Escolhi 5 dos factos que considerei mais relevantes de uma lista de 10 que a organização judaica americana pró-paz e pró-Israel JStreet coligiu para desmontar a campanha que os sectores do "nacional"-sionismo puseram em marcha após a derrota dos democratas com o objectivo de sabotarem qualquer esforço de Obama em relação à paz no Médio Oriente.
Isto apesar da toda a indulgência demonstrada pela Administração de Obama face aos desmandos de Israel no campo dos direitos humanos e do cumprimento da lei e decisões internacionais. O lobby do "nacional"-sionismo achou demais o agravo e como comprovou hoje a propagandista Ester Mucznik na sua crónica no Público, não esquece nem perdoa.
Facto # 1: 60% dos judeus americanos têm uma opinião favorável acerca de Obama, apesar dos constantes boatos em sentido contrário.
Facto # 2: 71% dos judeus americanos apoiam que os EUA desempenhem um papel activo na resolução do conflito, mesmo que isso signifique discordar publicamente tanto os israelitas quanto dos árabes, apesar de dois anos de constantes ataques da direita sobre a política do Presidente para o Médio Oriente.
Facto # 3: Quando perguntados quais são as duas questões mais importantes para decidir como votar, apenas 7% dos eleitores judeus escolheram Israel, colocando esta questão em oitavo lugar empatada com o meio ambiente.
Facto N º 4: As questões que são importantes para eles são as mesmas que são importantes para os outros eleitores americanos: a economia (62%), a saúde (31%), o défice e a despesa pública (18%) e a educação (12%).
Facto # 5: Os judeus americanos têm uma opinião fortemente desfavorável em relação ao Tea Party (71%), Glenn Beck (67%), Sarah Palin (78%) e Partido Republicano (70%).
Fontes: National Survey of American Jewish Voters (November 2, 2010), Survey of PA Jewish Voters (November 2, 2010), Survey of IL-09 Jewish Voters (October 21-24, 2010); Conducted by Gerstein | Agne Strategic Communications; Resultados globais disponíveis em http://2010.jstreet.org
Saiba mais em: http://2010.jstreet.org
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04 novembro, 2010
06 agosto, 2010
"Bombardeie um gueto [Gaza] e faça um brinde"
A propósito do cartoon que a ADL classificou de anti-semita lembrei-me de um vídeo realizado por Max Blumenthal e Alternet, em 11 de Janeiro de 2009, em Nova Iorque, por ocasião de uma manifestação a favor do ataque de Israel a Gaza.
O "ovo da serpente" está bem patente, transvestido agora em "nacional-sionismo"
O "ovo da serpente" está bem patente, transvestido agora em "nacional-sionismo"
Cartoons sobre a Palestina: "Negociações..."
Al-Bayan, 4 de Agosto de 2010 (Emiratos Árabes Unidos)
Nas roupas do palestino que o Judeu segura: "Negociações Indirectas"; nas calças do palestino: "Negociações Directas".
Este cartoon foi copiado do site da Liga Anti-Difamação (The Anti-Defamation League), e encontra-se titulado como: "Anti-semitismo no Mundo Árabe. Cartoon da semana".
Como podem verificar o cartoon é "altamente anti-semita"... aliás esta classificação é muito esclarecedora sobre o conservadorismo e radicalismo desta organização.
A Anti-Defamation League foi fundada em 1913 "para impedir a difamação do povo judeu e garantir justiça e tratamento correcto para todos." Actualmente intitula-se "como a primeira agência de relações humanas e de direitos civis da nação [EUA], a ADL combate o anti-semitismo e todas as formas de intolerância, defende os ideais democráticos e protege direitos civis para todos."
De facto é hoje um dos lobbies de judeus-americanos mais poderoso dos EUA, com uma influência desmedida junto dos meios políticoe e da comunicação social americana, e que é responsável pela perseguição, ao melhor estilo do macarthismo de todos aqueles que de alguma forma se mostram contrários às políticas de colonização, de apartheid e de total desrespeito pelos direitos humanos da clique "nacional"-sionista que vem governando Israel.
Como contraponto podemos referir organizações americanas de Judeus que, como a JStreet ou a Jewish Voice for Peace, se batem por uma solução que traga a paz e a segurança para ambos os povos, palestinos e israelitas.
13 julho, 2010
Racismo em nome da lei judaica: Editorial do Haaretz
Racism in the name of halakha - Haaretz Daily Newspaper | Israel News Published 03:09 11.07.10
Este foi o editorial do Haaretz de domingo passado. Escolhi publicá-lo porque entendo que ele nos ajuda a compreender as forças presentes na sociedade israelita e as tensões que nela existem.
Não haverá paz se a sociedade israelita não a entender como um bem supremo e não fizer dela uma opção clara.
Este editorial é o reflexo de uma sociedade com valores positivos mas onde o fundamentalismo religioso e o ultra "nacional"-sionismo detém lugares dominantes e determinantes. Veja-se a sua representação no Knesset e na aliança governamental Netanyahu-Lieberman e a sua cada vez maior preponderância nos lugares de chefia das Forças Armadas israelitas.
São essas forças - onde até está representado um partido denominado de "Trabalhista", filiado na "Internacional Socialista"e que tem como líder um criminoso de guerra chamado Ehud Barak, - que suportam o racismo e o apartheid, a opressão e a violência repressiva.
São essas forças que o Haaretz corajosamente denuncia.
Rabis estão explorando medos e exaltando emoções sob o pretexto de fazer cumprir a lei religiosa judaica (Halakha).
Uma carta foi distribuída, por três rabis, no sul de Telavive em que eles apelavam aos residentes para que não alugassem os seus apartamentos para migrantes e refugiados que tentam instalar-se na cidade com a pretensa preocupação com o bem-estar dos moradores e compaixão para com os requerentes de asilo. Mas dificilmente consegue esconder o racismo flagrante escondido nas entrelinhas.
Os rabis alertam os moradores para não darem acesso às suas casas a "trabalhadores ilegais", mas é claro que a manutenção da lei não é a sua preocupação, na medida em que não estão exigindo um tratamento semelhante para os cidadãos israelitas.
Quanto ao argumento de que a presença dos estrangeiros está causando um aumento da criminalidade e de casamentos interculturais, os rabis estão mesmo tomando a lei nas suas próprias mãos e ignorando as autoridades civis e a polícia.
Os grupos mais desfavorecidos da população que vivem no sul de Telavive encontram-se pressionados para receberem refugiados, trabalhadores migrantes e colaboradores.
Esta situação cria atrito preocupante que agrava a sensação dos moradores de um tratamento injusto e de alienação.
É difícil pedir aos habitantes desses bairros desfavorecidos que recebam os párias do mundo com os braços abertos, sem se sentirem ameaçados. Nesta realidade complexa, o papel dos líderes religiosos e civis é tentar colmatar as falhas e encontrar maneiras criativas de convivência.
Os rabis que assinaram a carta não são funcionários públicos. No entanto, o público é muito influenciado pelas suas opiniões.
O município de Telavive fez mais do que um pequeno esforço para cuidar dos trabalhadores migrantes e poderia ter usado a ajuda dos rabis nos contactos com os migrantes e os seus líderes, para tentar integrar os recém-chegados na vizinhança, como têm sido feito em muitos outros países.
Os rabis, no entanto, preferem explorar o medo dos moradores e inflamar emoções em nome da halakha, a lei religiosa judaica.
No fim-de-semana, um corajoso líder, o rabi Yehuda Hamutal, que fundou o movimento político Meimad, faleceu.
O seu partido, transportou o estandarte da tolerância, do humanismo e da busca da paz em nome da fé religiosa e, embora os membros do seu movimento tenham sido sempre uma minoria, forneceu uma alternativa importante à radicalização dos nacionalistas ultra-ortodoxos.
Nos últimos anos, os alunos e seguidores do rabi Hamutal caíram no silêncio, e o estatuto de rabis, como estes que escreveram a carta sobre os migrantes, tornou-se mais forte.
Espera-se que o município entenda o dano que estes rabis estão fazendo e publicamente desassocie a cidade das suas questionáveis actividades e, em vez disso, ofereça a opção de uma alternativa, de convivência para todos os moradores da cidade - tanto temporários como permanentes - uma coexistência livre do medo e do racismo.
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