical conditions who died while waiting the Gaza Strip”, April, 2008.
9 BBC News, 4 de Nov de 2008.
10 Israeli Central Bureau of Statistics, Monthly Bulletin of Statistics, “Dwellings by Construction Initiator and District” – http://www1.cbs.gov.il/reader/yarhon/yarmenu_e_new.html
11 Ministry of Construction and Housing, “Housing Starts Initiated by Ministry of Construction and Housing, By District – Urban and Rural Areas”, e “Housing Completions Initiated by Ministry of Construction and Housing, By District – Urban and Rural Areas, citado em PLO Negotiations Affairs Departement, Summary of Israeli Road Map Violations Since Annapolis, 28 November 2007 – 27 de November 2008. A página electrónica do Ministério da Habitação do Governo de Israel não apresenta os seus conteúdos em inglês, pelo que não foi possível fazer a confirmação destes dados.
12 PLO Negotiations Affairs Departement, “Summary of Israeli Road Map Violations Since Annapolis”, 28 November 2007 – 27 de November 2008. Não foi possível fazer a confirmação deste dado na informação electrónica disponibilizada pelo Governo israelita.
13 UN-Office for Coordenation of Humanitarian Affairs, “Protection of civilians database – Nov. 2008”.
14 The Israeli Committee Against House Demolitions, “Demolition Statistics Since 1967” - http://www.icahd.org/eng/
15 B'Tselem, Israeli Information Center for Human Rights in the Occupied Territories,
http://www.btselem.org/English/Jerusalem/Revocation_Statistics.asp
16 UN-Office for Coordenation of Humanitarian Affairs, “Closure Update: Occupied Palestinian Territory (30 April-11 September 2008).
17 Ibidem.
18 Guardian, 29.2.08, “Israeli minister warns of Palestinian 'holocaust'”. É a seguinte a frase de Vilnai: "The more Qassam [rocket] fire intensifies and the rockets reach a longer range, they will bring upon themselves a bigger shoah because we will use our might to defend ourselves”;
(http://www.guardian.co.uk/world/2008/feb/29/israelandthepalestinians1).
19 Telegraph, 6.01.09, “Israel strike kills up to 60 members of one family. Some of the Samouni family died from shrapnel wounds and others from being crushed by falling masonry”.
19 Telegraph, 6.01.09, “Israel strike kills up to 60 members of one family. Some of the Samouni family died from shrapnel wounds and others from being crushed by falling masonry”.
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01 janeiro, 2009
"Bombas em Gaza" - um blog na guerra

“Faixa de Gaza bombardeada“ também referido como “Bombas em Gaza”, é um blog do repórter de guerra José Manuel Rosendo, enviado especial da Antena 1/RTP para seguir o desenrolar dos acontecimentos de Gaza.
José Manuel Rosendo segue os acontecimentos de longe já que Israel não tem permitido o acesso de jornalistas à Faixa de Gaza.
José Manuel Rosendo segue os acontecimentos de longe já que Israel não tem permitido o acesso de jornalistas à Faixa de Gaza.
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Parem a guerra em Gaza!
Este é o apelo de inúmeras organizações de mulheres israelitas, que transcrevo a seguir e que poderão encontrar em http://gazanow.wordpress.com/.Parar a guerra em Gaza!
Desde sábado, 27 de Dezembro, que a Força Aérea Israelita tem bombardeado a Faixa de Gaza. Até hoje (terça-feira de manhã), mais de 374 pessoas foram mortas e mais de 800 ficaram feridas. As imagens de horror vindas de Gaza mostram sangue, partes de corpo e destruição por todo o lado. Os hospitais estão superlotados, enquanto o maior armazém de suprimentos médicos foi bombardeado. O governo israelita está ameaçando que isso é só o começo.
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Nós, Judeus e Palestinos cidadãos de Israel, estamos horrorizados com as acções do governo e do exército. Somos contra esta guerra e exigimos o fim do sofrimento infligido ao povo de Gaza.
Exigimos:
Exigimos:
Um cessar-fogo imediato e o fim de todas as operações militares israelitas
O acesso imediato a Gaza para TODA a ajuda humanitária e para abastecimentos
O fim definitivo do cerco e de todas as restrições à circulação de pessoas e bens de e para Gaza.
Bombardeamento massivo e assassinato não são auto-defesa. As acções do governo israelita representam a principal ameaça para os moradores do sul de Israel e de Gaza. Quatro cidadãos israelitas já morreram no sul de Israel, devido a mísseis disparados em resposta a este ataque. Somos todos reféns do nosso governo.
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A ocupação israelita da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e todo o conflito no Médio Oriente são alimentados por interesses políticos e económicos internacionais. Esta guerra, também é apoiada no silêncio da União Europeia e do apoio dos E.U.A. no Conselho de Segurança da ONU. O sangue está nas suas mãos, assim como nas nossas.
Sozinhos não podemos parar esta guerra e o derramamento de sangue. Fazemos um apelo à comunidade internacional pedindo a sua ajuda.
30 dezembro, 2008
Gaza: «choque e pavor»
"Gaza: «choque e pavor»", é um artigo inédito de Alain Gresh, publicado no site do "Le Monde Diplomatique", que vos recomendo vivamente e que passo a transcrever:
Sábado, dia 27 de Dezembro, a aviação israelita fez raides assassinos contra Gaza. De acordo com as autoridades israelitas, os lugares visados eram centros de comando do Hamas e das suas forças armadas. O balanço deste dia eleva-se a mais de 270 mortos e várias centenas de feridos. Numerosos civis foram atingidos, como relata o correspondente do The New York Times em Gaza, Taghreed El-Khodary («Israeli Attack Kills Scores Across Gaza»):
«No hospital de Shifa, numerosos corpos jaziam na morgue, esperando que a sua família os viesse identificar. Muitos estavam desmembrados. No interior, a família de um bebé de cinco meses que tinha sido gravemente ferido na cabeça por um rebentamento de obus. Com o hospital sobrelotado, o seu pessoal parecia incapaz de prestar ajudar. Na esquadra de polícia de Gaza, pelo menos quinze agentes de trânsito que estavam a treinar foram mortos. Tamer Kahruf, 24 anos, um civil que trabalhava numa obra de construção civil em Jabaliya, no Norte de Gaza, explica que os seus dois irmãos e o seu tio foram mortos sob os seus olhos quando a aviação israelita bombardeou um posto de segurança nos arredores. Kahruf está ferido e sangra da cabeça.»
Vítima desde há várias semanas de um bloqueio total, Gaza (e os seus médicos, evidentemente) está impossibilitada de cuidar dos feridos em condições normais.
O sítio Internet Free Gaza recolheu numerosos testemunhos de estrangeiros e de palestinianos no terreno que dão uma ideia da dimensão dos ataques.
O Hamas ripostou disparando várias dezenas de mísseis sobre Israel. Um israelita foi morto e vários foram feridos em Netivot e Ashkelon.
No domingo, dia 28, de manhã, as agências de imprensa anunciavam que o exército israelita estava a concentrar as suas tropas terrestres à volta de Gaza. Os bombardeamentos tinham sido retomados, tendo os raides israelitas atingido desta vez, designadamente, uma mesquita e uma estação de televisão. De acordo com o ministro da Defesa Ehud Barack, em caso algum punham a hipótese de um cessar-fogo: «É necessário mudar as regras do jogo» (« Israel resumes Gaza bombardment », Al-Jazeera English, 28 de Dezembro).
Na sexta-feira, Israel tinha excepcionalmente reaberto três pontos de passagem e deixado passar várias dezenas de camiões. Segundo um comentador israelita que defende o ponto de vista do seu governo, esta abertura fazia parte de actos de «diversão e de camuflagem adoptados pelo governo nos últimos dias» para apanhar o Hamas de surpresa. A escolha de um dia de sabat também. O mesmo comentador, Ron Ben-Yishal, explicou a 27 de Dezembro no sítio Internet a estratégia israelita: «Shock Tretment in Gaza».
«O que começou em Gaza no sábado de manhã é aparentemente uma acção limitada, visando obter um cessar-fogo a longo prazo entre o Hamas e Israel, em termos favoráveis a Israel. Estes termos incluiriam o fim dos ataques com morteiros e mísseis; o fim dos ataques terroristas através da fronteira de Gaza; negociações séria para a libertação de Gilad Shalit; e a suspensão do reforço militar do Hamas. O meio para garantir os objectivos mencionados é, literalmente, um “tratamento de choque”. Assim, o Hamas já não será capaz de tomar a iniciativa, e será Israel que tomará a iniciativa e mostrará ao Hamas que vai responder de forma “desproporcionada” de cada vez que os habitantes do Negev Ocidental forem bombardeados. Nesta fase, não falaremos do derrube do regime do Hamas, mas sobretudo da formulação de novas regras do jogo e de um esforço para pressionar o Hamas a aceitar um novo cessar-fogo.»
No sítio Internet do diário Haaretz, Amos Harel assinou um comentário intitulado «IAF strike on Gaza is Israel’s version of ‘shock and awe’».
«Os acontecimentos ao longo da frente Sul que começaram sábado de manhã, às 11h30, parecem-se muito com uma guerra entre Israel e o Hamas. É difícil dizer onde (geograficamente) e por quanto tempo vai prosseguir a violência antes de uma intervenção da comunidade internacional com vista à suspensão das hostilidades. Todavia, a salva de abertura israelita não é uma operação “cirúrgica” ou um ataque limitado. É o assalto mais violente a Gaza desde que este território foi conquistado em 1967.»
Esta ofensiva coloca-se também no quadro, se assim se pode dizer, da campanha eleitoral israelita. No dia 10 de Fevereiro de 2009 terão lugar eleições gerais e cada um dos candidatos faz apostas ousadas. Mesmo o partido de esquerda Meretz apelou, antes do desencadeamento do ataque israelita, a uma acção armada [1]. Em contrapartida, o Gush Shalom, a organização de Uri Avnery, condenou firmemente a acção israelita e os ditos apoiantes da paz, como Amos Oz, que a apoiam. Lembremos que em Fevereiro de 1996, o primeiro-ministro de então, Shimon Peres, tinha lançado uma ofensiva contra o Líbano («Uvas da cólera») – que ficou célebre pelo massacre de Cana, com uma centena de refugiados mortos – na esperança de ganhar as eleições que se preparavam. Resultado: Benyamin Netanyahu ganhou e tornou-se primeiro-ministro. No sábado à noite, um milhar de pessoas manifestou-se em Telavive contra os ataques israelitas.
É interessante notar que os comentadores israelitas, como a maior parte dos comentadores da imprensa ocidental, não assinalam a razão mais importante do falhanço do cessar-fogo de seis meses, que durou de 19 de Junho até 19 de Dezembro. Como nos confirmou Khaled Mechaal, chefe da comissão política do Hamas na semana passada, o acordo compreendia, para além do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e um compromisso do Egipto em abrir a passagem de Rafah. Ora, não só Israel violou o acordo de cessar-fogo lançando um ataque que matou várias pessoas no dia 4 de Novembro, como os pontos de passagem não foram reabertos senão parcialmente, e o bloqueio foi mesmo reforçado nas últimas semanas. A população, que era largamente favorável ao acordo em Junho, exige hoje uma clarificação: ou a guerra ou a abertura incondicional dos pontos de passagem e o fim da chantagem permanente que permite a Israel matar lentamente à fome (e privar de cuidados de saúde) a população. Esta está certa quando acusa Israel, como relata o sítio Internet da Al-Jazeera em inglês: «Gazans: Israel violated the truce» (Mohammed Ali).
O presidente Nicolas Sarkozy reagiu com um comunicado. «O presidente da República exprime a sua mais viva preocupação perante a escalada da violência no Sul de Israel e na Faixa de Gaza. Condena firmemente as provocações irresponsáveis que conduziram a esta situação, assim como o uso desproporcionado da força. O presidente da República deplora as importantes perdas civis e exprime as suas condolências às vítimas inocentes e às suas famílias. Pede a paragem imediata dos lançamentos de mísseis sobre Israel, assim como dos bombardeamentos israelitas sobre Gaza, e apela à moderação de ambas as partes. Lembra que não existe solução militar em Gaza e pede a instauração de uma trégua duradoura.»
Num comunicado publicado na sequência do seu encontro com Abul Gheit, ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner reiterou as mesmas posições, acrescentando todavia que a França pedia «a reabertura dos pontos de passagem», um ponto ignorado por Sarkozy.
A senadora Nathalie Goulet, da UMP (União para um Movimento Popular), pertencente à Comissão dos Negócios Estrangeiros, publicou a declaração seguinte: «Como sempre, Israel faz um uso excessivo da força perante a indiferença da comunidade internacional, que deixa degradar-se a situação em Gaza há meses e meses. Não há que culpar nem o Irão nem o Hamas, mas a inércia da comunidade internacional, o apoio sistemático da política americana a Israel e a intolerável “atitude dupla” das organizações internacionais. Israel viola desde há quarenta anos dezenas de resoluções da ONU, sem embargo, sem sanções e com toda a impunidade. A situação é insuportável para os habitantes civis de Gaza desde há anos. A situação tem vindo a degradar-se, com o seu cortejo de humilhações e uma sede de vingança. Olho por olho tornará o mundo cego, disse Gandi. Há já demasiado, demasiado tempo que estamos cegos e surdos em relação ao sofrimento do povo palestiniano.»
Os ataques também suscitaram as condenações habituais dos países árabes. Uma reunião de emergência da Liga Árabe terá tido lugar no domingo. O Egipto declarou que acusava Israel como responsável; esta afirmação é talvez uma resposta a informações da imprensa israelita que afirmam que o Cairo teria dado luz verde a uma operação limitada a Gaza visando derrubar o Hamas («Report: Egypt won’t object to short IDF offensive in Gaza», por Avi Issacharoff, Haaretz, 25 de Dezembro). Um outro artigo do Haaretz publicado no dia 28 de Dezembro, e que descreve a campanha de desinformação do governo israelita antes da ofensiva de Gaza, explica que Tzipi Livni, a ministra dos Negócios Estrangeiros, tinha informado o presidente Mubarak do ataque («Disinformation, secrecy and lies: How the Gaza offensive came about», por Barak Ravid). A cumplicidade do Cairo é confirmada por um relatório da Y-net, «Egypt lays blame on Hamas», por Yitzhak Benhorin (27 de Dezembro), que retoma as declarações do ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros Abul Gheit, explicando que o seu governo tinha prevenido o Hamas e que os que não tinham escutado estes avisos assumiam a responsabilidade da situação (sobre as razões da política egípcia, ler esta entrevista com Khaled Mechaal).
Nestas condições, é duvidoso que estas condenações árabes conduzam a resultados. A única iniciativa espectacular e eficaz que o Cairo poderia tomar seria reabrir a ponte de passagem de Rafah, o que não quer fazer de modo nenhum – até agora, limitou-se a abrir a passagem aos feridos palestinianos. E, de acordo com a agência de imprensa Maan, nenhum ferido se apresentou, afirmando os médicos palestinianos que o transporte dos feridos graves é impossível, a menos que o Egipto envie helicópteros («Not one Gazan at Rafah crossing despite Egyptian promise to treat wounded, country to send medical supplies instead», 27 de Dezembro).
Para lá do bloqueio, é necessário lembrar que:
-
a recusa da comunidade internacional em reconhecer o resultado das eleições legislativas de Janeiro de 2006, que deram a vitória aos candidatos do Hamas, contribuiu para a escalada israelita; assim como a recusa de admitir realmente o acordo de Meca entre a Fatah e o Hamas; -
a União Europeia e a França em particular, quaisquer que sejam a suas tomadas de posição, encorajam concretamente a política israelita, designadamente recompensando Israel pela melhoria das relações entre Israel e a União Europeia, apesar das violações repetidas por Israel de todos os compromissos (diminuição do número de check-points, desmantelamento dos colonatos «ilegais», etc.); -
finalmente, lembremos esta verdade, cuja evidência é demasiadas vezes ocultada: a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental estão ocupadas desde há mais de quarenta anos. É esta ocupação que é a fonte de toda a violência no Médio Oriente.
Notas:
[1] «Leftist Meretz issues rare call for military action against Hamas», por Roni Singer-Heruti, Haaretz, 25 de Dezembro.
[1] «Leftist Meretz issues rare call for military action against Hamas», por Roni Singer-Heruti, Haaretz, 25 de Dezembro.
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29 dezembro, 2008
A posição da União Europeia sobre a situação em Gaza
São 19:36 do dia 29 de Dezembro de 2008 e a Presidência da União Europeias continua silenciosa sobre a tragédia humanitária em curso em Gaza, Palestina.
Pode confirmar em: http://europa.eu/press_room/index_fr.htm
ACTUALIZAÇÃO (20:55)
Pode confirmar em: http://europa.eu/press_room/index_fr.htm
ACTUALIZAÇÃO (20:55)
De acordo com notícia veiculada pelo Público às 19:46 a Presidência francesa da União Europeia resolveu convocar uma reunião de âmbito ministerial, que terá lugar amanhã em Paris para debater a crise no Médio Oriente.
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A posição da CGTP sobre a situação em Gaza
De acordo com o Público a central sindical CGTP repudiou também hoje a ofensiva israelita, que classifica como "um autêntico genocídio" e um "hediondo crime de guerra".
"Nada pode justificar esta ofensiva sem precedentes contra um povo de um minúsculo território, um povo que ao longo de décadas vê as suas terras ocupadas ilegalmente e ao qual são negados os mais elementares direitos humanos, bem como o direito reconhecido pela ONU à constituição de uma pátria livre e soberana", defende a central sindical em comunicado.
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Para a CGTP, que exige uma tomada de posição pelo Executivo português e pela União Europeia, a acção israelita "só irá agravar as deploráveis condições de vida de milhões de palestinianos, em Gaza, na Cisjordânia" e "provocará consequências de uma dimensão imprevisível na conturbada região do Médio Oriente".
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