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24 julho, 2010

ONU ao invés de reforçar exigência do levantamento do bloqueio cede a chantagem de Israel

O Hamas classificou neste sábado de "inaceitável" a recomendação feita na sexta-feira pela ONU para que a ajuda à Faixa de Gaza seja enviada por via terrestre, e não marítima, por temor a novas operações israelitas.

"Existem rotas estabelecidas para que a ajuda entre por via terrestre. É desta forma que a ajuda deveria ser enviada aos habitantes de Gaza", declarou na sexta-feira o porta-voz das Nações Unidas, Martin Nesirky, destacando ser "este um período sensível de diálogo indirecto entre palestinos e israelitas".

"O pedido da ONU às organizações internacionais em favor da utilização de estradas para Gaza em vez do mar é inaceitável e ilegal", afirmou o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zahri.

Para este porta-voz, a posição da ONU pode ser considerada "uma colaboração com o ocupante israelita".

"A maior parte dos moradores (da Faixa de Gaza) ainda não pode deixar o território. É por isso que este apelo representa uma contribuição ao bloqueio", acrescentou, pedindo que as organizações internacionais ignorem as recomendações das Nações Unidas.

Por sua vez o ministro israelita da Defesa, Ehud Barak, advertiu na sexta-feira que Israel interceptará qualquer barco que deixar o Líbano em direcção à Faixa de Gaza.

É normal que a ONU esteja preocupada com as ameaças de Israel sobre qualquer ajuda humanitária que tente chegar à Faixa de Gaza por via marítima, pois foi provado na abordagem do Mavi Marmara que para Israel a vida humana nada vale.

Mas entendo que as declarações da ONU deveriam ir antes no sentido da exigência do levantamento imediato e sem restrições do bloqueio a Gaza e não no aceitar a infamante chantagem de Israel.

Aliás basta analisar o gráfico acima, produzido pela UN OCHA e publicado no seu relatório semanal, para concluir que a via terrestre não tem capacidade, actualmente, para escoar as mercadorias necessárias à subsistência da população de Gaza, ao nível de Jan-Jun 2007. Isto sem contar com o acréscimo necessário para dar resposta à reconstrução de infra-estruturas básicas, de hospitais e centros médicos, de escolas e de creches, e de outros edifícios públicos e ainda de habitações destruídas, como de alvos militares se tratassem, por Israel ao longo do tempo.

03 junho, 2010

Rabis apelam ao levantamento do cerco a Gaza e à realização da paz.

NB: Para saber mais sobre este movimento e como participar, sendo crente de uma qualquer religião ou não crente, leia o nosso post de 10 de Julho de 2009, anteriormente publicado no "Fórum Palestina" sob o título Rabinos jejuam e apelam ao jejum de crentes e não crentes, em solidariedade com Gaza e pela Paz.

Publico esta newsletter recebida hoje para vos dar a conhecer mais uma nuance na paleta de mil cores que representa a solidariedade com o Povo da Palestina. 


Ta'Anit Tzedek-Jewish Fast for Gaza Newsletter


June 2010


Caro apoiante da Ta'anit Tzedek,

Enviamos este boletim especial em resposta ao ataque mortal de Israel a um dos navios da flotilha "Liberdade para Gaza" (Freedmom Flotilla).

A Ta'anit Tzedek foi fundada há um ano com três objectivos: quebrar o silêncio, levantar o cerco e buscar a paz.

Este último ataque trágico e imoral por parte de Israel é outra consequência desastrosa do cerco imposto por Israel sobre Gaza.

Ta'anit Tzedek condena o ataque e apela a realização de uma investigação imparcial e credível. Acreditamos que os responsáveis por esse ataque devem ser responsabilizados, assim como temos repetidamente (até agora sem sucesso), pedido uma investigação imparcial e a responsabilização por acções durante a Operação Cast Lead [Chumbo Fundido].

Embora os detalhes do ataque sejam importantes, a questão principal é o cerco imposto por Israel sobre Gaza, com a cumplicidade dos Estados Unidos e da União Europeia.

A Flotilha de Gaza Livre, como a Gaza Freedom March [Marcha da Liberdade] em Dezembro, assim como Ta'anit Tzedek e muitas outras iniciativas levadas a efeito por diferentes organizações, são esforços populares para destacar o cerco e o imenso sofrimento que causa ao povo de Gaza.

O cerco imoral deve ser levantado.

Apelamos ao Presidente [dos EUA] e ao Congresso para que insistam no fim do cerco a Gaza. Também apoiamos todas as acções do governo dos E.U.A. para forçar negociações directas entre Israel e todos os partidos palestinos relevantes, incluindo o Hamas, no sentido de uma resolução justa do conflito.

Levantar o cerco! Realizar a paz!

Encorajamos todos os membros da Ta'anit Tzedek a participarem nos esforços nacionais e locais, em resposta a este ataque.

Para obterem uma lista completa das acções que se encontra alojada no website da Gaza Freedom March [Marcha da Liberdade]

Esperamos que o nosso próximo dia de jejum, na quinta-feira 17 de Junho, seja um momento em que façamos acções públicas nas nossas comunidades locais.


A seguir indicamos alguns recursos que podem ser úteis:

1) Declaração rabínica sobre o ataque:

Os rabinos envolvidos na Ta'anit Tzedek emitiram uma resposta rabínica ao ataque. Poderá ver a declaração rabínica aqui e os rabinos são convidados a assinar a declaração enviando um e-mail para: rabbisletter@gmail.com

2) As declarações e acções sugeridas por organizações judaicas nacionais:

O Shalom Center, a Jewish Voice for Peace e a Tikkun Community todos eles emitiram declarações e apelos para a realização de acções em resposta ao ataque.
  • Leia a declaração da Tikkun Community aqui.
  • Leia a declaração do Shalom Center aqui.
  • Leia a declaração da Jewish Voice for Peace aqui.
3) Artigos

Muitos artigos importantes foram escritos. Destacamos aqui apenas alguns: 

4) Próximo dia de jejum

Por último, o nosso próximo dia de jejum é a 17 de Junho, quinta-feira. Se quiser planear um
Ta'anit Tzedek na sua comunidade pedindo o levantamento do cerco, envie por favor um e-mail para o rabbibrianwalt@gmail.com.

 If you would like to plan a public Ta'anit Tzedek event in your community calling for a lifting of the siege, please send an email to rabbibrianwalt@gmail.com.
Solidariamente,

Shalom/Salaam/Peace/Paz,


Rabbis Brian Walt and Brant Rosen
Co-Founders Ta'Anit Tzedek-Jewish Fast for Gaza

31 maio, 2010

Pirataria no Mediterrâneo: Soldados Israelitas abordaram o Maramara Mavi. 2 mortos e 50 feridos.


Soldados  israelitas armados abordaram o navio-chefe da flotilha "Free Gaza" que transporta material humanitário para a Faixa de Gaza, segundo a Al Jazeera noticiou esta manhã, O capitão do Marmara Mavi já tinha sido contactado por forças navais que tinha solicitado identificação e destino.

Mais tarde, dois navios israelitas passaram a flanquear o navio à distância. Os organizadores do comboio humanitário desviaram a flotilha e abrandaram a marcha, indicando aos passageiros que vestissem os coletes salva-vidas e que permanecessem no convés inferior.

Segundo o Haaretz, a intercepção foi feita por 3 navios lança mísseis, tendo na abordagem sido mortas duas pessoas e cinquenta ficaram feridas.  O Haaretz informa que tinha sido emitido um aviso afirmando que se a ordem para que evitassem a zona de bloqueio marítimo, não fosse cumprida a Marinha israelita tomaria todas as medidas necessárias para aplicar o bloqueio.

A informação indica que o navio abordado se encontrava a 65kms da costa (35 milhas nauticas), tudo indicando assim que se encontrava em águas internacionais. Consideram-se águas territoriais até ao limite de 12 milhas naúticas, sendo neste cas águas territoriais palestinas ocupadas por Israel.

Esta acção da marinha israelita ameaçando um navio desarmado, em missão humanitária, é uma violação flagrante do direito marítimo internacional e da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, que estabelece que "…o alto-mar deve ser reservado para fins pacíficos."

10 julho, 2009

Rabinos jejuam e apelam ao jejum de crentes e não crentes, em solidariedade com Gaza e pela Paz

Um grupo ad hoc de rabinos, Ta’anit Tzedek – Jewish Fast for Gaza (Jejum Judaico por Gaza), está a organizar um jejum comunal mensal para protestar contra as acções de Israel em Gaza, segundo informa a JTA ( Jewish Telegraphic Agency).

O jejum terá lugar na terceira quinta-feira de cada mês, desde o amanhecer ao pôr-do-sol, estando o primeiro jejum previsto para 16 de Julho.

Aos participantes está a ser pedido que assinem uma declaração no site do grupo, e que doem o dinheiro que pouparem em comida para a Campanha de Leite para o Pré-escolar, campanha patrocinada pela American Near Eastern Refugee Aid, uma campanha que tem por objectivo combater a desnutrição entre as crianças de Gaza, que frequentem o pré-escolar.

Os 13 rabinos que lançaram esta iniciativa - liderada pelo Rabinos Brian Walt, ex-diretor executivo da Rabbis for Human Rights - North America (Rabinos para os Direitos Humanos - América do Norte) e Brant Rosen da Congregação Judaica Reconstrucionista de Evanston, Illinois - disseram que o projecto é baseado na tradição judaica, em que "um jejum comunitário é realizado em momentos de crise, tanto como uma expressão de luto como um apelo ao arrependimento."

Os organizadores declararam ainda que o jejum tem quatro objectivos:
  • Apelar para o levantamento do bloqueio israelita da Faixa de Gaza, que está em vigor desde a vitória eleitoral do Hamas, no início de 2006;
  • Prestar ajuda humanitária e ao desenvolvimento para o povo de Gaza;
  • Apelar a Israel, aos Estados Unidos e à comunidade internacional para que negoceiem com o Hamas para pôr fim ao bloqueio;
  • Exortar o governo dos Estados Unidos para "que envolva vigorosamente tanto israelitas como palestinos na direcção de uma resolução justa e pacifica do conflito."
Para se inscrever nesta iniciativa não precisa de professar a religião judaica, nem sequer ser crente, basta apenas ser um ser humano solidário e pode sempre moldar o seu contributo à sua capacidade e disponibilidade fisica.

03 julho, 2009

5 dos "Free Gaza 21", todos do Bahrein, acabam de ser libertados

Esta manhã, cinco dos "Free Gaza 21" que foram sequestrados em águas internacionais pela marinha israelita, todos cidadãos de Bahrein deixaram Israel, num jacto privado que foi enviado pelo rei do Bahrein.

Os dois jornalistas da Al Jazeera deverão ser libertados igualmente ainda hoje e ser-lhes-á devolvido o seu equipamento com excepção das filmagens que fizeram da abordagem realizada ao "Spirit of Humanity" por homens-rã israelitas e da violência exercida sobre alguns dos activistas dos direitos humanos.

Todos os outros activistas, dentro dos condicionalismos da sua situação, estão bem, mas continuam presos por um país que ilegalmente abordou o seu pequeno barco, o rebocou e confiscou a carga de ajuda humanitária que já tinha sido inspeccionada em Chipre.

O silêncio da União Europeia - 9 dos sequestrados são Europeus - é impressionante, face à abordagem de um navio em águas internacionais e ao sequestro dos seus passageiros, mas não foge ao que já nos habituou.

O silêncio da Administração Obama ainda é mais penoso até face às suas declaradas intenções: Acresce recordar que 4, dos 21 sequestrados, são americanos, e entre eles conta-se a ex-congressista Cynthia McKinney.

Quanto à comunicação social... o silêncio é de chumbo.

Sugestão: Escrevam aos seus directores solicitando uma atenção mais cuidada sobre os assuntos do Médio Oriente.

02 julho, 2009

Os 21 activistas do "Free Gaza" estão presos em Israel



De acordo com um amigo da ex-congressista americana Cynthia McKinney, este recebeu um telefonema da própria, proveniente da prisão israelita de Ramle. Na ocasião Cynthia McKinney declarou:

Estávamos num barco, em águas internacionais, levando ajuda humanitária ao povo de Gaza quando os navios da Marinha israelita nos cercaram, nos ameaçaram ilegalmente, desmantelaram o nosso equipamento de navegação, abordaram-nos e confiscaram o navio.

Em seguida fomos retirados do navio sob custódia, levados para Israel e encarcerados.

Funcionários da imigração israelita disseram que não nos querem manter aqui, mas continuamos a estar presos.

Os responsáveis no Departamento de Estado e na Casa Branca não concretizaram a nossa libertação nem tomaram uma forte posição pública para condenar as acções ilegais da Marinha israelita de impor um bloqueio da ajuda humanitária aos palestinianos de Gaza, um bloqueio que foi condenado pelo Presidente Obama.

29 junho, 2009

Romper o Bloqueio: O "Spirit of Humanity" partiu de Chipre rumo a Gaza


O navio"Spirit of Humanity" partiu de Chipre às 7h30 (5:30 de Lisboa), de segunda-feira, 29 de Julho. ("Afinal o "Free Gaza" não seguiu viagem desta vez)


Vinte e um activistas dos direitos humanos e da solidariedade, representando onze diferentes países, estavam a bordo.

Entre os passageiros contam-se Mairead Maguire,
Prémio Nobel da Paz em 1977 pelo seu trabalho na Irlanda do Norte e a ex-congressista dos E.U.A. Cynthia McKinney.

Os navios também transportam três toneladas de ajuda médica, brinquedos e kits de reabilitação e reconstrução para vinte famílias e ... simbolicamente, um saco de cimento.

Cada kit traz uma pequena quantidade de suprimentos para uma única família, que representam sectores da sociedade civil que está a ser bloqueado por Israel: Agricultura, Obras Públicas e Reconstrução, Educação, Electricidade, Saúde, Água e Saneamento.

Mais de 2.400 casas foram destruídas em Gaza durante o ataque israelita em Dezembro/Janeiro, 490 delas por ataques aéreos bem como 30 mesquitas, 29 instituições de ensino, 29 centros médicos, 10 instituições de caridade e 5 fábricas de cimento entre outras instalações.

Embora tenham sido prometidos mais de 4 mil milhões de dólares em ajuda humanitária e para ajudar a reconstrução
na Faixa de Gaza, até agora ainda pouco desta ajuda se materializou devido ao bloqueio israelita.

Na oportunidade, Mairead Maguire, co-vencedor do Prémio Nobel da Paz 1977 pelo seu trabalho na Irlanda do Norte declarou: "[Os palestinos de Gaza] devem saber que não os esquecemos e que não os vamos esquecer."

Tendo ainda a ex-Congressista Cynthia McKinney afirmado que : "Os E.U.A. deveriam
enviar uma mensagem a Israel reiterando a posição Casa Branca de que o bloqueio de Gaza deveria ser aligeirado e que, suprimentos médicos e materiais de construção, incluindo cimento, deveriam ser permitidos ...Irá (o Presidente Obama) cumprir com as suas próprias palavras e permitir-nos providenciar auxílio a Gaza ou irá recuar?"


Huwaida Arraf, presidente do Movimento “Free Gaza” declarou ainda ue: "A política de bloqueio de Israel é uma violação flagrante do direito internacional. Exortamos os nossos governos a tomarem medidas para cumprirem com as suas obrigações no âmbito da Quarta Convenção de Genebra. Até o fazerem, vamos continuar a agir. “

Da lista de passageiros constam:

Adam Qvist, Dinamarca
  • Adam trabalha na área da solidariedade na Dinamarca. Vai monitorar a aplicação dos direitos humanos
Adam Shapiro, E.U. A.
  • Adam é um documentarista americano e activista dos direitos humanos.

Adnan Mormesh, Reino Unido
  • Adnan trabalha na área da solidariedade na Grã-Bretanha. Vai monitorar, a longo prazo, a aplicação dos direitos humanos
Alex Harrison, Reino Unido
  • Alex trabalha na área da solidariedade na Grã-Bretanha. Vai monitorar, a longo prazo, aaplicação dos direitos humanos.
Cynthia McKinney, E.U.A.
  • Cynthia McKinney, ex-congressista e ex-candidata presidencial, é uma defensora dos direitos humanos e da justiça social.
Derek Graham, Irlanda
  • Derek Graham é electricista, organizador doMovimento “ Free Gaza”, e Imediato do “Spirit of Humanity”.
Denis Healey, UK
  • Denis é capitão do “Spirit of Humanity”. Esta será a sua quinta viagem a Gaza.
Fatima Al-Attawi, Bahrein
  • Fátima é uma trabalhadorana áera da assistência social e activista comunitária no Bahrein.
Fathi Jaouadi, Reino Unido / Tunísia
  • Fathi é um jornalista britânico, organizador doMovimento “ Free Gaza”, e co-coordenador da delegação nesta viagem.
Huwaida Arraf, E.U.
  • Huwaida é presidenta doMovimento “ Free Gaza”, e co-coordenadora da delegação nesta viagem.
Ishmahil Blagrove, UK
  • Ishmahil , de origem jamaicana, é jornalista, documentarista e fundador da empresa de produção cinematográfica “Rice & Peas”. Os seus documentários focam as lutas pela justiça social a nível internacional.
Juhaina Alqaed, Bahrein
  • Juhaina é jornalista e activista dos direitos humanos.
Kaltham Ghloom, Bahrein
  • Kaltham é uma activista comunitária.
Kathy Sheetz, E.U. A.
  • Kathy é enfermeira e realizadora de filmes. Vai monitorar a aplicação dos direitos humanos.
Khalad Abdelkader, Bahrein
  • Khalad, engenheiro, representa a Associação de Caridade Islâmica do Bahrein.
Khaled Al-Shenoo, Bahrein
  • Khaled é leitor na Universidade de Bahrain.
Lubna Masarwa, Palestina / Israel
  • Lubna é uma activista palestina dos direitos humanos e organizadora doMovimento “ Free Gaza”.
Mairead Maguire, Irlanda
  • Mairead é Prêmio Nobel e renomado activista da paz.
Mansour Al-Abi, Iémen
  • Mansour é operador de câmara da Al-Jazeera TV.
Othman Abufalah, Jordânia
  • Othman é um jornalista da Al-Jazeera TV, de reputação mundial.
Theresa McDermott, Escócia

  • Theresa trabalha na área da solidariedade na Escócia. Vai monitorar, a longo prazo, aaplicação dos direitos humanos.