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08 agosto, 2010

Hospitais em Gaza declaram estado de emergência por falta de eletricidade

Os hospitais da cidade de Gaza declararam neste domingo, segundo a EFE, o estado de emergência por falta de electricidade, depois de a única central de produção de energia eléctrica da Faixa de Gaza ter deixado de funcionar no passado sábado por falta de combustível, informaram fontes oficiais.

Os quatro hospitais da capital da Faixa receiam ter de interromper os seus serviços devido aos prolongados cortes diários de energia eléctrica, de 12 horas por dia, informou hoje o porta-voz dos serviços de emergência, Moawiya Hasanein.

Hasanein advertiu sobre um desastre humanitário como resultado da falta de electricidade. Segundo ele, os serviços de saúde estão a sofrer uma séria deterioração, sobretudo as maternidades, unidades de terapia intensiva, incubadoras e atendimento de pacientes de diálises.

"O sector da saúde depende de geradores. Se cada dois de três cortar a electricidade, embora seja durante cinco minutos, poderá causar dezenas de mortes, inclusive de crianças e pacientes em condições críticas na sala de cirurgia", disse o porta-voz, citado pela agência palestina "Maan".

A única central de produção de energia eléctrica de Gaza, que cobre um terço do consumo da Faixa, deixou de funcionar no passado sábado, no meio de uma onda de calor que assola a região, por falta de combustível industrial.

O encerramento da passagem fronteiriça com Israel por ocasião do sabat judeu agravou a carência de combustível.

Este já vem chegando de forma mitigada devido a uma disputa administrativa entre os dois Governos palestinos paralelos: o do Hamas, na Faixa de Gaza, e o da Autoridade Nacional Palestina (ANP), na Cisjordânia.

Um dos lados acusa o outro de ser responsável pela situação em Gaza, que há meses só tem entre seis e 12 horas de energia por dia.

A ANP diz que o Hamas não paga a electricidade deixando um "buraco" no orçamento que depois tem de ser colmatado na Cisjordânia.

O Hamas defende, pelo contrário, que enviou as facturas ao Governo de Ramallah, o qual acusa de não cumprir o compromisso do pagamento do combustível para a central de produção de energia eléctrica de Gaza, que assumiu quando a União Europeia (UE) o deixou de subvencionar no ano passado.

30 julho, 2010

A paz de Netanyahu: Colonos ocupam edifício habitado por palestinos em Jerusalém Oriental

Um grupo de colonos judeus ocupou na quinta-feira um prédio no bairro muçulmano da Cidade Antiga de Jerusalém no qual moram nove famílias palestinas.

Os colonos invadiram a casa quando a maior parte de seus ocupantes estava fora do edifício, de dois andares e 11 quartos, situado muito perto da Esplanada das Mesquitas, informou o jornal israelita Haaretz.

"Duas famílias israelitas entraram quinta-feira de manhã num imóvel que estava vazio. Quando a Polícia chegou, apresentaram documentos que mostram claramente que compraram a parte do imóvel na qual entraram", disse à agência EFE o porta-voz policial, Miki Rosenfeld, que acrescentou que "os documentos estão sendo examinados", para determinar sua veracidade.

Rosenfeld negou que os israelitas estivessem armados e que tenham ocupado o imóvel com protecção policial, informaram alguns meios de comunicação.

Hatem Abdel Kader, encarregado dos Assuntos de Jerusalém na Autoridade Nacional Palestina (ANP), assegurou à agência palestina Ma'an que os documentos dos colonos são falsos e que eles já perderam um julgamento em 1996, quando tentaram ficar com a propriedade.

Segundo Kader, o imóvel pertence a Kamal Handal, que o alugou há anos à família Qarsh.

As Nações Unidas denunciaram o facto num duro comunicado, emitido pelo coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Robert Serry, no qual "deplora a acção inaceitável dos colonos israelitas armados que tomaram à força um edifício que é o lar de nove famílias palestinas".

"Peço às autoridades israelitas que expulsem os colonos da propriedade e restabeleçam a situação anterior", afirma a nota, na qual Serry denuncia também que as autoridades israelitas destruíram ontem um número indeterminado de estabelecimentos comerciais palestinos nos arredores de Jerusalém Oriental.

"Estes actos provocatórios chegam num momento crítico dos esforços da comunidade internacional para fazer avançar o processo de paz. Apelo ao Governo de Israel que atenda a chamada do Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia) para abster-se de realizar acções provocativas em Jerusalém Oriental, incluindo demolições de casas e despejos", afirma o representante da ONU.

19 março, 2009

Acordo sobre Governo palestino de unidade nacional

Fawzi Barhoum, um porta-voz do Movimento da Resistência Islâmica, Hamas, declarou à Maan, na passada quarta-feira à noite que as facções chegaram a um acordo sobre os termos que nortearão a criação de um governo de unidade nacional.

"Há um acordo sobre a natureza do próximo governo "que será de unidade nacional”, e temporário até à realização das próximas eleições palestinas.

Afirmou ainda que responsáveis palestinos, reunidos no Cairo estão "a estudar a questão da composição política e das questões ministeriais."

Barhoum acrescentou que, a Alta Comissão Coordenadora prosseguiu com os debates e reuniões na passada quarta-feira no Cairo "com toda a seriedade e interesse sobre todos os casos trazidos pelas cinco comissões no que respeita à questão palestina", salientando que, estão a considerar uma série de obstáculos e de questões pendentes relacionadas com o Governo, Segurança e Eleições, com o objectivo de concluirem os debates decidindo.

Falando sobre o processo da Segurança, Barhoum afirmou que: "Essa questão ainda está em discussão na Alta Comissão Coordenadora, a fim de recolher opiniões de todos." Sobre as eleições legislativas, Barhoum salientou que existem opiniões diferentes quanto ao sistema, onde o Hamas quer oferecer a oportunidade a todos os palestinianos de participarem no processo eleitoral, com base num "sistema misto".

04 fevereiro, 2009

Hamas: Uma visão optimista. Cessar-fogo; Reconstrução; Reconciliação.

Uma atmosfera positiva prevalece no Cairo nas conversações relativas ao cessar-fogo com Israel, à reconstrução de Gaza e à reunificação do governo palestino, afirmou o líder do Hamas, Salah Bardawil na terça-feira à noite.

Falando ao telefone a partir do Cairo, Bardawil declarou à Maan que "O Hamas negociou a proposta egípcia sobre o cessar-fogo com Israel positivamente. No entanto, o Hamas pediu explicações sobre algumas propostas israelitas, especialmente quanto à sua oposição à entrada de certos materiais para a Faixa de Gaza, que Israel alega são utilizados no fabrico de armas."

Momentos antes referira que Israel havia bombardeado a Faixa de Gaza, em pelo menos dois lugares.

Também afirmou que um acordo foi alcançado quanto à formação de comités de unidade palestina para supervisionar a reconstrução de Gaza e de outras comissões para planear as conversações sobre a reconciliação nacional palestina marcadas para dia 22 de Fevereiro.

"A delegação do Hamas discutiu os três temas, cessar-fogo, conciliação e a reconstrução de Gaza com o director dos serviços secretos egípcios Omar Suleiman," disse Bardawil.

Condições de Israel, respostas do Hamas


Segundo Bardawil, Israel oferece permitir a entrada de 75% dos bens actualmente proibidos de entrar em Gaza em troca da libertação do soldado israelita Gilad Shalit em cativeiro. Os restantes 25% são bens que Israel afirma que poderão ser utilizados para fazer armas.

"Não temos nenhuma objecção ao cessar-fogo em troca do levantamento do cerco e à abertura dos postos de passagem. Não nos opomos a que se aborde o caso Shalit em conjunto com as negociações de cessar-fogo, mas pedimos explicações sobre a natureza deste material que Israel não quer deixar entrar", acrescentou, afirmando que o seu movimento estaria pronto para uma troca de prisioneiros com Israel a partir de amanhã, quarta-feira.

Bardawil acrescentou que o Hamas, como parte de um cessar-fogo, concordará em parar de disparar projécteis contra Israel. No entanto, Hamas pedirá a ajuda do Egipto para convencer outras facções a conterem-se.

No que diz respeito à exigência de Israel para que o Hamas pare o contrabando através de túneis sob a fronteira Gaza-Egipto, a resposta do Hamas é que o Hamas não é um estado e que necessitará da cooperação para reprimir o contrabando.

No entanto, explicou, "O Hamas não vai concordar em parar com o contrabando de armas em Gaza, porque isso significaria o fim da resistência."

"A política não deve interferir na reconstrução de Gaza"

Segundo Bardawil, o Hamas disse aos egípcios que a reconstrução de Gaza deve ser despolitizada. O grupo sugeriu que o Hamas, Fatah, e as outras facções formem comités conjuntos para supervisionar a construção.

Outra opção seria uma comissão não-partidária de especialistas em direitos humanos e de outros tecnocratas que coordenaria a reconstrução com os Estados doadores.

Destacou ainda que o mecanismo de reconstrução seria anunciado na conferência de Estados doadores a ser realizada no Cairo, a 2 de Março.

Hamas-Fatah reconciliação

Bardawil sublinhou que o Egipto tem a intenção de convidar as facções palestinianas para uma reunião em 22 de Fevereiro para clarificar a forma como irá prosseguir a reconciliação nacional.

Disse ainda que cinco comissões serão formadas para tratar de aspectos específicos do conflito interno palestino, incluindo a segurança e a estrutura da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

As comissões vão começar a funcionar com a assistência de uma comissão Árabe que ajudará a criar uma "atmosfera positiva", disse ele.

Concluiu declarando que o Hamas pediu aos egípcios para formar uma comissão jurídica para o acompanhamento das detenções pela Autoridade Palestina de membros do Hamas na Cisjordânia.