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27 outubro, 2010

Washington pressiona [?] possibilidade de negociação de paz no Médio Oriente

FT.com / Middle East - Washington pushes prospect of Middle East peace deal 

Daniel Dombey, desde Washington para o FT, fala-nos de alterações nas propostas negociais americanas - principiar com a definição das fronteiras, onde Israel manteria o controlo do Vale do Jordão, território palestino, por tempo indeterminado - e possivelmente a suave retirada de cena de George Mitchell e a entrada de Dennis Ross "um veterano no processo de paz do Médio Oriente" (Esta de veterano de um sucessivo processo de falhanços, enganos e traições a favor de Israel, daria vontade de rir se não fosse lamentável)

Dennis Ross é pró-Israel. Foi enviado especial ao Médio Oriente de Bill Clinton e depois do falhanço das negociações de Camp David em 2000, foi acusado por outros responsáveis americanos de ter alinhado demais com Israel ao que respondeu que um intermediário não necessita de ser neutral.

Durante a campanha eleitoral de 2008 para as presidenciais americanas Dennis Ross visitou as sinagogas da Florida em nome de Obama para afirmar as simpatias pró-Israel do candidato.

Em suma mais uma "sombra chinesa" para desviar atenções e arrastar o processo De facto a questão central não é a paz no Médio Oriente - será, verdadeiramente, alguma vez - mas sim as eleições de Novembro nos EUA.

01 agosto, 2010

Uri Avnery: Nada de novo no "front oriental”

Uma crónica de Uri Avnery, publicada em 31 de Julho, e traduzida por Caia Fittipaldi, de que se manteve a norma de escrita.

Pessoas dotadas de audição política sensível surpreenderam-se essa semana com duas palavras que, parece, escaparam por acidente dos lábios de Binyamin Netanyahu: “front oriental”.

Há muito tempo, as mesmas palavras andavam em todas as bocas, parte do vocabulário diário da ocupação. Nos últimos anos ficaram esquecidas, cobertas de pó no fundo do quintal político.

A expressão “front oriental” nasceu depois da Guerra dos Seis Dias. Era usada como muro de arrimo, para sustentar a doutrina estratégica segundo a qual o rio Jordão seria “fronteira de segurança” de Israel.

A teoria rezava que seria possível que três exércitos árabes – do Iraque, da Síria e da Jordânia – se reunissem a leste do Jordão, cruzassem o rio e ameaçassem a existência de Israel. Israel teria de contê-los antes de entrarem no país. Portanto, o vale do Jordão teria de ser base permanente do exército de Israel, os soldados não poderiam afastar pé de lá.

Para começar, sempre foi teoria muito duvidosa. Para participar de tal ofensiva, o exército do Iraque teria de reunir-se, atravessar o deserto, acampar na Jordânia, em operação logística demorada e complexa, o que daria ao exército de Israel tempo de sobra para atacar os iraquianos, muito antes de alcançarem a margem do rio Jordão. Quanto aos sírios, muito mais fácil seria atacarem Israel nas Colinas do Golan, em vez de mover seus exércitos para o sul, para atacar pelo leste. E a Jordânia sempre foi parceiro secreto – mas leal – de Israel (menos durante o curto episódio da Guerra dos Seis Dias.)

Em anos recentes, essa teoria tornou-se muito evidentemente ridícula. Os EUA invadiram o Iraque e derrotaram e desmontaram o glorioso exército de Saddam Hussein, o qual, como logo se constatou, não passava de tigre de papel. O reino da Jordânia assinou tratado oficial de paz com Israel. A Síria não perde ocasião de demonstrar que anseia pela paz, bastando para isso que Israel devolva as colinas do Golan. Em resumo, Israel não tem o que temer dos vizinhos orientais.

Sim, as coisas podem mudar. Mudam os regimes, mudam as alianças. Mas é impossível imaginar situação na qual três assustadores exércitos cruzem o Jordão rumo a Canaã, como os filhos de Israel na história bíblica.

Sobretudo, a ideia de ataque por terra, como a blitzkrieg dos nazistas na 2ª Guerra Mundial, já é história. Em todas as guerras presentes e futuras, fator dominante serão os mísseis de longo alcance. Podem-se imaginar os soldados israelenses em espreguiçadeiras no vale do Jordão, assistindo ao voo dos mísseis pelo céu, em todas as direções.

Assim sendo, como essa ideia estúpida voltou à vida?

21 julho, 2010

Israel destrói vila na Cisjordânia ocupada depois de a declarar zona militar


Desde 1967, Israel tem impedido o crescimento de comunidades palestinas no Vale do Jordão [território palestino ocupado] cortando-lhes o fornecimento de água ou declarando extensas áreas como zonas [militares para exercícios] de fogo real.

Um artigo de Amira Hass.