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18 outubro, 2011

A ajuda a Israel deixou de ser uma "vaca sagrada" de MJ Rosenberg

 
MJ Rosenberg's Foreign Policy Matters

Aid To Israel No Longer A Sacred Cow
For the first time in memory, if not ever, a highly respected mainstream columnist is calling on the United States to cut aid to Israel.
Writing in the Washington Post, Pulitzer Prize-winning reporter and columnist Walter Pincus says "it is time to examine the funding the United States provides to Israel."
Aid to Israel is virtually the only program, domestic or foreign, that is exempt from every budget-cutting proposal pending in Congress. No matter that our own military is facing major cuts along with Medicare, cancer research and hundreds of other programs, Israel's friends in Congress in both parties make sure that aid to Israel is protected at current levels.
Back when I was a congressional staffer, I was part of the process by which aid to Israel was secured. Members of the respective appropriations committees sent "wish lists" to the chair of their committee detailing which programs they each wanted funded and by what amounts. Each letter reflected the particular interest of a particular congressman or senator and of his own district or state.
There was always one exception: aid to Israel, which apparently is a local issue for every legislator. The American Israel Public Affairs Committee (AIPAC) would provide the list of Israel's aid requirements for the coming year and, with few if any exceptions, every letter would include the AIPAC language. Not a punctuation mark would be changed.
At the end of the process, the AIPAC wish list would become law of the land. (Woe to any member of Congress who dared to resist the AIPAC juggernaut.)
That is how it has been for decades and not even the current economic crisis is likely to change it. On this issue, Congress is unmovable and will remain so as long as its members rely so heavily on campaign contributions (PAC or individual) delivered by AIPAC.
In his column today, Pincus describes just how absurd the Israel exemption is and that the aid to Israel package even includes an escalator clause, enshrined in law, to ensure that it can only go up, not down.
Look for a minute at the bizarre formula that has become an element of U.S.-Israel military aid, the so-called qualitative military edge (QME). Enshrined in congressional legislation, it requires certification that any proposed arms sale to any other country in the Middle East "will not adversely affect Israel's qualitative military edge over military threats to Israel."
In 2009 meetings with defense officials in Israel, Undersecretary of State Ellen Tauscher "reiterated the United States' strong commitment" to the formula and "expressed appreciation" for Israel's willingness to work with newly created "QME working groups," according to a cable of her meetings that was released by WikiLeaks.
The formula has an obvious problem. Because some neighboring countries, such as Saudi Arabia and Egypt, are U.S. allies but also considered threats by Israel, arms provided to them automatically mean that better weapons must go to Israel. The result is a U.S.-generated arms race.
For example, the threat to both countries from Iran led the Saudis in 2010 to begin negotiations to purchase advanced F-15 fighters. In turn, Israel — using $2.75 billion in American military assistance — has been allowed to buy 20 of the new F-35 fifth-generation stealth fighters being developed by the United States and eight other nations.
Read the full article to get the benefit of Pincus' research on all the unique features of the Israel aid package — including the fact that while we are increasing aid to Israel, Israel itself is cutting its military budget.
Something is terribly wrong here, most notably the fact that members of Congress from both parties are afraid to talk about it. After all, what would their constituents (not their donors) think about increasing foreign aid to Israel while we are cutting aid to education and health programs here?
Until Pincus wrote this column, there was no reason to think Congress would ever reconsider its priorities. Legislators didn't publicize the inconsistency in their budget priorities and no one, other than AIPAC, was paying much attention.
That may have been changed by an intrepid reporter, writing in the staunchly pro-Netanyahu Washington Post, who also happens to be Jewish — immunizing him from the "anti-Semitism" charge hurled at anyone who questions U.S. policy toward Israel.
Maybe, just maybe, progressives (and maybe even conservatives) will now demand that their legislators tell them just why they apply the sledgehammer to programs that affect impoverished Americans while falling all over themselves to continue giving billions to a prosperous Israel.
In 1982, Steve Rosen, (an AIPAC lobbyist subsequently indicted for espionage although the case was dropped), sent me the following memo. (I was employed by AIPAC at the time.) It read:
A lobby is a night flower.
It thrives in the dark.
And withers in the daylight.
Thanks to Walter Pincus and the Washington Post for providing that daylight.
 
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08 junho, 2010

James K. Galbraith :"O perigo que o déficit público representa é zero"

Carta Maior - Economia - "O perigo que o déficit público representa é zero"


Transcrito do portal "Carta Maior"

Em entrevista ao jornal Washington Post, o economista norte-americano James K. Galbraith, critica a receita ortodoxa que recomenda o corte de gastos públicos como maneira de enfrentar a crise. Para ele, trata-se de uma receita totalmente falaciosa e que está sendo imposta neste momento a vários países. "Isso está ocorrendo agora na Europa e é desolador. Exige-se que os gregos cortem 10% do gasto público em poucos anos. E se supõe que isso não afetará o PIB. É evidente que afetará. E estão obrigando a Espanha a fazer o mesmo", critica.
“A idéia de que as dificuldades de financiamento (do Estado) emanam dos déficits públicos é um argumento apoiado em uma metáfora muito potente, mas não nos fatos, não na teoria e não na experiência cotidiana.”

“A receita que se sugere agora, de que é possível cortar o gasto público sem cortar a atividade econômica é completamente falaciosa. Isso está ocorrendo agora na Europa e é desolador. Exige-se que os gregos cortem 10% do gasto público em poucos anos. E se supõe que isso não afetará o PIB. É evidente que afetará. E afetará de uma maneira tal que eles não terão os ingressos fiscais necessários para financiar sequer um nível mais baixo de gasto público. E estão obrigando a Espanha a fazer o mesmo. A zona do euro caminha para o abismo.”

Um dos principais economistas de nosso tempo destrói sem contemplações o mito do déficit público e zomba da incompetência de seus colegas. Ezra Klein entrevistou James Galbraith para o jornal Washington Post. Reproduzimos a entrevista abaixo:

WP - Você acredita que o perigo representado pelo déficit no longo prazo está sendo superestimado pela maioria dos economistas e jornalistas econômicos?

JG - Não. O que eu acredito é que o perigo é zero e não que esteja sendo superestimado. Essa questão está muito mal posta.

WP - Por que?

JG - Qual é a natureza do perigo? A única resposta possível é que este déficit maior possa causar um aumento das taxas de juro. Bem, se os mercados achassem que isso representa um risco sério, as taxas de juro sobre os bônus do Tesouro a 20 anos não seriam de 4% e começariam a mudar agora mesmo. Se os mercados pensassem que as taxas de juro sofrem pressões por problemas de financiamento daqui a dez anos, isso se refletiria já em um aumento dos juros para os bônus de 20 anos. O que tem ocorrido, ao invés disso, é que os juros têm baixado em conseqüência da crise européia.

Assim, há duas possibilidades. Uma é que a teoria está equivocada. A outra é que o mercado é irracional. E se o mercado é irracional, não faz sentido desenhar uma política para adequar-se aos mercados, porque não cabe adequar-se a uma entidade irracional.

WP - Mas por que a maioria de seus colegas está tão preocupada com isso então?

JG - Aprofundemos um pouco os prognósticos do Escritório Orçamentário do Congresso. Trata-se de um conjunto de projeções. Uma delas é que a economia voltará a níveis normais de elevado emprego com baixa inflação nos próximos dez anos. Se é verdade, seriam notícias muito boas. Algumas linhas abaixo, vemos que também prevêem taxas de juro de curto prazo em alta até 5%.

O que gera esses prognósticos de enormes déficits futuros é esta combinação entre taxas de juro altas no curto prazo e inflação baixa. E esses prognósticos se baseiam na suposição de que os custos da assistência de saúde crescerão para sempre a uma taxa maior do que qualquer outra coisa, e também na suposição de que os juros de devolução da dívida representarão algo entre 21 e 25% do PIB.

Neste ponto, a coisa se torna completamente incoerente. Não se pode passar cheques para todo o mundo sem que o dinheiro entre na economia e aumente o emprego e a inflação. E se isso ocorre, então a proporção da dívida em relação ao PIB tem de decrescer, porque a inflação afeta o volume de nossa dívida. Todas essas cifras hão de se agrupar numa história coerente, e os prognósticos do Gabinete Orçamentário do Congresso não a oferece, de maneira que qualquer coisa que se diga, baseada neles é, falando estritamente, sem sentido.

WP – Não poderia haver um meio termo entre o levantamento do Gabinete Orçamentário do Congresso e a idéia de que a dívida não representa problema algum? Parece claro, por exemplo, que os custos da assistência em saúde seguirão crescendo mais rapidamente que os outros setores da economia.


JG – Não. Não é razoável. A proporção dos custos da assistência em saúde em relação ao PIB e a inflação cresceriam até que a taxa de inflação se aproximasse da assistência em saúde. E se a assistência em saúde se tornar tão cara terminemos pagando 20% do PIB, enquanto outros pagam 12%, poderíamos comprar Paris e todos os seus médicos e trasladar nossos idosos para lá.

WP – Mas deixando de lado a inflação, por acaso o hiato entre receitas e despesas não teria outros efeitos perversos?

JG – O fato de que não tenhamos financiado previamente nosso orçamento militar trouxe consigo alguma consequência terrível? Não. Há uma só autoridade orçamentária e creditícia, e a única coisa que importa é o que esta autoridade paga. Suponha que eu seja o governo federal e queira pagar a você, Ezra Klein, um bilhão de dólares para construir um porta-aviões. O que faço é transferir dinheiro para sua conta bancária. O Banco Central preocupar-se-á com isso? Terá que se preocupar com o IRS [Internal Revenue Service, a Receita Federal dos EUA]? Para gastar, o governo não precisa de dinheiro: isso é tão óbvio como que uma pista de boliche não descarrilha.

O que preocupa as pessoas é que o governo federal não seja capaz de vender títulos da dívida. Mas o governo federal não pode nunca ter problemas para vender sua dívida. Ao contrário. O gasto público é o que cria demanda bancária de títulos da dívida, porque os bancos querem rendimentos maiores para o dinheiro que o governo põe na economia. Meu pai dizia que o processo é tão sutil que a mente se bloqueia perante sua simplicidade.

WP – Que implicações políticas isso tem?

JG – Que deveríamos nos focar nos problemas reais e não nos fictícios. Temos problemas graves. O desemprego está em 10%. Muito melhor seria se nos dispuséssemos à tarefa de desenvolver políticas de emprego. E podemos fazê-lo, imediatamente. Temos uma crise energética e uma crise climática urgentes. Deveríamos nos dedicar durante toda uma geração a enfrentar esses problemas de um modo que nos permita reconstruir paulatinamente o nosso país. Do ponto de vista fiscal, o que há que se fazer é inverter a carga tributária, que atualmente é sustentada pelos trabalhadores. Desde o começo da crise eu venho defendendo uma isenção fiscal temporária, de modo que todos experimentem um incremento em suas rendas líquidas e possam encurtar suas hipotecas seria uma coisa boa. Também há que se incentivar aos ricos para que reciclem seu dinheiro, e por isso estou a favor de um imposto sobre os bens imóveis, um imposto que tradicionalmente tem beneficiado enormemente as nossas maiores universidades e a organizações filantrópicas sem fins lucrativos. Essa é uma diferença entre a Europa e nós.

WP – Bem, creio que isso responde a minhas perguntas.

JG - Mas eu ainda tenho mais uma resposta! Desde 1970 com que frequência o governo deixou de incorrer em déficit? Em seis curtos períodos, todos seguidos de recessão. Por que? Porque o governo necessita do déficit; é a única maneira de injetar recursos financeiros na economia. Se não se incorre em déficit, o que se faz é esvaziar os bolsos do setor privado. No mês passado estive num congresso em Cambridge em que o diretor executivo do FMI disse ser contrário aos déficits e partidário do arrocho fiscal: mas ambas são a mesma coisa! O déficit público significa mais dinheiro nos bolsos privados.

A forma como agora se sugere o corte de gastos sem retrair a atividade econômica é completamente falaciosa. Agora mesmo isso é desolador na Europa. Exige-se dos gregos que cortem 10% do gasto em poucos anos. E se supõe que isso não afetará o PIB. Evidentemente que o fará! De tal maneira que não disporão de receitas fiscais necessárias para financiar sequer o nível mais baixo de gasto. Ontem obrigou-se a Espanha a fazer o mesmo. A zona do euro está num despenhadeiro.

Por outro lado, olhe para o Japão. O país teve déficits enormes ininterruptos desde o crash de 1988. Qual foi a taxa de juros da dívida pública japonesa desde então? Zero! Não tiveram o menor problema em financiar-se. O melhor ativo que se pode possuir no Japão é o dinheiro a vista, porque o nível dos preços cai. Te dá um rendimento de 4%. A idéia de que as dificuldades de financiamento se originam nos déficits é um argumento sustentado numa metáfora muito potente, mas não nos fatos, não na teoria e não na experiência cotidiana.

James K. Galbraith é profesor de economia na Lyndon B. Johnson School of Public Affairs, da Universidade do Texas, em Austin.

Tradução: Katarina Peixoto