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25 janeiro, 2011

Avigdor Lieberman em Lisboa. Comunicado do Comité de Solidariedade com a Palestina

Sócrates e Amado recebem um símbolo do apartheid
e do terrorismo de Estado

O Comité de Solidariedade com a Palestina manifesta o mais vivo repúdio pela visita a Lisboa de Avigdor Lieberman, ministro israelita dos Negócios Estrangeiros e figura de proa do partido da extrema-direita Israel Beitenu.

Raia a provocação que o Governo de Portugal e, nomeadamente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal recebam esta visita depois de o Estado português ter condenado os crimes de guerra israelitas contra a Faixa de Gaza por ocasião da votação do relatório Goldstone e sabendo-se que Israel prossegue a sua política colonialista de apartheid e de ocupação da Palestina, que persiste nas suas acções de limpeza étnica contra os árabes israelitas que vivem no seu território e contra os palestinianos nos territórios ocupados, que desrespeita, com a arrogância que se lhe conhece, os mais elementares Direitos Humanos e o Direito Internacional, que se recusa insolentemente a observar as inúmeras Resoluções quer do Conselho de Segurança quer da Assembleia Geral das Nações Unidas, que persegue e pune os seus próprios cidadãos israelitas que não se conformam com a política de terror contra o Povo Palestiniano indefeso, que se afirma, com toda a hipocrisia, como a única «democracia» do Médio Oriente.

Duplamente escandalosa é a recepção dispensada a Lieberman, precisamente quando o parceiro israelita do PS, o Partido Trabalhista, rompe com o Governo e com o seu ex-líder Ehud Barak porque, mesmo para o sionismo militante dos trabalhistas, já se tinha tornado indigesto o estilo do Governo de extrema-direita – intratável, ultimatista e inconveniente nos areópagos internacionais.

É certo que Lieberman passa em Portugal no regresso duma visita à Grã-Bretanha e que não foi aí recebido como um pária da diplomacia internacional (bem ao contrário da sua antecessora no cargo, a ex-ministra Tzipi Livni, que tivera de cancelar uma visita a Londres por pender contra ela um mandato de captura, devido aos crimes de guerra de que era co-responsável na agressão contra a Faixa de Gaza). Mas é só uma questão de tempo até que os crimes de Lieberman, o falcão, comecem a ser tão investigados e conhecidos como os de Livni, a “pomba”. Alguns deram já azo a ondas de indignação em todo o mundo, como o assassínio no Dubai do dirigente do Hamas, Mahmoud al-Mabhouh, com passaportes falsificados de vários outros países; ou como a mortífera acção de pirataria israelita contra a “Flotilha da Liberdade”, em águas internacionais.

Concluímos portanto sublinhando que está a ser recebido em Lisboa um criminoso da guerra suja da Mossad e um falsário internacional de grande calibre, no mesmo dia em que o Peru anuncia reconhecer o Estado palestiniano nas fronteiras de 1967, e num lapso de poucas semanas em que os principais países latino-americanos, incluindo o Brasil, se sucedem a dar esse passo simbólico. A diplomacia portuguesa anda em más companhias e em contra-mão das tendências da diplomacia mundial.

Comité de Solidariedade com a Palestina

Lisboa, 25 de Janeiro de 2011

14 julho, 2010

Embaixada de Israel critica Portugal; RTP "altera" agenda ministerial

A embaixada de Israel em Lisboa - o único país do Médio Oriente que detém armas nucleares e um dos que não respeita de forma persistente e continuada o direito internacional e os direitos humanos, quer os do povo palestino, quer, ultimamente, os dos seus próprios cidadãos - criticou o facto de Portugal receber Manucher Mottaki, o Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano.

O chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, não comentou as críticas, mas refere que Portugal segue a fórmula de Bruxelas: sanções e negociações.

Segundo uma peça da RTP1, donde foi respigada a notícia: "A agenda de trabalho incluiu a questão do armamento nuclear iraniano [?] e direitos humanos."

Não sei quem foi o "inventor" que redigiu a tele-notícia, inserta no fim deste post, para que conste, ou se em vez de se basear no comunicado do MNE, que abaixo transcrevo, se baseou nalgum comunicado de imprensa da Embaixada de Israel em Lisboa, mas o certo é que a RTP informou mal e distorceu os factos.

Luís Amado recebe homólogo do Irão

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros recebe hoje o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, no quadro de uma deslocação a Portugal realizada a pedido deste.

No decurso do encontro entre os dois Ministros serão naturalmente evocados com o Irão, país com o qual Portugal mantém relações diplomáticas baseadas num legado histórico e cultural multisecular, temas da agenda bilateral e multilateral, incluindo em matéria de Direitos Humanos.

O programa nuclear do Irão será também abordado.

Recorde-se a este respeito que a política adoptada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, através da Resolução 1929, de 9 e Junho, e pela União Europeia, na sequência da Declaração do Conselho Europeu de 17 de Junho, assenta no binómio sanções e negociações que Portugal apoia e subscreve.

Com o reforço dos mecanismos sancionatórios, a via do diálogo constitui forma privilegiada de manter a porta aberta para uma resolução abrangente e duradoura dos problemas pendentes, que restaure a confiança internacional na natureza pacífica do programa nuclear iraniano . Nesse sentido, Portugal congratula-se com o facto de, ao nível da União Europeia, a Alta Representante Catherine Ashton ter acordado com o Negociador-Chefe do Irão para as questões nucleares, Dr. Saeed Jalili, o reatamento do processo negocial, em momento e em lugar a estabelecer entre as Partes.

A prova da desinformação. Ao serviço de quem?