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27 janeiro, 2011

Israel pediu à Fatah que matasse um seu militante

in Público

A escala da colaboração entre a Autoridade Palestiniana e Israel foi revelada pelo diário britânico The Guardian e a estação de televisão Al-Jazira com base em documentos confidenciais, que mostram como Israel discutiu com um responsável da Fatah o assassínio de um palestiniano, e descreve como a Autoridade Palestiniana pediu a Israel que levasse a cabo acções que prejudicariam a população de Gaza, controlada pelo Hamas.

Não houve ainda reacções a estas revelações que podem reacender rivalidades intrapalestinianas - até agora, a AP afirmou que as revelações são mentiras destinadas a enfraquecer a organização. A fúria palestiniana tem-se dirigido contra a Al-Jazira. Homens armados atacaram ontem o estúdio usado pela estação em Nablus, Cisjordânia, depois de na segunda-feira terem atacado escritórios da televisão em Ramallah.

O negociador palestiniano Saeb Erekat acusou a estação de pôr em risco a sua vida. Erekat, segundo os documentos ontem divulgados, pedira a Israel e ao enviado dos EUA George Mitchell que as forças do Estado hebraico reocupassem um corredor entre a Faixa de Gaza e o Egipto. A ideia era reforçar o bloqueio a Gaza, impedindo a passagem dos palestinianos do local para o Egipto, e enfraquecer o Hamas, que controlava o território.

De resto, Erekat aparecia como um dos negociadores que fez grandes concessões no direito de retorno de refugiados e nos colonatos judaicos de Jerusalém-Leste.

O caso ontem detalhado é o de Hassan al-Madhoun, morto no campo de refugiados de Jabaliya, em Gaza, em Novembro de 2005, por um disparo de avião não tripulado israelita. Madhoun, das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, defendia a luta armada contra Israel, ao contrário da corrente maioritária na Fatah.

Segundo notas manuscritas de uma conversa entre o então ministro da Defesa de Israel Shaul Mofaz e o ministro do Interior palestiniano Nasser Yousef, Israel sugeriu que os palestinianos matassem Madhoun.

Youssef falou em "instruções" que foram dadas, mas acrescentou: "O ambiente não é fácil, a nossa capacidade é limitada, e vocês não ofereceram nada."

Youssef reagiu agora explicando que tinha dado instruções para a detenção de Madhoun, e este foi mesmo detido para sua própria segurança, mas fugiu e depois foi morto, concluiu.n

26 janeiro, 2011

"Esse jogo feio e sem fim do processo de paz está encerrado".




Os documentos obtidos pela TV Al Jazeera e divulgados pelo jornal inglês The Guardian sobre os bastidores das negociações entre autoridades israelenses e palestinas mostram que essa política é um fracasso absoluto, trazendo ruína para os palestinos e beligerância crescente ao completamente desimpedido, agressivo e errático Estado de Israel, atualmente praticando uma forma de apartheid contra os palestinos. 

A postura fraca e incompetente das lideranças palestinas é o oposto de uma representação nacional digna e honrada, e prova sua inutilidade descartável. 

O artigo é de Karma Nabulsin*.

O processo de paz é uma vergonha. Os palestinos devem rejeitar seus líderes e reconstruir seu movimento.

Acabou. Dada a natureza chocante, extensa e o detalhe dessas revelações medonhas por trás das portas fechadas do processo de paz do Oriente Médio [nos documentos revelados segunda-feira pelo jornal The Guardian], esse jogo feio e que parece sem fim do processo de paz está finalmente encerrado. Nenhum dos vilões do lado palestino pode sobreviver a isso. Com alguma sorte, o horror total dessa denúncia de como os EUA e a Grã Bretanha facilitaram e até implementaram, secretamente, a expansão militar israelense – enquanto criavam uma oligarquia para administrá-la – pode ter superado os interesses entrincheirados e a venalidade que capturaram o processo de paz em curso. Um pequeno grupo de homens que profanaram a esfera pública palestina com suas atividades privadas agora está exposto.

Para nós, palestinos, essas denúncias detalhadas da rendição secretamente negociada de cada um de nossos direitos fundamentais, segundo o direito internacional (o de retorno de milhões de palestinos refugiados, contra a anexação da Jerusalém árabe, contra os assentamentos ilegais) não são surpresa. Trata-se de algo que todos sabíamos – a despeito dos protestos oficiais dizendo o contrário – porque nós sentimos os efeitos destrutivos dessas coisas diariamente. O mesmo é verdade para o papel vergonhoso dos EUA e da Grã Bretanha, ao criarem um "bantustão" de segurança, arruinando com nossa vida comunitária e com nosso espaço político. Nós já sabíamos, porque sentimos seus efeitos fatais.

Para a esmagadora maioria dos palestinos, a política oficial palestina ao longo das décadas passadas tem sido a antítese de uma legítima, ou representativa ou mesmo coerente estratégia para obter nossa liberdade negada há tanto tempo. Mas essa consideração sóbria do nosso atual estado de coisas, acompanhada pelos protestos em massa da sociedade civil, de campanhas tocadas por cidadãos palestinos tem sido insuficientes até agora para nos libertar dessa situação.

A publicação desses documentos é um acontecimento histórico tão importante porque destrói os últimos traços de credibilidade desse processo de paz. Tudo o que resta a fazer repousa no seguinte axioma: que cada iniciativa nova ou série de negociações com os israelenses, que toda política ou programa (inclusive a criação de instituições não democráticas sob ocupação militar) devem se apresentar como operando em boa fé, sob condições rígidas: devem ser necessárias para a paz e a serviço de nossa causa nacional. Políticos de ambos os lados jogaram um papel duplo com os palestinos. Agora está registrado que eles traíram, mentiram e trapacearam com diretos básicos, enquanto, ao mesmo tempo, diziam-se merecedoras da confiança do povo palestino.

Essa alegação da capacidade representativa – e, pior, a afirmação de que estavam representando os interesses dos palestinos em sua luta por liberdade – se tornou cada vez mais fraca nos últimos 15 anos. A alegação de que estavam agindo de boa fé caiu absolutamente por terra com as publicações desses documentos (24/01/2011), e com as informações a serem reveladas ao longo desta semana. Qualquer que seja a inclinação política dos poderosos, ninguém, nem os estadunidenses, nem os britânicos, as Nações Unidas e especialmente não os dirigentes palestinos podem afirmar que a negociata toda não é outra coisa que um processo brutal de subjugo de todo um povo.

Por que se chegou tão longe, a um custo tão alto? E por que os palestinos também não foram capazes de criar uma representação democrática tão urgentemente necessária para o avanço de sua causa? Israel, juntamente com aqueles que partilham de sua visão de mundo diriam que o problema repousa nos próprios palestinos, sendo parte da cultura política árabe que só gera governos autoritários ou terroristas. E isso que aquilo que esses documentos relevam é a extensão de uma não democrática, autoritária, colonial e francamente aterradora coerção que os EUA, a Grã Bretanha e outros governos ocidentais tem imposto aos palestinos, através dessa liderança inconsequente.

O poder ilimitado dos EUA, a superpotência global que tem (agora documentadamente e em detalhes repugnantes) tomado um partido nesse conflito pode ser visto em cada página. Todos estão implicados, do presidente ao secretariado de estado, dos generais, que criaram as forças de segurança para implementarem essas políticas à equipe da embaixada envolvida na sua execução diária.

Os documentos mostram que essa política é um fracasso absoluto, trazendo ruína para os palestinos e beligerância crescente ao completamente desimpedido, agressivo e errático Israel, atualmente praticando uma forma de apartheid dos palestinos que dominam pela força.

Esse desequilíbrio de poder só pode ser corrigido eficazmente da mesma maneira que todo movimento de liberação nacional o fez, no passado: através da força inexpugnável de um mandato popular. Ho Chi Minh sentando com os franceses para conversar, ou Nelson Mandela negociando com o regime do apartheid, incorporando essa legitimidade popular, e na verdade se comprometendo com seus princípios e negociando posições a partir deles.

Do lado positivo, essas negociatas eventualmente vindo à tona fariam com que os palestinos compreensivelmente as rejeitassem. Mas a pior traição tem sido aquilo que essa hipocrisia legou para as gerações mais jovens de palestinos. Esses governantes levaram uma nova geração a acreditar que a participação na esfera pública é uma maneira de se dar bem na vida e que se juntar a qualquer partido político é o método menos viável de se chegar ao poder e gerar mudança.

Embora seu exemplo danoso, eles alienaram os jovens palestinos de sua própria história de resistência à dominação colonial e militar, de modo que agora eles acreditam que dezenas de milhares de imaginativos, brilhantes e extraordinários palestinos bravos nunca existiram ou, pior, lutaram e morreram por nada. Isso lhes custa a capacidade de levar a cabo qualquer método e técnicas de mobilização de que se podem dispor hoje – os mecanismos democráticos e coletivos que são mais necessários do que nunca. Eles deram à juventude a ideia de que não há virtude na organização coletiva, o mecanismo por meio do qual a mudança democrática popular é feita e mantida.

A cada vez mais popular visão de que a revolução palestina fracassou desde o começo, de que sempre foram corruptos, dirigidos a partir de cima, nunca a partir dos de baixo, é falsa – mas esse diagnóstico ganhou credibilidade através das ações do atual regime. O comportamento dos atuais governantes quase apagou o registro da história da contribuição dada por dezenas de milhares de palestinos comuns que, com toda sua força e devoção à vida pública lutaram por princípios e criaram uma auto representação real e democrática, sob as piores condições. Esta é a nossa mais valiosa liberdade, pela qual vale muito a pena lutar: a publicação desses documentos devastadores pavimenta o caminho da sua restauração.

(*) Karma Nabulsi é acadêmica em Oxford e ex-membro da Organização pela Libertação da Palestina - OLP
 
Tradução: Katarina Peixoto

Link para o texto no Guardian

Fotos: The Guardian

Fonte: Carta Maior

31 julho, 2010

Limpeza étnica de beduínos no Negev

Ethnic cleansing in the Israeli Negev | Neve Gordon | Comment is free | guardian.co.uk


Cerca de 300 beduínos, cidadãos israelitas, 200 deles crianças, que vivem no deserto de Negev, ficaram sem casa, destruídas a bulldozer pela polícia israelita num raid à aldeia de al-Arakib.

Em cerca de 3 horas a polícia arrasou cerca de 45 casas e as oliveiras que existiam nos arredores.

A história é contada por Neve Gordon - que serviu nas tropas para-quedistas israelitas, no Líbano - para o The Guardian e tem encapsulado um vídeo que vale a pena ver (2':36).

Em tom de desabafo Neve Gordon escreve: ... e subitamente compreendi quão longe o Estado está preparado para realizar o seu objectivo de judaização da região de Negev, o que eu presenciei foi, afinal, um acto de limpeza étnica. Dizem que a próxima Intifada será beduína. São 155.000 os beduínos que vivem no Negev ..."

26 maio, 2010

Jewish Voice for Peace dá eco às palavras de Ezra Nawi: Devemos rejeitar leis que são imorais

A Jewish Voice for Peace é uma organização pacifista judaica-americana, de âmbito nacional e de raízes populares que se dedica a fomentar uma política internacional americana para o Médio Oriente que se baseie na paz, na democracia, nos direitos humanos e no respeito pelo direito internacional.

Podem seguir a sua actividade no seu blog Muzzlewatch  (em inglês).

Quanto ao caso de Ezra Nawi, israelita e judeu de origem iraquiana, referido no comunicado que a seguir apresentamos, já nos mereceu um post no Fórum Palestina, entretanto descontinuado por falta de meios, mas já se encontra disponível, em português neste blog, e a nossa adesão então à campanha da Jewish Voice for Peace em Junho do ano passado, para a sua libertação.

Sobre os casos dos israelitas de origem árabe Ameer Makhoul e Dr. Omar Said, existe informação sobre a campanha em curso exigindo o respeito pela lei e a sua libertação, basta consultar o topo da coluna à vossa direita.

Quanto à prisão de Izzet Sahin, nada sabia, mas fiquei a saber agora que foi preso a 27 de Abril e que a 19 de Maio ainda permanecia sem culpa formada. Sahin é representante e fundador do dos escritórios na Cisjordânia da IHH (The Foundation for Human Rights and Freedoms and Humanitarian Relief).

O caso de Iyad Burnat, um dos dirigentes da luta popular contra o "Muro", foi proibido pelas autoridades militares de ocupação israelitas de atravessar a fronteira da Cisjordânia no princípio do mês, tendo estado detido durante 3 horas por motivos de segurança. Burnat é o líder do comité local contra o "Muro" e os colonatos da vila de Bil'in,.Os aldeões de Bil'in tem organizado semanalmente manifestações de protesto nos últimos cinco anos.

Já agora traduzo as palavras do Professor Neve Gordon que escreve no The Guardian sobre a sentença aplicada a Ezra Nawi:

Esta sentença não  é um assunto menor. O tribunal israelita decidiu basicamente que a única forma legitima de oposição à ocupação é ficar na berma da rua com uma espécie de cartaz. Qualquer forma de desobediência civil ou de acção directa, como deitarem-se à frente de um bulldozer que está construindo a barreira da anexação ou a demolir uma casa, colher azeitonas num olival, ou acompanhar crianças palestinas à escola numa área que tenha sido classificada como zona militar exclusiva é agora sujeito a duras punições.

E as palavras de Ezra, aos seus companheiros, antes de começar a cumprir a sentença que lhe foi imposta:

Num país onde as leis são imorais, a desobediência civil é obrigatória, portanto, não demorará muito até que muitos de vós se juntarão a mim na prisão.

 A história sempre nos ensinou quanto mais acossados se encontram os tiranos, mais violentos se tornam e mais forte se torna a resistência. 

Jewish Voice for Peace

Dear Pedro,

Last Sunday, on the 23rd of May, Israeli human rights activist Ezra Nawi began a one-month jail sentence following his July 22, 2007 attempt to stop a military bulldozer from destroying the homes of Palestinian Bedouins in the West Bank.

Ben Gurion University Professor Neve Gordon wrote today in The Guardian:
This sentence is not a minor matter. The Israeli court has basically decreed that the only legitimate way to oppose the occupation is by standing on the side of the road with some kind of placard. Any form of civil disobedience or direct action, like lying in front of a bulldozer that is building the annexation barrier or demolishing a house, picking olives in a grove or walking Palestinian children to school in an area that has been classified a closed military zone, is now subject to harsh punishment.

When he was first tried, Jewish Voice for Peace mounted a massive letter campaign in solidarity with Ezra Nawi. At the Jerusalem hearing, human rights attorney Emily Schaeffer testified on behalf of JVP and delivered to the judge the names of over 20,000 people who supported Ezra's courageous actions.  Nawi's lawyer told us your letters made a real impact, but we were not able to keep him from going to jail.
In a goodbye gathering before starting his sentence, Ezra told his fellow activists:
In a country where laws are immoral, civil disobedience is obligatory; therefore, it will not be long before more of you will join me in jail.
Since Nawi's case first broke, there have been so many other activists unfairly jailed, and in some cases 'disappeared' by the Israeli legal system under strict gag orders:
Ameer Makhoul, Dr. Omar SaidIzzet Sahin, and Iyad Burnat, to name just a few in the month of May. We have documented many of their stories in our blog TheOnlyDemocracy , and we will continue to draw attention to them.
In solidarity,

 Sydney Levy
Jewish Voice for Peace


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25 maio, 2010

Israel: Uma potência nuclear responsável?

A responsible nuclear power? | World news | guardian.co.uk

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Um post assinado por  Julian Borger  no  JulianBorger's GlobalSecurityBlog do The Guardian.

Onde se fala de como os reflexos da revelação do filrt entre Israel e a África do Sul [do apartheid] irão reforçar as reclamações sobre a política de dois pesos e das duas medidas - Israel vs. Irão e Síria - num momento especialmente delicado da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que decorre em Nova York e onde se debate o guião a seguir para pôr em prática as decisões da Resolução de 1995 para transformar o Médio Oriente, numa zona livre de armas nucleares, químicas e biológicas.

O draft agora em debate representa um meio-termo entre os desejos dos Estados Árabes para uma conferência negocial e o ponto de vista dos EUA que considera prematura a execução de uma tal proposta.

E onde se recorda  Mordechai Vanunu, um israelita, que foi o primeiro a fornecer informações sobre o poder nuclear israelita e por isso foi raptado, em Itália onde se encontrava, levado para Israel, torturado, condenado a 18 anos de prisão, 11 dos quais cumpridos na "solitária" sendo considerado por isso um 'prisioneiro de consciência" pela Aministia Internacional.

Vanunu, que foi libertado em Abril de 2004, desde então, foi acusado em pelo menos em 21 ocasiões pela justiça por violar as restrições à sua liberdade.

A última condenação foi decretada em Dezembro passado por ter falado com um jornalista, tendo sido detido no passado domingo para cumprir uma pena de três meses de prisão.

Siga a campanha da Amnistia Internacional Portugal aqui.

Israel propôs a venda de armas nucleares à África do Sul do Apartheid

Esta informação é extraida do site Carta Maior pelo que segue a norma brasileira.


O acordo militar secreto assinado por Shimon Peres, agora Presidente de Israel, e P W Botha da Africa do Sul 
Foto do: The Guardian

Documentos secretos da África do Sul revelam que Israel tentou vender armas nucleares para o país africano na época do apartheid, configurando-se como o primeiro documento oficial que evidencia que os israelenses possuem arsenal nuclear.

Um artigo assinado por  Chris McGreal desde Washington para o jornal britânico The Guardian.
 
Em comunicado oficial, a presidência de Israel afirma que "não existe base de realidade alguma" na informação publicada pelo jornal.
 
Os documentos em questão, diz o jornal, são minutas de reuniões entre membros dos governos dos dois países realizadas em 1975. Na ata, ministro da Defesa sul-africano na época, PW Botha, perguntou sobre as ogivas e o então ministro da Defesa de Israel, Shimon Peres, ofereceu as armas "em três tamanhos" — referindo-se a armas convencionais, químicas e nucleares. Shimon Peres é o atual presidente israelense.

Os dois ministros ainda assinaram um acordo de cooperação militar entre os dois países, sendo que o próprio acordo continha uma cláusula que determinava o mesmo deveria se manter secreto. Segundo o jornal britânico, os documentos foram descobertos pelo pesquisador americano Sasha Polakow-Suransky, que estuda a relação entre Israel e África do Sul e escreveu um livro sobre o tema.

O documento é a primeira evidência real de que Israel possui armas nucleares, a despeito de sua política de nem negar nem confirmar que possui este tipo de armamento. Além disso, a revelação deixa um duplo embaraço diplomático para Israel. O primeiro é que cairia por terra um possível argumento israelense de que, mesmo que tivesse armas nucleares, seria um país "responsável" o suficiente para mantê-las, uma vez que tentou vender o arsenal para outro país.

O segundo é que nesta semana haverá discussões na ONU sobre sanções contra o Irã — país adversário de Israel — devido ao programa nuclear do país persa. Os israelenses estão entre os países que mais pressionam pelas sanções.

As atas das reuniões mostram ainda que os militares sul-africanos desejavam obter armas nucleares para ter um elemento de dissuasão ou até para potenciais conflitos contra países vizinhos.

Israel negou nesta segunda-feira que seu atual presidente, Shimon Peres, tenha oferecido em 1975 ogivas nucleares à África do Sul.

Em comunicado oficial, a presidência de Israel afirma que "não existe base de realidade alguma" na informação publicada pelo jornal. "Israel nunca negociou armas nucleares com a África do Sul. Não existe um só documento israelense ou uma só assinatura israelense em documento algum",diz a nota. A presidência israelense anunciou que enviará uma "contundente carta" ao diretor do jornal e pedirá "a publicação da verdade sobre os fatos".

A nota não afirma nem nega que Israel possua armas nucleares.