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13 maio, 2009

Jornalista israelita detida por estar onde as notícias acontecem

A polícia de Israel deteve ontem, terça-feira, a laureada jornalista israelita, correspondente do Haaretz, Amira Hass após esta ter regressado da Faixa de Gaza, onde se encontrava nos últimos meses por motivos profissionais.

Amira Hass foi detida num posto de controlo quando saia da Faixa de Gaza e levada para interrogatório, acusada de violar uma lei que proíbe um cidadão de Israel de residir num estado inimigo.

Posteriormente foi libertada sob fiança após ter-se comprometido a não entrar na Faixa de Gaza nos próximos 30 dias.

Amira Hass é a primeira jornalista israelita a entrar na Faixa de Gaza nos últimos dois anos, desde que as Forças de Defesa de Israel proibiram a sua entrada na Faixa de Gaza no seguimento da captura do soldado Gilad Shalit, em 2006, por militantes palestinos.

Em Dezembro passado, mais precisamente no dia 1, Amira Hass já tinha sido presa, no posto de controlo de Erez quando regressava a Israel, após ter entrado na Faixa de Gaza, por mar, há semanas atrás, a bordo do “Dignity”, um navio do movimento internacional “Free Gaza”, que pela segunda vez rompia o bloqueio naval israelita a Gaza, para assim fazer a cobertura do evento.

Ao descobrirem que ela não tinha autorização para estar em Gaza, os soldados transferiram-na para o posto de polícia de Sderot.

Quando questionada, Amira Hass salientou que ninguém a tinha proibido de entrar na Faixa de Gaza, o que fizera, como jornalista, para trabalhar.

Hass foi libertada em seguida, sob medidas de coação, e o Superintendente Shimon Nahmani, comandante da polícia em Siderot, disse então que o seu caso seria levado a tribunal.

Também por essa ocasião a presidente do Conselho de Imprensa Dalia Dorner, que anteriormente exercera funções no Supremo Tribunal de Justiça, comentou que, mesmo os jornalistas estão sujeitos à lei e o Conselho não pode defender um repórter que viole a lei. Em vez disso, afirmou, os jornalistas deveriam apresentar uma petição ao Supremo Tribunal de Justiça contra a ordem do exército.

Amira Hass In: Wikipedia

Amira Hass é uma proeminente jornalista e escritora israelita conhecido principalmente pela sua coluna no jornal Ha'aretz. É particularmente reconhecida pelo seu trabalho jornalístico sobre os assuntos palestinos, desde a Cisjordânia e Gaza, onde também viveu durante alguns anos.Filha de dois sobreviventes do Holocausto (Bergen-Belsen), Amira Hass nasceu em Jerusalém, e foi educada na Universidade Hebraica de Jerusalém, onde estudou a história do nazismo e a Esquerda Europeia com o Holocausto.

No início de sua carreira, viajou bastante e tendo tido diversos empregos.

Frustrada com os acontecimentos da Primeira Intifada, iniciou a sua carreira jornalística, em 1989, como editora do jornal israelita Ha'aretz, tendo, a partir de 1991, passado a trabalhar directamente dos territórios palestinos.

Vivendo, desde 1993, na Faixa de Gaza, e em Ramallah, desde 1997, a partir de 2003, ela é a única jornalista judia israelita que vive a tempo inteiro, entre os palestinos.

Amira Hass recebeu em 2000, o prémio Press Freedom Hero instituído pelo International Press Institute, em 2002, o galardão Bruno Kreisky Human Rights Award, em 2003, o prémio da UNESCO, Guillermo Cano World Press Freedom Prize, e em 2004, o galardão inaugural atribuído pelo Anna Lindh Memorial Fund.

O seu trabalho é geralmente solidário com o ponto de vista palestino e crítico da política do governo israelita para com os palestinos.

No entanto, durante os anos da Intifada de Al-Aqsa, no entanto, altamente Amira Hass publicou diversos artigos altamente críticos sobre o caos e a desordem causada pelas milícias associadas ao partido Fatah de Yasser Arafat e à sangrenta guerra entre facções palestinas em Nablus.A sua descrição dos acontecimentos, e a expressão de opiniões que contrariam as posições oficiais, quer israelitas, quer palestinas expôs Amira Hass aos ataques verbais, e à oposição de ambas as autoridades, israelitas e palestina.

Recentemente Amira Hass definiu Israel como um estado apartheid, com privilégios reservados principalmente para os judeus. Afirmando:

“Os palestinianos, como povo, estão divididos em subgrupos, algo que faz lembrar a África do Sul sob a lei do apartheid.”

Em Junho de 2001, a Juíza Rachel Shalev-Gartel, Magistrada do Tribunal de Jerusalém decidiu que Hass tinha difamado a comunidade judaica do colonato de Beit Hadassah, em Hebron, e sentenciou-a a pagar 250.000 shekels (cerca de 60,000 dólares) por danos.

Amira Hass havia relatado o testemunho de palestinos que viram colonos israelitas a profanar o corpo de um militante palestino que tinha sido morto pela polícia israelita; os colonos alegaram que tal nunca acontecera e que Hass tinha contado a história com intenções malévolas.
O juiz presidente decidiu em favor dos colonos.
O Ha'aretz declarou que não teve tempo para organizar a defesa do caso, e anunciou que iria recorrer da decisão.

Hass fez notar que tinha apresentado informações adquiridas a partir da comunidade palestiniana, e afirmou que era da responsabilidade dos editores de jornal fazer o cruzamento da informação com as outras entidades envolvidas FDI e comunidade do colonato.
A 1 de Dezembro de 2008, Amira Hass, que havia viajado para Gaza a bordo de um navio do Movimento “Free Gaza”, um movimento internacional de direitos humanos, furando assim o bloqueio marítimo a Gaza, foi detida pela polícia israelita, no seu retorno a Israel por estar em Gaza sem licença.

A 12 de Maio de 2009 Amira Hass foi novamente presa pela polícia israelita num posto de controlo entre a Faixa de Gaza e Israel, quando mais uma vez regressava a Israel, acusada de violar uma lei que proíbe um cidadão de Israel de residir num estado inimigo.

09 fevereiro, 2009

Activista desaparecida estava presa em Israel

A activista dos direitos humanos, a escocesa Theresa McDermott foi encontrada, detida na prisão de Ramleh, quatro dias depois de ter sido dada como "desaparecida", por parte do governo de Israel.

Theresa era uma dos 9 passageiros a bordo do Tali, um navio que transportava ajuda humanitária para Gaza, quando este foi interceptado por navios de guerra israelita, em 4 de Fevereiro de 2009, que o apresaram e levaram para Ashdod, em Israel.

Todos os passageiros e tripulantes a bordo foram libertadas na quinta-feira, 5 de Fevereiro, excepto Theresa.

Entre quinta-feira à noite e domingo de manhã não houve nem uma palavra sobre o paradeiro de Theresa excepto várias notícias falsas dizendo que "britânicos" tinham partido para Londres.
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Finalmente no domingo, Theresa foi capaz de telefonar ao seu irmão João, na Escócia para lhe dizer que estava na prisão de Ramleh em Israel.

Segundo o jornalista Salam Khodr, da Al Jazeera, que se encontrava a bordo do Tali quando o navio foi abordado os passageiros foram ameaços, agredidos, pontapeados por soldados israelitas antes de serem retirados do navio.

Nenhuma informação foi fornecida pelas autoridades israelitas sobre as razões da detenção de Theresa, quais as acusações e as razões de ter sido ocultada a sua detenção.

Sempre que o consulado britânico em Israel foi contactado para ajudar a encontrar Theresa, recusou-se a fazê-lo, afirmando que não poderia prestar assistência a um cidadão britânico a menos que ele o pedisse pessoalmente.

Membros do Parlamento Escocês, incluindo Pauline McNeil e Hugh O'Donnell que fizeram parte de uma delegação a Gaza, do movimento “Free Gaza”, bordo do barco “Dignity”, estão a trabalhar com o governo britânico a fim de garantir que Theresa recebe a protecção e assistência a que tem direito.

Theresa esteve em Gaza, com os primeiros navios do “Free Gaza”, em Agosto, e regressou para uma segunda viagem no navio “Dignity”.

Ela é desde há muito tempo uma respeitada activista dos direitos humanos que tem trabalhado com o Movimento Internacional de Solidariedade na Palestina, assim como com o “Free Gaza”. Na Escócia ela trabalha para os Correios.

Os Israelitas apenas encontraram no Tali, material médico e de ajuda humanitária, mas recusam-se a devolver o navio. O status da sua carga é desconhecido.

15 janeiro, 2009

Israel transgride novamente a Lei do Mar

A marinha israelita forçou um navio que transportava mais de uma tonelada de suprimentos médicos para a Faixa de Gaza a voltar para o alto mar esta madrugada.

Segundo o “Free Gaza”, um movimento de defesa dos direitos humanos, que fretou o “Spirit of Humanity”, barcos de guerra israelitas cercaram o navio em águas internacionais, a cerca de 100 milhas a partir de Gaza.

A organização Free Gaza afirmou que tinha enviado uma notificação oficial ao governo israelita informando-o da sua intenção de navegar até Gaza, desafiando o bloqueio naval e que as autoridades cipriotas tinham inspeccionado o barco, a seu pedido, antes de ter deixado o porto de Lanarca na passada terça-feira, certificando que este só transportava material humanitário.

De acordo com passageiros no barco, os navios de guerra israelitas rodearam o “Spirit of Humanity” ameaçando disparar caso ele não voltasse para trás.

O navio transportava, entre tripulação e passageiros, 21 pessoas passageiros, incluindo 3 médicos, jornalistas e membros do parlamento europeu, bem como material médico e medicamentos para os hospitais de Gaza.

O Free Gaza organizou quatro viagens bem sucedidas a Gaza, a primeira das quais em 23 de Agosto de 2008 rompendo assim o bloqueio naval imposto por Israel, após o Hamas ter assumido o controlo da Faixa de Gaza, em Junho de 2007.

A última tentativa, no entanto, terminou em 30 de Dezembro, quando um barco de guerra israelita abalroou, o navio “Dignity”, que teve de ser então desviado para o Líbano, para reparações.

Esta acção da marinha israelita ameaçando um navio desarmado, em missão humanitária, é uma violação flagrante do direito marítimo internacional e da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, que estabelece que "…o alto-mar deve ser reservado para fins pacíficos."
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No Público também é notícia.