Mostrar mensagens com a etiqueta Meretz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Meretz. Mostrar todas as mensagens

16 maio, 2010

Manifestação Sionista aponta para a retirada de Israel e que Jerusalém seja a capital das duas nações

Cerca de 2.000 pessoas de todo o país participaram numa manifestação de esquerda perto da Praça de Zion, em Jerusalém, na noite de sábado.

A manifestação, organizada por membros do chamado "Campo da esquerda Sionista", foi realizada sob a bandeira: "Os sionistas não colonizam."

A manifestação foi organizada pelo Movimento da Esquerda Nacional, pelo Peace Now, pela Iniciativa de Genebra, pelo Meretz, pela Ofek, célula de estudantes da Universidade Hebraica, e por activistas do Partido Trabalhista. Muitos dos participantes empunharam bandeiras de Israel durante a manifestação.

Os manifestantes foram confrontados por alguns activistas de direita segurando cartazes dizendo: "Jerusalém - apenas para os judeus."

Falando no evento, Dr. Gadi Taub afirmou:

"Nós precisamos ter certeza de que o argumento nacional e o argumento dos direitos humanos não se contradizem. Ambos os argumentos conduzem à saída do território."

"Ser sionista significa sair dos territórios e não o domínio sobre outro povo", afirmou. "O partido nacional não é a Direita. A Direita é o partido bi-nacional."

Taub acrescentou que o Sionismo: não era sobre a terra, mas sim, sobre a libertação do povo.

"Esta é a visão de Ben-Gurion e a visão de Herzl", afirmou. "Se nós não deixarmos os territórios, perderemos a realização do sionismo - um Estado judeu e democrático".

A cantora Achinoam Nini, que actuou no comício, referiu o assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, dizendo que "hoje, 15 anos após aquela terrível assassinato, tomamos o nosso destino nas nossas próprias mãos."

"Nós escolhemos o diálogo constante até que a paz seja alcançada. Jerusalém deve ser uma cidade de paz - uma capital para duas nações.", afirmou.

08 fevereiro, 2009

"Meias sujas" ou as eleições em Israel

Um texto de Uri Avnery a propósito das eleições em Israel.

Tenho algumas boas notícias e algumas más notícias", diz o sargento, na anedota, aos seus homens. "A boa notícia é que vão mudar as vossas meias sujas. A má notícia é que vão trocá-las entre si.”

Eu não sou a única pessoa que se lembrou desta antiga anedota do exército britânico no contexto das actuais eleições.

Somos confrontados por um monte de desculpas políticas, algumas delas fracassos documentados e outras completamente livres de quaisquer conquistas passadas. Não há nenhuma discussão significativa entre eles sobre estas questões. Nenhum dos principais concorrentes oferece soluções reais para os nossos problemas básicos. As diferenças entre eles são invisíveis, sem uma lupa.

A reacção instintiva: "Para o inferno com eles. Não vamos votar! "

Mas isso é infantil. Não podemos dar-nos ao luxo de não votar, ou votar nulo por despeito, ou como um protesto. Mesmo que as diferenças sejam minúsculas - podem revelar-se importantes.

Portanto, vamos tapar o nariz e votar. Se necessário, vamos tomar algum remédio contra as náuseas. Se todos eles são maus, vamos olhar para o mal menor.

Para mim, o maior mal é Binyamin ("Bibi") Netanyahu[1].

Se ele receber um voto mais que os seus rivais, o presidente irá confiar-lhe a tarefa de criar o próximo governo. Netanyahu já se comprometeu a convidar Avigdor Liberman[2], o aluno do fascista Meir Kahane[3], como seu primeiro parceiro, bem como o Shas[4] que agora se tornou num partido de extrema-direita. Talvez ele queira a "União Nacional"[5], que é ainda mais extremista, e os restos do Partido Nacional Religioso[6], juntamente com os Ortodoxos.

Se este for o núcleo da próxima coligação, teremos um governo radicalmente nacionalista e racista, um governo que irá rejeitar liminarmente qualquer possibilidade de acabar com a ocupação, de criar um Estado palestiniano e de evacuar os colonatos.

Depois disto, Netanyahu poderá convidar o Kadima[7] e os trabalhistas[8], mas isso já não interessará mais. Uma vez que ele seja capaz de criar um governo sem eles, ele vai tê-los por nada. Num tal governo, a sua única função será a de servir, como as folhas de figo, de camuflagem para os americanos.

É preciso lembrar que também viriam com Netanyahu: tipos como Limor Livnat[9], Benny Begin[10] e Bogie Yaalon[11].

Algumas pessoas têm tido uma ideia maquiavélica: deixar o Likud chegar ao poder. Dessa forma, todo o mundo vai ver a verdadeira face de Israel e boicota-lo. O governo cairá, e podemos começar tudo de novo.

Desculpem, mas para mim é também uma aposta arriscada. Eu não estou disposto a jogar com o futuro de Israel. Para usar uma velha frase feita: Eu não tenho outro país.

Alguns tentam animar-nos com um outro pensamento: Netanyahu é uma pessoa fraca. Se os americanos exercerem pressão sobre ele, desiste No final ele fará tudo o que Obama lhe disser para fazer.

Não tenho tanta certeza. Também não estou disposto a apostar nessa. Os seus parceiros não vão deixá-lo submeter-se. Para mim, a primeira decisão é: Não a Netanyahu.

TZIPI Livni tem uma enorme vantagem: ela não é Bibi.

Pode parecer que esta é também a sua única vantagem.

Neste momento, ela é a única pessoa que poderia - talvez, talvez - bloquear o caminho para uma coligação liderada pelo Likud. Para muitos, essa é uma razão suficiente para votar a favor dela.

Existe algum outro motivo? Difícil de ver um. Ela podia ter subido acima das tenebrosas águas e apresentado uma mensagem clara e focada: a paz com o povo palestino e o mundo Árabe. Isto teria a diferenciado de Netanyahu e também de Ehud Barak, dando-lhe o estatuto de uma estadista. Teria transformado as eleições num referendo sobre a guerra e a paz.

Ela perdeu essa oportunidade. Tal como todos os outros candidatos, ela tem medo da palavra "paz". Os seus assessores provavelmente advertiram-na de que as acções da paz na bolsa de valores da opinião pública estão em baixa.

Se ela fosse uma verdadeira líder, se a paz lhe estivesse a queimar os ossos (como dizemos em hebraico), ela teria ignorado o conselho e levantar-se-ia como uma mulher de princípios.

Em vez disso, ela está tentando ser mais “macho” do que todos os machos, "o único homem no Governo".

Ela grita aos céus contra qualquer diálogo com o Hamas. Ela opõe-se a um cessar-fogo mutuamente acordado. Ela tenta competir com Netanyahu e Liberman com desenfreadas mensagens nacionalistas.

Isso é mau. Isso também é estúpido. Alguém que está à procura de um homem não vai votar a favor de uma mulher. Alguém que anseia por um brutal senhor da guerra não vai votar a favor de uma fêmea civil que, nas palavras de Ehud Barak, "nunca segurou um rifle nas suas mãos".

Foi um teste de liderança. E Tzipi reprovou.

É verdade, aqui e ali, ela manifestou algumas ideias vagas sobre "dois Estados-nação", mas em todos os seus anos de mandato ela não deu o mais pequeno passo nessa direcção.

Portanto, não há razão para votar a favor dela, com uma excepção: se ela tiver um voto a mais que Netanyahu, o presidente vai chama-la para tentar criar um governo. Esse governo vai certamente incluir Netanyahu, e provavelmente também Liberman. No entanto, será diferente de um governo liderado por Netanyahu. Sob forte pressão americana, poderá talvez até mesmo avançar para a paz.

NÃO POSSO votar em Ehud Barak. Mesmo que a minha cabeça o queira, a minha mão não iria obedecer.

A desumana guerra de Gaza foi um reflexo do carácter desumano do próprio Barak. Ele travou a guerra como parte da sua campanha eleitoral. Quando os manifestantes contra a guerra, marcharam pelas ruas de Telavive e gritaram: "Não compre votos / com o sangue dos bebés" eles não estavam assim tão longe da realidade.

Como Netanyahu, Ehud Barak é um fracasso documentado. Eu estava entre as massas, que comemoraram o seu triunfo na Praça Rabin, em 1999, quando foi eleito primeiro-ministro, e, quase um ano mais tarde, eu suspirava de alívio quando o seu governo ruiu. No seu curto mandato ele convocou a conferência de Camp David e sabotou-a, espalhando o veneno e a falsidade da mantra "Não temos parceiros para a paz", provocando a segunda Intifada e destruindo, de dentro, o campo da paz.

Contrariamente a Livni, Ehud Barak nem sequer pretende ter uma perspectiva de paz. Ele só vê diante de si uma paisagem de intermináveis cordilheiras de guerra, montanha após montanha, esticando bem para além do horizonte.

Ao contrário das listas do Kadima e do Likud, a lista eleitoral do Partido do Trabalho inclui algumas boas pessoas. Mas estes não terão nenhuma influência nas coisas que se avizinham. Efectivamente, é um homem-lista, e esse homem está profundamente viciado.

POR UM MOMENTO parecia que o Meretz[12] se iria transformar algo maior. Eles incluíram na sua lista algumas novas e atractivas pessoas. Homens de letras recomendam-nos calorosamente.

E então algo aconteceu com eles, a mesma coisa que aconteceu com eles na última vez.

Uma guerra eclodiu, e o Meretz apoiou-a entusiasticamente.

Os seus três mosqueteiros literários - Amos Oz[13], A.B. Yehoshua[14] e David Grossman[15] - saíram do seu caminho para apelar à guerra louvando-a, cada um de sua vez.

Exactamente como haviam feito na Segunda Guerra do Líbano.

É verdade que, após alguns dias, os três - juntamente com o Meretz e o Paz Agora[16] - apelaram para o fim do ataque.

Esse apelo não foi acompanhado por um pedido de desculpas pela anterior. Isto mostrou um monte de Chutzpa (insolência).

Após ajudarem na ruptura da barragem, achavam que poderiam interromper a inundação com os seus dedos. Mas depois de terem legitimado as atrocidades da guerra, ninguém os ouvia mais. Cada mulher e cada criança que foi morta nessa guerra, até ao último dia, deverá pesar sobre a sua consciência.

Evidentemente, que alguns dirão: você não votar para castigar e vingar-se. Apesar do crime, temos de votar a favor do Meretz, porque entre os partidos "sionistas" são o mal menor. Eles falam sobre a paz e a justiça social, e alguns de seus representantes, como Shulamit Aloni[17] e Yossi Sarid[18], fizeram um bom trabalho no governo Rabin. O Meretz também fez um bom trabalho parlamentar para as causas justas.

OUTRA COISA bem diferente é problema colocado pelos três partidos designados por "árabes", um dos quais é o comunista Hadash[19], que tem um pequena componente judia.

O programa do Hadash está mais perto do consistente campo da paz do que qualquer outro. Alguns diriam: Isso é perto o suficiente. Eu voto de acordo com as minhas convicções, e não com base em considerações tácticas. O Hadash também deve ser creditado por fazer avançar algumas causas positivas no Knesset.

O problema das listas "árabes"[20] é que elas não conseguiram jogar um papel significativo na arena política, que se manteve como um domínio feudal exclusivo dos partidos "sionistas" ("sionista" neste contexto, significa "não-árabes").

A fim de penetrar no campo judeu, Hadash poderia ter colocado na cabeça da sua lista, ou pelo menos em segundo lugar, Dov Khenin[21], que subiu ao estrelato em Telavive nas recentes eleições autárquicas. Ao não fazê-lo, perderam, pelo menos, alguns dos votos que poderiam ter desviado do Meretz e do Trabalhista.

O impacto dos partidos "árabes" na política israelita é próximo a zero. É limitado a um ponto no tempo: no dia após as eleições, a questão colocar-se-á se quando todos os partidos de centro/esquerda em conjunto, do Kadima para a esquerda, podem reunir votos suficientes para bloquear um governo de direita. Neste contexto, e só aí, os partidos "árabes" desempenham um papel.

RESTA o fenómeno Liberman.

Liberman criou um partido que é simples e profundamente racista. A sua campanha eleitoral está centrada na exigência da anulação da cidadania israelita a pessoas "não-leais". Significado: os árabes, que constituem 20% dos cidadãos de Israel.

Em qualquer outro país, o programa de Liberman seria chamado fascista, sem aspas. Em parte alguma do mundo ocidental, existe um grande partido que se atreva a fazer avançar tal exigência.

Os neo-fascistas na Suíça e na Holanda querem expulsar os estrangeiros, mas não a anulação da cidadania dos que lá nasceram.

O núcleo do partido é composto por imigrantes da antiga União Soviética, muitos dos quais têm trazido da sua pátria um desprezo absoluto pela democracia, o desejo de um líder forte (um Estaline ou um Putin), uma atitude racista para com os cidadãos de pele castanha e um gosto pelo brutal, estilo Chechénia.

A eles vieram agora juntar-se jovens, nativos israelitas, que se têm radicalizado face à recente guerra.

Quando Joerg Haider integrou o governo austríaco, Israel chamou o seu embaixador em Viena, como protesto. Mas, em comparação com Liberman, Haider foi um desvario liberal, e assim é Jean-Marie Le Pen. Agora Netanyahu anunciou que Liberman será "um importante ministro" no seu governo, Livni tem que entender que ele estará no seu governo, também, e que Barak não excluiu essa possibilidade.

A versão optimista diz que Liberman irá revelar-se como uma curiosidade passageira.

Todas as campanhas eleitorais israelitas tem-se caracterizado pelo aparecimento de um partido que reflecte uma moda passageira, consegue um estrondoso sucesso e depois desaparece.

Em 1977, foi o partido Dash, que montava o cavalo de "mudar o sistema". Ganhou 12,5% dos votos, mais tarde quebrou e desapareceu antes das próximas eleições. Mais tarde, foi o partido Tzomet de Rafael Eitan, sobre o cavalo da incorrupta pureza. Outro foi o partido Shinui (Mudança), que andava a cavalo no ódio anti-religioso e que desapareceu sem deixar um rasto.

Nas últimas eleições foi a lista dos reformados[22], com dezenas de milhares de jovens a votarem nela por brincadeira.

Nas actuais eleições, o partido de Liberman capturou a tendência, cavalgando sobre as primitivas emoções das massas que perderam a liberdade na Guerra de Gaza.

Existe também uma versão pessimista: O fascismo tornou-se um sério jogador no domínio público israelita. Os três principais partidos têm-no legitimado. Este fenómeno deve ser interrompido antes que seja tarde demais.

ENTÃO, COMO votarei na próxima terça-feira?

Tenho a intenção de elaborar uma lista que terá início a partir do pior para o menos mau. O último na lista terá o meu voto.

Notas:
[1]
Binyamin ("Bibi") Netanyahu, nascido em Telavive, em 21 de Outubro de 1949, Foi Primeiro-Ministro e é o Presidente do partido conservador Likud, na oposição.

[2] Avigdor Liberman, nasceu em Kishinev, então União Soviética, hoje Moldavia, emigrando para Israel em 1978. Tendo militado no Kadima abandonou-o por não concordar com o “Plano de Desocupação” de Ariel Sharon. Líder do partido de extrema-direita Israel Beitenu. Em Outubro de 2006 assinou um acordo de coligação com Ehud Olmert, tendo sido nomeado vice-primeiro-ministro e Ministro dos Negócios Estratégicos. Abandonou o governo em ruptura, em Janeiro de 2008.

[3] Rabi Meir David Kahane, (1de Agosto de 1932-5 de Novembro de 1990), um rabi ortodoxo israelo- americano, conhecido pelas suas ideias nacionalistas, baseadas no conceito do “Grande Israel”. Fundador do partido nacionalista Kach, e por ele eleito para o Knesset. Em 1986 o Kach foi declarado como um partido racista pelo Governo de Israel e assim Kahane banido do Knesset. Acrescente-se que depois do massacre da Caverna dos Patriarcas, em 1994, - um massacre de árabes, incluindo crianças, enquanto rezavam, por Baruch Goldstein, um activista do Kach - o movimento foi declarado fora da lei.

[4] Shas “Associação dos Sefarditas Jasídicos do Mundo” é um partido representando os sefarditas ortodoxos. Tem vindo a assumir posições de extrema-direita Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se como a terceira força política obtendo 12 lugares. Está no governo de coligação de Ehud Olmert, juntamente com o Kadima, Partido Trabalhista, Gil e entre Outubro 2006 e Janeiro de 2008, com o Yisrael Beiteinu. O seu líder, Yishai, é vice-primeiro-ministro e ministro da Indústria, Comércio e Trabalho; Ariel Atias é Ministro das comunicações; Meshulam Nahari e Yitzhack Cohen são Ministros sem Pasta.

[5]União Nacional” é um partido político israelita da direita radical, nacionalista, e sionista que reflecte a aliança política entre os agrupamentos Moledet, Tzkuma e o Partido Nacional Religioso Sionista (resultante de uma cisão do Partido Nacional Religioso). Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, em aliança com o Partido Nacional Religioso como a sexta força política obtendo 9 lugares, distribuídos na proporção de 6-3.

[6] O Partido Nacional Religioso, ou MAFDAL, segundo o acrónimo hebreu, é resultante da fusão, em 1956, do Mizrahi (criado em 1902, com o objectivo de "rejudaizar" o sionismo, no sentido religioso, mas também de contribuir para a colonização judia da Palestina) e do Hapoel Hamizrahi (criado em 1922, em contraponto com as ideologias de esquerda dominantes na altura, como um ramo “operário” do Mizrahi com o objectivo de unir no sionismo, a prática religiosa e uma ideologia de progresso social). Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, em aliança com a “União Nacional” como a sexta força política que obtendo 9 lugares, distribuídos na proporção de 3-6.

[7] O Kadima é um partido político israelita de ideologia centrista, liberal e sionista. Durante a Guerra de Gaza radicalizou a sua posição concorrendo com a extrema-direita. Foi fundado por Ariel Sharon, depois de abandonar o Likud, em 21 de Novembro de 2005. Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, como a primeira força política obtendo 29 lugares.
Destacam-se entre os seus membros, Ehud Olmert, Primeiro-ministro (demissionário); Tzipi Livni, Presidente do Kadima, Ministra dos Negócios Estrangeiros, e candidata a Primeiro-Ministro nas próximas eleições; Shimon Peres, Presidente de Israel; Dalia Itzik, Presidente do Knesset; Shaul Mofaz, Ministro dos Transportes.

[8] O Partido Trabalhista de Israel representa a esquerda moderada, de orientação social-democrata e sionista. No entanto, durante a Guerra de Gaza radicalizou a sua posição concorrendo, nas suas posições, com a extrema-direita, muito por responsabilidade do seu Presidente e Ministro da Defesa, Ehud Barack. É membro da Internacional Socialista. Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, como a segunda força política obtendo 20 lugares.

[9] Limor Livnat, nasceu em Haifa em 22 de Setembro de 1950, conservadora de direita, pertence ao Likud e é membro do Knesset. Opôs-se aos acordos de Oslo e revelou preocupações quanto ao Road Map de Bush.

[10] Ze'ev Binyamin (Benny) Begin, nasceu em 1 de Março de 1943, em Telavive. É geólogo e político. Membro do Likud, em 1993 foi derrotado nas primárias para a liderança do partido, na sucessão de Isaac Shulamit, por Benjamim Netanyahu.
Em 1997, quando era Ministro da Ciência, de um Governo de Netanyahu, resignou por discordar dos Acordos de Hebron, que visavam a reorganização das Forças Israelitas nessa área.
Assim abandonou o Likud, levando consigo a linha dura, com a esperança de fazer renascer o Herut – Movimento Nacional fundado por seu pai Menachem Begin. Com total apoio do ex-ministro Yitzhac Shamir, afastou o Likud e juntou outros partidos da direita numa aliança contra os Acordos de Oslo, a “União Nacional” e concorreu às eleições de 1999, onde ganhou apenas 4 lugares. Face aos resultados Begin demitiu-se e abandonou a política … até que a 2 de Novembro de 2008 anunciou o seu regresso ao Likud e que iria concorrer nas eleições de 2009.
A 29 de Dezembro de 2008, numa entrevista a Arit Shavit, do Haaretz, explicou a sua oposição a um Estado palestino propondo antes a sua autonomia sob controlo israelita.

[11] Moshe "Bogie" Ya'alon nasceu em 24 de Junho de 1950, ex-Chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel e político. Ya’alon é conhecido pelas suas controversas declarações, como a que fez ao Haaretz em 27 de Agosto de 2002:
"A ameaça palestina abriga atributos parecidos com o cancro que têm de ser cortados. Existem soluções para todos os tipos de câncer. Alguns dizem que é necessário amputar órgãos, mas no momento estou aplicando quimioterapia.”

[12] Meretz ou Meretz-Yajad é um partido de esquerda com representação no Knesset. É de tendência social-democrata, sionista-socialista e pacifista. Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, como a nona força política obtendo 5 lugares.
Entre os seus activistas mais importantes conta-se com Zehava Gal-On, membro do Knesset e membro activo de várias organizações de direitos humanos, é ainda directora do Centro Internacional para a Paz no Médio Oriente.

[13] Amos Oz, nasceu em Jerusalém, a 4 de Maio de 1939,escritor e co-fundador do movimento pacifista israelita Paz Agora.
(N.B.: Iremos tratar aqui apenas do seu perfil político.)
Amo Oz é um dos mais influentes e considerados intelectuais israelitas. Oz foi um dos primeiros israelitas a defender a solução de “dois-Estados” para resolver o conflito israelo-palestino depois da Guerra dos Seis Dias. Fê-lo em 1967 um artigo "Terra de nossos antepassados", no jornal DAVAR (Trabalho). "Uma ocupação, mesmo inevitável, é uma ocupação corruptora”, escreveu.
Em 1978, foi um dos fundadores do movimento pacifista “Paz Agora”. Ao contrário de muitos outros no movimento de paz israelita, ele não se opõe à construção de uma barreira israelita na Cisjordânia, (o muro) mas considera que deve ser sensivelmente ao longo da Linha Verde, a fronteira pré-1967. Opôs-se aos colonatos desde o primeiro momento e foi um dos primeiros a elogiar os Acordos de Oslo e de conversações com a OLP.
Nos seus discursos e ensaios frequentemente ataca a esquerda não-sionista, até ao ponto da auto-abnegação como ele diz, e sempre enfatiza a sua identidade sionista.
É identificado por muitos observadores de direita como o mais eloquente porta-voz da esquerda sionista.
“Duas guerras israelo-palestinas irromperam nesta região. Uma é a guerra do povo palestino para se libertar da ocupação e pelo seu direito à independência. Qualquer pessoa decente deveria apoiar esta causa. A segunda guerra é travada pelos fanáticos do Islão, do Irão a Gaza e do Líbano a Ramallah, para destruir Israel e conduzir os judeus para fora das suas terras. Qualquer pessoa decente deveria abominar esta causa. "(7 de Abril de 2002)
Durante muitos anos Oz foi identificado com o Partido Trabalhista. Na década de 90 Oz retirou o seu apoio ao Partido Trabalhista, saindo pela esquerda e aderindo ao Meretz. Nos últimos anos, descreveu o Partido Trabalhista como um partido que "na minha opinião praticamente não existe mais".
Nas eleições para o décimo sexto Knesset, que teve lugar em 2003, Oz apareceu na campanha de televisão do Meretz, apelando ao voto no Meretz.
Em Julho de 2006, Oz apoiou o exército israelita, na guerra do Líbano, escrevendo no Los Angeles Times: "Muitas vezes no passado, o movimento da paz israelita tem criticado as operações militares israelitas. Não desta vez. Desta vez, a batalha não é sobre a expansão e colonização israelitas. Não há território libanês ocupado por Israel. Não há reivindicações territoriais de ambos os lados ... O movimento da paz israelita deverá apoiar Israel na tentativa de auto-defesa, pura e simples, enquanto esta operação tenha por alvo o Hezbollah e poupe, tanto quanto possível, as vidas de civis libaneses.
Como os romancistas israelitas David Grossman e A.B. Yehoshua, Amos Oz mudou a sua posição (de inequívoco apoio a um acto militar de auto-defesa, na eclosão da guerra), face à decisão do governo, numa fase posterior, de expandir as operações no Líbano. Grossman, numa conferência de imprensa, colocou em palavras esta visão partilhada afirmando que Israel já tinha esgotado o seu direito de auto-defesa.
Em 26 de Dezembro de 2008, um dia antes da ofensiva israelita em Gaza começar, Oz assinou uma declaração publicada como um anúncio no Yediot Aharonot apoiando a acção militar contra o Hamas em Gaza. Duas semanas mais tarde, num artigo no Yediot Aharonot Oz defendia um cessar-fogo com o Hamas, chamando a atenção para as terríveis condições em Gaza.

[14] Abraham B. ("Bulli") Yehoshua nasceu em 1936, é novelista, ensaísta e dramaturgo e um fervoroso e incansável activista do movimento israelita pela Paz, Yehoshua assistiu à assinatura do Acordo de Genebra, e expande livremente as suas opiniões políticas em ensaios e entrevistas. É um crítico de longa data da ocupação israelita, mas também dos palestinianos.
Ele e alguns outros intelectuais mobilizaram-se no apoio do partido Meretz pouco antes das eleições de 2009.

[15] David Grossman, nasceu em Jerusalém, a 25 de Janeiro de 1954, autor de ficção e não-ficção e de literatura infanto-juvenil. Grossman, é um activista da paz e é respeitado entre os anti-sionistas, tendo apoiado Israel durante 2006 no conflito com o Líbano. Em 10 de Agosto de 2006, porém, ele e os colegas autores Amos Oz e AB Yehoshua realizaram uma conferência de imprensa em que exortou o governo a concordar com um cessar-fogo que criaria a base para uma solução negociada.

[16] Paz agora é uma organização não governamental pacifista israelita fundada em 1978. Tem como missão influenciar a opinião pública e convencer o governo israelita da necessidade e possibilidade de uma paz justa e de uma reconciliação histórica com o povo palestino e com os países árabes vizinhos, baseada na fórmula terra pela paz. Um dos fundadores da organização é o escritor Amos Oz.

[17] Shulamit Aloni nasceu em 29 de Novembro de 1928, em Telavive é um político e um activista de esquerda e dos direitos humanos.
É um proeminente membro do campo da Paz israelita. Fundou o partido Ratz que mercê de alianças várias se veio a transformar no partido Meretz, de que foi líder.
Aloni está na direcção da organização Yesh Din, criada em 2005, e que é formada por voluntários que se organizaram para se opor às contínuas violações dos direitos humanos dos palestinos nos Territórios Ocupados da Palestina
Aloni defendeu o uso da palavra “apartheid” pelo Presidente Jimmy Carter no título do seu livro “Paz para a Palestina, não ao apartheid” Mais tarde Aloni declarou: “Eu odeio encobrir coisas que deveriam estar abertas ao Sol.”

[18] Yossi Sarid nasceu em 24 de Outubro de 1940 é um comentador e um ex-político. Foi membro do Knesset pelo partido Meretz-Yachad até se retirar da política depois das eleições de 2006.

[19] O Hadash define-se como um partido Árabe-Judaico. A maioria dos seus votantes e dos seus líderes são árabes-israelitas, cidadãos de Israel. Tem três lugares no Knesset.
O partido apoia a evacuação de todos os colonatos israelitas, uma retirada completa por parte de Israel de todos os territórios ocupados, como resultado da Guerra-dos-seis-dias (1967), bem como o estabelecimento de um Estado palestiniano nesses territórios. Apoia ainda o direito de regresso ou indemnização para os refugiados palestinos. Para além das questões de paz e segurança, o Hadash também é conhecido por ser activo em questões sociais e ambientais.Hadash define-se como um partido não-sionista, inicialmente, em conformidade com a oposição marxista ao nacionalismo. Apela para o reconhecimento dos árabes palestinos como uma minoria nacional dentro de Israel.

[20] Lista Árabe Unida é um partido árabe-israelita com representação no Knesset – 4 lugares. Criado em 1996 é liderado actualmente por Ibrahim Sarsor, As suas principais propostas são: O fim da conquista e o estabelecimento de um Estado Palestino; O abandono das armas de destruição massiva; Uma lei que reconheça os árabes-israelitas como uma minoria nacional; Uma emenda à Lei do Regresso que assegure aos refugiados palestinos e aos seus descendentes a possibilidade de regressar.

[21] Dov Khenin nascido em 10 de Janeiro de 1958 é um cientista político, advogado e membro Knesset pelo partido Hadash. É membro do comité central do Maki (o Partido Comunista Israelita, e o maior grupo dentro do Hadash), um activista para a igualdade socioeconómica e um ambientalista.

[22] Gil ou Reformados de Israel à Assembleia é o partido dos reformados e pretende representar e defender os interesses das pessoas da terceira idade. Nas últimas eleições, de 2006, ganhou 7 lugares no Knesset. O seu líder é Rafi Eitan e os princípios políticos que defendem são: Proteger as pensões dos reformados, Melhorar os serviços de saúde gratuitos; Defender os valores tradicionais do judaísmo; Proteger os valores democráticos do Estado de Israel.

30 dezembro, 2008

Gaza: «choque e pavor»

"Gaza: «choque e pavor»", é um artigo inédito de Alain Gresh, publicado no site do "Le Monde Diplomatique", que vos recomendo vivamente e que passo a transcrever:

Sábado, dia 27 de Dezembro, a aviação israelita fez raides assassinos contra Gaza. De acordo com as autoridades israelitas, os lugares visados eram centros de comando do Hamas e das suas forças armadas. O balanço deste dia eleva-se a mais de 270 mortos e várias centenas de feridos. Numerosos civis foram atingidos, como relata o correspondente do The New York Times em Gaza, Taghreed El-Khodary («Israeli Attack Kills Scores Across Gaza»):

«No hospital de Shifa, numerosos corpos jaziam na morgue, esperando que a sua família os viesse identificar. Muitos estavam desmembrados. No interior, a família de um bebé de cinco meses que tinha sido gravemente ferido na cabeça por um rebentamento de obus. Com o hospital sobrelotado, o seu pessoal parecia incapaz de prestar ajudar. Na esquadra de polícia de Gaza, pelo menos quinze agentes de trânsito que estavam a treinar foram mortos. Tamer Kahruf, 24 anos, um civil que trabalhava numa obra de construção civil em Jabaliya, no Norte de Gaza, explica que os seus dois irmãos e o seu tio foram mortos sob os seus olhos quando a aviação israelita bombardeou um posto de segurança nos arredores. Kahruf está ferido e sangra da cabeça.»

Vítima desde há várias semanas de um bloqueio total, Gaza (e os seus médicos, evidentemente) está impossibilitada de cuidar dos feridos em condições normais.

O sítio Internet Free Gaza recolheu numerosos testemunhos de estrangeiros e de palestinianos no terreno que dão uma ideia da dimensão dos ataques.

O Hamas ripostou disparando várias dezenas de mísseis sobre Israel. Um israelita foi morto e vários foram feridos em Netivot e Ashkelon.

No domingo, dia 28, de manhã, as agências de imprensa anunciavam que o exército israelita estava a concentrar as suas tropas terrestres à volta de Gaza. Os bombardeamentos tinham sido retomados, tendo os raides israelitas atingido desta vez, designadamente, uma mesquita e uma estação de televisão. De acordo com o ministro da Defesa Ehud Barack, em caso algum punham a hipótese de um cessar-fogo: «É necessário mudar as regras do jogo» (« Israel resumes Gaza bombardment », Al-Jazeera English, 28 de Dezembro).

Na sexta-feira, Israel tinha excepcionalmente reaberto três pontos de passagem e deixado passar várias dezenas de camiões. Segundo um comentador israelita que defende o ponto de vista do seu governo, esta abertura fazia parte de actos de «diversão e de camuflagem adoptados pelo governo nos últimos dias» para apanhar o Hamas de surpresa. A escolha de um dia de sabat também. O mesmo comentador, Ron Ben-Yishal, explicou a 27 de Dezembro no sítio Internet a estratégia israelita: «Shock Tretment in Gaza».

«O que começou em Gaza no sábado de manhã é aparentemente uma acção limitada, visando obter um cessar-fogo a longo prazo entre o Hamas e Israel, em termos favoráveis a Israel. Estes termos incluiriam o fim dos ataques com morteiros e mísseis; o fim dos ataques terroristas através da fronteira de Gaza; negociações séria para a libertação de Gilad Shalit; e a suspensão do reforço militar do Hamas. O meio para garantir os objectivos mencionados é, literalmente, um “tratamento de choque”. Assim, o Hamas já não será capaz de tomar a iniciativa, e será Israel que tomará a iniciativa e mostrará ao Hamas que vai responder de forma “desproporcionada” de cada vez que os habitantes do Negev Ocidental forem bombardeados. Nesta fase, não falaremos do derrube do regime do Hamas, mas sobretudo da formulação de novas regras do jogo e de um esforço para pressionar o Hamas a aceitar um novo cessar-fogo.»

No sítio Internet do diário Haaretz, Amos Harel assinou um comentário intitulado «IAF strike on Gaza is Israel’s version of ‘shock and awe’».

«Os acontecimentos ao longo da frente Sul que começaram sábado de manhã, às 11h30, parecem-se muito com uma guerra entre Israel e o Hamas. É difícil dizer onde (geograficamente) e por quanto tempo vai prosseguir a violência antes de uma intervenção da comunidade internacional com vista à suspensão das hostilidades. Todavia, a salva de abertura israelita não é uma operação “cirúrgica” ou um ataque limitado. É o assalto mais violente a Gaza desde que este território foi conquistado em 1967.»

Esta ofensiva coloca-se também no quadro, se assim se pode dizer, da campanha eleitoral israelita. No dia 10 de Fevereiro de 2009 terão lugar eleições gerais e cada um dos candidatos faz apostas ousadas. Mesmo o partido de esquerda Meretz apelou, antes do desencadeamento do ataque israelita, a uma acção armada [1]. Em contrapartida, o Gush Shalom, a organização de Uri Avnery, condenou firmemente a acção israelita e os ditos apoiantes da paz, como Amos Oz, que a apoiam. Lembremos que em Fevereiro de 1996, o primeiro-ministro de então, Shimon Peres, tinha lançado uma ofensiva contra o Líbano («Uvas da cólera») – que ficou célebre pelo massacre de Cana, com uma centena de refugiados mortos – na esperança de ganhar as eleições que se preparavam. Resultado: Benyamin Netanyahu ganhou e tornou-se primeiro-ministro. No sábado à noite, um milhar de pessoas manifestou-se em Telavive contra os ataques israelitas.

É interessante notar que os comentadores israelitas, como a maior parte dos comentadores da imprensa ocidental, não assinalam a razão mais importante do falhanço do cessar-fogo de seis meses, que durou de 19 de Junho até 19 de Dezembro. Como nos confirmou Khaled Mechaal, chefe da comissão política do Hamas na semana passada, o acordo compreendia, para além do cessar-fogo, o levantamento do bloqueio de Gaza e um compromisso do Egipto em abrir a passagem de Rafah. Ora, não só Israel violou o acordo de cessar-fogo lançando um ataque que matou várias pessoas no dia 4 de Novembro, como os pontos de passagem não foram reabertos senão parcialmente, e o bloqueio foi mesmo reforçado nas últimas semanas. A população, que era largamente favorável ao acordo em Junho, exige hoje uma clarificação: ou a guerra ou a abertura incondicional dos pontos de passagem e o fim da chantagem permanente que permite a Israel matar lentamente à fome (e privar de cuidados de saúde) a população. Esta está certa quando acusa Israel, como relata o sítio Internet da Al-Jazeera em inglês: «Gazans: Israel violated the truce» (Mohammed Ali).

O presidente Nicolas Sarkozy reagiu com um comunicado. «O presidente da República exprime a sua mais viva preocupação perante a escalada da violência no Sul de Israel e na Faixa de Gaza. Condena firmemente as provocações irresponsáveis que conduziram a esta situação, assim como o uso desproporcionado da força. O presidente da República deplora as importantes perdas civis e exprime as suas condolências às vítimas inocentes e às suas famílias. Pede a paragem imediata dos lançamentos de mísseis sobre Israel, assim como dos bombardeamentos israelitas sobre Gaza, e apela à moderação de ambas as partes. Lembra que não existe solução militar em Gaza e pede a instauração de uma trégua duradoura.»

Num comunicado publicado na sequência do seu encontro com Abul Gheit, ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner reiterou as mesmas posições, acrescentando todavia que a França pedia «a reabertura dos pontos de passagem», um ponto ignorado por Sarkozy.

A senadora Nathalie Goulet, da UMP (União para um Movimento Popular), pertencente à Comissão dos Negócios Estrangeiros, publicou a declaração seguinte: «Como sempre, Israel faz um uso excessivo da força perante a indiferença da comunidade internacional, que deixa degradar-se a situação em Gaza há meses e meses. Não há que culpar nem o Irão nem o Hamas, mas a inércia da comunidade internacional, o apoio sistemático da política americana a Israel e a intolerável “atitude dupla” das organizações internacionais. Israel viola desde há quarenta anos dezenas de resoluções da ONU, sem embargo, sem sanções e com toda a impunidade. A situação é insuportável para os habitantes civis de Gaza desde há anos. A situação tem vindo a degradar-se, com o seu cortejo de humilhações e uma sede de vingança. Olho por olho tornará o mundo cego, disse Gandi. Há já demasiado, demasiado tempo que estamos cegos e surdos em relação ao sofrimento do povo palestiniano.»

Os ataques também suscitaram as condenações habituais dos países árabes. Uma reunião de emergência da Liga Árabe terá tido lugar no domingo. O Egipto declarou que acusava Israel como responsável; esta afirmação é talvez uma resposta a informações da imprensa israelita que afirmam que o Cairo teria dado luz verde a uma operação limitada a Gaza visando derrubar o Hamas («Report: Egypt won’t object to short IDF offensive in Gaza», por Avi Issacharoff, Haaretz, 25 de Dezembro). Um outro artigo do Haaretz publicado no dia 28 de Dezembro, e que descreve a campanha de desinformação do governo israelita antes da ofensiva de Gaza, explica que Tzipi Livni, a ministra dos Negócios Estrangeiros, tinha informado o presidente Mubarak do ataque («Disinformation, secrecy and lies: How the Gaza offensive came about», por Barak Ravid). A cumplicidade do Cairo é confirmada por um relatório da Y-net, «Egypt lays blame on Hamas», por Yitzhak Benhorin (27 de Dezembro), que retoma as declarações do ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros Abul Gheit, explicando que o seu governo tinha prevenido o Hamas e que os que não tinham escutado estes avisos assumiam a responsabilidade da situação (sobre as razões da política egípcia, ler esta entrevista com Khaled Mechaal).

Nestas condições, é duvidoso que estas condenações árabes conduzam a resultados. A única iniciativa espectacular e eficaz que o Cairo poderia tomar seria reabrir a ponte de passagem de Rafah, o que não quer fazer de modo nenhum – até agora, limitou-se a abrir a passagem aos feridos palestinianos. E, de acordo com a agência de imprensa Maan, nenhum ferido se apresentou, afirmando os médicos palestinianos que o transporte dos feridos graves é impossível, a menos que o Egipto envie helicópteros («Not one Gazan at Rafah crossing despite Egyptian promise to treat wounded, country to send medical supplies instead», 27 de Dezembro).

Para lá do bloqueio, é necessário lembrar que:


  • a recusa da comunidade internacional em reconhecer o resultado das eleições legislativas de Janeiro de 2006, que deram a vitória aos candidatos do Hamas, contribuiu para a escalada israelita; assim como a recusa de admitir realmente o acordo de Meca entre a Fatah e o Hamas;


  • a União Europeia e a França em particular, quaisquer que sejam a suas tomadas de posição, encorajam concretamente a política israelita, designadamente recompensando Israel pela melhoria das relações entre Israel e a União Europeia, apesar das violações repetidas por Israel de todos os compromissos (diminuição do número de check-points, desmantelamento dos colonatos «ilegais», etc.);


  • finalmente, lembremos esta verdade, cuja evidência é demasiadas vezes ocultada: a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental estão ocupadas desde há mais de quarenta anos. É esta ocupação que é a fonte de toda a violência no Médio Oriente.
Notas:
[
1] «Leftist Meretz issues rare call for military action against Hamas», por Roni Singer-Heruti, Haaretz, 25 de Dezembro.