Mostrar mensagens com a etiqueta UEFA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta UEFA. Mostrar todas as mensagens

07 outubro, 2010

Afastamento de Israel das competições europeias se continuar a não permitir a livre circulação de atletas palestinos

Segundo o Haaretz, de ontem, 6 de Outubro, o presidente da UEFA, Michel Platini teria prometido a exercer sua influência no afastanento de Israel das competições europeias.

O chefe do órgão regulador do futebol europeu disse a um alto funcionário da Autoridade Palestina que Israel está em perigo de expulsão da UEFA, se o seu governo não mudar as suas políticas de limitar a liberdade de circulação de atletas palestinos, de acordo com notícias na media árabes e palestinos.

Durante uma reunião, na Cisjordânia, no final de Setembro com o presidente do Comité Olímpico palestino Jibril Rajoub, o Presidente da UEFA, Michel Platini teria prometido exercer a sua influência no afastamento de Israel da competição europeia devido á recusa das autoridades em permitir que membros da equipa nacional palestina de futebol participassem em jogos devido a "razões de segurança."

“Aceitámos Israel na Europa e por isso Israel deve respeitar as leis e regulamentos que exigem a liberdade de circulação dos jogadores", terá dito Platini a Rajoub. "Se Israel não faz isso, irá arcar com graves consequências e é susceptível de ser expulso das competições europeias."

Um porta-voz da UEFA declarou que a organização não pode confirmar nem negar que tais declarações tenham sido feitas, uma vez que não comenta sobre conversas privadas mantidas entre dois dirigentes.

Fontes da UEFA e da FIFA, o órgão internacional de direcção do futebol, afirmaram que os seus dirigentes estão indignados com as dificuldades que Israel impõe aos atletas da Autoridade Palestina.

O presidente do Comité Olímpico Internacional expressou preocupação ontem sobre os "obstáculos" que enfrentam os atletas palestinos e exortou Israel a conceder-lhes livre circulação, independentemente da política.

Aa autoridades palestinas afirmam que Israel, rotineiramente, dificulta a circulação de atletas palestinos, particularmente os da Faixa de Gaza controlada pelo Hamas. Israel nega as acusações.

Fazendo a sua primeira viagem à Cisjordânia, Jacques Rogge, disse que há "uma voz unânime" no mundo do desporto para que os governos permitam que os atletas possam viajar livremente. "O Comité Olímpico Internacional é para o desporto, não uma organização política ou de soberania", afirmou. "Vou tentar convencer as pessoas com quem falarmos... por isso vamos concentrar os nossos esforços em eliminar os obstáculos."

Rogge reuniu com líderes palestinos e assistiu a uma partida de futebol na Cisjordânia antes de seguir para Israel onde se encontrará com o presidente Shimon Peres e outros dignitários. No meio de uma visita de quatro dias à região, que também incluiu uma paragem na Jordânia, Rogge disse que iria levantar a questão da livre circulação com os israelitas.

Bilal Abualarish, porta-voz do Comité Olímpico da Palestina, disse que a equipe de futebol de 30 jogadores vive em diversos países e luta para entrar na Cisjordânia para treinar ou para jogar. A comissão tem dificuldade no planeamento de horários de treino, porque não sabem quando é que os jogadores irão chegar.

Ao capitão da equipa palestina de futebol, Ahmed Kashkash, natural de Gaza, não foi possível jogar no jogo de ontem porque as autoridades israelitas não lhe permitiram entrar na Cisjordânia, vindo da vizinha Jordânia.

Guy Inbar, porta-voz do Ministério de Defesa, disse que Israel não tem por alvo especificamente os atletas, mas às vezes levanta preocupações sobre indivíduos. Um funcionário da agência de segurança Shin Bet, falando na condição de anonimato, nos termos da regulamentação da agência, disse que Israel tinha aprovado autorizações especiais de viagem para jogadores de futebol palestinos nas últimas semanas.

Rajoub afirmou ontem que os palestinos também tem encontrando dificuldades na construção de estádios e na importação de artigos desportivos devido às restrições israelitas.

O Comité Olímpico de Israel afirmou que ficaria satisfeito em ajudar os seus parceiros palestinos a superar quaisquer obstáculos burocráticos, mas disse que os palestinos nunca os tinham contactado.

As autoridades palestinas afirmaram que cerca de 70% dos seus atletas olímpicos trabalham em vários serviços de segurança palestinos e, que portanto, são olhados com desconfiança pelas autoridades israelitas e que com frequência enfrentam restrições de viagem. Rajoub é, ele próprio, um ex-comandante da segurança da Cisjordânia.

Sobre o mesmo tema:

2010.08.11 - Atletas da Federação Palestina de Futebol impedidos de participar a nível internacional por Israel

2010.08.13 - Federação de Futebol da Palestina protesta na FIFA contra proibição de Israel

14 setembro, 2010

Hoje, 14/9, 19:00 Concentração pelo Boicote-Desinvestimento-Sanções a Israel

Blogmaton adere à campanha internacional de Boicote-Desinvestimento-Sanções a Israel, pela Palestina e pela Paz

"Em plena campanha internacional de Boicote-Desinvestimento-Sanções a Israel, uma equipa israelita é aceite na Liga dos Campeões e joga amanhã hoje contra o Benfica, no seu primeiro de três jogos na Europa.

Uma concentração de protesto terá lugar amanhã hoje, 14 de Setembro, a partir das 19 horas, à saída do túnel proveniente do Centro Comercial Colombo."

Este é teor de um comunicado que me foi enviado ontem, pelo Comité Palestina, e que só há pouco tive conhecimento e que subscrevo, apesar de não poder estar presente.

Este comunicado foi acompanhado por um documento em pdf que irá ser distribuído durante a concentração subscrito pela Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, pelo Comité de Solidariedade com a Palestina e pelo Colectivo Mumia Abu-Jamal.

Nesse comunicado faltou assinalar que em Agosto, a Federação Palestina de Futebol apresentou uma reclamação na FIFA sobre a decisão israelita de impedir seis jogadores da selecção palestina de deixar a Cisjordânia para um jogo amistoso contra a Mauritânia. Que se saiba a FIFA ainda não respondeu a este acto de discriminação.

Aliás esta foi mais uma razão para a minha decisão em apoiar a campanha de Boicote, Desinvestimento e Sanções pela Paz no Médio Oriente.

Ao longo do tempo sempre concordei em apoiar o boicote aos produtos, bens e serviços provenientes de organizações instaladas nos territórios palestinos ilegalmente ocupados por Israel - leia-se colonatos - sempre na expectativa de que a voz do povo de Israel se fizesse ouvir pelo fim da ocupação ilegal, contra a colonização e o apartheid, e pela Paz, na defesa de valores éticos e morais que tanto proclama e que muito pouco afirma em acções concretas.

O meu amigo Uri Avnery, que muito prezo, não é favorável à Campanha de Boicote, Sanções e Desinvestimento, mais alargada, contra Israel. Teme que isso una ainda mais os judeus, em torno de consignas nacionalistas, conservadoras e ultra-ortodoxas. Penso que esse clímax já ocorreu nas últimas eleições para o Knesset, em 2008.

Assim chegou o tempo, talvez mais tarde do que cedo para mim, de assumirmos as nossas responsabilidades individuais e colectivas, e exigirmos dos nossos fornecedores, dos nossos Governos e das Organizações internacionais uma maior responsabilidade na definição dos caminhos da paz que passam de uma vez por todas pelo boicote, aos produtos e serviços israelitas, pelas sanções a todos os níveis pelo não cumprimento das decisões dos órgãos internacionais, nomeadamente as resoluções dos competentes órgãos das Nações Unidas, ou pelo desrespeito das normas de direito internacional, de direito humanitário e dos direitos humanos e ainda pelo desinvestimento, nomeadamente através de subsídios e linhas de crédito atribuídas pela União Europeia e outras organizações internacionais ou nacionais.

Acresce ainda dizer no tocante ao boicote desportivo e neste caso concreto ao futebol que a desculpa do costume "A política nada tem a ver com o futebol" dos diversos organismos internacionais e nacionais, nao tem qualquer fundamento.

Se não vejamos:

Se equipas de um país (Israel) que aleatoriamente e ciclicamente não permite a saída de desportistas nacionais de um território que ilegalmente ocupa (Palestina) - a última discriminação ocorreu em Agosto e foi acima referida - e onde vigora um regime de repressão, opressão e apartheid, imposto pela força militar de ocupação, podem competir em países onde a liberdade, a democracia e os direitos humanos são valores fundamentais, normalizando e branqueando assim a sua imagem, perante o público internacional. A sua participação ganha então foros políticos.

Aliás a expressão “…sem qualquer discriminação com base na política, género, religião, raça ou qualquer outra razão;” plasmada nos estatutos da UEFA, correcta nos seus princípios fundadores, não faz qualquer sentido se for interpretada de maneira a aceitar que, um qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo possa ter o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades correctamente enunciados nesses mesmos fundamentos, sem ser sancionado.