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05 junho, 2010

O último navio da Freedom Gaza foi abordado à força por Israel

Pouco antes das 09:00 desta manhã, o exército israelita tomou à força o navio de ajuda humanitária de pavilhão irlandês, o MV Rachel Corrie, impedindo-o de entregar mais de 1.000 toneladas de suprimentos médicos e de materiais de construção a Gaza sitiada.

Pela segunda vez em menos de uma semana, forças especiais de Israel invadiram um navio desarmado, tomando brutalmente os seus passageiros como reféns e rebocando o navio para porto de Ashdod no sul de Israel. Não se sabe ainda se qualquer um dos passageiros do MV Rachel Corrie foram mortos ou feridos durante o ataque, mas acredita-se que estejam a salvo.

O MV Rachel Corrie transportava 11 passageiros e 9 tripulantes, de 5 distintas nacionalidades, mas principalmente irlandeses e malaios.

Entre os passageiros contam-se a Prémio Nobel da Paz Mairead Maguire, um membro do Parlamento da Malásia Mohd Nizar Zakaria, e o ex-Secretário-Geral Adjunto da ONU, Denis Halliday.

Recorda-se que nove activistas de direitos humanos internacionais foram mortos na passada segunda-feira, quando comandos israelitas invadiram violentamente o navio turco, Marmara Mavi e outras cinco embarcações desarmadas, que transportavam ajuda humanitária para Gaza. Então antes de ser feito refém pelas forças israelenses, Derek Graham, irlandês, coordenador do movimento Free Gaza, declarou: "Apesar do que aconteceu no Marmara Mavi no início desta semana, não temos medo.

O navio de carga 1.200 toneladas foi comprado através de um fundo especial criado pelo ex-primeiro-ministro da Malásia e presidente da Perdana Global Peace Organisation (Organização pela Paz Global Perdana (PGPO), Tun Mahathir Mohamad.

O navio recebeu o nome de uma activista dos direitos humanos americana, assassinada em 2003, esmagada por um bulldozer militar israelita na Faixa de Gaza. A carga incluía centenas de toneladas de equipamentos médicos e de cimento, bem como papel doado pelo povo da Noruega, às escolas da ONU em Gaza.

De acordo com Denis Halliday: "Nós somos o único navio de ajuda humanitária a Gaza que resta. Estamos decididos a entregar nossa carga." O MV Rachel Corrie fazia parte da Freedom Flotilla, um esforço para romper o bloqueio ilegal de Israel a Gaza, antes de ser forçado a parar, na semana passada, devido a suspeitos de problemas mecânicos.

O ataque ao MV Rachel Corrie pode significar problemas para o relacionamento entre Israel e a Irlanda. O governo irlandês tinha solicitado formalmente a Israel que permitisse que o navio chegasse a Gaza. A 1 de Junho, o parlamento irlandês também aprovou uma moção de todos os partidos condenando Israel pelo uso de força militar contra navios civis de ajuda humanitária e exigindo "o fim do bloqueio ilegal israelita a Gaza."

A Prémio Nobel Mairead Maguire resumiu as esperanças desse esforço conjunto irlandês e malaio para superar o bloqueio cruel de Israel, dizendo: "Nós somos inspirados pelo povo de Gaza, cuja coragem, amor e alegria em receber-nos, mesmo no meio de tanto sofrimento dá a todos nós esperança. Eles representam o melhor da humanidade, e todos nós somos privilegiados em ter a oportunidade de apoiá-los na sua luta pacífica pela dignidade humana e pela liberdade. Esta viagem destacará novamente o criminoso bloqueio e ocupação ilegal de Israel. Numa demonstração do poder de acção da cidadania global, esperamos despertar a consciência de todos. "

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Dos passageiros a bordo da MV Rachel Corrie fazem parte:

Ahmed Faizal bin Azumu, activista dos direitos humanos, da Malásia; Matthias Chang, advogado, escritor e activista dos direitos humanos, da Malásia; Derek Graham, activista do Free Gaza, da Irlanda; Jenny Graham, do Free Gaza, da Irlanda; Denis Halliday, ex-Secretário-Geral Adjunto da ONU, da Irlanda; Mohd Jufri Bin Mohd Judin, jornalista, da Malásia; Shamsul Akmar Musa Kamal, representante PGPO (Perdana Global Peace Organisation), da Malásia, Mairead Maguire, Prémio Nobel da Paz, da Irlanda; Abdul Halim Bin Mohamed, jornalista, da Malásia; Fiona Thompson, cineasta, da Irlanda; Mohd Nizar Zakaria, Membro do Parlamento, Malásia.

A notícia no Público às 11:00

31 maio, 2010

Flotilha de 8 navios transportando 700 activistas e 10.000 toneladas de ajuda humanitária para Gaza enfrentam bloqueio israelita


Um comboio de seis navios que transporta 10.000 toneladas de ajuda humanitária partiu para Gaza no passado domingo, desafiando os avisos de Israel de que serão interceptados, apressados e conduzidos para Aschkelon, onde os activistas ficarão detidos e daí deportados.

Os navios, liderados por uma embarcação turca, partiram de águas internacionais próximas de Chipre, na tarde de domingo, transportando cerca de 700 activistas, incluindo escritores, jornalistas e parlamentares da Irlanda, da Suécia e da Turquia. 

"Se tudo correr bem e não houver problemas ou interrupções de qualquer tipo, deveremos chegar a Gaza por volta das 14 horas (tempo local) de amanhã (segunda-feira), declarou Mary Hughes-Thompson, porta-voz do movimento "Free Gaza", um das entidades organizadoras. 

A frota foi organizada por grupos pró-palestinos e por uma organização turca de direitos humanos. 

A Turquia pediu a Israel que permita a passagem da flotilha com segurança e afirmou que os navios transportam  apenas ajuda humanitária. 

A Turquia é um dos mais próximos aliados de Israel no Médio Oriente , mas o relacionamento entre os dois países tem vindo a degradar-se. Aliás o primeiro-ministro turco Tayyip Erdogan tem criticado frequentemente as políticas de Israel quanto aos palestinos. 

Recorde-se que Israel e Egipto fecharam as fronteiras de Gaza após o Hamas, ter assumido o controlo do território em 2007 e que a tensão na região mantém-se elevada desde a agressão israelita a Gaza entre os finais de 2008 e Janeiro de 2009.

A população de Gaza, milhão e meio de seres humanos sobrevive à míngua de tudo, devido ao desumano bloqueio de Israel, apesar da ajuda das Nações Unidas.

De todas as formas Israel enfrenta um dilema insolúvel segundo Ismail Haniyeh, o líder do Hamas na Faixa de Gaza, que afirmou no passado sábado: “Se os navios chegarem a Gaza, é uma vitória para Gaza. Se forem interceptados e aterrorizados pelos Sionistas, será igualmente uma vitória para Gaza, e eles continuarão a vir com novos navios para quebrar o bloqueio a Gaza.”