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26 agosto, 2010

Israel não coopera com investigação do Conselho dos Direitos Humanos da ONU

Um funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) informou na passada terça-feira, 24, que Israel não está a cooperar com a Comissão de Investigação nomeada a 23 de Julho, pelo Conselho de Direitos Humanos, para investigar o incidente, ocorrido em 31 de Maio, quando uma força naval israelita interceptou, em águas internacionais, uma frota que seguia para a Faixa de Gaza com ajuda humanitária, e abordou violentamente um dos navios de pavilhão turco, o Mavi Marmara, provocando a morte de nove activistas que seguiam a bordo, oito turcos e um turco-americano e dezenas de feridos.

Juan Carlos Monge, que é o responsável por acompanhar os peritos investigadores da Comissão, disse que estavam a entrevistar testemunhas e a dialogarem com as autoridades da Turquia e da Jordânia, mas, afirmou, que a Comissão só poderá falar com os soldados israelitas envolvidos no ocorrido se tiver autorização do governo de Israel.

Israel não fez comentários a esse respeito, mas desde a criação desta Comissão fontes oficiais israelitas mostraram pouca vontade de cooperar.

A comissão apresentará as suas conclusões no próximo dia 27 de Setembro.

Recorde-se que o episódio causou revolta na comunidade internacional e fez com que as relações entre Turquia e Israel, anteriormente aliados, se deteriorasem gravemente. 

O incidente também fez com que as atenções internacionais se voltassem para o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza, obrigando Israel a uma alteração na sua política quanto à entrada de bens essenciais e de mercadorias no território palestino – altamente aleatória e restritiva quer quanto à quantidade, quer quanto à variedade.

Esta alteração é uma mera tentativa para alterar a percepção da opinião pública mundial quanto a este crime no tocante aos direitos humanitários e os direitos humanos. No entanto esta “revisão” tem mostrado até agora um alcance bastante limitado, conforme se pode verificar consultando os relatórios semanais da agência das Nações Unidas, OCHA, quanto à situação nos territórios palestinos ocupados.

Por outro lado Israel continua a restringir as exportações e a mobilidade das pessoas.

Neste momento Israel conduz uma investigação interna sobre o caso, através de uma comissão nomeada pelo governo, a Comissão Turkel, que depois de alguma pressão se viu obrigado a ampliar os poderes dessa comissão e a nela integrar dois observadores estrangeiros, também eles escolhidos entre “amigos”. Solução que continua a ser julgada insatisfatória por sectores da sociedade israelita.

Esta investigação, que foi montada para não responder a uma exigência internacional para a realização de uma investigação independente, segue-se a uma outra realizada no âmbito militar cujas conclusões se restringiram aos erros de planeamento e execução deixando de lado as vítimas.

Existem ainda duas outras comissões a investigar o incidente

Uma da Turquia, de nomeação governamental, e outra recém-nomeada (a 2 de Agosto) pelo Secretário-Geral da ONU, numa tentativa clara, em minha opinião, de minimizar o trabalho e os eventuais resultados da comissão de especialistas independentes nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos.

Essa comissão aliás só avançou após ter recebido o acordo de Israel, que por certo condicionou directamente, ou indirectamente através dos E.U.A., a sua composição e assim os seus resultados.

Aliás basta atentar na sua composição – não de especialistas mas sim de políticos – onde campeia como vice-presidente, um estrénuo aliado dos interesses norte-americanos na América do Sul: Alváro Uribe.

De facto, voltando um pouco atrás, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU nomeou em 23 de Julho, uma comissão de inquérito internacional independente, de peritos, ao ataque israelita ao comboio naval de ajuda humanitária, face à inacção do secretário-geral Ban Ki-moon, que ia dilatando no tempo a sua obrigação de nomear a comissão de inquérito a que estava obrigado por deliberação do Conselho de Segurança, de 1 de Junho.

Entretanto esta decisão "obrigou" Ban Ki-moon, em meu entendimento, para tentar "controlar" o processo, a finalmente nomear uma nova comissão, passados 60 (sessenta) dias.

É que a nomeação de uma comissão de investigação internacional e independente não ia de encontro dos melhores interesses de Israel e logo dos Estados Unidos e dos seus aliados.

Os resultados de uma tal investigação poderão ser tão ou mais ruinosos para a credibilidade de Israel do que os do “Relatório Goldstone” sobre a agressão à Faixa de Gaza que se encontra “congelado” para ver se a opinião pública internacional o esquece.

Assim a tentativa era escusar-se a nomear uma tal comissão e a tentar tapar o Sol com a peneira, utilizando porventura os resultados da Comissão Turkel.

Não sendo possível era preciso encontrar rapidamente uma solução e em 9 (nove) dias apenas Ban Ki-moon tira uma Comissão de Investigação política da cartola, chefiada por Geoffrey Palmer, (ex-primeiro-ministro neozelandês) a que Israel “forçadamente” aderiu tentando evitar um "mal maior" tipo "Relatório Goldstone".

Esta comissão "política" é composta, para além de Palmer, por Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, como vice-presidente, e por um representante da Turquia e outro de Israel.

Curiosamente a Comissão espera concluir os seus trabalhos em meados de Setembro, ou seja, antes da Comissão de Investigação nomeada pelo CDH.

Em meu entendimento esta comissão, desde logo pela sua composição, não atingirá o objectivo a que se propôs: a descoberta da verdade sobre o ataque israelita de 31 de Maio ao comboio de navios transportando ajuda humanitária para a faixa de Gaza, onde se destaca a abordagem em águas internacionais, ao navio mercante de pavilhão turco Mavi Marmara, donde resultou a morte de 9 civis e ferimentos em dezenas de outros.

15 agosto, 2010

Harakiri? por Uri Avnery

Se Deus quiser, mesmo uma vassoura pode disparar - assim escrevi após a nomeação da comissão Turkel. Estava a citar um adágio judaico, na esperança de que, apesar de tudo, alguma coisa iria sair dali.

A comissão nasceu em pecado. Aqueles que a nomearam não estavam interessados em descobrir a verdade mas em impedir a criação de uma comissão internacional de investigação ou um Conselho de Inquérito Estatal. Os "termos de referência", que foram prescritos à Comissão foram extremamente estreitos. No princípio, a comissão não tinha poderes para obrigar  a comparecer testemunhas perante ela.

Em suma: uma comissão sem asas, um cabo de vassoura sem vassoura.

Eu esperava que os membros da comissão não iriam concordar em dançar ao compasso da música do governo. Ainda hoje é muito cedo para julgar se passaram este teste mas já pode ser dito: Eles quebraram as suas cadeias.

Depois do depoimento, esta semana, das três testemunhas centrais  - Binyamin Netanyahu, Ehud Barak e Gabi Ashkenazi - já se pode extrair a primeira conclusão: a comissão está a ignorar os termos de referência que lhe foram impostos. Os termos desapareceram. A comissão mal mencionou o assunto de que foi incumbida de explorar - o direito internacional - e em vez disso pegou em tudo o resto.

Isso não foi difícil, porque todas as três testemunhas violaram os termos de referência que eles próprios haviam moldado. 

Cada uma delas estava tão ansiosa por demonstrar como era honesta e sábia, que o tema oficial da investigação foi quase esquecido.

Assim, um fait accompli foi estabelecido: a Comissão não está mais restringida pelos termos de referência, mas está a lidar com todos os aspectos da falhada operação. (Os termos de referência podem, contudo, aparecer novamente quando chegar a hora de elaborar as suas conclusões).

Foi interessante observar como os três testemunhos foram recebidos pela media.

Quase toda a media caiu em cima das duas primeiras testemunhas e glorificou a terceira.

Netanyahu foi negligente ao ponto da frivolidade, colocando toda a responsabilidade sobre Barak e nem sequer controlou os factos. Afinal, ele estava fora [de Israel] no momento, então o que é que eles querem dele, foi Barak, que geriu o assunto sozinho.

Depois de a media o ter atacado ferozmente, Netanyahu rapidamente convocou uma conferência de imprensa improvisada e de forma imponente anunciou que assumia toda a responsabilidade.

Barak foi mais cuidadoso. Falou sem parar, afogando a comissão numa enxurrada de detalhes e também assumiu a responsabilidade, mas logo a passou, escadas abaixo, para os militares. O governo, afirmou, decide sobre a missão, cabe aos militares a responsabilidade pela sua implementação. Também foi duramente censurado pela media.

O Chefe do Estado-Maior apontou para os erros na execução da operação que foram cometidos pelos escalões inferiores, pela marinha e pelos serviços de informação das forças armadas, mas com impressionante magnanimidade chamou também a si a responsabilidade por isso.

O seu testemunho foi uma obra-prima. Surpreendentemente, verificou-se que ele era muito mais astuto do que os dois experientes políticos. Enquanto eles pareciam enguias escorregadias, preocupados apenas em se defenderem, ele apareceu como um entusiasta encantador, trapalhão e inocente, um simples soldado, honesto sincero, irradiando a integridade, de quem diz a verdade porque não sabe fazer outra coisa.

Ashkenazi é muito mais esperto do que parece. É verdade, o seu depoimento pode ter sido preparado pelos seus assessores, mas a esperteza de um líder também se expressa na capacidade de escolher conselheiros inteligentes.

Mais uma vez ficou provado que a media - e, aliás, todo o Estado - é controlada pelas forças armadas. As mesmas observações que foram recebidas com vaias quando proferidas por Netanyahu e Barak foram recebidos com atenção reverente, quando vieram do Chefe do Estado Maior. Um coro de admiradores elogiavam-no na TV, na rádio e nos jornais. Que pessoa honesta! Que soldado íntegro! Que comandante equilibrado e responsável! Se havia alguma diferença entre os porta-vozes uniformizados das forças armadas e os correspondentes militares em roupas civis, dificilmente se conseguiria distinguir.

O quadro geral que emergiu a partir dos três depoimentos principais é bastante claro: não existiram preparativos sérios para lidar com a flotilha, embora os planos para isso fossem conhecidos com muitos meses de antecedência. Tudo foi feito de forma amadorística, na famosa tradição de improvisação israelita, " confie em mim" e "vai ser OK".

Os anteriores navios de ajuda [humanitária] transportavam apenas pacifistas não-violentos, e todos assumiram que continuaria a ser assim. Ninguém prestou atenção ao facto de que os activistas turcos vinham imbuídos de uma ideologia bem diferente. Quem se importa, afinal, com o que os turcos estão a pensar. O Mossad glorioso nem sequer se deu ao trabalho de “plantar” um agente, a bordo do navio, entre as centenas de activistas.

O planeamento da operação foi à toa, sem informação suficiente, sem consideração suficiente das alternativas, sem levar em conta possíveis cenários de perigo. Afinal, não é preciso ser um profeta para prever que os activistas turcos, instilados com fervor religioso, se iriam opor energicamente à abordagem de um navio turco, em alto-mar, por soldados israelitas. Que surpresa!

Qual é a conclusão? O Chefe do Estado Maior divulgou-a sem hesitação: da próxima vez, as forças armadas irão usar snipers para abater, um por um, toda a gente no convés (ou, na linguagem dos analistas militares, “os atacantes"), enquanto os soldados descem em rapel dos helicópteros.

Uma vez que Netanyahu e Barak empurraram toda a responsabilidade para as forças armadas, e Ashkenazi apontou falhas no planeamento e execução, novamente surge uma questão prática: como podem os membros da comissão Turkel fazer um trabalho sério quando não estão autorizados a convocar pessoal militar?

Para evitar o problema, o Chefe do Estado Maior jogou-lhes dois ossos: o Advogado-Geral das forças armadas e Giora Eyland serão autorizados a prestar depoimento. (Eyland é o general aposentado que conduziu a investigação interna das forças armadas [sobre o ataque de 31 de Maio ao Mavi Marmara].) Mas isso está longe de ser suficiente. Para cumprir a sua missão, a comissão deve ouvir o depoimento do chefe da Marinha e da sua equipa. Em resposta à petição do Gush Shalom, o Supremo Tribunal já deixou entrever que se Turkel exigir a sua comparência, o tribunal vai obrigar o seu cumprimento.

Nenhuma das três testemunhas aflorou a questão principal: a existência do bloqueio de Gaza em si.

No fatídico encontro de "Os Sete" (os principais ministros), ficou claro que todos eles acreditam na necessidade do bloqueio, bem como na necessidade da repressão violenta de toda e qualquer tentativa para quebrá-lo.

O lado legal da questão é susceptível de provocar muito debate. Parece que a lei internacional não é clara sobre este aspecto, no que diz respeito tanto à imposição como à execução de um bloqueio. A lei não está estabelecida por escrito, num formato consistente. Permite muitas e diferentes interpretações.

A genuína questão, em qualquer caso, não é jurídica, mas moral e política: para que finalidade foi imposto o bloqueio?

Todas as testemunhas que compareceram até agora repetiram o mesmo e coincidente argumento: estamos em guerra com a Faixa de Gaza (independentemente do seu estatuto jurídico), o bloqueio é concebido para impedir a importação de material de guerra. Por isso, é legal e moral.

Mas isso é uma mentira completa.

É muito simples de controlar o movimento de carga por via marítima. Nesses casos, é habitual parar os navios em alto mar, inspeccionar a carga, confiscar material de guerra (se houver) e permitir-lhes continuar o seu caminho. A carga também pode ser inspeccionada no porto de partida.

Estes métodos não foram utilizados, porque toda a questão do material de guerra não é senão um pretexto.

O objectivo do bloqueio é justamente o oposto: para evitar a transferência de bens não-militares, os mesmos bens que também não foram autorizados por via de terrestre: muitos tipos de alimentos e medicamentos, matérias-primas para a indústria, materiais de construção, peças de reposição e muitos outros produtos, desde cadernos para crianças até equipamento para purificação da água.

O pouco que faz a vida suportável veio através dos túneis, a preços muito elevados, muito para além do alcance da maioria dos habitantes.

Desde o princípio, que o objectivo era perturbar a vida normal na Faixa de Gaza, para trazer a população à beira do desespero e induzi-los a se revoltarem e derrubarem o governo do Hamas. Este objectivo foi, obviamente, apoiado pelo governo dos E.U.A.,  pelos seus satélites no mundo árabe e, talvez, como alguns acreditam, pela Autoridade Palestiniana em Ramallah.

Netanyahu alegou no seu depoimento que "não havia nenhuma crise humanitária na Faixa de Gaza". Isso depende muito da interpretação do termo.

É verdade, as pessoas não morrem de fome ou de doença nas ruas. Não era o gueto de Varsóvia. Mas havia desnutrição generalizada entre as crianças, a miséria e a pobreza. O bloqueio causou desemprego generalizado, porque a produção de quase todos os sectores industrial e agrícola foi tornada impossível. Não houve importação de matérias-primas, nenhumas exportações, combustível insuficiente. Os produtos de Gaza não chegaram à Cisjordânia, Israel ou à Europa.

Tudo isso é agora  igualmente verdade, embora a frota [humanitária] tenha parcialmente concretizado a sua missão e assim tenha obrigado o governo israelita a autorizar a entrada de muitos tipos de bens que antes eram bloqueados.

O encerramento do porto de Gaza também tem contribuído para a crise humanitária. Dezassete anos atrás, Shimon Peres escreveu: "O porto de Gaza tem um potencial muito grande para crescer. As mercadorias e cargas que serão ali tratadas e que sairão pelos seus portões a caminho dos seus destinatários em Israel, Palestina, Jordânia, Arábia Saudita e mesmo no Iraque, vão explicar a revolução económica que acontecerá em toda a região.” Talvez Peres deva ser convocado para depor.

A palavra-chave em todos os depoimentos foi a "responsabilidade". Cada testemunha assumiu a responsabilidade e chutou-a tão longe quanto possível – tal e qual os jogadores de futebol que recebem a bola e passam-na para qualquer outro.

O que significa responsabilidade? Era uma vez, um líder japonês que assumiu a responsabilidade pelo insucesso, cravando uma faca na sua barriga - foi designado por Hara Kiri ("cortar a barriga"). Não existe um tal hábito bárbaro no Ocidente, mas existe a demissão de um líder responsável pelo insucesso.
Não aqui. Pelo menos, por agora não. Aqui, uma pessoa que "assume a responsabilidade" evoca louvor. Que coragem! Que nobreza! Ele assume a responsabilidade!

E isso é o fim disso.

In: Uri Avnery's Column

12 agosto, 2010

Chefe das IDF defende ataque à flotilha, reconhece erros e promete mais acção

Chefe das IDF defende ataque à flotilha, reconhece erros e promete mais acção

Neste artigo assinado por Gonçalo Venâncio, informa-se que o Major-General Gabi Ashkenazi, chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), defendeu ontem perante o comité Turkel, - um comité nomeado pelo governo de Israel para tentar tapar o Sol com a peneira e fugir às suas responsabilidades de responder perante uma comissão de investigação internacional independente - a legitimidade do raide israelita à Frota da Liberdade, embora tenha reconhecido erros de avaliação na abordagem das tropas de elite ao Mavi Marmara.

Ashkenazi de acordo com as declarações que o Ionline apresenta como suas é mentiroso.

Para camuflar as responsabilidades do governo israelita e as suas na operação ilegítima e criminosa, contra a Flotilha da Liberdade que se dirigia à Faixa de Gaza, transportando ajuda humanitária, passa um atestado de incompetência à comunidade dos serviços de informações israelitas, que agora servem de bode expiatório e, ao mesmo tempo, ao seu Estado Maior e às suas Forças Especiais, quer no tocante à doutrina, quer ao planeamento da operação, quer ao treino.

Quem seguiu a preparação da Freedom Flotilla sabia que o Mavi Marmara levava cerca de 600 passageiros. Ashkenazi afirma que o seu erro "... foi ter pensado que estavam dez ou 15 pessoas no navio"

Estou certo que a Mossad até terá fornecido informação mais detalhada do que uma simples lista de passageiros e a Direcção dos Serviços de Informação Militar tem-se mostrado suficientemente competente para, neste caso, não ter feito o seu trabalho.

Assim quem planeou a operação tinha todos os dados necessários para prever o curso dos acontecimentos e tempo necessário para preparar e treinar os habituais planos de contingência.

O major-general Ashkenazi até no plano técnico é trapalhão quando, de acordo com o artigo do Ionline, afirma que: "Deveríamos ter usado armas de precisão"

As armas das Forças Especiais já são de uma certa precisão. E as armas de precisão não são possíveis de utilizar numa abordagem pois requerem posições fixas de fogo... senão lá se vai a precisão.

O Ionline esqueceu-se de referir o falhanço político do objectivo que o governo de Israel pretendia atingir com o comité Turquel: afastar um inquérito internacional independente.

De facto o Conselho dos Direitos Humanos da ONU nomeou uma comissão de inquérito internacional independente, de peritos, ao ataque israelita ao comboio naval de ajuda humanitária, em 23 de Julho, face à inacção do secretário-geral Ban Ki-moon, que ia dilatando no tempo a sua obrigação de nomear a comissão de inquérito a que estava obrigado por deliberação do Conselho de Segurança.

Entretanto esta decisão "obrigou" Ban, para "controlar" o processo a finalmente nomear uma nova comissão, chefiada pelo primeiro ministro neozelandês Geoffrey Palmer, a que Israel forçadamente aderiu para tentar evitar um "mal maior" tipo "Relatório Goldstone".

Esta comissão "política" é composta, para além de Palmer, por Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, como vice-presidente, e por um representante da Turquia e outro de Israel.

Em meu entendimento esta comissão, desde logo pela sua composição, não atingirá o objectivo a que se propôs: a descoberta da verdade sobre o ataque israelita de 31 de Maio ao comboio de navios transportando ajuda humanitária para a faixa de Gaza, onde se destaca a abordagem em águas internacionais, ao navio mercante de pavilhão turco Mavi Marmara, donde resultou a morte de 9 civis e ferimentos em dezenas de outros.

Na oportunidade chamo a vossa atenção para uma crónica de Uri Avnery de 6 de Julho de 2009, sobre a conduta ética e moral das Forças Armadas israelitas

10 agosto, 2010

Netanyahu acusa a Turquia no caso da agressão israelita à flotilha humanitária

Benjamin Netanyahu acusa Turquia em caso da flotilha - Mundo - PUBLICO.PT

Acima encontrará o link do despacho da Reuters publicado pelo Público.

Ouvido na Comissão Turkel Netanyahu afirma que a culpa do incidente de 31 de Maio, é do governo turco... que porventura deveria ter controlado os seus cidadãos como o seu governo "nacional"-sionista faz.

Manda a Shabak/Shin Bet (uma espécie de PIDE lá do sítio) bater-lhes à porta e se preciso for prende-os por motivos de segurança. E estou a falar de israelitas, não estou a falar de palestinos.

A Comissão Turkel foi criada por Israel para examinar os aspectos jurídicos do violento ataque de 31 de Maio contra uma frota humanitária que pretendia romper o bloqueio a Gaza.

Esta comissão é composta por cinco membros, entre os quais dois observadores internacionais, e é presidida por um juiz aposentado do Supremo Tribunal de Israel, Yaakov Turkel. Dela fazem parte ainda Bar Ilan, professor de Direito Internacional e o ex Major-General das Forças de Defesa de Israel (IDF) e ex-presidente do Technion, Amos Horey.

Os dois participantes internacionais, que não têm direito a voto, são Lord David Trimble, ex-primeiro-ministro protestante da Irlanda do Norte, e o Brigadeiro-General Kenneth Watkin, ex-advogado geral do exército canadiano.

O mandato desta comissão, que Israel aceitou criar sob pressão dos Estados Unidos, numa tentativa de não aceitar a exigência de uma comissão de investigação internacional independente, é limitado e deverá apenas determinar a validade, segundo o direito internacional, do bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e do ataque contra a frota de ajuda humanitária em águas internacionais, no qual morreram nove civis turcos.

O presidente Turkel pode decidir excluir os observadores estrangeiros (apesar de "amigos") da comunicação de alguns documentos ou informações se "considerar que a sua divulgação prejudicará a segurança nacional ou as relações diplomáticas" de Israel.

A comissão interrogará o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Ehud Barak, e os outros cinco membros do "Foro de Sete Ministros" - que agrupa os principais membros do governo - que aprovou o ataque.

17 junho, 2010

Gush Shalom e a Comissão Turkel

Posição do Gush Shalom a ser publicada amanhã no Haaretz, como anúncio pago.


Apenas
Uma comissão de inquérito judicial
Independente do governo
Com poderes para interrogar
Todos os envolvidos -
De Netanyahu e Barak
Até ao último comando -
Será credível
Para os israelitas e

Para a opinião pública internacional.

Por isso o
Gush Shalom pediu
Ao Supremo Tribunal
Para dissolver
A comissão Turkel
E nomear um
Comité Judicial.

16 junho, 2010

Editorial do Haaretz: Nem comissão, nem inquérito

Neither commission nor inquiry - Haaretz Daily Newspaper | Israel News

Tradução do editorial do jornal israelita de referência Haaretz, de 15 de Junho de 2010

A comissão, cuja composição e autoridade são percebidos como predeterminados será incapaz de satisfazer os líderes internacionais e os seus eleitores, que exigiam o inquérito, em primeiro lugar.

O governo [de Netanyahu] autorizou ontem a criação de uma comissão independente para examinar os acontecimentos que rodearam o ataque a flotilha com destino a Gaza no mês passado. Infelizmente, nem os membros da comissão, nem a sua autoridade são adequados para enfrentar os desafios colocados pelo caso.

A comissão deveria ter sido convidada a analisar os fatos e a responsabilizar aqueles que causaram que o incidente terminasse como terminou, permitindo assim que os israelitas e o seu governo aplicassem as lições que precisam ser aprendidas. Em vez disso, o gabinete criou um júri destinado a apaziguar o mundo, em particular os Estados Unidos. A sua autoridade é demasiado limitada para conduzir uma autêntica investigação, e a sua composição levanta a suspeita de que foi projectada mais como uma ferramenta de relações públicas do que para propriamente analisar os acontecimentos e revelar os responsáveis.

Um júri que não é uma comissão estatal de inquérito não será capaz de apresentar à justiça aqueles que forem considerados responsáveis pelas falhas da operação.

E não importa quanto possam ser considerados os membros da comissão, todos têm estado há décadas longe dos acontecimentos, tanto militares, como governamentais, e, portanto, não serão capazes de chegar às necessárias conclusões. A observação feita pelo presidente da Comissão, Jacob Turkel, antes da sua nomeação, de que certas pessoas não devem ser implicadas, levanta uma interrogação sobre se foi escolhido justamente por causa dessa observação.

Ter parado a flotilha já causou danos políticos imensos a Israel. Impedir uma investigação autêntica, nomeando uma comissão com poderes tão limitados é susceptível de causar danos ainda maiores não só para a imagem de Israel no exterior, mas também à sua capacidade para evitar imbróglios semelhantes no futuro.

É difícil acreditar que a comissão recém-nomeada, mesmo incluindo dois observadores internacionais, irá convencer o mundo de que Israel está investigando seriamente as falhas operacionais do ataque.

O governo teve a oportunidade de tentar controlar os danos que trouxe sobre si mesmo através da realização de uma investigação ousada e abrangente. Ontem, o governo perdeu essa oportunidade. O estranho híbrido que surgiu em seu lugar - quer quanto à sua intrigante composição, quer pelo fraco mandato - é um mau presságio para Israel.

A comissão, cuja composição e autoridade são percebidos como predeterminados será incapaz de satisfazer os líderes internacionais e os seus eleitores, que exigiam o inquérito, em primeiro lugar. Teria sido melhor, portanto, que a comissão Turkel nunca tivesse nascido, poupando-nos a aparência enganosa de uma autêntica investigação.