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30 dezembro, 2010

ACTUALIZAÇÃO DO APELO URGENTE - Crianças dos Escombros

 Apelo para parar com o tiro-ao-alvo contra crianças desarmadas a trabalhar perto da fronteira com Gaza - 23 casos documentados.



29 December 2010
UPDATED URGENT APPEAL - Children of the Gravel

Appeal to stop the targeting of unarmed children working near the border in Gaza - 23 cases documented.

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27 dezembro, 2010

HOJE; 27/12: Concentração de Solidariedade com a Palestina


HOJE
27 de Dezembro de 2010, às 18:30
Concentração de Solidariedade com a Palestina e o povo de Gaza
Em Lisboa, no Largo de S. Domingos (junto ao Rossio)
Com o objectivo de:

  • Evocar o 2.º Aniversário do massacre de Gaza
  • Exigir a materialização do Direito à Autodeterminação do Povo Palestino
  • Exigir o fim do cerco ilegítimo da Faixa de Gaza por Israel
...Exigindo a Paz!

Quem convoca? Um grupo de cidadãs e cidadãos enquanto tal: Eu, a Ana Benavente, a Guadalupe Magalhães e o Vitor Garrido.

Organizações que já declararam o seu apoio: a Associação Abril e o Comité Palestina

Quem nos desejou sucesso apesar de não participarem: a Amnistia Internacional - Portugal e a CGTP-IN.

22 dezembro, 2010

Seis palestinos, quatro deles civis, e uma criança israelita feridos em ataques mútuos

Pelo menos seis palestinos, quatro deles civis, e uma criança israelita ficaram feridos na terça-feira em diversos incidentes, em ambos os lados da fronteira, da responsabilidade, quer das forças armadas de Israel, quer de militantes palestinos.

Esta nova série de incidentes foi despoletada pela morte de cinco milicianos palestinos, no sábado, num bombardeamento israelita.

Os últimos incidentes que se verificaram foram dois bombardeamentos aéreos israelitas consecutivos na tarde de terça-feira no oeste da cidade de Rafah, no sul de Gaza, nos quais ficaram feridos quatro civis palestinos, segundo Adham Abu Selmeya, porta-voz dos serviços de emergência do Ministério da Saúde de Gaza.

As forças armadas israelitas confirmaram o bombardeamento em comunicado e declararam que fora uma resposta ao lançamento de 15 foguetes contra o solo israelita por parte das milícias palestinas de Gaza ao longo da última semana.

Um deles causou ferimentos leves numa criança israelita, quando esta se dirigia à escola, no kibutz Zikim, a quatro quilómetros da fronteira com a Faixa de Gaza, na manhã de terça-feira.

Horas antes, dois milicianos palestinos ficaram feridos num bombardeamento da Força Aérea israelita contra instalações do Hamas, perto da cidade de Khan Yunis, também no sul de Gaza.

Segundo o comunicado do Exército, a aviação israelita atacou "sete pontos relacionados com o terrorismo na Faixa de Gaza", entre eles quatro túneis operados pelo Hamas, "um túnel de contrabando, uma fábrica de armas e um centro de actividades terroristas".

Na manhã desta terça-feira, num discurso no Comité de Negócios Estrangeiros e Defesa do Parlamento israelita, o chefe do Estado-Maior, Gabi Ashkenazi, qualificou a situação em Gaza de "frágil e explosiva".

20 dezembro, 2010

Mais 2 jovens baleados em Gaza pelas forças israelitas



18 December 2010
Voices from the Occupation

Suhaib (15) was shot in his left leg whilst collecting wood in the Gaza Strip, about 250 metres from the border fence with Israel.

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Suhaib M., de 15 anos, foi baleado na perna esquerda, no passado dia 10 de Dezembro, enquanto apanhava madeira na Faixa de Gaza, a cerca de 250 metros da vedação de fronteira com Israel.

Na mesma data, Rasmi G., também com 15 anos, foi baleado na perna direita, enquanto apanhava material de construção na Faixa de Gaza, a cerca de 200 metros da vedação de fronteira com Israel.

Desde Março de 2010, o ICD-Palestina documentou 19 casos de crianças baleadas enquanto recolhiam material de construção de entre os escombros, perto da fronteira com Israel. [A entrada de materiais de construção na Faixa de Gaza continua a estar proibida por Israel e entretanto existem milhares de famílias palestinas sem abrigo conveniente por destruição ou por existirem danos graves nas suas habitações] Para agir, consulte o nosso Apelo Urgente (em inglês).

09 maio, 2010

Israel ameaça atacar comboio naval humanitário que se dirige a Gaza

Israel ameaça atacar um comboio naval de ajuda internacional, que se dirige à sitiada Faixa de Gaza, transportando 5.000 toneladas de material de construção e de medicamentos e cerca de 600 activistas, noticia este domingo a Agência de Notícias Palestina Ma'an.

O comboio naval, apelidado de
"Freedom Flotilla" (Frota da Liberdade), composto por três cargueiros e cinco navios de passageiros, é o maior esforço coordenado internacionalmente a desafiar directamente o bloqueio de Israel à sitiada Faixa de Gaza, e a sua continuada ocupação, agressão e violência contra o Povo Palestino.

Tel Aviv impôs um bloqueio à Faixa de Gaza em meados de Junho de 2007, quando o Hamas assumiu o poder, nesse território palestino. Este bloqueio tem mantido os cerca de 1,5 milhões de habitantes de Gaza numa situação de sobrevivência quase sub-humana, pois há falta de tudo: alimentos, combustíveis, medicamentos e outros produtos de primeira necessidade.

Jamal Al-Khudari, líder do Comité Popular de Gaza Contra o Cerco, afirmou que esta ameaça reflecte o falhanço israelita e encarna o  "terrorismo de Estado" contra pessoas pacíficas que vem ajudar outros seres humanos que estão sobre cerco e agressão.

29 junho, 2009

Romper o Bloqueio: O "Spirit of Humanity" partiu de Chipre rumo a Gaza


O navio"Spirit of Humanity" partiu de Chipre às 7h30 (5:30 de Lisboa), de segunda-feira, 29 de Julho. ("Afinal o "Free Gaza" não seguiu viagem desta vez)


Vinte e um activistas dos direitos humanos e da solidariedade, representando onze diferentes países, estavam a bordo.

Entre os passageiros contam-se Mairead Maguire,
Prémio Nobel da Paz em 1977 pelo seu trabalho na Irlanda do Norte e a ex-congressista dos E.U.A. Cynthia McKinney.

Os navios também transportam três toneladas de ajuda médica, brinquedos e kits de reabilitação e reconstrução para vinte famílias e ... simbolicamente, um saco de cimento.

Cada kit traz uma pequena quantidade de suprimentos para uma única família, que representam sectores da sociedade civil que está a ser bloqueado por Israel: Agricultura, Obras Públicas e Reconstrução, Educação, Electricidade, Saúde, Água e Saneamento.

Mais de 2.400 casas foram destruídas em Gaza durante o ataque israelita em Dezembro/Janeiro, 490 delas por ataques aéreos bem como 30 mesquitas, 29 instituições de ensino, 29 centros médicos, 10 instituições de caridade e 5 fábricas de cimento entre outras instalações.

Embora tenham sido prometidos mais de 4 mil milhões de dólares em ajuda humanitária e para ajudar a reconstrução
na Faixa de Gaza, até agora ainda pouco desta ajuda se materializou devido ao bloqueio israelita.

Na oportunidade, Mairead Maguire, co-vencedor do Prémio Nobel da Paz 1977 pelo seu trabalho na Irlanda do Norte declarou: "[Os palestinos de Gaza] devem saber que não os esquecemos e que não os vamos esquecer."

Tendo ainda a ex-Congressista Cynthia McKinney afirmado que : "Os E.U.A. deveriam
enviar uma mensagem a Israel reiterando a posição Casa Branca de que o bloqueio de Gaza deveria ser aligeirado e que, suprimentos médicos e materiais de construção, incluindo cimento, deveriam ser permitidos ...Irá (o Presidente Obama) cumprir com as suas próprias palavras e permitir-nos providenciar auxílio a Gaza ou irá recuar?"


Huwaida Arraf, presidente do Movimento “Free Gaza” declarou ainda ue: "A política de bloqueio de Israel é uma violação flagrante do direito internacional. Exortamos os nossos governos a tomarem medidas para cumprirem com as suas obrigações no âmbito da Quarta Convenção de Genebra. Até o fazerem, vamos continuar a agir. “

Da lista de passageiros constam:

Adam Qvist, Dinamarca
  • Adam trabalha na área da solidariedade na Dinamarca. Vai monitorar a aplicação dos direitos humanos
Adam Shapiro, E.U. A.
  • Adam é um documentarista americano e activista dos direitos humanos.

Adnan Mormesh, Reino Unido
  • Adnan trabalha na área da solidariedade na Grã-Bretanha. Vai monitorar, a longo prazo, a aplicação dos direitos humanos
Alex Harrison, Reino Unido
  • Alex trabalha na área da solidariedade na Grã-Bretanha. Vai monitorar, a longo prazo, aaplicação dos direitos humanos.
Cynthia McKinney, E.U.A.
  • Cynthia McKinney, ex-congressista e ex-candidata presidencial, é uma defensora dos direitos humanos e da justiça social.
Derek Graham, Irlanda
  • Derek Graham é electricista, organizador doMovimento “ Free Gaza”, e Imediato do “Spirit of Humanity”.
Denis Healey, UK
  • Denis é capitão do “Spirit of Humanity”. Esta será a sua quinta viagem a Gaza.
Fatima Al-Attawi, Bahrein
  • Fátima é uma trabalhadorana áera da assistência social e activista comunitária no Bahrein.
Fathi Jaouadi, Reino Unido / Tunísia
  • Fathi é um jornalista britânico, organizador doMovimento “ Free Gaza”, e co-coordenador da delegação nesta viagem.
Huwaida Arraf, E.U.
  • Huwaida é presidenta doMovimento “ Free Gaza”, e co-coordenadora da delegação nesta viagem.
Ishmahil Blagrove, UK
  • Ishmahil , de origem jamaicana, é jornalista, documentarista e fundador da empresa de produção cinematográfica “Rice & Peas”. Os seus documentários focam as lutas pela justiça social a nível internacional.
Juhaina Alqaed, Bahrein
  • Juhaina é jornalista e activista dos direitos humanos.
Kaltham Ghloom, Bahrein
  • Kaltham é uma activista comunitária.
Kathy Sheetz, E.U. A.
  • Kathy é enfermeira e realizadora de filmes. Vai monitorar a aplicação dos direitos humanos.
Khalad Abdelkader, Bahrein
  • Khalad, engenheiro, representa a Associação de Caridade Islâmica do Bahrein.
Khaled Al-Shenoo, Bahrein
  • Khaled é leitor na Universidade de Bahrain.
Lubna Masarwa, Palestina / Israel
  • Lubna é uma activista palestina dos direitos humanos e organizadora doMovimento “ Free Gaza”.
Mairead Maguire, Irlanda
  • Mairead é Prêmio Nobel e renomado activista da paz.
Mansour Al-Abi, Iémen
  • Mansour é operador de câmara da Al-Jazeera TV.
Othman Abufalah, Jordânia
  • Othman é um jornalista da Al-Jazeera TV, de reputação mundial.
Theresa McDermott, Escócia

  • Theresa trabalha na área da solidariedade na Escócia. Vai monitorar, a longo prazo, aaplicação dos direitos humanos.

23 junho, 2009

"Free Gaza" zarpa de novo contra o bloqueio a Gaza


Daqui a dois dias o Movimento “Free Gaza” navegará de novo 240 milhas nos mares, de Chipre a Gaza, na sua oitava missão, com o objectivo de, uma vez mais, romper o cerco a Gaza, por mar, cerco que mantém 1,5 milhões de seres humanos, há mais de dois anos como que encarcerados, no maior campo de concentração da história.
Nos porões do “Free Gaza” e do “Spirit of Humanity” seguirão poucas toneladas de cimento – os barcos são pequenos - e malas cheias de brinquedos, lápis e livros para colorir, para crianças, tudo artigos proibidos pelo governo de Israel.

Duas das organizadoras, Huwaida Arraf e Greta Berlim, bem como a ex-congressista dos E.U.A., Cynthia McKinney, numa conferência de imprensa realizada em Doha, no Catar, na passada segunda-feira, exortaram o mundo a reconhecer os direitos humanos e civis dos palestinos ... direitos que lhes são negados há mais de 61 anos.

"As pessoas em Gaza estão sobrevivendo em condições sub-humanas. As crianças estão morrendo, e os governos estão silenciosos. É importante continuar a enviar barcos a Gaza para desafiar o criminoso bloqueio imposto por Israel", afirmou a Sra. Huwaida Arraf.

"Os doadores internacionais prometeram mais de US $ 4BN para reconstruir Gaza, mas nenhum deles faz o que quer que seja quanto ao facto de Israel não permitir a entrada de materiais de construção no território. É por isso que 36 de nós, de 16 diferentes países, zarparemos na quinta-feira: Para dizer ao mundo para fazer alguma coisa. " acrescentou.

Quando perguntada que garantias tem o grupo recebido do governo israelita, a resposta veio desafiadora:

"Nós não procurámos obter autorização ou coordenar a viagem com as autoridades israelitas. Israel tem abusado grosseiramente da sua autoridade como uma potência ocupante, violando diariamente os direitos humanos dos palestinos, impondo-lhes uma punição colectiva. É tempo da comunidade internacional parar a cumplicidade com a política de bloqueio ilegal de Israel. "

O grupo pretende realizar, pelo menos, três missões ao longo do Verão, a 25 Junho, a 14 de Julho e a 16 de Agosto, perto do aniversário da primeira viagem bem sucedida.

06 junho, 2009

Discurso no Cairo de Barak Obama (trecho sobre a Palestina)

Decidimos transcrever, na sua totalidade, a parte do discurso de Barack Obama que se refere à questão palestina, porque entendemos que é importante conhecer o que ele nos disse na globalidade para além das referências parcelares já publicadas pelos órgãos de comunicação social.

Assim que possível publicaremos o discurso total, já que este foi desde logo um marco definitivo nos caminhos para a paz e segurança no Médio Oriente.

"...
A segunda grande fonte de tensão que temos de discutir é a situação entre israelitas, palestinos e o mundo árabe.

Os estreitos laços dos Estados Unidos e Israel são bem conhecidas. Esta ligação é inquebrável. Baseia-se em laços históricos e culturais, bem como no reconhecimento de que a aspiração por uma Pátria judia está enraizada numa trágica história, que não pode ser negada.

Em todo o mundo, os judeus foram perseguidos durante séculos, e o anti-semitismo na Europa levou a algo nunca visto: o Holocausto. Amanhã, visitarei Buchenwald, que fez parte de uma série de campos onde os judeus foram escravizados, torturados, baleados e gaseados até à morte pelo Terceiro Reich. Seis milhões de judeus foram aniquilados, mais do que toda a actual população judaica de Israel. Negar essa realidade é ilegítimo, é ignorante e é odioso. Ameaçar Israel com a destruição - ou repetir estereótipos abjectos sobre os judeus - é profundamente errado e só servem para suscitar nos israelitas as mais dolorosas memórias e, ao mesmo tempo, impedir a paz que os povos da região merecem.

Por outro lado, também é inegável que o povo palestiniano - muçulmanos e cristãos - também sofreu na busca por uma pátria. Durante mais de sessenta anos, sofreu a dor de estarem desalojados. Muitos aguardam em campos de refugiados na Cisjordânia, Gaza e em terras vizinhas, uma vida de paz e segurança que nunca conseguiram ter. Sofreram humilhações quotidianas - grandes e pequenas - decorrentes da ocupação. Então, que não haja dúvidas: A situação para o povo palestino é intolerável. E os Estados Unidos não vão voltar as costas às legítimas aspirações palestinas de dignidade, oportunidade e de um estado seu.

Durante décadas, tem existido um impasse: dois povos com legítimas aspirações, cada um com uma dolorosa história, o que torna os compromissos difíceis. É fácil atribuir a culpa – para os palestinos a deslocação, como resultado da fundação de Israel, e para os israelitas a constante hostilidade e os ataques realizados, ao longo da sua história, dentro e fora das suas fronteiras. Mas se olharmos o conflito a partir de apenas um dos lados ou do outro, então estaremos cegos à verdade: a única solução para as aspirações de ambas as partes será encontrada através de dois estados, em que israelitas e palestinos vivam em paz e a segurança.

É do interesse de Israel, é do interesse da Palestina, é do interesse dos Estados Unidos e do interesse do mundo inteiro. É por isso que eu pretendo prosseguir pessoalmente este resultado com toda a paciência e dedicação que a tarefa exige. As obrigações – as obrigações que as partes acordaram no Roteiro são claras. Para alcançar a paz, é tempo para eles - e para todos nós – cumprirmos com as nossas responsabilidades.

Os palestinos devem desistir da violência. A resistência através da violência e da matança é errado e não terá êxito. Durante séculos, os negros nos Estados Unidos sofreram o açoite do chicote como escravos e a humilhação da segregação. Mas não foi a violência que conquistou a plena igualdade de direitos. Foi uma pacífica e resoluta perseverança nos ideais centrais dos fundamentos dos Estados Unidos. A mesma história pode ser contada pelos povos da África do Sul ao Sul da Ásia; da Europa Oriental à Indonésia. É uma história com uma verdade muito simples: que a violência é um beco sem saída. Não é sinal nem de coragem nem de força lançar foguetes contra crianças dormindo, ou fazer explodir velhotas num autocarro. Não é assim que se reivindica a autoridade moral; é assim que a ela se renúncia.

Este é o momento em que os palestinos se deveriam concentrar naquilo que podem construir. A Autoridade Palestiniana deverá desenvolver a sua capacidade de governar, com instituições que respondam às necessidades de seu povo. O Hamas tem apoio entre alguns palestinos, mas também tem de reconhecer que tem responsabilidades. Para desempenhar um papel na realização das aspirações dos palestinos, para unir o povo palestino, o Hamas tem de pôr um fim à violência, reconhecer acordos passados e reconhecer o direito de Israel a existir.

Ao mesmo tempo, Israel deve reconhecer que, tal como não lhe pode ser negado o direito de existir, o mesmo se deve aplicar à Palestina. Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade da contínua colonização israelita. Esta actividade viola acordos anteriores e compromete os esforços para alcançar a paz. É tempo para essa colonização parar.

E Israel também tem de cumprir as suas obrigações para garantir que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver a sua sociedade. Da mesma maneira que é devastador para as famílias palestinas, a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza, esta não contribui para a segurança de Israel; nem de igual modo, a continuada a falta de oportunidades na Cisjordânia. Os progressos na vida quotidiana do povo palestino devem ser uma parte crítica do caminho para a paz, e Israel deve tomar medidas concretas para permitir esse avanço.

Por último, os Estados árabes devem reconhecer que a Iniciativa Árabe de Paz foi um importante ponto de partida, mas não o fim das suas responsabilidades. O conflito árabo-israelita não deveria ser usado para distrair as pessoas dos países árabes da existência de outros problemas. Pelo contrário, deve ser uma razão para agir ajudando o povo palestino a desenvolver as instituições que irão suster o seu Estado, reconhecendo a legitimidade de Israel, e escolhendo o progresso e não uma contraproducente concentração sobre o passado.

Os Estados Unidos irão alinhar as suas políticas, com aqueles que procuram a paz, e devemos dizer em público aquilo que dizemos em privado aos israelitas, aos palestinianos e aos árabes. Não podemos impor a paz. Mas, privadamente, muitos muçulmanos reconhecem que Israel não vai desaparecer. Da mesma forma que muitos israelitas reconhecem a necessidade de um Estado palestino. É tempo de agirmos com base naquilo que todos sabemos que é verdade.

Demasiadas lágrimas têm sido derramadas. Demasiado sangue foi derramado. Todos temos a responsabilidade de trabalhar para o dia em que as mães dos israelitas e dos palestinos possam ver seus filhos crescer sem medo; quando a Terra Santa das três grandes religiões for o lugar de paz que Deus planeou que fosse; quando Jerusalém for um seguro e duradouro lar para Judeus, Cristãos e Muçulmanos e um lugar onde todos os filhos de Abraão confraternizem pacificamente como na história da Isra [1], quando Moisés, Jesus e Maomé, que a paz esteja com eles, se juntaram para rezar.
…”
[1] A Isra, viagem nocturna, refere-se à viagem que, numa só noite, o profeta Maomé realizou de Meca a Jerusalém e depois ao paraíso e aos infernos.

06 fevereiro, 2009

Marinha de Guerra de Israel apresa navio com ajuda humanitária

A Marinha de Israel interceptou na manhã de quinta-feira um navio que levava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.

Pelo menos dezoito pessoas estavam a bordo do navio Tali, de bandeira do Togo, crismado de Al-Ikhwa (A Irmandade), que foi desviado para o porto israelita de Ashdod, aonde a sua carga será examinada, estando os passageiros e a tripulação a serem interrogados pela polícia.

Entre eles estava o ex-arcebispo greco-católico de Jerusalém, monsenhor Hilarion Capucci, que deixara a cidade nos anos 70 após cumprir 3 anos de prisão, de uma pena de doze, acusado de contrabando de armas para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de quem era membro, e um correspondente da emissora de TV árabe Al Jazeera, Salam Khoder, entre outros jornalistas.

De acordo com um comunicado do ministério da Defesa israelita, o Al-Ikhwa foi abordado após o comportamento da tripulação "levantar suspeitas" de que "o barco pudesse ser usado para contrabandear equipamento proibido para dentro ou fora da Faixa de Gaza".
.
(Entretanto, de acordo com as últimas notícias da Haaretz, as autoridades israelitas já libertaram todos os passageiros, tendo permitido o regresso do navio ao libano. Nas buscas não foram encontradas armas)

Um porta-voz israelita, citado na versão online do jornal Haaretz, também disse que nenhum tiro foi disparado pelas forças do país para tomar o navio - só teriam sido feitos disparos de advertência.

No entanto, um correspondente da emissora de TV árabe Al Jazeera, que estava a bordo do navio, contou que depois de terem sido alvejados pela marinha israelita, cinco soldados entraram a bordo, agredindo e ameaçando os passageiros.

“Eles apontaram armas contra nós, eles pontapearam-nos e bateram-nos. Eles ameaçaram as nossas vidas.” Afirmou Salem Khoder.

Entretanto o equipamento de comunicações foi destruído e os telefones pessoais foram confiscados.

A missão foi organizada pelo Comité Nacional Palestino Contra o Bloqueio em cooperação com a organização americana Movimento para a Liberdade de Gaza. (”Free Gaza”) e o navio Al-Ikhwa que originalmente saira de Chipre, partiu do porto da cidade libanesa de Tripoli na terça-feira carregando 60 toneladas de remédios, comida e outros suprimentos.
Um dos organizadores da missão, Maen Bashur, declarou numa conferência de imprensa em Beirute que o navio transportava equipamento médico, comida, livros, brinquedos e leite para bebé.

"O navio foi revistado em Chipre e no Líbano. E estávamos muito ansiosos que fosse revistado pelas autoridades cipriotas e libanesas para que não houvesse razão para os israelitas o impedirem de chegar a Gaza” declarou Bashour à Al Jazeera.

O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, condenou o ataque israelita contra Al-Ikhwa enfatizando que o mesmo estava numa missão humanitária.

“Não é surpresa que Israel perpetre tais acções já que vem sendo costume ignorar todas as leis e resoluções internacionais.”

“Já fiz algumas chamadas telefónicas para parceiros da comunidade internacional para que exerçam pressão sobre Israel que está a violar a Lei. Responsabilizo Israel pela segurança do navio e dos passageiros.”, declarou Siniora.