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22 agosto, 2010

Membro da OLP afirma que Netanyahu pretende arruinar negociações de paz

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pretende arruinar as negociações de paz directas que começarão em Washington no próximo dia 2 de Setembro, declarou neste domingo Wasel Abu Youssef, membro do Comité Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

"As pré-condições (declaradas neste domingo por Netanyahu) para que os palestinos reconheçam Israel como o Estado dos judeus farão fracassar as negociações antes de começarem”, disse Youssef, em Ramallah, a jornalistas.

"Os palestinos rejeitam directamente qualquer exigência para reconhecer Israel como estado judeu; é um dos tabus para os palestinos", assegurou.

Netanyahu assinalou neste domingo que "as negociações requeriam que as duas partes fizessem concessões" e reiterou várias das suas exigências anteriormente recusadas pela OLP.

A paz, segundo o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve ser alcançada a três níveis:

"O primeiro são autênticos acordos para a segurança do Estado de Israel.

O segundo, o reconhecimento de Israel como o Estado do povo judeu, incluindo a questão do direito do retorno e a solução para os refugiados palestinos, que se encontraria no futuro Estado palestino".

O terceiro nível é o estabelecimento de um Estado palestino, algo que, para Netanyahu, "deve ser desmilitarizado e que suponha o fim do conflito, de modo a que este não continue de nenhuma outra maneira".

Na sexta-feira passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, convidou israelitas e palestinos a iniciar conversas directas de paz com a mediação da Casa Branca. Os palestinos aceitaram o processo directo de diálogo após semanas de intensas pressões e três meses de conversas indirectas que, aparentemente, obtiveram quaisquer resultados.

Netanyahu expõe exigências condicionando negociações directas

Segundo a Associated Press, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu deu detalhes da sua posição para a nova ronda de negociações de paz com os palestinos, prevista para a próxima semana nos Estados Unidos.

Netanyahu afirmou que um futuro estado palestino deverá ser desmilitarizado, reconhecer Israel como terra natal do povo judeu e respeitar os interesses vitais da segurança de Israel. Algumas destas suas exigências já foram rejeitadas anteriormente pelos palestinos.

"Vamos às negociações com um desejo genuíno de alcançar um acordo de paz entre os dois povos, protegendo no entanto os interesses nacionais de Israel, principalmente a nível da segurança," afirmou Netanyahu.

Estas foram as primeiras declarações do primeiro-ministro israelita desde que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, anunciou na sexta-feira que os dois lados retomarão as negociações directas, em Washington, na próxima semana.

"Atingir um acordo de paz entre nós e a Autoridade Palestina é difícil, mas possível. Estamos falando de um acordo de paz entre Israel e um estado palestino desmilitarizado, e esse estado, se for estabelecido no final do processo, deve encerrar o conflito, e não ser a base para a sua continuação por outros meios," afirmou Netanyahu.

Benjamim Netanyahu não forneceu detalhes sobre as exigências adicionais de segurança, mas no passado havia afirmado que Israel teria de manter presença ao longo da fronteira da Cisjordânia com a Jordânia, para evitar o contrabando de armas. Os palestinos sempre rejeitaram a presença israelita, nos territórios do seu futuro Estado.

Netanyahu também afirmou que os palestinos devem reconhecer Israel como estado do povo judeu, do mesmo modo que Israel reconhecerá o estado palestino.

Os palestinos sempre se recusaram a aceitar esta exigência,  afirmando que isso prejudicaria os direitos das minorias árabes em Israel e comprometeria o direito dos refugiados palestinos de retornar aos seus lares, que tiveram que abandonar durante os combates de 1948, ano da fundação de Israel.

Estas posições indiciam a necessidade de uma intervenção firme do presidente Barack Obama, para fazer respeitar o direito internacional e os legítimos direitos do povo palestino,por um lado, e o legítimo direito de Israel à segurança das suas fronteiras e território, por outro, se quiser atingir a paz no prazo que ele próprio definiu: dentro de um ano.