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27 janeiro, 2012

27 de Janeiro - Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

 Crianças polacas em Auschwitz olham para além do arame farpado (Julho 1944)
Fotografia da Comissão Principal para a investigação dos crimes de guerra Nazis.
Cortesia dos Arquivos de fotografia do USHMM (United States Holocaust Memorial Museum)

Hoje celebra-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

O dia 27 de Janeiro foi escolhido pela Assembleia-Geral da ONU, em 2005, para recordar as vítimas do Holocausto, porque foi a 27 de Janeiro de 1945 que o Exército Vermelho libertou o “maior e pior” campo de extermínio dos nazis, Auschwitz, na Polónia.

É preciso recordar que durante a negra noite nazi-fascista foram exterminados, das mais diversas formas, milhões de homens, mulheres e crianças.

Entre os 6 milhões de judeus e mais uns milhões de outros é como se a rasoira nazi tivesse varrido do mapa todos os habitantes de Portugal.

Apenas, em razão da sua raça ou etnia, porque eram semitas, e aqui também podemos acrescentar os ciganos e em certa medida os eslavos

Apenas, em razão da sua fé, porque eram judeus, ou da vivência da sua fé, e aqui podemos acrescentar alguns, poucos, sacerdotes católicos e protestantes;

Apenas, em razão da sua ideologia e/ou activismo político – comunistas, sociais-democratas, sindicalistas e intelectuais;

Apenas, em razão das suas diferenças. De sexo – homossexuais; ou de incapacidades físicas e/ou mentais - deficientes mentais/e ou físicos e pacientes psiquiátricos.

Apesar da adesão dos países da Europa à recordação do Holocausto é preciso ter noção que o racismo, o anti-semitismo e a xenofobia, continuam a estar presentes na Europa e até tem vindo a crescer, por acréscimo de outras categorias - islamofobia e arabofobia - nitidamente.

Esta é mais uma razão para que não deixemos que se apague da memória o Holocausto.

PS: Mas é triste verificar que muitos Judeus, só recordem as suas vítimas do Holocausto, e que continuem a permitir que sucessivos Governos de Israel assumam perante os Palestinos, alguns dos métodos utilizados pelo nazismo contra os seus ancestrais.

27 janeiro, 2011

Hoje é o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto...Recordemos...

Recordemos para que nunca mais se repita.

Recordemos todos os que pereceram nos campos de extermínio em nome da loucura e da miséria moral nazi.

Recordemos os números do absurdo:
  • 6 a 7 milhões de polacos, dos quais 3 a 3,5 milhões de polacos judeus
  • 5,6 a 6,1 milhões de judeus, dos quais 3 a 3,5 milhões de judeus polacos
  • 3,5 a 6 milhões de outros civis eslavos
  • 2,5 a 4 milhões de prisioneiros de guerra soviéticos
  • 1 a 1,5 milhões de dissidentes políticos com destaque para os comunistas
  • 200 a 800 mil ciganos (roma e sinti)
  • 200 a 300 mil deficientes
  • 10 a  25 mil homossexuais
  • 2,5 a 5 mil Testemunhas de Jeová
E neste dia tenhamos presente que em 9 de dezembro de 1948, as Nações Unidas aprovaram a Convenção para a Prevenção e Punição de Crimes de Genocídio. Esta Convenção estabeleceu o "genocídio" como crime de carácter internacional, e as nações signatárias da mesma comprometeram-se a "efectivar acções para evitá-lo e puní-lo", definindo-o assim:

Por genocídio entende-se quaisquer dos actos abaixo relacionados, cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial, ou religioso, tais como:

(a) Assassinato de membros do grupo;
(b) Causar danos à integridade física ou mental de membros do grupo;
(c) Impor deliberadamente ao grupo condições de vida que possam causar sua destruição física total ou parcial;
(d) Impor medidas que impeçam a reprodução física dos membros do grupo;
(e) Transferir à força crianças de um grupo para outro.

E reflictamos sobre os genocídios que ocorrem durante a nossa guarda.

E neste dia de memória que o véu da hipocrisia se descerre e mostre em toda a sua miséria o holocausto que decorre na... PALESTINA!

"Os Filhos... e os Meus Filhos"

Os filhos nascem
recebem-nos no berço
os nomes escolhidos
na árvore genealógica
dos respeitáveis antepassados
Recembem-nos os programas de poupança
a visão distante do futuro
e o aroma da canela fervida
no lume do desejo
Recebem-nos os aniversários
as festas
e os fatos novos

Os meus filhos nascem
recebem-nos as lágrimas do amor
o arrepio do medo
À porta da maternidade
esperam-nos
os olhos dos cães raivosos
esperam-nos as matracas da polícia
esperam-nos
os programas da liquidação física
e da visão distante da morte

Os meus filhos nascem
e com eles nascem
as bombas de fósforo
com seus clarões espantosos
como os fogos de arifício
do carnaval
Os meus filhos nascem
com seus pequenos caixões

Samih Al-Quassim
in Pequena antologia da Poesia Palestiniana Comtemporânea

Tradução de Albano Martins

10 novembro, 2010

Descoberta megafraude com falsas vítimas do Holocausto

Descoberta megafraude com falsas vítimas do Holocausto - Globo - DN

Esta é a face dos que se aproveitaram da desgraça alheia mas que não nos deve toldar a visão e a memória das vítimas da barbárie do Holocausto, onde pereceram judeus, ciganos, eslavos, polacos, russos, prisioneiros de guerra, prisioneiros políticos, religiosos, democratas, comunistas, homossexuais e todo o ser humano que para os nazis nada valia ou eram incómodos ou eram inimigos, onde se contaram também alemães.

Mas isso não pode servir de desculpa - e como poderia servir - aos crimes de guerra e humanitários cometidos hoje por israelitas contra o povo palestino. Em consciência não sei como se pode ser contra o Holocausto e continuar a permitir o imenso campo de concentração e de lento extermínio que é Gaza. Ou a ocupação e colonização ilegais da Palestina.

13 agosto, 2010

Embaixador de Israel em Portugal deveria ser considerado persona non grata

O Embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol, continua a comportar-se como um perfeito arruaceiro. Onde lhe falta a educação sobra a arrogância e a sobranceria bacocas.

Já por diversas vezes tem vocalizado de forma pouco cordata, pela linguagem e tom que usa e de que abusa, a desconsideração que o nosso País lhe merece.

Ontem mais uma vez surge a público, tentando desconsiderar e enxovalhar os cidadãos deste País, num "Direito de resposta" publicado no DN e que trancrevemos mais abaixo acompanhada pela resposta de um dos visados António Carrilho.

Infelizmente o DN não entendeu acompanhar tal resposta da republicação do cartoon, que  tanto enraiveceu tão  presunçosa personagem, para assim ficar mais claro a falta de razão da sua verborreia pouco lúcida.

Comparar o DN ao jornal nazi Der Stürme, é infame.

Evocar momentos negros da história de Portugal, nos quais um ditador, António Salazar, prestou homenagem a Hitler, pela sua morte. É ultrajante. Mas, estou certo, que tal evocação não deixa a maioria dos portugueses de consciência pesada, já que, mesmo os que viveram, em idade da razão, tal momento e ainda sobrevivem, para tal não foram dados nem achados.

Não há que fazer exames de consciência. Há antes que olhar para a história e aprender com os erros do passado, para que estes não se voltem a repetir. Ora neste caso, com o derrube da ditadura em 25 de Abril de 1974, Portugal tem percorrido um caminho de liberdade, de democracia e de Paz, salvo raros momentos como o do nosso envolvimento na agressão ao Iraque, que entretanto foi rectificado.

Pelo contrário Israel há muito que se perdeu no caminho traçado pelos seus precursores. Ao invés de estarem a construir um Estado "democrático e justo", estão a transformar-se num Estado etnocêntrico e religioso, baseado na opressão de um outro povo o Palestino, a quem ocuparam as terras, colonizando-as agora pelo esbulho de terras e de casas, de forma violenta, por vezes brutal. O que se verifica hoje é a existência de uma política de apartheid, que já não poupa sequer os cidadãos israelitas, e que tem por base um racismo cego e ignóbil.

Na minha visão, os seis milhões de judeus mortos no Holocausto, ombreiam com os outros, muitos mais, que nele pereceram. E há muito que não pertencem a Yad Vashem. Há muito que eles são património de toda a Humanidade.

Israel quer capturar a memória dos Justos como mero álibi para os seus desmandos, para  sobre ela,   justificar a violência, a tortura, a prisão, a perseguição, a descriminação. Sem respeito pela sua memória.

O cartoon de André Carrilho, que Sua Excelência entende por desprezível, expressa apenas a visão do seu autor, que pode não ser perfeita, mas que de alguma forma apresenta um certo equilíbrio, e em meu entendimento nada tem de anti-semitismo. 

Felizmente para André Carrilho que vive em Portugal, nos dias de hoje. Assim não tem que se preocupar com uma PIDE, uma Gestapo ou uma Shabak, que o venha buscar, sem aviso, pela calada da noite e o leve para sítio muitas vezes desconhecido, por "delito de opinião contra a segurança do Estado".

Na minha opinião, o Senhor Embaixador, apesar de lhe terem feito um briefing sobre alguns passos da História de Portugal, deveria ler pessoalmente a parte que se refere ao período da ditadura. Iria encontrar semelhanças embaraçosas no que ocorreu naquele tempo em Portugal e nas então colónias, e que ocorre hoje em Israel e Territórios Ocupados da Palestina: polícias políticas e de "segurança do Estado"; Tribunais Plenários e Tribunais Militares; tortura, prisões e campos de concentração; colonização violenta e agressiva...

Entendo que caberá ao Senhor Embaixador de Israel, apresentar dez milhões de desculpas aos Portugueses e ao mesmo tempo seis milhões de milhões de desculpas aos Justos por se servir da sua memória de forma tão despudorada e sem vergonha.

Mais entendo que caberá ao Governo de Portugal declarar o Senhor Embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol, como persona non grata.


Aqui fica o cartoon que "enraiveceu" e "repugnou" Sua Excelência o Embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol, para assim poderem avaliar o desarrazoado da sua diabrite. 



DIREITO DE RESPOSTA in Diário de Notícias de 12 de Agosto de 2010


Sr. Director, [João Marcelino]

Foi com um misto de raiva e repugnância que vi o cartoon publicado no vosso jornal no domingo, dia 1 de Agosto, com o título "Déjà-Vu Evolução das Espécies", que na sua essência nos lembra, mais do que tudo, o jornal nazi Der Stürmer publicado nos anos 30 do século passado.

Não me é claro qual o contexto e o timing para a expressão de tal ódio ao povo judeu, mas esta não é a primeira vez que o cartoonista desse jornal utiliza estereótipos para expressar a generalidade dos seus pontos de vista.

Estou ciente do facto de em Portugal não se saber o suficiente acerca dos horrores nazis. É por essa razão que os acontecimentos do passado são tratados de uma forma tão ligeira, superficial e gratuita.

Assim, presumo que nem o Sr. nem o seu cartoonista saberão que Portugal foi um dos poucos países que, após a morte de Hitler, declarou vários dias de luto nacional e colocou bandeiras a meia haste.

Talvez seja necessário fazerem um exame à consciência colectiva.

Não sei se o Sr. ou o seu cartoonista alguma vez visitaram o Memorial de Yad Vashem, em Jerusalém. Sugiro que o façam. É a oportunidade de pedirem seis milhões de vezes desculpa pelo vosso desprezível cartoon.

Ehud Gol
Embaixador de Israel

NOTA DO AUTOR:

O Sr. Embaixador de Israel, ao não se referir à substância do cartoon em questão, acaba por sublinhá-la.

A saber que as atrocidades do passado podem ser instrumentalizadas demagogicamente para justificarem abusos do presente.

Não há no cartoon nenhuma indicação de ódio ao povo Judeu (que não confundo com determinadas políticas do Estado de Israel, o verdadeiro objecto do cartoon), nem nenhuma negação dos horrores do Holocausto.

Procura-se, isso sim, reflectir sobre como a história e a sua memória molda os papéis de vítimas e de agressores, num quadro que, por muito que queira, nunca será a preto e branco.

André Carrilho

20 março, 2009

Acabou-se o crédito moral!

Agora são os soldados que contam as atrocidades que foram cometidas. De viva voz!

Mas já antes tais crimes eram conhecidos e denunciados, veja-se o post "Bandeira Negra " da autoria de Uri Avnery, aqui publicado, a 3 de Fevereiro.

O que agora fica claro, se dúvidas existissem, até que ponto a ideologia colonialista e racista penetrou na sociedade israelita.

Um palestino há muito que deixou de ser um ser humano. Aos olhos de muitos israelitas, é apenas uma coisa, nalguns casos, um mero número, e as coisas destroem-se se perdem a sua utilidade.

Entre os "eleitos" e os da "raça superior" as diferenças, infelizmente, desvanecem-se a cada instante.

É tempo de lhes dizer: Acabou-se o crédito moral!

Estes assassinos não merecem referir, nunca mais, esses 6 milhões de mortos, que hoje são cada vez mais nossos do que deles.

Porque nós perpetuamos a sua memória, e encontramos também nela a força para combater a injustiça e os crimes contra a humanidade.

Mas para muitos deles, essas memórias, são apenas oportunistas bandeiras de auto-vitimização, álibis do momento, meros spots ou jingles da sua propaganda que nada fica atrás da dos carrascos dos seus antepassados.

Memórias conspurcadas, desde há mais de sessenta anos, pelo sangue de tantos outros inocentes como eles.

Eles são nossos! Porque para nós a sua memória é o acicate para que tal nunca mais se repita, muito menos na Palestina.