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16 janeiro, 2011

"O sofrimento dos cristãos palestinianos" por Frei Bento

In: Jornal "Público" de 2011.01.15

Condenamos todas as formas de racismo, religioso ou étnico, incluindo o anti-semitismo e a islamofobia

1. Quando se fala da perseguição aos cristãos no Médio Oriente, não se tem em conta a situação especial na Palestina. O Conselho Ecuménico das Igrejas publicou, agora, um documento elaborado pelos cristãos e teólogos palestinianos que, perante o drama do seu povo, perguntam: o que faz a comunidade internacional? Que fazem os chefes políticos na Palestina, em Israel e no mundo árabe? Que faz a Igreja? (1).

Nos limites deste espaço, o melhor é dar-lhes a palavra, porque o documento é também um convite às Igrejas: "vinde e vede", conhecer os factos e descobrir as gentes desta terra, palestinianos e israelitas. Condenamos todas as formas de racismo, religioso ou étnico, incluindo o anti-semitismo e a islamofobia. Vamos aos factos.

O muro da separação, construído em terrenos palestinianos, confisca uma parte do nosso território, transforma as cidades e as vilas em prisões, faz cantões separados e dispersos. Gaza, depois da guerra cruel desencadeada por Israel (Dez.2008-Jan.2009), continua a viver em condições desumanas sob embargo permanente e corta-a, geograficamente, do resto dos territórios palestinianos.

As colónias israelitas, ao apoderarem-se da nossa terra em nome de Deus ou da força, controlam os nossos recursos naturais, sobretudo a água e as terras agrícolas, privando delas centenas de milhares de palestinianos. Esta realidade é um obstáculo a qualquer solução política.

Para nos deslocarmos ao nosso trabalho, às escolas e aos hospitais somos, diariamente, submetidos à humilhação, nos postos de controlo militar.

A separação entre os membros da mesma família, quando um dos cônjuges não é portador de um bilhete de identidade israelita, torna a vida familiar impossível a milhares de palestinianos.

A própria liberdade religiosa, a liberdade de acesso aos lugares santos, é limitada a pretexto de segurança. Os lugares santos de Jerusalém são inacessíveis a um grande número de cristãos e muçulmanos da Cisjordânia e de Gaza. Os próprios habitantes de Jerusalém não podem aceder aos seus lugares santos, em certos dias de festa, assim como os nossos padres árabes não podem entrar em Jerusalém sem dificuldade.

Os refugiados fazem parte da nossa realidade. A maior parte deles vive ainda nos campos de refugiados em condições difíceis, inaceitáveis para seres humanos. Esperam o seu retorno há várias gerações. Qual será a sua sorte?

Milhares de pessoas detidas nas prisões israelitas também fazem parte da nossa realidade. Os israelitas removem o céu e a terra por um só dos seus prisioneiros, mas quando verão a liberdade esses milhares de prisioneiros palestinianos que permanecem indefinidamente nas prisões israelitas?

2.Jerusalém é o coração da nossa realidade. É, ao mesmo tempo, símbolo de paz e sinal de conflito. Desde que o "muro" criou a separação entre os bairros palestinianos da cidade, as autoridades israelitas não param de os esvaziar dos seus habitantes palestinianos, cristãos e muçulmanos. É-lhes retirado o bilhete de identidade, isto é, o seu direito a residir em Jerusalém. As suas casas são demolidas ou confiscadas. Jerusalém, cidade da reconciliação, tornou-se a cidade da discriminação e da exclusão e, por isso, fonte de conflito, em vez de fonte de paz.

Por outro lado, Israel despreza o direito internacional e as resoluções internacionais, contando com a impotência do mundo árabe e com a da comunidade internacional perante este desprezo. Os direitos humanos são violados, apesar dos múltiplos relatórios das organizações locais e internacionais.

(...) Face a esta realidade, os israelitas pretendem justificar os seus actos como actos de legítima defesa. (...) Do nosso ponto de vista, o contrário é que é verdade. Há uma resistência palestiniana à ocupação. Se não houvesse ocupação, não havia resistência e não haveria nem medo nem insegurança. Apelamos aos israelitas a acabar com a ocupação. Verão, então, um novo mundo, no qual não haverá nem medo nem ameaças, mas segurança, justiça e paz.

A resposta palestiniana a esta realidade revestiu numerosas formas. Uns escolheram a via das negociações: é a posição oficial da Autoridade Palestina, o que, no entanto, não fez avançar o processo de paz. Outros partidos políticos recorreram à resistência armada. Israel serviu-se disso como pretexto para acusar os palestinianos de terroristas, o que lhe permitiu alterar a verdadeira natureza do conflito, apresentando-o como uma guerra israelita contra o terrorismo e não como uma resistência palestiniana legítima à ocupação israelita.

O conflito interno entre palestinianos, assim como a separação de Gaza só agravaram a tragédia. Convém notar que, embora a divisão tenha afectado os próprios palestinianos, a responsabilidade depende muito da comunidade internacional, porque ela recusou acolher, positivamente, a vontade do povo palestiniano como ela se exprimiu nos resultados das eleições, democrática e legalmente conduzidas, em 2006.

3.(...) O Ocidente quis reparar a injustiça que tinha cometido em relação aos judeus nos países da Europa. Fê-lo à nossa custa, na nossa terra. Deste modo, reparou uma injustiça, criando outra. Mais uma vez, proclamamos que a nossa palavra cristã, no meio de qualquer tragédia, é uma palavra de fé, de esperança e de amor, sem recurso à violência.

É essa palavra que é explicitada e justificada no resto do documento que todos os peregrinos à Terra Santa deviam meditar.

(1) La Documentation Catholique, 03. 01.2010, n°24-37, pp. 33-42

24 agosto, 2010

OLP reafirma posições de referência para as negociações com Israel

O Dr. Saeb Erekat, chefe negociador palestino, numa conferência de imprensa realizada ontem para discutir as posições palestinas no avanço das negociações directas com Israel, marcadas para começar em 2 de Setembro em Washington, destacou a declaração do Quarteto para o Médio Oriente como um ponto de viragem na decisão da OLP de entrar em negociações directas. A declaração, feita em 20 de Agosto de 2010, mencionava os termos de referência de Madrid, as resoluções do Conselho de Segurança e da Iniciativa Árabe de Paz como ponto de partida para esta nova ronda de negociações. A OLP considera que estes princípios serão as bases para as negociações directas.

O Dr. Erekat começou por afirmar que quaisquer conversações de paz bem sucedidas devem conduzir a um Estado soberano palestino nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital e uma solução justa e acordada para o problema dos refugiados, em conformidade com a Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas 194 (UNGAR 194).

O Dr. Erekat destacou o compromisso palestino para com as negociações de paz, mencionou ainda as suas sérias reservas quanto às intenções e o compromisso de Israel com uma paz justa e duradoura entre palestinos e israelitas.

Esse cepticismo, disse ele, é resultado das continuadas actividades de colonização, demolições de casas e outras práticas ilegais no território palestino ocupado, de Israel. O compromisso de Israel para um acordo negociado e para uma solução de dois Estados serão evidentes no terreno. Se novos concursos para construção forem emitidos (um plano que já foi anunciado pelo governo de Netanyahu) durante o processo de negociação, será uma afronta clara à paz e os palestinos serão assim expulsos do processo de negociações.

O Dr. Saeb Erekat afirmou que o presidente Abbas enviou uma série de cartas ao presidente Obama, a Lady Ashton, ao Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e ao Presidente Medvedev. Nessas cartas, o presidente Abbas expressou o seu compromisso com a paz e exigiu que a comunidade internacional tome uma posição forte e inequívoca sobre a obrigação de Israel de congelar todas as actividades de colonização, sem excepções. O Presidente Abbas também reiterou a posição da OLP: se a colonização, as demolições de casas e os despejos continuarem, os palestinos não continuarão negociando.

O Dr. Erekat também mencionou que, mesmo antes de as negociações directas começaram, Israel já tornou conhecidas as suas pré-condições - um Estado palestino desmilitarizado, uma zona de segurança no Vale do rio Jordão e o reconhecimento palestino de um Estado "judeu".

Os Palestinos entram nestas negociações, para as quais foram chamados ao lado de Israel, de boa fé e sem condições prévias pedindo para ter um parceiro israelita disposto a aceitar os termos de referência, há muito estabelecidos e internacionalmente aceites das nossas negociações.

Fonte: PLO Media Brief - 23de Agosto de 2010

29 julho, 2010

Para evitar o desastre parem de isolar o Hamas


Um artigo assinado por Lord Patten of Barnes, presidente da Medical Aid for Palestinians, no FT,que começa assim:

"Como todos sabemos, a paz chegará ao Médio Oriente quando Israel e a Palestina concordarem com uma solução de dois Estados, com um Estado palestino viável levantando-se dos escombros de mais de 60 anos de turbulência para viver pacificamente ao lado de Israel dentro das fronteiras de 1967 modificadas por meio de negociação.

Tudo o que é necessário é vontade política, liderança corajosa e vento de feição.

No entanto, os visitantes de Israel e da Palestina ocupada podem exigir quantidades cada vez maiores de fé cega para ir repetindo este mantra.
Não há outro resultado aceitável. Mas as oportunidades de intervenções externas dinâmicas, necessárias para que isso aconteça, parecem insignificantes.
"

E continua enunciando os factos que se desenvolvem no terreno, desde a expansão dos colonatos, à construção do Muro, ao cerco de Jerusalém Oriental, ao bloqueio de Gaza, que a cada dia tornarão menos possível construir uma solução para a paz sobre o modelo de "Dois Estados.", referindo que "ao tentar isolar o Hamas, esquecemos todas as lições que apendemos na Irlanda do Norte quando negociamos com Sinn Féin/IRA."

Concluindo:

"Os colonatos crescem. Os planeadores conspiram. Os despejos continuam. Os políticos discutem, intrigam e prevaricam. Os habitantes de Gaza cumprem a sua interminável pena de prisão. Não é hora para os E.U.A., a Europa, a Liga Árabe e outras partes interessadas auxiliarem Israel e a Palestina, numa deriva para um futuro desastre. 
 
Devemos tentar acabar com a fragmentação da Palestina e de promover uma reconciliação entre o Hamas e o Fatah.

Devemos também propor numa resolução do Conselho de Segurança o que pensamos que um acordo na Palestina e Israel deve compreender, e depois trabalhar para alcançá-lo. Se outros não se associarem a União Europeia deve fazê-lo sozinha.
Se não agirmos depressa, os "factos no terreno" sairão vitoriosos. Essa é uma perspectiva sombria para a região e para o resto de nós."

11 julho, 2010

10 respostas transformando os "Não!" em "Sim!" numa solução de "Dois-Estados"

(You can find after the Portuguese version the original version in english)

"Não, não há parceiro."

"Não, não podemos querer a paz mais do que os israelitas e os palestinos."

"Não, terra por paz não resulta. Devolvemos Gaza e tudo o que recebemos foram foguetes."

Ouvimos muitas vezes "Não!" nas comunidades judaico-americanas e pro-Israel sobre o porque nunca poderemos alcançar qualquer acordo razoável para o conflito israelo-palestino - apesar de a maioria destes "Não!" terem respostas simples e racionais.

Para contraditar, Lara Friedman, da organização "Americans for Peace Now" (Americanos pela Paz Agora), juntou-se a Isaac Luria, da organização "JStreet", para escreverem estas curtas e racionais respostas aos "Top Ten Nos", como parte integrante da campanha "Community of Yes".

Utilize este documento para demonstrar aos seus amigos e familiares que não há tempo a perder na busca de uma solução de dois Estados e garantir o futuro de Israel como uma casa democrática e Judia. [e da Palestina, como Estado soberano e independente]

[Estando de acordo com uma solução baseada em dois Estados, paritários, independentes e soberanos, e reconhecendo o Estado de Israel, entendo que, para este ser democrático, tem de optar pela laicidade e nele acomodar, respeitando os direitos humanos, as distintas minorias étnicas, religiosas e filosóficas.]

Estamos a transformar "Nãos!" em "Sins!" com as seguintes respostas, curtas e racionais:

1. Não, não há parceiro para a paz.

Sim, existe um parceiro. A actual liderança da Autoridade Palestina - o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro palestino Salam Fayaad - são na verdade os líderes mais moderados e pro-paz palestinos que a Autoridade Palestiniana já alguma vez teve.

Dada a força crescente do extremismo entre alguns sectores da sociedade palestina, eles podem ser os líderes mais moderados que alguma vez teremos.

Abbas indicou que reconhece os compromissos difíceis que os palestinos terão de fazer (incluindo o Direito de Retorno) e o direito dos Judeus a uma pátria na terra da Palestina. E sob a sua liderança, a Autoridade Palestina tem feito enormes progressos na melhoria da segurança na Cisjordânia, na construção das instituições governamentais da Palestina, nos últimos anos, e na repressão ao discurso e incitamento ao ódio.

Devemos aproveitar desta oportunidade e buscar uma solução negociada de dois Estados agora com a actual liderança da Autoridade Palestina - antes que seja tarde demais.

[Eu entendo que, apesar da boa vontade da Lara Friedman e do Isaac Luria, ainda não compreenderam que a única paz verdadeira e consistente tem de ser construída com o inimigo.

Tentar tirar o Hamas da equação nada resolverá.

Por outro lado o "Direito ao Retorno"é um direito inalienável do povo palestino, que pode e deve ser negociado. Agora querer "apagá-lo" é impossível. Aliás esta hipótese nem deveria ser colocada por quem por certo sabe que os sobreviventes do Holocausto e /ou seus descendentes, já receberam ou pugnam ainda hoje por justas indemnizações, por tudo aquilo que lhes foi tirado.

Isto para não falar nas indemnizações que o Estado de Israel, aos colonos desalojados da Faixa de Gaza.

Tal e qual os palestinos.]


2. Não, terra por paz não é o caminho certo. Devolvemos Gaza e tudo o que recebemos foram foguetes.

Sim, terra por paz continua sendo a melhor - e única - fórmula para alcançar a segurança de Israel, preservando o carácter judeu de Israel e os valores democráticos.

A retirada de Gaza, no entanto, não foi um exemplo de negociação de terra pela paz. A maneira como Israel se retirou de Gaza - de forma unilateral e sem negociação de acordos de segurança com a Autoridade Palestina - criou um vácuo de poder que o Hamas correu a preencher.

Se tivesse havido uma retirada negociada, poderia ter reforçado a liderança palestina moderada que apoiaria a negociação com Israel para uma solução de dois Estados. Em vez disso, a retirada reforçou aqueles que fariam guerra contra Israel.

[ A retirada das forças militares e dos colonos israelitas, terminando uma ocupação que já durava há 38 anos - desde a "Guerra dos 6 dias", foi concluída a 12 de Setembro de 2005. Foi uma decisão unilateral de Israel, mas tendo como corolário da resistência do povo palestino.

Mas se Israel retirou, manteve o controlo do espaço aéreo e marítimo da região e das fronteiras terrestres, em conúbio com o Egipto. E cedo o cerco começou a apertar, - a 18 de Março de 2006 - como iremos observar.

25 de Janeiro de 2006: o Hamas foi declarado vencedor de eleições livre e democráticas, em todo o território palestino, como foi atestado então por observadores internacionais independentes e assim, naturalmente formou governo.

18 de Março de 2006: os EUA, a UE e Israel decidem boicotar o novo governo palestino em Gaza, punindo a população civil com a suspensão de todas as relações económicas e reduzindo a ajuda humanitária. Ao mesmo tempo apelaram a comunidade internacional de doadores para cessarem todos os financiamentos à Autoridade Nacional Palestina e Israel reteve todas as receitas fiscais, colocando uma enorme pressão sobre a já devastada economia palestina.

15 Março de 2007: os palestinos chegarem a acordo para a formação de um governo de união nacional entre o Hamas e o Fatah, que é constantemente posto em causa por continuadas intervenções dos EUA e de Israel.

15 de Junho de 2007: O Hamas esmaga as forças do Fatah em Gaza após três dias de combates. O Fatah perde todo o poder na Faixa de Gaza. Na Cisjordânia, Mahmoud Abbas, do Fatah, o presidente da Autoridade Palestiniana, rejeita um governo de união liderado pelo Hamas. Nessas circunstâncias, Israel reforça a aplicação do bloqueio de Gaza.]
3. Não, não podemos confiar num compromisso do presidente Obama para com a segurança de Israel.

Sim, podemos. O presidente Obama tem repetidamente demonstrado, tanto por meio de palavras como de acções, um forte compromisso com a segurança de Israel.

Na verdade, o Wall Street Journal relatou recentemente que a cooperação de segurança entre Israel e os E.U.A. é significativamente mais ampla com o presidente Obama do que era sob a presidência de Bush. Por exemplo, o Presidente solicitou recentemente um orçamento adicional de USD $ 205 milhões para subsidiar o novo sistema de mísseis de defesa de Israel - algo que nunca foi financiado pelos E.U.A. no passado.

A busca de uma solução viável e duradoura de dois Estados, para o conflito israelo-palestino , por parte do presidente Obama, é mais uma prova do seu compromisso com a segurança de Israel - uma vez que alcançar tal acordo é a única forma de Israel concretizar uma verdadeira paz e segurança, a única coisa que pode preservar o carácter judaico e os valores democráticos de Israel.

[Aliás o apoio é tão inteiro, até sobre questões ética e moralmente erradas, que o capital de confiança que Obama constituiu e que se reflectiu na imagem dos EUA, está práticamente dissipado, pelo contínuos atropelos de Israel ao direito internacional e humanitário.]

4. Não, não podemos querer a paz mais do que os israelitas e palestinos.

Sim, nós podemos, e devemos desejar a paz, independentemente do humor político entre israelitas e palestinos. Este conflito não é meramente uma questão de local para israelitas e palestinos. Ela afecta os interesses de segurança nacional dos E.U.A. na região e em todo o mundo. Decidir a paz entre israelitas e palestinos é de vital interesse da segurança nacional dos Estados Unidos.

É claro que qualquer acordo viável de paz terá que ser aceite por ambas as partes, israelitas e palestinos. Felizmente, as sondagens mostram consistentemente grandes maiorias de israelitas e de palestinos que apoiam uma solução de dois Estados.

A chave é como chegar lá, especialmente quando os sistemas políticos de ambos os lados dificultam a progressão. É por isso que o papel dos EUA é tão necessário - para ajudar as partes a fazerem as difíceis mas necessárias concessões para a paz, para dar cobertura política para lidar com os círculos políticos domésticos anti-paz, para empregar importantes incentivos e desincentivos nos momentos certos, e sugerir propostas-pontes que façam avançar o processo.

[É óbvio que o papel a desempenhar pelos EUA é fundamental e decisivo. Falta saber qual é o que pretende jogar. O habitual, de protector do um Estado, que faz tábua rasa dos direitos internacionais e humanos. Ou de defensor dos direitos inalienáveis do povo palestino e assim da paz e da segurança de ambos os povos.]

5. Não, nunca haverá paz enquanto Hamas estiver no poder em Gaza.

Sim, o progresso é possível, mesmo com o Hamas na imagem.

Em última análise, uma resolução política do conflito israelo-palestino será sempre acelerada pela reconciliação política palestina. É por isso que os esforços de terceiros para alcançar a reconciliação e um governo de unidade nacional, em que o Hamas renuncie à violência e se envolva no processo político são tão importantes.

Responsáveis por um tal governo de unidade iriam trabalhar no processo diplomático para alcançar uma solução de dois Estados aceitável. Israel já negociou indirectamente com o Hamas sobre Gilad Shalit e negociou vários cessar-fogos, largamente bem sucedidos no passado - por isso não é fantasia pensar que Israel seria capaz de negociar com esse governo de unidade.

E importante: a única maneira eficaz de limitar o poder e popularidade do Hamas seria se o Presidente Abbas e o primeiro-ministro Fayyad conseguissem entregar a soberania aos palestinos - numa transição para uma democracia e economia vibrantes e crescentes na Cisjordânia.

Nesse ponto, os palestinos serão confrontados com uma escolha clara entre um Estado, tranquilo, seguro, crescendo vibrante, e um regime fundamentalista. Dada a escolha, é provável que a esmagadora maioria dos palestinos escolha a abordagem pro-negociação e pro-paz, para alcançar as suas aspirações políticas.

[Mais uma vez os autores se contradizem sobre o Hamas. Sim, podemos negociar com o Hamas, mas... se Abbas/Fayyad aparecessem "como salvadores da pátria" seria a... "maneira mais eficaz de limitar o (seu) poder e popularidade..."]

6. Não, a paz não é possível até que os palestinos reconheçam Israel como um Estado Judaico.

Sim, é. O carácter judaico de Israel é uma questão de auto-identificação e não importa se os palestinos - ou qualquer outra pessoa nessa matéria - o reconheça como tal.

O que importa é que os palestinos reconheçam o direito de Israel existir - algo que o presidente Abbas fez , ao aceitar a solução de dois estados, indicando que ele reconhece assim o direito dos judeus a uma pátria, na terra histórica de Israel e algo que a OLP - Organização para a Libertação da Palestina fez durante Processo de Oslo. E o que importa, também, é que os líderes de Israel tomem as medidas adequadas para garantir o carácter e a maioria judaica de Israel e prosseguirem, com urgência uma solução de dois Estados.

7. Não, não pode haver nenhum compromisso sobre Jerusalém, porque ele pertence exclusivamente a Israel e ao povo judeu.

Sim, deve haver um compromisso sobre Jerusalém. Jerusalém acabará por ser compartilhada de alguma maneira, e será uma coisa boa para Israel. Jerusalém ocupa um lugar único no coração do povo judeu, e também é de grande importância para cristãos e muçulmanos. É por causa dessa importância que está entre as questões mais difíceis de solucionar na resolução do conflito - e é por isso que devemos fazer tudo o que pudermos para garantir um futuro aberto e pacífico para a cidade.

A única maneira que Israel continuar a ser seguro, judeu e democrático, é através da solução de dois Estados. E a solução de dois Estados só é possível se as reivindicações de ambos, israelitas e palestinos, a Jerusalém estiverem reconciliadas.

Isto deve significar encontrar um caminho para que a Jerusalém Israelita, - Yerushalayim - serja reconhecida como capital de Israel, e a Jerusalém Palestina - Al Quds, com seus 200.000 moradores palestinos - ser reconhecida como a capital da Palestina.

Este é o único caminho a seguir, e ele exige abordar as realidades no terreno e desenvolver um plano razoável para a partilha da cidade. Planos de paz anteriores incluíram parâmetros básicos - as áreas judaicas de Jerusalém sob a soberania israelita, as áreas palestinas sob soberania palestina, tomando cuidados especiais para garantir a acessibilidade e atender as necessidades de todos, quando se trata de locais sagrados.

8. Não, o conflito em curso não é um impedimento para os objectivos dos E.U.A. no Oriente Médio.

Sim, é. O conflito em curso no Médio Oriente afecta os objectivos e interesses americanos na região, e a sua resolução é de particular importância para os objectivos da política externa dos E.U.A.

Actores como o Irão continuarão a usar o conflito nas suas guerras de representação contra os interesses americanos e israelitas. As organizações terroristas como a Al Qaeda continuarão a usar o conflito como uma ferramenta de recrutamento. Relações com os países aliados no Médio Oriente - como o Egipto, Turquia, Jordânia e outros - serão prejudicados pelo conflito em curso.

Conseguir dois estados e um acordo de paz global na região ajudará a estabilizar a região, enquanto constrói a credibilidade americana e apoia os seus interesses estratégicos. Além disso, garantir a própria segurança de Israel e o seu futuro é do interesse dos Estados Unidos. Assim, serve os interesses americanos prosseguir com ousadia e activamente a solução dos dois estados.

9. Não, uma solução de dois Estados é demasiado pouco e demasiado tarde. A única resposta é uma solução de um Estado.

Nós discordamos. Israelitas e palestinos ainda demonstram consistentemente o seu apoio a uma solução de dois Estados. No terreno, a solução de dois Estados ainda é possível (mas não será possível para sempre), e é a única solução que irá preservar a segurança de Israel, os judeus israelitas e os valores democráticos. E o cenário de um Estado não é solução, mas apenas uma receita para a violência e conflito perpétuo.

Pessimismo sobre a viabilidade da solução de dois Estados é uma preocupação real - e vai continuar a crescer, se não conseguirmos alcançar urgentemente o único acordo viável, uma solução de dois Estados.

10. Não, Israel não tem qualquer responsabilidade pela situação actual. Israel sempre desejou a paz, mas os árabes sempre se recusaram. O conflito e tudo a ele associado são 100% culpa dos árabes.

Sim, Israel tem a responsabilidade no conflito israelo-palestino. E sim, assim como os palestinos e outros países árabes. Qualquer um que afirma que um dos lados é inteiramente culpado - ou totalmente inocente - está ignorando as realidades actuais e históricas.

Mas isso não vem ao caso. O jogo da culpa tem de acabar. Muito tempo é gasto por ambos os lados tentando colocar a culpa de como chegamos onde estamos hoje e por isso, hoje, a paz continua a ser tão difícil de alcançar.

O que importa agora são as realidades no terreno e a urgência da situação. Se não agirmos de imediato para obter uma solução de dois Estados, arriscamos o próprio futuro de Israel e a viabilidade de um futuro, independente Estado da Palestina.


We hear far too many "Nos!" in the American Jewish and pro-Israel communities about why we can't ever achieve any reasonable compromise to the Israeli-Palestinian conflict.

We're turning these "Nos!" into "Yeses!" with the following short, rational responses.

1. No, there is no partner for peace.

Yes, there is a partner. The current Palestinian Authority leadership -- Palestinian President Mahmoud Abbas and Palestinian Prime Minister Salaam Fayaad -- are actually the most moderate and pro-peace Palestinian leaders the Palestinian Authority has ever had. Given the growing pull of extremism among some sectors of Palestinian society, they may just be the most moderate leaders we will ever have. Abbas has indicated that he acknowledges the tough compromises the Palestinians will have to make (including on the Right of Return) and the Jewish right to a homeland in the land of Palestine. And under their leadership, the Palestinian Authority has made enormous strides in improving security in the West Bank, building Palestinian government institutions in the past few years, and cracking down on hateful speech and incitement.

We must take advantage of this opportunity and pursue a negotiated two-state solution now with the current leadership of the Palestinian Authority - before it's too late.

2. No, land for peace is not the right way forward. We gave back Gaza and all we got was rockets.

Yes, land for peace remains the best - and only - formula for achieving Israeli security, and preserving Israel's Jewish character and democratic values.

The Gaza disengagement, however, was not an example of negotiating land for peace. The way that Israel withdrew from Gaza -- unilaterally and without negotiating security arrangements with the Palestinian Authority -- created a power vacuum that Hamas acted to fill. Had there been a negotiated withdrawal, it could have empowered moderate Palestinian leadership that would support negotiating with Israel for a two-state solution. Instead, the withdrawal empowered those would wage war against Israel.

3. No, we can't trust President Obama's commitment to Israeli security.

Yes we can. President Obama has consistently demonstrated, both through words and actions, a strong commitment to Israel's security. In fact, the Wall Street Journal recently reported that security cooperation between the US and Israel is significantly more extensive under President Obama than it was under President Bush. For example, the President recently requested an additional $205 million in funds for Israel's new missile defense system - something that was never funded by the US in the past.

President Obama's pursuit of a viable, lasting two-state solution to the Israeli-Palestinian conflict is further evidence of his commitment to Israel's security -- because achieving such a deal is the only way that Israel achieves real peace and security, and the only thing that can preserve Israel's Jewish character and democratic values.

4. No, we cannot want peace more than the Israelis and Palestinians.

Yes we can, and we should want it, regardless of the political moods among Israelis and Palestinians. This conflict is not merely a local issue for Israelis and Palestinians. It affects US national security interests in the region and around the world. Resolving the Israeli-Palestinian peace is in the vital national security interests of the United States.

Of course any viable peace deal will have to be accepted by both the Israelis and Palestinians. Thankfully, surveys consistently show large majorities of Israelis and Palestinians support a two-state solution.

The key is how to get there, especially when both sides' political systems make progress difficult. That is why a strong American role is so necessary -- to help the parties make the hard compromises necessary for peace, provide political cover to deal with anti-peace domestic political constituencies, employ important incentives and disincentives at the right moments, and suggest bridging proposals that will move the process forward.

5. No, there will never be peace as long as Hamas is in power in Gaza.

Yes, progress is possible even with Hamas in the picture.

Ultimately, a political resolution to the Israeli-Palestinian conflict will be advanced by Palestinian political reconciliation. This is why third party efforts to achieve reconciliation and a unity government, in which Hamas renounces violence and engages in the political process, are so important. Officials in such a unity government would work within a diplomatic process to achieve an acceptable two-state solution. Israel already does negotiate indirectly with Hamas over Gilad Shalit and has negotiated largely successful ceasefires in the past -- so it is not fantasy that Israel would be able to negotiate with such a unity government.

And importantly: the single most effective way to curb Hamas' power and popularity would be if President Abbas and Prime Minister Fayyad succeeded in delivering statehood to the Palestinians - jumpstarting a vibrant and growing democracy and economy in the West Bank. At that point, Palestinians will be faced with a clear choice between a growing, vibrant, safe, and secure state, and a fundamentalist regime. Given the choice, it is likely that the overwhelming majority of Palestinians would choose the pro-peace, pro-negotiation approach to achieving their political aspirations.

6. No, peace is not possible until the Palestinians recognize Israel as a Jewish State.

Yes it is. Israel's Jewish character is a matter of self-identification and it does not matter whether the Palestinians - or anyone else for that matter - recognize it as such. What does matter is that the Palestinians recognize Israel's right to exist - something President Abbas has done both in accepting the two-state solution and indicating he acknowledges the Jewish right to a homeland in the historic land of Israel and something the Palestinian Liberation Organization did during the Oslo Process. And what matters, too, is that Israel's leaders take the appropriate steps to ensure Israel's Jewish majority and character by urgently pursuing a two-state solution.

7. No, there can be no compromise on Jerusalem, because it belongs exclusively to Israel and the Jewish people.

Yes, there must be a compromise regarding Jerusalem. Jerusalem will ultimately be shared in some manner, and it will be a good thing for Israel. Jerusalem holds a unique place in the hearts of the Jewish people, and is also of great importance to Christians and Muslims. It is because of that significance that it is among the most difficult issues to address in resolving the conflict - and why we must do all that we can to ensure a peaceful, accessible future for the city.

The only way that Israel will remain secure, Jewish, and democratic is through the two-state solution. And the two-state solution is only possible if both Israeli and Palestinian claims to Jerusalem are reconciled. This must mean finding a way for Israeli Jerusalem -Yerushalayim - to be recognized as Israel's capital, and Palestinian Jerusalem - al Quds, with its 200,000 Palestinian residents - to be recognized as the capital of Palestine.

This is the only way forward, and it requires addressing the realities on the ground and developing a reasonable plan for sharing the city. Previous peace plans have included basic parameters - the Jewish areas of Jerusalem falling under Israeli sovereignty, Palestinian areas falling under Palestinian sovereignty, and special care taken to ensure accessibility and meet the needs of all when it comes to holy sites.

8. No, the ongoing conflict is not an impediment to US goals in the Middle East.

Yes it is. The ongoing conflict in the Middle East effects Americans goals and interests in the region, and resolving it is of particular importance to US foreign policy goals. Actors like Iran continue to use the conflict in their proxy wars against American and Israeli interests. Terrorist organizations like Al Qaeda continue to use the conflict as a recruiting tool. Relationships with allied countries in the Middle East - like Egypt, Turkey, Jordan, and others - are undermined by the ongoing conflict.

Achieving two states and a comprehensive regional peace agreement will help stabilize the region, while building American credibility and supporting strategic interests. Additionally, ensuring Israel's own security and future is in America's interest. Therefore, it serves American interests to boldly and actively pursue two states.

9. No, a two-state solution is too little, too late. The only answer is a one-state solution.

We disagree. Israelis and Palestinians still consistently demonstrate their support for a two-state solution. On the ground, the two-state solution is still possible (but it won't be possible forever), and it is the only solution that will preserve Israel's security and Israelis Jewish and democratic values. And the one-state scenario is no solution, but only a recipe for perpetual violence and strife.

Pessimism about whether viability of the two-state solution is a real concern - and will continue to grow unless we can urgently achieve the only viable deal, a two-state solution.

10. No, Israel bears no responsibility for the situation today. Israel has always wanted peace, but the Arabs have refused. The conflict and everything associated with it is 100% the fault of the Arabs.

Yes, Israel bears responsibility for the Israeli-Palestinian conflict. And yes, so do the Palestinians and other Arab states. Anyone who asserts that one side is entirely to blame - or entirely blameless - is ignoring present and historical realities.

But this is beside the point. The blame game needs to end. Too much time is spent by both sides trying to lay blame for how we got where we are today and why peace today remains so hard to achieve.

What matters now are the realities on the ground and the urgency of the situation. If we don't act immediately to achieve a two-state solution, we risk Israel's very future and the viability of a future, independent State of Palestine.

15 maio, 2010

Palestinos celebram o Dia da Catástrofe (Nakba)

Palestinians mark Nakba Day | The Jerusalem Post | Associeted Press

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Os líderes do Hamas e da Fatah marcham em Gaza 62 anos após a "catástrofe".
 
Rivais palestinos marcharam juntos, neste sábado, numa rara demonstração de unidade marcando 62 anos de exílio devido à guerra motivada pela criação de Israel. 

Activistas de grupos rivais Hamas e Fatah empunhando bandeiras palestinas e uma chave gigante simbolizando as suas esperanças para o retorno, como parte das comemorações anuais do que chamam de "catástrofe", ou Nakba, em árabe. Os nomes das cidades e vilas esvaziadas durante a guerra foram escritos ao longo da chave, ao lado do slogan "Vamos voltar." 


O sofrimento dos refugiados - que fugiram ou foram expulsos de suas casas durante a guerra de 1948 entre israelitas e árabes - é uma das questões mais polémicas para os palestinos e Israel resolverem.

Negociadores palestinos exigiram, pelo menos, uma repatriação, parcial. Israel recusou, dizendo que um influxo de refugiados diluiria a maioria judaica de Israel e ameaçaria a existência do Estado. 

Os governantes do Hamas em Gaza convidaram os seus rivais da Fatah para participarem na marcha deste sábado, um gesto raro do grupo militante islâmico desde que se apoderou de Gaza e expulsou as forças do Fatah em Junho de 2007. Em anos anteriores, as diferentes facções palestinas organizaram os seus próprios eventos, destacando a sua incapacidade de trabalhar em conjunto sobre questões fundamentais. 


Não foram feitos discursos políticos  - numa aparente homenagem às diferenças ideológicas fundamentais entre o Hamas e a Fatah. Aos manifestantes também foi solicitado que não usassem bandeiras dos seus partidos. Algumas mulheres da Fatah deram a volta à proibição usando lenços de cabeça amarelos, a cor do seu movimento. 

Cerca de 4,7 milhões de refugiados palestinos e seus descendentes estão espalhados por toda a Cisjordânia, Gaza, Líbano, Jordânia e Síria, segundo dados da ONU. Cerca de um terço ainda vivem em campos de refugiados apoiados pela ONU .
 
No comício de Gaza, a manifestante Amina Hasanat, de 50 anos, expôs documentos esfarrapados que disse provarem que a sua família possuía uma casa e terrenos onde é agora é a cidade de Beersheba em Israel. "Eles (os judeus) podem voltar de onde vieram, nós vamos voltar para nossas casas e terras", afirmou Hasanat. 

Na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, centenas de palestinos, motoristas e de peões, pararam por um minuto ao som de sirenes para marcar o aniversário. Ocorreram manifestações menores noutras cidades da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
 

No Líbano, o grupo militante Hezbollah, que travou uma guerra de guerrilha contra as forças israelitas até estas se retiraram do sul do Líbano em 2000, declarou num comunicado que "a resistência e sacrifício" são a única forma de retomar as terras reclamadas pelos árabes.

"No 62. º aniversário da Nakba, apelamos a todos os árabes para manter viva a causa palestina aos olhos e nos corações de todas as gerações", disse o Hezbollah, que também lutou contra Israel numa guerra de 34 dias em 2006 que deixou cerca de 1.200 libaneses e 160 israelitas mortos. 

O Egipto, por sua vez, abriu a sua fronteira de passagem para Gaza,
normalmente encerrada, neste sábado, a primeira vez em 75 dias, para permitir que doentes e outros moradores em Gaza, com residência no estrangeiro, saíssem do território bloqueado.

Israel e o Egipto tem mantido as fronteiras de Gaza, em grande parte fechadas desde a tomada do poder pelo Hamas em 2007, mas o Egipto, periodicamente, abre o terminal de passageiros de Rafah com Gaza para permitir que possam atravessar gazanos em dificuldades.

09 maio, 2010

OLP aprova conversações indirectas com Israel

OLP aprova conversações indirectas com Israel - Mundo - PUBLICO.PT artigo assinado por Isabel Gorjão Santos.

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Acrescento à notícia do Público:

Ficaram estipulados quatro meses de negociações indiretas sob a forma de diplomacia de vaivém entre Jerusalém, a cidade de Ramallah, na Cisjordânia, e em Washington.

[Faço notar que os EUA mais uma vez aceitam negociar em Jerusalém com os israelitas, não respeitando, em minha opinião, a resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, adoptada em 20 de Agosto de 1980 1)].

Apesar de Mahmud Abbas ter aceite abrir estas negociaçõesa, em nome da OLP, parece não existir unanimidade no seio desta organização no tocante a esta decisão.
Qais Abu Laila da Frente Democrática para a Libertação da Palestina, declarou que:

"Nós acreditamos que as promessas americanas não representam garantia suficiente de que o processo produza resultados concretos"

Quanto ao Hamas, que não está representado na OLP, condenou esta decisão, tendo o seu porta-voz Fawzi Barhum afirmado que a OLP "perdeu toda a legitimidade".
  
"Esta decisão constitui um novo alento para o ocupante e para as suas políticas de colonização, servindo apenas os seus interesses e os dos americanos", afirmou Barhum, acusando a Autoridade Palestiniana de Abbas de receber "dinheiro americano" para apoiar as negociações com Israel.

Notas:

1) A resolução 478 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, adoptada em 20 de Agosto de 1980, declarou que a legislação israelita conhecida como a “Lei Jerusalém”, que declara Jerusalém como "eterna e indivisível capital de Israel", uma violação do direito internacional, afirmando que o Conselho de Segurança não reconheceria tal Lei, e instando os Estados membros a aceitar a decisão do conselho.

Esta resolução também insta os Estados membros a retirar as suas missões diplomáticas da cidade.

A resolução foi aprovada com 14 votos a favor, nenhum contra e com a abstenção dos Estados Unidos.

30 maio, 2009

Voz calma, Grande Pau, por Uri Avnery


Esta é a crónica de Uri Avnery datada de há uma semana atrás e que só agora é publicada por manifesta falta de recursos na oportunidade.

Continuamos a solicitar o apoio de tradutor@s pro bono, bem como de colaborador@s que tenham interesse por esta causa.

Barack Obama é frequentemente comparado a Franklin Delano Roosevelt, mas é de um outro Roosevelt que ele segue o exemplo: O Presidente Theodore Roosevelt, que, 108 anos atrás, aconselhou os seus sucessores: "Falem suavemente e tenham na mão um grande pau!".

Esta semana, o mundo inteiro viu como isso é feito. Obama, sábado no Gabinete Oval, lado a lado com Binyamin Netanyahu, falou aos jornalistas. Estava sério, mas descontraído. A linguagem corporal falou claramente: Netanyahu inclinando-se assiduamente para a frente, como um bufarinheiro vendendo a sua mercadoria, Obama inclinado para trás, tranquilo e seguro de si.

Ele falou suavemente, muito suavemente. Mas inclinado contra a parede por detrás dele, escondido pela bandeira, estava na verdade um grande pau.

O MUNDO queria, naturalmente, saber o que se passou entre os dois quando se encontraram sozinhos.

Regressado a casa, Netanyahu esforçadamente tentou apresentar a reunião como um grande sucesso. Mas após os holofotes desligados, o tapete vermelho enrolado, podemos analisar o que tínhamos realmente visto e ouvido.

Entre as suas grandes proezas, Netanyahu enfatizou a questão iraniana. "Chegámos a um acordo completo", anunciou orgulhosamente uma e outra vez.

Acordo sobre o quê? Sobre a necessidade de impedir o Irão de obter "capacidade nuclear militar".

Só um momento. O que é que ouvimos, "militar"? De onde é que esta palavra apareceu de surpresa? Até agora, todos os governos israelitas insistiram que o Irão deveria ser impedido de adquirir qualquer capacidade nuclear de todo. A nova fórmula significa que o governo Netanyahu aceita agora, que o Irão tenha uma "não militar" - que nunca está muito longe da "militar" - capacidade nuclear.

Esta não é a única derrota de Netanyahu sobre a questão iraniana.

Antes da sua viagem, exigiu que Obama desse ao Irão apenas três meses, " até Outubro", e que, depois "todas as opções estariam sobre a mesa". Um ultimato, que incluía uma ameaça militar.

Nada disto ficou.

Obama disse que iria conduzir um diálogo com o Irão até o final do ano, e que então teria de avaliar o que tinha sido alcançado e considerar o que fazer a seguir. Se ele chegasse à conclusão de que não tinha havido progresso, tomaria novas medidas, incluindo a imposição de sanções mais severas.

A opção militar tinha desaparecido.

É verdade que, antes da reunião Obama dissera a um jornal que "todas as opções estão sobre a mesa", mas o facto de que ele não o repetir na presença de Netanyahu diz tudo.

Sem dúvida que Netanyahu pediu permissão para atacar o Irão, ou - no mínimo – para ameaçar de tais ataques. A resposta foi um Não absoluto.

Obama está decidido a evitar um ataque israelita. Ele tem alertado o governo de Israel de forma inequívoca. Só para ter a certeza de que a mensagem teria sido adequadamente absorvida, enviou o chefe da CIA a Israel para a entregar pessoalmente a todos os líderes israelitas.

O plano israelita para um ataque militar ao Irão foi retirado da mesa - se alguma vez esteve lá.

Netanyahu pretendia ligar o Irão com a questão palestina, de forma negativa: enquanto existir o perigo iraniano, a questão palestina não pode ser tratada.

Obama inverteu a fórmula e fez uma ligação positiva: progressos na questão palestina são uma condição prévia para um progresso sobre a questão iraniana.

Isto faz sentido: os conflitos não resolvidos estão a alimentar o Irão, dando-lhe um motivo para ameaçar Israel e enfraquecer a oposição, do Egipto e da Arábia Saudita, às ambições do Irão.

A principal mensagem de Obama diz respeito a uma questão que retornou ao centro da cena esta semana: colonatos.

Esta palavra praticamente desaparecera durante o reinado de Bush, o Júnior. É verdade, que todas as administrações dos E.U.A. se opuseram à expansão dos colonatos, mas, desde a fracassada tentativa, de James Baker, o secretário de Estado de Bush, o Velho, de impor sanções a Israel, ninguém mais se atreveu a fazer qualquer coisa acerca disso. Em Washington resmungam, com os fundamento que criaram. Em Jerusalém dissimulam, e sobre o terreno, construíram.

Como um chefe palestino observou: "Estamos a negociar sobre a divisão da pizza e, entretanto, Israel já está comendo."

Tem de ser repetido uma e outra vez: os assentamentos são um desastre para os palestinos, um desastre para a paz e uma dupla ou tripla catástrofe para Israel.

Primeiro, porque o seu principal objectivo é fazer com que o estabelecimento de um Estado palestiniano seja impossível e, assim, impedir a paz para sempre.

Em segundo lugar, porque eles sugam a medula da economia israelita e engolem recursos que deveriam ser utilizadas para ajudar os pobres.

Terceiro: porque os colonatos minam o Estado de direito em Israel, propagam o cancro do fascismo e empurram todo o sistema político para a direita.

Portanto Obama está certo quando coloca a questão dos colonatos à frente de tudo o resto, mesmo à frente das negociações de paz. Uma paragem total na construção dos colonatos vem antes de qualquer outra coisa. Quando um corpo sangra, a hemorragia tem de ser estancada antes de que a doença possa ser tratada. Caso contrário, o paciente vai morrer de perda de sangue e não haverá ninguém para tratar. Este é precisamente o objectivo de Netanyahu.

Esta é a razão porque Netanyahu se recusou a aceder ao pedido. De outra forma a sua coligação iria por água abaixo e seria obrigado a demitir-se ou a criar uma coligação alternativa com o Kadima. A infeliz Tzipi Livni, que não encontrou um papel na oposição, provavelmente não deixaria escapar a oportunidade.

Netanyahu tentará usar Barak contra Barack.

Com a ajuda de Ehud Barak está colocando em cena uma performance de "demolir postos avançados", a fim de desviar a atenção da construção em curso nos colonatos. Veremos se este truque tem sucesso e se a liderança dos colonos vai desempenhar o seu papel nesta charada. No dia seguinte ao regresso de Netanyahu, Ehud Barak demoliu pela sétima vez (!) Maoz Esther, um posto avançado composto de sete cabanas de madeira. Poucas horas depois, os colonos regressaram ao local.

(O exército israelita construiu uma aldeia Árabe, inteira, no Negev para fins de treino. Alguém ironizou esta semana que o exército também tinha construído este posto avançado que é lotado com soldados disfarçados de colonos, de modo que pode ser demolido, cada vez que exista pressão da América. Depois os soldados constroem tudo de novo, pronto para ser utilizado na próxima vez que a pressão seja exercida).

A RECUSA DE congelar os colonatos significa a recusa de aceitar a solução dos Dois Estados. Em vez disso, Netanyahu faz malabarismos com slogans vazios. Fala sobre "dois povos que vivem juntos em paz", mas recusou-se a falar de um Estado palestino.

Um dos seus assessores apelidou a exigência dos Dois Estados de "jogo infantil". Mas este não é, de todo, um jogo infantil. Já foi provado que, negociações onde os objectivos não tenham sido previamente definidos, não levam a qualquer lugar. O Acordo de Oslo colapsou precisamente por este motivo. Netanyahu espera que a próxima ronda de negociações, também fracasse por causa disso.

Ele não apresentou um plano de sua própria iniciativa. Não porque não tenha nenhum plano, mas porque ele sabe que ninguém o iria aceitar.

O plano de Netanyahu é: o total controlo israelita sobre todo o território entre o Mar Mediterrâneo e o rio Jordão. Ilimitada colonização judaica por todo o lado. Limitado auto-governo para uma série de enclaves palestinos com uma densa população palestina, que serão cercados por colonatos. Jerusalém, na sua totalidade permanecerá como parte de Israel. Nem um único refugiado palestino regressará ao território de Israel.

Esta mercadoria não vai encontrar compradores no mundo inteiro. Então Netanyahu, um vendedor profissional, tenta embrulhá-la num belo pacote.

Por exemplo: os palestinianos vão "governar-se a eles próprios".

Onde exactamente? Aonde serão as fronteiras? Ele já declarou que os palestinos não podem ter controlo sobre "o seu espaço aéreo ou as suas fronteiras". Um estado sem forças armadas e sem controlo sobre o seu espaço aéreo e as passagens de fronteira – parece-se suspeitosamente com os Bantustans do falecido regime racista de apartheid na África do Sul.

Eu não ficaria surpreso se, em qualquer momento no futuro, Netanyahu começasse a chamar a estas reservas nativas "um Estado palestiniano".

No entretanto, ele tenta ganhar tempo e adiar as negociações o mais tempo possível.

Ele exige que os palestinos reconheçam Israel como "o estado do povo judeu", esperando e tendo esperança que eles rejeitarão esta ideia com as duas mãos. E, de facto, aceitar isso significaria desistir desde logo, do seu principal trunfo - a questão dos refugiados - e também espetar uma faca nas costas dos 1,5 milhões de palestinos que são cidadãos de Israel.
Netanyahu está pronto para aceitar a proposta de Obama de envolver os estados árabes e outros estados muçulmanos no processo de paz - uma ideia que tem sido sempre rigorosamente rejeitada por todos os governos de Israel. Mas isto é apenas mais um dos coelhos que ele vai tirar do seu chapéu de tempos a tempos, a fim de adiar tudo.

Antes de dezenas de estados árabes, e talvez mais de cinquenta estados muçulmanos decidirem aderir ao processo, meses, talvez anos, vão passar. E, entretanto, Netanyahu exige deles um pagamento adianto, sob a forma da normalização - o que significa que todo o mundo árabe e muçulmano daria o seu único trunfo sem obter nada em troca. Pura gorjeta.

Este é o plano de trabalho de Netanyahu.

TEM Obama um plano de paz?

Se colocarmos todas as suas declarações dos últimos dias juntas, parece que ele tem.

Quando ele fala de "dois Estados para dois povos", praticamente aceita o plano de paz que, por agora, se tornou um consenso em todo o mundo: como os "parâmetros" apresentadas por Bill Clinton, nos seus últimos dias de mandato; como a parte central da proposta de paz saudita; e como os planos de paz do movimento da paz israelita (o projecto de acordo de paz da Gush Shalom, a iniciativa de Genebra, a declaração Ayalon-Nusseibeh e mais).

Em suma: um Estado Palestino soberano e viável, lado a lado com Israel; as fronteiras pré-1967 - com pequenas e acordadas trocas territoriais; o desmantelamento de todos os colonatos que não fiquem ligados a Israel, nas trocas territoriais; Jerusalém Oriental como capital da Palestina e Jerusalém Ocidental como capital de Israel; uma solução mutuamente aceitável para o problema dos refugiados; uma passagem segura entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza; acordos mútuo em matéria de segurança.

ENTRETANTO, por todo o mundo, há um consenso crescente de que a única maneira de pôr as rodas da paz em movimento novamente será Obama publicar o seu plano de paz e convocar ambas as partes a aceitá-lo. Se necessário, em referendos populares.

Obama poderia fazer isso no discurso que fará daqui a cerca de uma semana no Cairo, durante a sua primeira visita presidencial ao Médio Oriente. Não é por acaso, que não irá a Israel durante esta visita, algo quase sem precedentes para um presidente dos E.U.A.

Para fazer isso, deve estar pronto para confrontar o poderoso lobby israelita. Parece que está pronto para isso. O último presidente que se atreveu a fazer isso foi Dwight D. Eisenhower, que obrigou Israel a devolver o Sinai logo após a guerra 1956. "Ike" foi tão popular que não tinha receio do lobby. Obama não é menos popular, e talvez tenha a mesma ousadia.

Como "Teddy" Roosevelt sugeriu: quando alguém tem um grande pau, não tem que o brandir. Pode dar-se ao luxo de falar suavemente.

Espero que Obama irá efectivamente falar suavemente - mas de forma clara e inequívoca.

14 março, 2009

Anais do Seminário: Palestina - Conhecer para Agir

Iremos procurar publicar as comunicações que foram proferidas no Seminário: "Palestina - Conhecer para Agir", organizado pela Amnistia Internacional (Portugal), ATTAC (Portugal), CIDAC, Fórum pela Paz, Graal, neste sábado, em Lisboa.
Este é o primeiro documento e refere-se à comunicação de Tariq Al-Khudayri (1).
 
" O dilema do Estado Palestiniano".

O filósofo alemão, Kant, comentou uma vez: "Se a história mundial culminar na paz universal, sê-lo-á através da sua moralização ou através de uma catástrofe de tal magnitude que não permita qualquer outra saída?"

Ao avaliar o processo de paz no Médio Oriente, que há demasiado tempo tem considerado como solução a existência de dois Estados na Palestina, confrontamo-nos com uma situação que pode conduzir à segunda alternativa acima descrita, ou seja, a catástrofe, já que uma aproximação baseada na moral nunca foi eficaz.

Para chegar a este ponto, temos de recordar que o dilema fundamental do povo palestino nos tem acompanhado desde a divisão da Palestina através da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas (181), em Novembro de 1947, cujo principal objectivo era criar um estado para o povo judeu cujos antepassados ocuparam parte desta terra como estado que sobreviveu por algum tempo, há dois mil e quinhentos anos.

Esta resolução que ignorou as trágicas consequências sobre a actual população árabe que a ocupa há cerca de um milénio e meio pode também ser criticada pelo seu plano irrealista, geograficamente falando, de acomodar dois estados, já que o Estado palestino estava a ocupar dois territórios separados, um adjacente à margem ocidental do rio Jordão e o outro no Mar Mediterrâneo.

Essa resolução, aprovada sob a pressão das potências vitoriosas da Segunda Guerra Mundial, foi seguida por um processo de limpeza étnica lançado por militantes sionistas antes do estado de Israel ser oficialmente criado em 15 de Maio de 1948.
Esta acção compeliu um grande número de palestinos a sair das suas casas, com a maioria deles a fugir para países vizinhos, tomando-se no primeiro grupo de refugiados.

Depois dessa data, cinco dos sete países árabes que até então eram independentes, estiveram envolvidos em guerra com Israel, a fim de ajudar os palestinos a manter a sua posição nos territórios que lhes tinham sido atribuídos pela Resolução da ONU. Israel, com a sua bem equipada força militar, que inclui pessoal treinado nalguns países ocidentais, conseguiu ocupar mais terra, afastando mais palestinianos dos territórios que lhes foram atribuídos pela Resolução, aumentando o número de refugiados.

Assim, Israel alargou a sua área de 54% para 74% da Palestina original.

A ONU, nos seus esforços para resolver o problema, designou um mediador independente para esse fim. Após o assassinato do mediador por uma organização de militantes sionistas, a ONU convocou uma Conferência de que resultou o que ficou conhecido como protocolo de Lausanne, cujos termos foram acordados entre quatro países árabes e Israel.

No entanto, Israel nunca respeitou as cláusulas quanto à devolução dos territórios recentemente ocupados ou ao regresso dos refugiados palestinianos, fazendo uso da sua posição de membro de pleno direito da ONU para bloquear tal recurso.

Em 1956, Israel tentou expandir o seu território pelo Sinai através de uma acção militar, apoiada e em colaboração com o Reino Unido e a França, que estavam a tentar obter o controlo do canal do Suez, recentemente nacionalizado pelo Egipto. Mas quando foi lançado um ultimato pelos E.UA. e pela URSS, para acabar com esta acção militar colonial, condenada em todo o mundo, a tentativa de Israel e dos seus aliados falhou. Contudo, Israel tomou outra iniciativa, mais uma vez, em 1967, quando suas forças militares através de um ataque furtivo derrotaram três dos seus vizinhos estados árabes, para ocupar não só a Palestina, mas também alguns territórios do Egipto e da Síria.

Em 1982, Israel invadiu o Líbano para aniquilar facções palestinas que tinham começado a formar uma entidade nacional político-militar rio exílio, com o objectivo de lutar pelos seus direitos e obrigar Israel a acatar a Resolução 242 da ONU, que fora aprovada depois da guerra de 1967.

Essa acção também foi condenado pelas Nações Unidas, que exortou Israel a retirar de todos os territórios ocupados. Mais uma vez, Israel nunca obedeceu excepto parcialmente quando sentiu o resultado negativo e o pesado fardo de uma tal acção contra o Líbano, mas só depois de um grande número de refugiados palestinos no Líbano terem migrado para outros países árabes. 

Os palestinianos têm vivido uma história miserável de emigração-imigração, morte e devastação desproporcionadas face a qualquer objectivo moral.

Todos os esforços feitos para alcançar a paz através de uma solução dois-estados nunca foi seriamente considerada por Israel, sustentada sobretudo no apoio dos seus aliados, principalmente os Estados Unidos, que nunca conteve o seu expansionismo ou condenou as suas atrocidades.

Ainda antes da conferência de Paz de Madrid, negociação apenas significava para Israel uma oportunidade para manter o status quo, ao mesmo tempo que introduzia novos elementos para obter mais ganhos nas próximas negociações.

É um dado adquirido que Israel nunca assumiu nenhum compromisso concreto quanto à sua retirada dos territórios ocupados após a guerra de seis dias de 1967, em conformidade com a Resolução 242 da ONU, nem em relação ao regresso ou às compensações aos refugiados, nem tão pouco sobre o estatuto de Jerusalém.

Esta situação conduziu à adopção de uma atitude mais dura por parte dos palestinos, determinados a usar todos os meios para resistir a qualquer plano que pudesse acondicionar a ambição de Israel que nunca foi enunciada de forma clara e em pormenor, em qualquer momento, desde a primeira Conferência Mundial sionista de 1897.

Esta conferência reclamou a constituição de um estado para os judeus, a maior parte dos quais tinha sido vítimas na Rússia e noutros países europeus.

Hoje, influentes políticos de extrema-direita em Israel anunciam publicamente que toda a Palestina deveria estar sob controlo e integrando o estado israelita, incluindo alguns locais com autonomia administrativa para os palestinos que queiram aceitar tal situação, enquanto a sua maioria deveria ser deportada. Além disso, insistem que os países árabes devem aceitar Israel como parceiro, com fronteiras abertas para estabelecer relações normais. Como tal, os que expressem as suas opiniões contrárias ou recorram às armas a fim de proteger seus direitos contra este tipo de regime, como o Hamas, são considerados terroristas.

A comunidade internacional ainda tende para uma solução pacífica que culmine com dois estados. Mas se Israel insiste em manter a sua presença e a hegemonia, instalando os seus colonatos, enquanto força a mais mudanças demográficas nos territórios ocupados, ninguém consegue antever a possibilidade prática de uma tal solução. Neste contexto, as seguintes questões sobre a criação de um Estado palestiniano que possa manter um estatuto normal ao lado de Israel, carecem de respostas sérias e práticas:

  • Com a imparável construção de colonatos judaicos na Cisjordânia por parte de Israel que começou na década de 1970 e nunca mais parou, mesmo após o processo de paz de Oslo de 1993, como pode existir um Estado Palestino viável com tais colonatos espalhados no meio das suas terras com altos muros erigidos nos seus territórios?

  • Que tipo de Estado Palestino seria se a sua capital se situasse numa pequena cidade longe da histórica cidade de Jerusalém que abriga a herança cultural do seu povo há mais de treze séculos?

  • Que tipo de Estado Palestiniano seria se negligenciasse os direitos do seu povo espalhado por campos de refugiados em diferentes países, sem um esquema de compensação ou reabilitação no seu próprio Estado?

  • Como pode a paz ser negociada apenas com alguns dos representantes Palestinianos enquanto uma grande facção dos que foram eleitos democraticamente é negligenciada?

  • Por último, mas não menos importante, que tipo de acordo pode ser feito que garanta que as duas partes do território atribuídas aos palestinos, Gaza e Cisjordânia, pela Resolução das Nações Unidas (181) não tenham proximidade geográfica?
O conflito do Médio Oriente tem de ser dirigido por uma liga internacional independente e moralmente obrigada, que possa considerar seriamente a iniciativa dos países árabes de 2002 em toda a sua extensão, sem demora ou negociação fragmentada que possa alterar ou modificar qualquer dos seus termos, A única excepção seria para planear as modalidades de implementação, sem modificar os seus princípios em relação à terra, o estatuto dos refugiados ou o futuro de Jerusalém, tal como preconizado por inúmeras resoluções da ONU.

Para discutir as questões envolvidas, gostaria de salientar as seguintes observações para garantir uma abordagem sóbria e verdadeiramente imparcial:
  • Nem todos os Árabes são Muçulmanos, e nem todos os Muçulmanos são Árabes.
  • Nem todos os Judeus são Sionistas, e nem todos os Sionistas são Judeus.
  • O fundamentalismo religioso é um estado de espírito relacionado com crenças espirituais, e que nem todos os fundamentalistas são fanáticos.
  • O fanatismo pode abrir espaço para actos terroristas. Mas temos de enfrentar o facto de que os actos e os comportamentos terroristas podem ser despoletados por sentimento, individuais ou colectivos, de injustiça relacionada com problemas políticos ou económicos, incluindo o colonialismo. Lutar contra a tirania e pela liberdade nunca deve ser classificado como um acto de terror.
  • Entre a liderança Palestiniana, a Organização de Libertação da Palestina (OLP) e as suas facções associadas, muitos de seus altos funcionários são cristãos cujas iniciativas como organizadores e intelectuais têm sido notadas a nível regional, bem como intemaciona1.
  • Uma boa parte dos Judeus por todo o mundo, em particular alguns dos seus líderes espirituais, opuseram-se à criação de um estado para o povo judeu, devido às suas crenças de que o Judaísmo é uma religião mundial, em vez de uma sociedade étnica confinada a um estado. Neste contexto, tem de se reconhecer que existem muitos judeus que se consideram árabes, já que fazem parte da população dos territórios árabes e têm ali as suas raízes, bem como os seus santuários religiosos há séculos.
(1) TARIQ Al-KHUDAYRI

Nasceu em 15 de Dezembro de 1929, em AI-Amarah, no Iraque.

Licenciado em Gestão de Re­cursos Químicos, pela Universi­dade Americana de Beirute, Libano;
Mestre em Engenharia Química de Petróleos, pela Uni­versidade Estadual de Oklahoma, E.U.A.;
Doutor em Engenharia Química, pela Universidade Esta­dual de Michigan, E.U.A.;

Professor, Chefe do Departamen­to de Engenharia Química e, mais tarde, Reitor-Assistente do Colé­gio de Engenharia da Universi­dade de Bagdad, Iraque, de 1960 a 1968.
Profissionalmente, foi:
Consultor em Engenharia e Indústria de várias empresas públicas e privadas, incluindo: Ministério do Petróleo e Ministério da Indústria, Iraque;
Instituto de Investigação Industrial, Líbano;
Centro de Desenvolvimento Industrial dos Estados Árabes, Egipto. (1967-1973).
Conselheiro Regional em De­senvolvimento Industrial, nomea­do pela Comissão Social e Econó­mica das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (1973-1982). Presidente do Programa de Cooperação Técnica para os Estados Árabes, da Organização para o Desenvolvimento Indus­trial das Nações Unidas (1982­1990)
Membro do American lnstitute of Chemical Engineers.
Membro do Conselho Consultivo Interna­cional da publicação Energy Communication, durante mais de 10 anos.
Membro do Conselho do Sindicato dos Engenheiros e da Ordem dos Engenheiros Ira­quianos. entre 1965 e 1968.

Publicou numerosos trabalhos relacionados com tecnologia quí­mica, economia de projectos de engenharia e desenvolvimento industrial, com particular ênfase em ensaios sobre diversos temas socioeconómicos relacionados com o mundo árabe.

Como membro da Organiza­ção Árabe para os Direitos Huma­nos, participou em numerosos seminários e conferências, produ­zindo publicações sobre assuntos relevantes, particularmente os relacionados com aspectos sociopolíticos nos países árabes.

Estudioso de Filosofia, empe­nhou-se em estudar os acontecimentos históricos que influenciaram as tendências do compor­tamento social e o nível de vida no mundo árabe, publicando as respectivas notas.

Publicou em Português:
Palestina - A Saga de um Povo
Al-Khudayri, Tariq Hugin Editores, 2002. ISBN: 9727941370 / 972-794-137-0EAN: 9789727941377