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20 outubro, 2010

Sacerdote brasileiro chama candidatos à Terra em "Abortando a eleição"

Um texto gostoso e inteligente do Padre Otto Dana* sob a incursão dos candidatos Dilma e Serra pelos campos da religião, nesta segunda volta. Respigado do Blog do Luís Nassif.

Abortando a eleição 

(Publicado em 2010.10.11 no Guia Rio Claro)

Brasileiros e brasileiras! O capeta está solto! Empunhemos nossos terços e Bíblias e até Alcorões, se os houver! Herodes brande a espada afiada contra as criancinhas do Brasil! Ergamos a fogueira! Queimemos os hereges! O aborto e os gays estão espreitando pela janela!

Gente do céu! Que tiririquice! Que babaquice mais que medieval. Que onda inquisitorial graçando em pleno século XXI. A caça às bruxas. O extermínio dos veados. Cruz, credo! Xô Satanás! Estamos apenas tentando eleger um Presidente para o Brasil. Estamos discutindo propostas e projetos para uma boa administração do Brasil. Aborto, gueisismo, pílula, camisinha não é prioridade do momento.

O processo eleitoral corria tranquilo, dentro dos princípios democráticos: discute-aqui- denuncia-ali, promete-isso, condena-aquilo, tudo numa boa. De repente a serenidade é detonada por uma horda de aiatolás, talibãs, mulás, numa gritaria ensurdecedora contra os que ameaçam o poder do Altíssimo.

Alguns vestidos de batina (ainda!), outros de mitra e báculo, outros de terno e gravata ostentando Bíblias, todos ecumenicamente de dedo em riste acusador: ela é a favor do aborto, ele apóia o casamento homem-com-homem, mulher-com-mulher, os dois defendem a distribuição de camisinhas até para as crianças da escola.

Deus do céu! Que atraso! Que tiririquice! Pra começar, arbitrar sobre aborto e formas de casamento é da competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República, que apenas sanciona ou veta a disposição do Congresso. Além do mais, aborto e casamento gay nem estão em pauta de discussão, hoje.

Mais importante e pertinente agora é ouvir dos candidatos suas propostas e projetos concretos quanto à saúde, educação de qualidade, distribuição de renda, segurança da população, criação de empregos, formas de apropriação ou não do Estado, relações diplomáticas e econômicas com outros países, transporte, saneamento básico, liberdade de imprensa, desenvolvimento do país, programas sociais, etc., etc.

E mais: estamos num país democrático, regido por uma Constituição Civil e não pelas tábuas da lei de Moisés. É um país democrático e laico e não teocrático, apesar de supostamente religioso. Sua capital é Brasília e não o Vaticano, nem a Canção Nova, nem a sede da Assembléia de Deus, nem a CNBB.

Tentar manipular a consciência do eleitor, ameaçando-o com a ira de Deus é injuriar o próprio Deus que nos criou livres. O dia em que o povo tiver que consultar um aiatolá de plantão tipo Pastor Silas Malafaia, ou um Padre José Augusto (Canção Nova) para votar, é melhor rasgar o título de eleitor e o estatuto da maioridade civil. O que vem se praticando em meios religiosos, no momento, é o aborto da eleição, da democracia, da Constituição e do bom senso. Xô Satanás!

* Padre Otto Dana é Pároco da Igreja Sant´Ana em Rio Claro - São Paulo (Diocese de Piracicaba - SP).

05 outubro, 2010

Debate no Economist: "A religião é uma força para o bem" [?]

Economist Debates: Religion

The Economist lançou hoje um debate (em inglês) sobre religião onde pode participar, votando ou comentando, bastando para isso seguir o link.

O tema proposto para debate é "a crença de que a religião é uma força para o bem".

Na defesa desta proposição apresenta-se Mark Oppenheimer, colunista do New York Times (Beliefs) e autor até hoje de uma única obra: "Wisenheimer: A Childhood Subject to Debate", (2010).

Na contradita surge Sam Harris, director-geral (CEO) do Project Reason e autor de diversas obras, destacando, The Economist, o seu último lançamento: "The Moral Landscape", (2010).

Em português poderá encontrar "O Fim da Fé - Religião, Terrorismo e o Futuro da Razão", (2004), publicado em 2007 pela editora portuguesa Tinta da China e "Carta a uma Nação Cristã", (2006), publicado em 2007 pela editora brasileira Companhia das Letras.

20 junho, 2010

"L'Osservatore Romano" apelida Saramago de "populista e extremista"

"L'Osservatore Romano" apelida Saramago de "populista e extremista" - Portugal - DN

Antes o ataque aberto que a desconsideração do silêncio.

Chamar populista a Saramago é tentativa falhada de o denegrir. De facto querendo-o atacar politicamente, acertaram literalmente na sua caracterização.

Saramago foi um populista, pois produziu parte da sua obra, tendo o povo mais simples como tema e retratando-o com simpatia critica, mas sem paternalismo.

De ser extremista... quem mais extremista e radical que Jesus Cristo.

Quanto a ser marxista, ou seja acreditar na utopia de uma sociedade sem classes, numa sociedade mais justa, mais solidária e fraterna é sonho, estou certo, que Jesus Cristo, não desdenharia abraçar.

Quanto à ideologia anti-religiosa, de facto Saramago era ateu confesso e um homem livre a quem agradava desmascarar mitos, superstições, efabulações, tão próprias das religiões. E que o fez com acutilante e certeira arte.

O fel do "L'Osservatore Romano" só tem um efeito: destacar a sua mesquinhez e demonstrar a impiedade dos que se reclamam seguidores de um deus de amor.

Saramago afirmou: "Foi a Morte que inventou deus" (a grafia é minha, pois que só ouvi as suas palavras).

E eu com a devida distância acrescentava... e a religião a justificação para o preconceito, a intolerância e o ódio.

24 maio, 2010

Grupo de Sacerdotes Enrique Angelelli: Contribuição para o debate sobre as alterações à lei do casamento civil

Transcrição integral  do documento que está em espanhol. Entendo que é perfeitamente acessível. Senão... há sempre o Google Translate.
Aporte al debate sobre modificaciones a la ley de matrimonio civil

Nicolás Alessio por Grupo Sacerdotes Enrique Angelelli, Córdoba:

“Dios es amor, el que permanece en el amor, permanece en Dios y Dios en él”. San Juan. 
“Dios es espíritu, donde está el Espíritu esta la libertad”. San Pablo a los Corintio.
“Ya no hay diferencia entre judío y griego, esclavo y hombre libre, entre varón y mujer, porque todos ustedes son uno solo en Cristo Jesús”. San Pablo a los Gálatas.

Ante la posibilidad de una ley que permita a personas del mismo sexo ser “matrimonio” y vivir profundamente el amor y la sexualidad, entendemos que aprobarla, acompañarla y profundizarla nos pone en el camino del Evangelio de Jesús. Un Jesús que nos ha revelado el rostro amoroso de su Dios. No necesariamente ni siempre, la iglesia oficial, y sus opiniones, coinciden con el Evangelio. Este tema es uno de esos casos.

Veamos:

- Jesús nunca fijó una doctrina cerrada sobre el matrimonio, simplemente siguió las costumbres de su época y avanzó en reconocer y defender, de una manera especial a las mujeres, en un contexto social machista y patriarcal….

- Jesús jamás condenó ni mencionó la homosexualidad, sí se enfrentó a los soberbios, a los que se creían puros, a los que tenían el poder opresor, a los que esclavizaban, a los que humillaban…

- Jesús siempre puso la Ley al servicio de una mayor humanización, donde el centro sea la persona y, sobre todo, los proscriptos, los olvidados, los últimos…

- el término “homosexual” no aparece en la literatura sino hasta fines del siglo XIX, en los tiempos bíblicos no existía una comprensión elaborada de lo que actualmente entendemos por orientación sexual…mal se podría condenar la homosexualidad....

- toda la revelación bíblica apunta a centrarnos en el amor, sin exclusiones de ningún tipo, y con predilección por los marginados, los proscriptos, los ninguneados, los postergados, los acusados…

- si algunos textos del Antiguo Testamento, parecen condenar la homosexualidad, en realidad lo que están rechazando, es, o la idolatría que tal práctica revelaba o, en todo caso, como en el caso de Sodoma, la falta de hospitalidad, en Ezequiel 16:49-50 por ejemplo, “Sodoma” es soberbia, gula y no socorrer al pobre y al indigente, es decir, no tiene nada que ver con un pecado “sexual”. Por otra parte, esos textos del Antiguo Testamento, jamás se refieren a las lesbianas, solo hablan de los varones.

- si algunos textos de las cartas apostólicas incluyen en sus listas de “pecado” a la homosexualidad, es solo para adaptarse a los códigos morales greco romanos, y en ese sentido recordar el pecado de idolatría que tales costumbres significaban, o condenar las practicas de abuso, prepotencia, explotación sexual, sean estas hetero u homo sexuales, pero de ninguna manera expresan una condena a la homosexualidad como tal…

- toda la revelación bíblica y con más razón, el Nuevo Testamento, no es un código de moral, citar textos aislados para condenar la homosexualidad es un fundamentalismo anacrónico incapaz de entender los textos en su lugar histórico particular, es usar algunos textos para justificar los propios prejuicios. Hacer de la Biblia un manual de moral sexual sería caer en el legalismo judío duramente criticado por Jesús, la Biblia es la revelación de un Dios que nos quiere ver libres, gozosos y felices y, que por eso, nos invita a enfrentar a todo el que oprime, discrimina, rechaza, expulsa, odia, segrega, separa.

Entendemos la homosexualidad, como una manera distinta, diferente, diversa, de vivir la sexualidad y el amor, no como una rareza y menos como una enfermedad. Desde hace 37 años la homosexualidad no se considera un trastorno psiquiátrico y la Organización de las Naciones Unidas (ONU) a través de la OMS (Organización Mundial de la Salud) la eliminó como trastorno mental el 17 de mayo 1990 por considerar, con criterios científicos, que no correspondía a una patología, sino que es parte de la diversidad del ser humano.

Quién podría negar que las personas del mismo sexo pueden vivir de manera, adulta, libre y responsable su sexualidad? Nadie puede, y menos en nombre de Dios, afirmar que hay una sola manera de vivir la sexualidad y el amor. La naturaleza, rica en multiplicidad, también nos enseña que, la diversidad, no atenta contra ella, si no que la embellece. Citar a la “ley natural” para oponerse a esta legislación es solo una posición fijista, dura, congelada, de la realidad pretendida como “natural”, sin entender los complejos procesos culturales.

Entendemos que un legislador, puede profesar profundamente su fe cristiana y católica, y, a la vez, con total libertad de conciencia, pensar, definir y actuar distinto a lo que propone la jerarquía eclesial. En la Iglesia Católica, no hay un “pensamiento único”, hay lugar para la diversidad y la pluralidad. Por otra parte, un legislador, no legisla para la comunidad católica, legisla para toda la ciudadanía. No debiera ofender ni molestar a nadie, por el contrario, debiera ser motivo de alegría, que las personas del mismo sexo, que tradicionalmente han sido objeto de burlas, discriminaciones, condenas, estigmas, anatemas, prejuicios y obligadas a vivir en la clandestinidad u ocultando sus más profundos sentimientos, hoy puedan sentirse libres y amparados por una ley de la Nación que les reconoce su derecho al amor y a la familia, no como una concesión de mala gana, si no como un derecho inalienable.

Grupo Sacerdotal Enrique AngelelliPbro. Nicolás AlessioProvincia de Córdoba Argentina

Un grupo de sacerdotes cordobeses, a favor del matrimonio homosexual

Un grupo de sacerdotes cordobeses, a favor del matrimonio homosexual   Por: Marta Platía. Corresponsalía en Córdoba. de Clárin

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Algo que o beato Presidente deveria ter em atenção.

A notícia está em espanhol mas penso que é perfeitamente acessível. Senão... há sempre o Google Translate.

No entanto passo a transcrever parcialmente o trabalho de Marta Platia, já que deixo de fora as citações do documento "aportes al debate sobre las modificaciones a la ley de matrimonio civil", pois irei publicá-lo na integra.

[Un grupo de sacerdotes cordobeses] "Emitieron un documento que dice que "Jesús jamás condenó la homosexualidad" y que los legisladores pueden "actuar distinto a lo que propone la jerarquía eclesial". Los curas son del movimiento tercermundista "Enrique Angelelli".

"Ante la posibilidad de una ley que permita a personas del mismo sexo ser 'matrimonio' y vivir profundamente el amor y la sexualidad, entendemos que aprobarla, acompañarla y profundizarla nos pone en el camino del Evangelio de Jesús", arranca el documento, que está llamado a provocar polémica en el seno de la Iglesia que formalmente cuestiona el matrimonio homosexual.

El documento se titula "aportes al debate sobre las modificaciones a la ley de matrimonio civil" y fue redactado por Nicolás Alessio, un sacerdote cordobés de 52 años, miembro de un grupo de sacerdotes tercermundistas llamado Enrique Angelelli. El texto fue respaldado por otros quince sacerdotes en ejercicio.

Consultado por Clarín, Alessio, quien es el cura párroco de la iglesia San Cayetano, en el barrio Altamira, dijo que "la Iglesia tiene derecho a oponerse a un matrimonio eclesial, pero aquí se habla de casarse por civil". En esa dirección, el sacerdote apuntó: "Claro, cómo van a aceptar esto, si ni siquiera aceptan el divorcio vincular, excomulgan a los que se casan en segundas nupcias y, si vamos al caso, tampoco aceptan el matrimonio civil entre heterosexuales, ya que si no pasan por el matrimonio religioso, para la Iglesia dos personas no están casadas realmente".

Para el cura, "el punto clave está en que en el fondo ellos consideran a la homosexualidad como una enfermedad, y no como una manera diversa de relacionarse".

23 maio, 2010

A ler: "Crepúsculo das religiões", por João Caraça, no Público

Público - Crepúsculo das religiões

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"O recrudescimento dos fundamentalismos religiosos é, no fundo, um sinal da fraqueza de métodos de congregação"
 
A opinião de João Caraça, Professor universitário. Director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian