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26 agosto, 2012

As crianças e o exército de (ocupação) mais "moral" do mundo...

Três histórias que se interligam e denunciam os abusos de um exército de ocupação - o israelense - sobre as crianças - palestinas - e não só...



www.brasildefato.com.br
Representante da ONU critica em especial as forças armadas por seu tratamento  inflexível com as crianças, na maioria dos casos acusadas de jogar pedras contra os militares.


www.independent.co.uk
Hafez Rajabi was marked for life by his encounter with the men of the Israeli army's Kfir Brigade five years ago this week. Sitting beneath the photograph of his late father, the slightly built 21-year-old in jeans and trainers points to the scar above his right eye where he was hit

26 setembro, 2010

Moratória israelita expira a 30 de Setembro

Segundo um despacho da AFP, a moratória de dez meses “congelando” a construção em território palestino da Cisjordânia, ilegalmente ocupado e colonizado por Israel, deverá expirar no final de Setembro, de acordo com uma ordem militar, e não hoje, dia 26, como tem vindo a ser entendido. 

A ordem militar n.º 1653, que foi emitida imediatamente após a decisão do gabinete israelita, de 26 de Novembro de 2009, que aprovou a moratória sobre a construção na Cisjordânia, define 30 de Setembro como a data em que expirará os efeitos da moratória.
 
Até agora, a data aceite para o fim do congelamento tem sido 26 de Setembro - exactamente 10 meses após a data daquela decisão ter sido anunciada.
 
O gabinete do primeiro-ministro não fez quaisquer comentários sobre a discrepância entre as duas datas.

03 setembro, 2010

Palestina: Relatório Semanal | 25-31 de Agosto de 2010 da UN OCHA oPt

Sumário:

Quatro colonos israelitas mortos.

15 palestinos feridos em todo o Território Ocupado da Palestina.

Em Jerusalém Oriental, surgiram confrontos no bairro de Silwan.

Na Cisjordânia, a violência israelita continua.


Não houve demolições na zona C., mas a emissão de ordens de despejo e de demolição continuam.


Limite de idade restringe acesso dos palestinos às orações de sexta-feira do Ramadão em Jerusalém Oriental.

Em Gaza, o impacto da flexibilização permanece limitado.

Escassez de combustível e crise de electricidade continuam.

O Relatório Semanal sobre a Protecção das Pessoas Civis é produzido pelo United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA).

29 agosto, 2010

Palestina: The Humanitarian Monitor - Jul 2010 - UN OCHA oPT

Sumário:

Seis palestinos foram mortos, em todo o Território Ocupado da Palestina, e 85 outros ficaram feridos.

Julho marcou o sexto aniversário do parecer do Supremo Tribunal de Israel sobre o Muro, e a OCHA e a OMS emitiram um novo relatório, destacando o impacto da barreira no acesso dos palestinos aos serviços de saúde.

As autoridades israelitas intensificaram as demolições em vários pontos da Área C e em Jerusalém Oriental, desalojando ou afectando mais de 550 palestinos.

As exportações e as importações de material de construção permanecem sob restrições mas houve uma melhoria na capacidade dos palestinos para procurarem tratamento médico fora de Gaza.


Palestina: Relatório Semanal | 18-24 de Agosto de 2010 da UN OCHA oPt

Sumário:

Quatro palestinos feridos em todo o Território Ocupado da Palestina.

Na Cisjordânia, a violência israelita continua.

Prédio demolido pelos seus proprietários em Jerusalém Oriental; Não houve demolições na zona C.

Idade limita o acesso dos palestinos às orações de sexta-feira do Ramadão em Jerusalém Oriental.

Milhares de estudantes afectados pela escassez de salas de aula.

Em Gaza, as restrições à terra e ao mar continuam.

O impacto da flexibilização permanece limitado.

Escassez de combustível e crise na electricidade continuam.

O Relatório Semanal sobre a Protecção das Pessoas Civis é produzido pelo United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA).

22 agosto, 2010

Palestina: Relatório Semanal | 11 - 17 de Agosto de 2010 da UN OCHA oPt

Sumário:

Um palestino morto e 11 feridos em todo o Território Ocupado da Palestina.

Na Cisjordânia, a violência dos colonos continua.

Não houve demolições pelas autoridades israelitas na zona C; emissão de ordens de despejo e de demolição continuam.

Limite de idade limita acesso dos palestinos às orações de sexta-feira do Ramadão em Jerusalém Oriental.

Medidas para facilitar o acesso limitado foram implementadas.

Em Gaza, o impacto da redução das medidas de acesso permanece limitado.

Escassez de combustível; vítimas em incidentes relacionados com a electricidade continuam.

O Relatório Semanal sobre a Protecção das Pessoas Civis é produzido pelo United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA)

16 agosto, 2010

Palestina: Relatório Semanal | 21 - 27 de Julho de 2010 da UN OCHA oPt

Sumário:

2 palestinos morreram e 35 ficaram feridos em todo o Território Palestino Ocupado.

Na Cisjordânia, a onda de demolições na Área C continua. [Nos termos dos Acordos de Oslo (1993) a Cisjordânia foi dividida em três áreas, com distintos regimes de controlo e administração. A área C, que representa 59% do território ocupado da Cisjordânia está sob controlo e administração israelita.]

Em Jerusalém Oriental, colonos ocuparam um edifício palestino na Cidade Velha. Outros incidentes relacionados com colonos israelitas continuam.

O abastecimento de água foi reduzido em quatro aldeias de Nablus.

Em Gaza, 58 palestinos feridos numa explosão.

O impacto das novas medidas de acesso de mercadorias em Gaza permanece limitado. Escassez de combustível industrial e crise de electricidade continua.

O Relatório Semanal sobre a Protecção das Pessoas Civis é produzido pelo United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA).
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30 julho, 2010

Palestina: Relatório Semanal | 21 - 27 de Julho de 2010 da UN OCHA oPt

Sumário:

4 palestinos mortos e 17 outros feridos em todo o território palestino ocupado. Na Cisjordânia as demolições continuam; o alvo foram 17 estruturas na Área C e 5 outras em Jerusalém Oriental. Escalada da violência dos colonos.

Na Faixa de Gaza, a situação nos túneis continua perigosa. “Pontos de passagem” as importações continuam a aumentar no entanto o impacto mantêm-se limitado. Declínio nas importações de combustível industrial e de gás de cozinha; a escassez de electricidade continua.

O Relatório Semanal sobre a Protecção das Pessoas Civis é produzido pelo United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA).

Últimos desenvolvimentos desde terça-feira 27 de Julho

Em 29 de Julho: Colonos Israelitas ocuparam uma casa de dois andares habitada por muçulmanos na Cidade Velha de Jerusalém Oriental, desalojando 8 famílias palestinas.

O Coordenador Especial das Nações Unidas para o Processo de Paz do Médio Oriente Robert Serry condenou a ocupação da casa e apelou às autoridades... [(“…israelitas para que expulsem os colonos da propriedade e restabeleçam a situação anterior.") Como faltava o final da frase no documento original, completei-a com a informação que foi ontem disponibilizada pela comunicação social e que publiquei no Blogmaton sobre o título: “A paz de Netanyahu: Colonos ocupam edifício habitado por palestinos em Jerusalém Oriental"].


23 julho, 2010

Palestina: Relatório Semanal | 14 - 20 de Julho de 2010 da UN OCHA oPt

Sumário:

Significativo aumento nas demolições na Área C: pelo menos 86 estruturas demolidas no Vale do Jordão e no sul da Cisjordânia, desalojando 251 pessoas, incluindo 115 crianças e afectando outras 600.

Na Faixa de Gaza, um garoto de 15 anos ficou ferido quando as forças israelenses abriram fogo contra um grupo de palestinos que recolhiam sucata de metais nos arredores da antiga zona industrial de Erez.

O volume semanal de mercadorias importadas em Gaza continua a aumentar.

O Relatório Semanal sobre a Protecção das Pessoas Civis é produzido pelo United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA).

Últimos desenvolvimentos desde terça-feira 20 de Julho

Em 21 de Julho, dois palestinos, incluindo um civil, morreram e outras sete pessoas, incluindo quatro crianças foram feridas quando as tropas israelitas dispararam quatro projécteis de tanque sobre um um palestino armado que se aproximara de tropas israelitas que tinham que tinham entrado em Gaza;

Em 22 de Julho, as forças israelitas dispararam e mataram um palestino que, segundo a media israelita estava tentando entrar no colonato de Barkan, no distrito Salfit, na Cisjordânia [ocupada].

Em 21 de Julho, as forças israelitas demoliram três residências desabitadas e sete outras estruturas em Al Lubban Al Gharbi, no Governorato de Ramallah [na Cisjordânia ocupada, 80 pessoas foram afectadas.

10 julho, 2010

OCHA Relatório Semanal Protecção de Civis | 30 de Junho- 6 de Julho 2010

Temas em destaque:

Sete palestinos feridos nos territórios ocupados da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental: a violência dos colonos israelitas continua.

As demolições na Área C [Nos termos dos Acordos de Oslo (1993) a Cisjordânia foi dividida em três áreas, com distintos regimes de controlo e administração. A área C, que representa 59% do território ocupado da Cisjordânia está sob controlo e administração israelita.] continuam a prejudicar a subsistência [das populações palestinas].

Gaza:

Israel apresenta a lista oficial dos produtos proibidos, mas o impacto de facilitações continuam a ser insignificantes.

As restrições de acesso por terra e mar [e ar] continuam.

A geração de electricidade regressou aos níveis anteriores; cortes de energia diários até oito horas.


18 maio, 2010

Noam Chomsky: um verdadeiro "perigo" para a segurança de Israel



Noam Chomsky, um prestigiado académico e activista político Judeu-Americano [de facto ele é um americano que é judeu], foi proibido de entrar em Israel [aqui a Al Jazeera comete um erro, Karama é um posto fronteiriço entre a Jordânia e o Território Palestino ocupado militarmente por Israel e assim controlado pelas autoridades militares israelitas] para fazer um discurso na Universidade de Birzeit, na Cisjordânia.


Ele falou com a AL Jazeera sobre as longas horas de espera na fronteira e as explicações que lhe foram dadas por lhe ser recusada a entrada.

[Esta entrevista foi realizada no Domingo, sobre este caso pode ainda ler o nosso post Recusada a entrada na Cisjordânia do escritor americano Noam Chomsky pelas autoridades de ocupação israelitas]

17 maio, 2010

Recusada a entrada na Cisjordânia do escritor americano Noam Chomsky pelas autoridades de ocupação israelitas

As autoridades de ocupação israelitas impediram, hoje, o escritor norte-americano Noam Chomsky, de entrar na Cisjordânia, sem dar razão para tal e forçando-o a regressar a Amã.

Chomsky fora convidado para fazer uma palestra na Universidade de Birzeit, e para se reunir com escritores e intelectuais palestinos em Ramallah.

Chomsky que chegara esta tarde à fronteira de Karama, esteve sob investigação das autoridades de ocupação israelitas e depois de horas de espera, um funcionário israelita informou-o de que não lhe seria permitida a entrada na Cisjordânia e que Israel iria enviar uma carta para a Embaixada dos EUA em Tel Avive para explicar as razões dessa decisão.

O presidente do Departamento de Filosofia e Estudos Culturais da Universidade de Birzeit Abdul Rahim al-Shaikh, afirmou que a proibição da entrada de Chomsky é uma medida racista, feito por um país ocupante racista que impede a entrada de intelectuais na Palestina, porque discrimina os palestinos. Chomsky que é judeu, mas não é titular de cidadania israelita, é muito crítico sobre as políticas de Israel e altamente apreciado pelos palestinos, que o assumem como se fosse família.

15 maio, 2010

Palestinos celebram o Dia da Catástrofe (Nakba)

Palestinians mark Nakba Day | The Jerusalem Post | Associeted Press

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Os líderes do Hamas e da Fatah marcham em Gaza 62 anos após a "catástrofe".
 
Rivais palestinos marcharam juntos, neste sábado, numa rara demonstração de unidade marcando 62 anos de exílio devido à guerra motivada pela criação de Israel. 

Activistas de grupos rivais Hamas e Fatah empunhando bandeiras palestinas e uma chave gigante simbolizando as suas esperanças para o retorno, como parte das comemorações anuais do que chamam de "catástrofe", ou Nakba, em árabe. Os nomes das cidades e vilas esvaziadas durante a guerra foram escritos ao longo da chave, ao lado do slogan "Vamos voltar." 


O sofrimento dos refugiados - que fugiram ou foram expulsos de suas casas durante a guerra de 1948 entre israelitas e árabes - é uma das questões mais polémicas para os palestinos e Israel resolverem.

Negociadores palestinos exigiram, pelo menos, uma repatriação, parcial. Israel recusou, dizendo que um influxo de refugiados diluiria a maioria judaica de Israel e ameaçaria a existência do Estado. 

Os governantes do Hamas em Gaza convidaram os seus rivais da Fatah para participarem na marcha deste sábado, um gesto raro do grupo militante islâmico desde que se apoderou de Gaza e expulsou as forças do Fatah em Junho de 2007. Em anos anteriores, as diferentes facções palestinas organizaram os seus próprios eventos, destacando a sua incapacidade de trabalhar em conjunto sobre questões fundamentais. 


Não foram feitos discursos políticos  - numa aparente homenagem às diferenças ideológicas fundamentais entre o Hamas e a Fatah. Aos manifestantes também foi solicitado que não usassem bandeiras dos seus partidos. Algumas mulheres da Fatah deram a volta à proibição usando lenços de cabeça amarelos, a cor do seu movimento. 

Cerca de 4,7 milhões de refugiados palestinos e seus descendentes estão espalhados por toda a Cisjordânia, Gaza, Líbano, Jordânia e Síria, segundo dados da ONU. Cerca de um terço ainda vivem em campos de refugiados apoiados pela ONU .
 
No comício de Gaza, a manifestante Amina Hasanat, de 50 anos, expôs documentos esfarrapados que disse provarem que a sua família possuía uma casa e terrenos onde é agora é a cidade de Beersheba em Israel. "Eles (os judeus) podem voltar de onde vieram, nós vamos voltar para nossas casas e terras", afirmou Hasanat. 

Na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, centenas de palestinos, motoristas e de peões, pararam por um minuto ao som de sirenes para marcar o aniversário. Ocorreram manifestações menores noutras cidades da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
 

No Líbano, o grupo militante Hezbollah, que travou uma guerra de guerrilha contra as forças israelitas até estas se retiraram do sul do Líbano em 2000, declarou num comunicado que "a resistência e sacrifício" são a única forma de retomar as terras reclamadas pelos árabes.

"No 62. º aniversário da Nakba, apelamos a todos os árabes para manter viva a causa palestina aos olhos e nos corações de todas as gerações", disse o Hezbollah, que também lutou contra Israel numa guerra de 34 dias em 2006 que deixou cerca de 1.200 libaneses e 160 israelitas mortos. 

O Egipto, por sua vez, abriu a sua fronteira de passagem para Gaza,
normalmente encerrada, neste sábado, a primeira vez em 75 dias, para permitir que doentes e outros moradores em Gaza, com residência no estrangeiro, saíssem do território bloqueado.

Israel e o Egipto tem mantido as fronteiras de Gaza, em grande parte fechadas desde a tomada do poder pelo Hamas em 2007, mas o Egipto, periodicamente, abre o terminal de passageiros de Rafah com Gaza para permitir que possam atravessar gazanos em dificuldades.

06 junho, 2009

Discurso no Cairo de Barak Obama (trecho sobre a Palestina)

Decidimos transcrever, na sua totalidade, a parte do discurso de Barack Obama que se refere à questão palestina, porque entendemos que é importante conhecer o que ele nos disse na globalidade para além das referências parcelares já publicadas pelos órgãos de comunicação social.

Assim que possível publicaremos o discurso total, já que este foi desde logo um marco definitivo nos caminhos para a paz e segurança no Médio Oriente.

"...
A segunda grande fonte de tensão que temos de discutir é a situação entre israelitas, palestinos e o mundo árabe.

Os estreitos laços dos Estados Unidos e Israel são bem conhecidas. Esta ligação é inquebrável. Baseia-se em laços históricos e culturais, bem como no reconhecimento de que a aspiração por uma Pátria judia está enraizada numa trágica história, que não pode ser negada.

Em todo o mundo, os judeus foram perseguidos durante séculos, e o anti-semitismo na Europa levou a algo nunca visto: o Holocausto. Amanhã, visitarei Buchenwald, que fez parte de uma série de campos onde os judeus foram escravizados, torturados, baleados e gaseados até à morte pelo Terceiro Reich. Seis milhões de judeus foram aniquilados, mais do que toda a actual população judaica de Israel. Negar essa realidade é ilegítimo, é ignorante e é odioso. Ameaçar Israel com a destruição - ou repetir estereótipos abjectos sobre os judeus - é profundamente errado e só servem para suscitar nos israelitas as mais dolorosas memórias e, ao mesmo tempo, impedir a paz que os povos da região merecem.

Por outro lado, também é inegável que o povo palestiniano - muçulmanos e cristãos - também sofreu na busca por uma pátria. Durante mais de sessenta anos, sofreu a dor de estarem desalojados. Muitos aguardam em campos de refugiados na Cisjordânia, Gaza e em terras vizinhas, uma vida de paz e segurança que nunca conseguiram ter. Sofreram humilhações quotidianas - grandes e pequenas - decorrentes da ocupação. Então, que não haja dúvidas: A situação para o povo palestino é intolerável. E os Estados Unidos não vão voltar as costas às legítimas aspirações palestinas de dignidade, oportunidade e de um estado seu.

Durante décadas, tem existido um impasse: dois povos com legítimas aspirações, cada um com uma dolorosa história, o que torna os compromissos difíceis. É fácil atribuir a culpa – para os palestinos a deslocação, como resultado da fundação de Israel, e para os israelitas a constante hostilidade e os ataques realizados, ao longo da sua história, dentro e fora das suas fronteiras. Mas se olharmos o conflito a partir de apenas um dos lados ou do outro, então estaremos cegos à verdade: a única solução para as aspirações de ambas as partes será encontrada através de dois estados, em que israelitas e palestinos vivam em paz e a segurança.

É do interesse de Israel, é do interesse da Palestina, é do interesse dos Estados Unidos e do interesse do mundo inteiro. É por isso que eu pretendo prosseguir pessoalmente este resultado com toda a paciência e dedicação que a tarefa exige. As obrigações – as obrigações que as partes acordaram no Roteiro são claras. Para alcançar a paz, é tempo para eles - e para todos nós – cumprirmos com as nossas responsabilidades.

Os palestinos devem desistir da violência. A resistência através da violência e da matança é errado e não terá êxito. Durante séculos, os negros nos Estados Unidos sofreram o açoite do chicote como escravos e a humilhação da segregação. Mas não foi a violência que conquistou a plena igualdade de direitos. Foi uma pacífica e resoluta perseverança nos ideais centrais dos fundamentos dos Estados Unidos. A mesma história pode ser contada pelos povos da África do Sul ao Sul da Ásia; da Europa Oriental à Indonésia. É uma história com uma verdade muito simples: que a violência é um beco sem saída. Não é sinal nem de coragem nem de força lançar foguetes contra crianças dormindo, ou fazer explodir velhotas num autocarro. Não é assim que se reivindica a autoridade moral; é assim que a ela se renúncia.

Este é o momento em que os palestinos se deveriam concentrar naquilo que podem construir. A Autoridade Palestiniana deverá desenvolver a sua capacidade de governar, com instituições que respondam às necessidades de seu povo. O Hamas tem apoio entre alguns palestinos, mas também tem de reconhecer que tem responsabilidades. Para desempenhar um papel na realização das aspirações dos palestinos, para unir o povo palestino, o Hamas tem de pôr um fim à violência, reconhecer acordos passados e reconhecer o direito de Israel a existir.

Ao mesmo tempo, Israel deve reconhecer que, tal como não lhe pode ser negado o direito de existir, o mesmo se deve aplicar à Palestina. Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade da contínua colonização israelita. Esta actividade viola acordos anteriores e compromete os esforços para alcançar a paz. É tempo para essa colonização parar.

E Israel também tem de cumprir as suas obrigações para garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver a sua sociedade. Da mesma maneira que é devastador para as famílias palestinas, a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza, esta não contribui para a segurança de Israel; nem de igual modo, a continuada a falta de oportunidades na Cisjordânia. Os progressos na vida quotidiana do povo palestino devem ser uma parte crítica do caminho para a paz, e Israel deve tomar medidas concretas para permitir esse avanço.

Por último, os Estados árabes devem reconhecer que a Iniciativa Árabe de Paz foi um importante ponto de partida, mas não o fim das suas responsabilidades. O conflito árabo-israelita não deveria ser usado para distrair as pessoas dos países árabes da existência de outros problemas. Pelo contrário, deve ser uma razão para agir ajudando o povo palestino a desenvolver as instituições que irão suster o seu Estado, reconhecendo a legitimidade de Israel, e escolhendo o progresso e não uma contraproducente concentração sobre o passado.

Os Estados Unidos irão alinhar as suas políticas, com aqueles que procuram a paz, e devemos dizer em público aquilo que dizemos em privado aos israelitas, aos palestinianos e aos árabes. Não podemos impor a paz. Mas, privadamente, muitos muçulmanos reconhecem que Israel não vai desaparecer. Da mesma forma que muitos israelitas reconhecem a necessidade de um Estado palestino. É tempo de agirmos com base naquilo que todos sabemos que é verdade.

Demasiadas lágrimas têm sido derramadas. Demasiado sangue foi derramado. Todos temos a responsabilidade de trabalhar para o dia em que as mães dos israelitas e dos palestinos possam ver seus filhos crescer sem medo; quando a Terra Santa das três grandes religiões for o lugar de paz que Deus planeou que fosse; quando Jerusalém for um seguro e duradouro lar para Judeus, Cristãos e Muçulmanos e um lugar onde todos os filhos de Abraão confraternizem pacificamente como na história da Isra [1], quando Moisés, Jesus e Maomé, que a paz esteja com eles, se juntaram para rezar.
…”
[1] A Isra, viagem nocturna, refere-se à viagem que, numa só noite, o profeta Maomé realizou de Meca a Jerusalém e depois ao paraíso e aos infernos.

23 janeiro, 2009

Guerra e gás natural: A invasão de Israel e os campos de gás no offshore de Gaza

Michel CHOSSUDOVSKY


A invasão militar da Faixa de Gaza pelas forças israelenses prende-se directamente com o controlo e propriedade das reservas estratégicas de gás natural na sua plataforma marítima. Esta é uma guerra de conquista.

Descobertas em 2000, são extensas as reservas de gás presentes ao longo do offshore de Gaza. À British Gas (BG Group) e ao seu parceiro Consolidated Contractors International Company (CCC) com sede em Atenas, propriedade das famílias libanesas Sabbagh e Koury, foram dados os direitos de exploração de petróleo e gás num acordo de 25 anos assinado em Novembro de 1999 com a Autoridade Palestina.

Os direitos de exploração costeira das jazidas de gás são, respectivamente, da British Gas (60%); Consolidated Contractors (CCC) (30%); e o Fundo de Investimento da Autoridade Palestina (10%). ( Haaretz, 21/Outubro/2007).

O tratado AP-BG-CCC inclui o desenvolvimento da jazida e a construção de um gasoduto. (Middle East Economic Digest, 05/Janeiro/2001).

A licença da BG cobre toda a zona marítima costeira de Gaza, que é contígua a várias instalações de gás marítimas de Israel (ver mapa abaixo).

Mapa 1

De ressalvar que 60 por cento das reservas de gás ao longo do litoral Gaza-Israel pertencem à Palestina.

O BG Group abriu dois furos em 2000: Gaza Marine-1 e Gaza Marine-2 . As reservas, segundo estimativa da British Gas, são da ordem dos 40 mil milhões de metros cúbicos [1,4 x 10 12 pés cúbicos], avaliados em aproximadamente 4 mil milhões de dólares. Estes são os números anunciados pela British Gas. A dimensão das reservas de gás da Palestina pode ser bastante maior.
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Mapa 2

QUEM POSSUI OS CAMPOS DE GÁS

O tema da soberania sobre os campos de gás de Gaza é crucial. Do ponto de vista legal, as reservas pertencem à Palestina.

A morte de Yasser Arafat, a eleição do governo do Hamas e a ruína da Autoridade Palestiniana permitiram a Israel estabelecer um controlo de facto sobre as reservas de gás costeiras de Gaza.

A British Gas (BG Group) tem estado a negociar com o governo de Tel Aviv. Por sua vez, o governo do Hamas foi ignorado no que se refere à exploração e direitos de desenvolvimento das jazidas de gás.

A eleição do primeiro-ministro Ariel Sharon em 2001 foi um ponto de viragem.

A soberania da Palestina sobre as reservas costeiras de gás foi desafiada no Supremo Tribunal de Israel. Sharon afirmou inequivocamente que "Israel nunca compraria gás à Palestina", insinuando ainda que as reservas costeiras de Gaza pertenciam a Israel.

Em 2003 Ariel Sharon vetou um acordo inicial que permitiria à British Gas fornecer a Israel gás natural vindo dos furos costeiros de Gaza. ( The Independent, 19/Agosto/2003)

A vitória do Hamas nas eleições de 2006 conduziu ao fim da Autoridade Palestiniana, que ficou confinada à Cisjordânia, sob o regime fantoche de Mahmoud Abbas.

Em 2006, a British Gas "esteve próxima de assinar um acordo para enviar o gás para o Egipto." ( Times, 23/Maio/2007). De acordo com o relatado, o primeiro-ministro britânico Tony Blair interveio em nome de Israel com o propósito de bloquear o acordo com o Egipto.

No ano seguinte, em Maio de 2007, o governo israelense aprovou a proposta do primeiro-ministro Ehud Olmert "para comprar gás à Autoridade Palestiniana".

O contrato proposto foi de 4 mil milhões de dólares, com lucros na ordem dos 2 mil milhões de dólares, dos quais mil milhões iriam para os palestinianos. Tel Aviv, no entanto, não tinha qualquer interesse em dividir os seus ganhos com a Palestina.

Uma equipa de negociadores de Israel foi encarregada pelo governo de refazer o acordo com a BG Group, sem intervenção do governo do Hamas e da Autoridade Palestiniana:

"As autoridades militares israelenses querem que os palestinianos sejam pagos em bens e serviços e insistem que não haja qualquer dinheiro a ser entregue ao governo controlado pelo Hamas". (Ibid, ênfase acrescentada)

O objectivo era essencialmente anular o contrato assinado em 1999 entre o BG Group e a Autoridade Palestina sob Yasser Arafat.

Segundo o acordo proposto em 2007 à BG, o gás palestiniano dos poços costeiros de Gaza seria canalizado por um gasoduto marítimo para o porto israelense de Ashkelon, transferindo portanto o controlo da venda do gás natural para Israel. O negócio falhou. As negociações foram suspensas:
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"O chefe da Mossad, Meir Dagan, opôs-se à transacção por motivos de segurança, afirmando que o dinheiro serviria para financiar o terrorismo". (Gilad Erdan, deputado do Knesset, dirigiu-se à câmara, acerca da "Intenção do primeiro-ministro adjunto Ehud Olmert de comprar gás aos palestinianos quando o pagamento servirá o Hamas", 01/Março/2006, citado pelo general na reserva Moshe Yaalon em Does the Prospective Purchase of British Gas from Gaza's Coastal Waters Threaten Israel's National Security? Jerusalem Center for Public Affairs, Outubro 2007).
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A intenção de Israel era impedir a possibilidade de o dinheiro ser recebido pelos palestinos.
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Em Dezembro de 2007 o BG Group retirou-se das negociações e em Janeiro de 2008 encerrou os seus escritórios em Israel. (sítio web da BG).

PLANO DE INVASÃO NA MESA DE PROJECTOS

O plano de invasão da Faixa de Gaza sob a "Operação Chumbo Fundido" foi iniciado em Junho de 2008, segundo fontes militares israelenses:

"Fontes militares afirmam que o ministro da Defesa Ehud Barak deu instruções às forças de defesa de Israel (IDF) para prepararem a operação há mais de seis meses (Junho ou antes de Junho), mesmo antes de Israel começar a negociar o acordo de cessar-fogo com o Hamas". (Barak Ravid, Operation "Cast Lead": Israeli Air Force strike followed months of planning [Operação "Chumbo Fundido": Ataque da Força Aérea Israelense após meses de planeamento], Haaretz, 27 de Dezembro de 2008)

Nesse mesmo mês as autoridades de Israel contactaram a British Gas, com vista a retomarem as negociações cruciais para recomeçar a compra do gás natural de Gaza:

"Tanto o director-geral do ministério das Finanças Yarom Ariav como o director-geral do ministério das Infraestruturas Nacionais Hezi Kugler concordaram em informar a BG do desejo de Israel em retomar as conversações. As fontes informam ainda que a BG não respondeu oficialmente ao pedido de Israel, mas que executivos da empresa provavelmente virão ao país em poucas semanas para conversar com membros do governo." (Globes online- Israel's Business Arena, 23 de Junho, 2008)

A decisão de acelerar as negociações com a British Gas (BG Group) coincidiu cronologicamente com o planeamento da invasão de Gaza, iniciado em Junho. Parecia que Israel estava ansiosa para chegar a acordo com o BG Group antes da invasão, que estava já numa fase avançada do planeamento.

Mais ainda, as negociações com a British Gas foram conduzidas pelo governo de Ehud Olmert com o conhecimento de que a invasão militar estava na mesa de projectos e que um novo acordo politico-territorial para a Faixa de Gaza estava a ser contemplado por Israel.

De facto, as negociações entre a British Gas e os representantes israelenses ainda estavam a decorrer em Outubro de 2008, dois a três meses antes do início dos bombardeamentos a 27 de Dezembro.

Em Novembro de 2008, os ministérios israelenses das Finanças e das Infraestruturas Nacionais deram indicações à IEC (Israel Electric Corporation) para começar a compra de gás natural à concessão da BG em Gaza. (Globes, 13/Novembro/2008)

"O director-geral do ministério das Finanças, Yarom Ariav e o director-geral do ministério das Infraestruturas Nacionais, Hezi Kugler, escreveram recentemente ao presidente da IEC, Amos Lasker, informando-o da decisão do governo de permitir que negociações começassem, em consonância com o quadro de referência aprovado este ano.

A direcção da IEC, liderada pelo presidente Moti Friedman, aprovou os princípios da proposta do quadro de referência há poucas semanas. As conversações com o BG Group começarão assim que a direcção aprove a isenção de uma licitação". (Globes, 13 de Novembro, 2008)

GAZA E GEOPOLÍTICA ENERGÉTICA

A ocupação militar de Gaza tem o objectivo de transferir a soberania dos campos de gás para Israel, em violação das leis internacionais.

O que se pode esperar em consequência da invasão?

Qual é a intenção de Israel em relação às reservas de gás natural da Palestina?

Um novo acordo territorial, com a instalação de Israel e/ou tropas de "manutenção da paz"?

A militarização de todo o litoral de Gaza, que é estratégico para Israel?

O confisco puro e simples dos campos de gás palestinos e a declaração unilateral da soberania israelense sobre as áreas marítimas de Gaza?

Se isto ocorresse, as jazidas de gás de Gaza seriam integradas nas instalações costeiras de Israel, que são contíguas às da Faixa de Gaza. (Ver Mapa 1 acima).

Estas várias instalações costeiras estão ligadas ao corredor de transporte energético que se estende do porto de Eilat, um terminal de oleodutos no Mar Vermelho para transporte marítimo, até ao terminal de Ashkelon e na direcção norte para Haifa, eventualmente ligando-se através de um projectado gasoduto israelo-turco com o porto turco de Ceyhan. Ceyhan é o terminal das condutas Trans-Caspianas: Baku, Tblisi, Ceyhan (BTC).

"O que está planeado é ligar as condutas BTC às condutas Trans-Israel Eilat-Ashkelon, também conhecida como a Tipline de Israel." (Ver Michel Chossudovsky, The War on Lebanon and the Battle for Oil (A Guerra com o Líbano e a batalha pelo petróleo), Global Research, 23/Julho/2006).
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Mapa 3
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Autor: Michel Chossudovsky
Canadiano, economista, professor de Economia da Universidade de Otava.
Chossudovsky leccionou como professor visitante em universidades na Europa Ocidental, América Latina e sudeste da Ásia, tem actuado como conselheiro económico de governos dos países em desenvolvimento e tem trabalhado como consultor para organizações internacionais, incluindo o Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o Banco Africano de Desenvolvimento, o Instituto Africano para o Desenvolvimento Económico e Planeamento (AIEDEP), o Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Mundial de Saúde (OMS), a Comissão Económica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Em 1999, Chossudovsky, ingressou na Transnational Foundation for Peace and Future Research como conselheiro. Membro de organizações de investigação, que incluem o Comité das Estatísticas Monetárias e Reforma Económica (COMER), o Geopolitical Drug Watch (OGD) (Paris) e o International People's Health Council (IPHC).


Chossudovsky é um activista do movimento anti-guerra no Canadá, e tem escrito extensivamente sobre a guerra na Jugoslávia.

Após os ataques terroristas de 11 de Setembro tem-se envolvido em esclarecer a relação histórica entre o governo dos E.U.A., Bin Laden e a Al Qaeda.

Colaborador frequente do Le Monde Diplomatique, Third World Resurgence e Covert Action Quarterly.

As suas obras já foram traduzidas em mais de vinte idiomas.

O seu último livro é intitulado: America’s "War on Terrorism"

Editor no
Centro de Investigação sobre Globalização.

O Centro de Investigação sobre Globalização afirma estar "empenhado em refrear a onda de" globalização "e" desarmar "a nova ordem mundial".
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Tradução de João Camargo
João Camargo é colaborador do site http://resistir.info/, parceiro da Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade linguística.
(Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.)