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17 agosto, 2010

"O mais moral dos Exércitos do Mundo"

 Ex-soldado israelita criticada por fotografias no Facebook em que posa com prisioneiros palestinianos - Mundo - PUBLICO.PT


Este artigo no Público vem demonstrar mais uma vez o que se passa no "Mais moral dos Exércitos do Mundo". A expressão não é minha, é dos políticos israelitas e dos comandantes das forças armadas israelitas. Aliás vem citada, por exemplo, numa crónica de Uri Avnery, intitulada "Um documento jurídico" e datada de 23 de Março de 2009.

Este artigo do Público, não assinado e de que não se revela a fonte, é no geral equilibrado mas induz o leitor em erro sobre dois aspectos.

O primeiro ao intercalar, a dado passo, a seguinte expressão "mesmo sem darem sinais de qualquer espécie de abuso evidente dos prisioneiros ".

Ora a privação sensorial - utilização de vendas - é já em si um abuso!

Tal como de resto a publicação de fotografias de prisioneiros de guerra, dado que de prisioneiros de guerra se trata à luz do que em tempo os advogados do Ministério da Justiça Israelita já proclamaram junto do Supremo Tribunal de Israel, que Uri Avnery refere naquela crónica e que todos nós sabíamos há muito tempo:

"O Estado de Israel está em guerra com o povo palestiniano, pessoas contra as pessoas, colectivo contra colectivo."
 
De resto faço minha a apreciação do judeu Yishai Menuchim, director do Comité Israelita contra a Tortura e referida no artigo do Público, de que  as fotografias “reflectem uma atitude que se tem tornado norma e que consiste em tratar os palestinianos como objectos, não como seres humanos”.

Aliás só assim se explica, em meu entendimento a morte de tantos civis palestinos, numa periodicidade semanal, ou os resultados da agressão a Gaza ou o ataque ao Mavi Marmara.

Recordam-se do escândalo das t-shirts, dos soldados israelitas após a agressão conhecida por "Cast Lead" à Faixa de Gaza, onde inscreviam por exemplo "Um tiro, mato dois" sobre a figura de uma mulher grávida árabe com a reticula de uma mira de espingarda sobreposta na sua barriga?

Foi um sinal evidente da corrupção moral e ética dos valores das Forças Armadas Israelitas, que grassa desde há muito, e que se agravou quando o seu papel principal passou a ser de um exército de expansão colonial, de ocupação, sustentáculo de políticas de apartheid e de limpeza étnica, numa sociedade colonial e racista, centrada num etnicismo religioso.

Estes sinais também foram notícia no Público em Março de 2009, e no Haaretz, cuja corajosa reportagem de Uri Blau traduzi parcialmente e publiquei sobre o título "Imagens de cadáveres de bebés palestinos e de mesquitas bombardeadas viram moda"

 De facto Ghassan Khatib, porta-voz da ANP, também tem razão quando afirma: “A ocupação é injusta, imoral e como estas imagens mostram também corrompe”.

Aliás esta mesma ideia foi plasmada num artigo de Uri Avnery, um judeu sionista e pacifista, intitulado "BANANAS" ou como um exército de cidadãos se transforma numa máquina de opressão" e onde se destaca a influência de uma CERTA interpretação da religião judaica no comportamento dos soldados israelitas.

08 julho, 2010

Israel: 6 anos desrespeitando as decisões do Tribunal Internacional de Justiça sobre o "Muro"

You can find the original version in English after the Portuguese version.

Recebemos hoje às 15:47, do Departamento de Negociações da Organização para a Libertação da Palestina o seguinte comunicado de imprensa que traduzimos:

"É tempo para a comunidade internacional ajudar a reverter os danos causados pelo Muro e o seu regime" declarou o Dr. Erekat.

O responsável pelo Departamento de Negociações da Organização para a Libertação da Palestina, Dr. Saeb Erekat recorda a passagem do sexagésimo aniversário da decisão Tribunal Internacional de Justiça (IJC) sobre a ilegalidade do Muro construído por Israel em terras palestinas, apelando à comunidade internacional para que imponha a aplicação do direito internacional no território da Palestina ocupada.

"Seis anos atrás (09 de Julho), o Tribunal Internacional de Justiça declarou que Israel, potência ocupante, não pode oprimir os direitos do povo palestino, a fim de satisfazer os seus próprios interesses. O veredicto instou Israel a desmantelar o Muro e para compensar os palestinos afectados pela sua construção. No entanto, Israel continua a agir como um Estado acima da lei e o Muro continua a prejudicar a vida dos palestinos ".

"Estamos a testemunhar a colonização no século 21 com o projecto israelita de colonatos no território ocupado da Palestina e o Muro é uma das manifestações mais feio desta grave violação do direito internacional.

Ele separa os agricultores das suas terras, as crianças das suas escolas, e as famílias uns dos outros. É uma forma de apoderar-se da terra disfarçada como uma medida de segurança e a sua finalidade é permitir a expansão dos colonatos ilegais na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Simplificando, o Muro é uma parte integrante das intenções de um regime avançando na direcção do "apartheid".

O Dr. Erekat apelou à comunidade internacional para que assuma as suas responsabilidades nos termos do direito internacional e respeitem as suas obrigações respectivas, tal como destacado no acórdão do Tribunal Internacional de Justiça:

"O projecto de colonização, em geral, e o Muro especificamente, destroem as vidas do povo palestino e as perspectivas de uma solução de dois Estados. As obrigações de terceiros foram destacadas na decisão do Tribunal Internacional de Justiça (IJC) .

No mínimo, os terceiros não são obrigados a contribuir para o projecto de colonização ilegal, onde os lucros de Israel provêem do sofrimento do povo palestino e da exploração dos seus recursos.

Para que uma mudança real ocorra, a lei determina que os Estados da comunidade internacional devem assumir as suas responsabilidades, desincentivando activamente as empresas e os indivíduos de lucrarem com o projecto de colonização ilegal. Isso é o mínimo que é exigido para criar as condições necessárias propícias para se chegar a uma solução de dois Estados ".

OLP Press Release - Comunicado de Imprensa da OLP

For immediate Release

July 8, 2010

Negotiations Affairs Department - Palestine Liberation Organization

Dr. Erakat: “It is time for the international community to assist in reversing the damage caused by the Wall and its regime.”

Chief Palestinian Negotiator Dr Saeb Erakat commemorated the six-year anniversary of the International Court of Justice (ICJ) opinion on the illegality of the Wall Israel built on Palestinian land by calling on the international community to enforce the application of international law within the occupied Palestinian territory.

“Six years ago(July 9), the International Court of Justice held that Israel, the occupying power, cannot oppress the rights of Palestinian people in order to satisfy its own interests. The verdict called on Israel to dismantle the Wall and to compensate Palestinians affected by its construction. However, Israel continues to act as a state above the law and the Wall continues to harm the lives of Palestinians.”

“We are witnessing colonization in the 21st century with Israel’s settlement enterprise in the occupied Palestinian territory, and the wall is one of the ugliest manifestations of this grave violation of international law. It separates farmers from their lands, children from their schools, and families from each other. It is a land grab disguised as a security measure and its purpose is to allow the illegal settlements in the West Bank and East Jerusalem to expand. Simply put, the Wall is an integral part of a regime intent on heading in the direction of apartheid.”

Dr. Erakat called on the international community to assume its responsibilities under international law and honour their respective obligations as highlighted in the ruling by the ICJ:

“The settlement enterprise in general and the Wall specifically destroy the lives of the Palestinian people and the prospects for a two-state solution. The obligations of third-parties were highlighted in the ICJ ruling. At the very least, third parties are obligated not to contribute to the illegal settlement enterprise, where Israel profits off of the suffering of the Palestinian people and the exploitation of their resources. For real change to occur, the law abiding states of the international community must assume their responsibilities by actively discouraging businesses and individuals from profiting from the illegal settlement enterprise. This is the least that is required to create the necessary conditions conducive for reaching a two-state solution.”

27 junho, 2010

Michel Collon: As 10 mentiras de Israel

Michel Collon, jornalista e escritor numa palestra a propósito do lançamento do seu último livro: Israel, Vamos falar! [Israël, Parlons-en!, Investig'Action/Couleur livres, Bruxelles/Charleroi, 2010 (ISBN 978-2-87003-549-8)].

O vídeo, em francês, está legendado em espanhol.


Introdução [traduzida] do livro "Israel, Vamos falar!" :

Isto pode parecer estranho tanto que os media nos falam de Israel. Mas as razões do conflito são suficientemente claras?

Israel: terra sem gente para gente sem terra? Democracia em legitima defesa ou Estado do apartheid? Choque de civilizações, conflitos religiosos ou petróleo? Porquê que parece impossível uma solução?

Michel Collon entrevistou 20 testemunhas e peritos [Chomsky, Sand, Gresh, Bricmont, Hassan, Ramadan, Morris, Delmotte, Warschawski, Halevi, Zakaria, Pappe, Sieffert, David, Aruri, Amin, Blanrue, Tilley, Botmeh]. Israelitas e árabes, judeus e muçulmanos, europeus e americanos. Cada um clarifica uma questão específica numa linguagem simples e direta.

Porquê falar sobre Israel? Para tentar realizar um debate fundamentado. Entre aqueles que gritam anti-semitismo quando se critica o governo de Israel e aqueles que imaginam uma grande conspiração judaica.

Como falar de Israel? Deixando de lado os preconceitos e descobrindo todos os factos, as páginas de história ocultadas.

Remover todos os tabus é permitir que todos construam as suas opiniões livremente. E debate em torno. Já que este conflito é jogado tanto no Médio Oriente como na Europa. É na discussão entre os cidadãos de todas as origens que surgirão as soluções para a paz.

NR: Obviamente não se espantem por existir uma campanha contra Michel Collon rotulando-o de anti-semita.