O Queer Lisboa, festival de cinema gay e lésbico da capital portuguesa, abandonou o patrocínio que desde há muito lhe era prestado pela Emabaixada Israelita, na sequência de uma persistente campanha de activistas que lutam pelo boicote de Israel até que este cumpra as suas obrigações à luz do direito internacional e respeite os direitos humanos dos palestinianos. A embaixada israelita vinha apoiando o festival ao longo dos últimos anos como parte da sua campanha “Brand Israel”, lançada em 2005 com o objectivo de desviar a atenção da sua contínua violação do direito internacional e direitos palestinianos, para os seus feitos artísticos e científicos.
Uma coligação de organizações portuguesas, incluindo o colectivo de direitos LGBT “Panteras Rosa” e o Comité de Solidariedade com a Palestina, protestou à porta do evento no ano passado exigindo que a organização do festival rejeitasse aquele patrocínio imoral. Os protestos tiveram alguma cobertura mediática pondo em causa o festival. O realizador canadiano John Greyson abandonou sua participação no festival após saber do patrocínio. Numa declaração, Greyson, que havia sido galardoado com a maior honra do Festival em 2009, afirmou que “Tanto os activistas queer portugueses como palestinianos fizeram ver que este apoio viola o apelo feito em 2005 pela sociedade civil palestiniana que pede aos artistas e académicos de consciência que boicotem o estado israelita, em protesto contra a ocupação corrente.”
Sérgio Vitorino, porta-voz das “Panteras Rosa” referiu que “Israel usa os eventos queer para fazer “pinkwash” [branqueamento rosa] do apartheid, desviando as atenções da opressão que exerce sobre os palestinianos assim como da verdadeira homofobia com que se confronta a comunidade LGBT dentro de Israel e qualquer gay ou lésbica palestiniano a viver debaixo de uma brutal ocupação militar.” Sérgio acrescenta “Felicitamos a decisão do Queer Lisboa abandonar este patrocínio para que possamos continuar a celebrar a verdadeira mensagem do festival – a da igualdade e da tolerância.”
A campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) foi lançada em 2009 por uma coligação plural que inclui organizações de solidariedade, direitos humanos e anti-racismo, em resposta a um apelo feito pela maioria da sociedade civil palestiniana em 2005. Para saber mais sobre esta campanha global ver: http://www.bdsmovement.net/
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14 setembro, 2011
Queer Lisboa abandona patrocínio israelita após campanha de boicote
10 outubro, 2010
10.10.10 - Dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte
ATTAC Portugal, Colectivo Mumia Abu-Jamal, Comité de Solidariedade com a Palestina, FERVE, Não te Prives, Panteras Rosas, Pobreza Zero, Precários Inflexíveis, Solidariedade Imigrante, SOS Racismo, decidiram marcar o dia Europeu e Mundial contra a Pena de Morte com uma iniciativa.
Não sei a que se deve a falta de tantas outras organizações na convocatória desta louvável iniciativa. Entre elas a CGTP-IN, que sempre seguiu os bons princípios da solidariedade internacional, ou a Amnistia Internacional, que sempre lutou contra a pena de morte. Isto para não falar noutras, muitas outras, organizações da sociedade civil.
Será que os organizadores não contactaram com mais ninguém?
Se não contactaram terá sido por vesgo sectarismo, por oportunismo de falso “vanguardismo” ou porque já desistiram de convidar outras organizações, para não receber um “Não!” como resposta, ou porventura, o que é mais grave, o vazio do silêncio?
Será que existiram organizações convidadas que não tenha aderido, por questões de “imagem”, por falsas questões ideológicas, por sectarismo partidário, por mero tacticismo oportunista – não estando presentes não reconhecemos os outros como iguais, nem lhes damos importância, retirando peso à iniciativa - ou porque tem outros assuntos de maior importância a tratar?
Seria bom clarificar a situação, porque me parece estar a instalar-se uma desmedida apatia, em Portugal, perante a necessária afirmação e defesa dos direitos humanos e humanitários e a correspondente materialização em acções de solidariedade moral e material.
No meu caso, apesar de não partilhar com algumas das organizações subscritoras, a sua estratégia, as tácticas, a forma e o tom das suas comunicações e até o “modus operandi” de alguns dos seus dirigentes, existe um Bem Maior a ter presente.
E esse, é hoje, a abolição da pena de morte.
É por isso que eu digo presente!
E saúdo nessas organizações todos os seus activistas, porque são eles que, apesar das possíveis diferenças de visão que possam existir, nestes tempos incertos e difíceis, estão a chamar, de forma directa, a nossa consciência para a acção solidária em defesa da Vida, honrando a nossa história, já que, Portugal foi o primeiro país do Mundo a abolir de forma definitiva a pena de morte.
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