16 outubro, 2011

O destino marcado dos presos palestinos


A contabilidade da "libertação":

Os prisioneiros, do número 1 ao 131 da lista, deverão regressar às suas residências na Faixa de Gaza.

Os prisioneiros, do número 132 ao 186 da lista, deverão regressar às suas residências na "Judea & Samaria" (Cisjordânia) ou em Jerusalém Oriental;

Os prisioneiros, do número 187 ao 241 da lista, deverão regressar às suas residências na "Judea & Samaria" (Cisjordânia) ou em Jerusalém Oriental, sujeitos a restrições, conforme especificado no acordo;

Os prisioneiros, do número 242 ao 281 serão enviados para o exterior (deportados da sua terra natal);

Os prisioneiros, do número 282 ao 299 da lista, (residentes na Cisjordânia) serão enviados (desterrados) para a Faixa de Gaza por três anos (ou em alternativa: deportados);

Os prisioneiros, do número 300 ao 444 da lista, (residentes na Cisjordânia) serão enviados (desterrados) para a Faixa de Gaza (ou em alternativa: deportados);

Os prisioneiros, do número 445 ao 450 da lista, deverão regressar às suas residências em Israel;

As prisioneiras, do número 451 ao 477 da lista, deverão regressar às suas residências na "Judea & Samaria" (Cisjordânia), na Faixa de Gaza, em Jerusalem Oriental (e em Israel – prisioneira 468 ), excepto a prisioneira 473, que será enviada para a sua residência na Jordânia, e a prisioneira 474, que será enviada (desterrada) para a Faixa de Gaza (ou em alternativa, deportada).

Estes dados estão disponíveis na lista de prisioneiros a libertar emitida pela Shabak –uma espécie de PIDE do regime nacional-sionista – que poderá encontrar em: http://shabas.gov.il/listeng1.xls

15 outubro, 2011

Atletas boicotam adversários israelitas

Sara Besbes, campeã de esgrima, considerada a melhor do continente africano, recusou competir contra a israelita Noam Mills, na final do campeonato mundial de esgrima, que decorre no sul da Itália.

A campeã tunisina virou a espada para o chão e permaneceu um longo momento sem se mexer na plataforma, afirmando assim a sua intenção de boicotar a atleta israelita, que não escondeu a sua perturbação perante este gesto corajoso.


    
Já no domingo, outro esgrimista se retirou da competição perante um adversário israelita.
     
São grandes momentos que recordam o boicote praticado contra o apartheid da África do Sul em competições desportivas.

13 outubro, 2011

A Suposta Conspiração Iraniana: E de como os Neocons nos imunizaram


MJ Rosenberg's Foreign Policy Matters

The Supposed Iran Plot: How The Neocons Immunized Us

A few weeks after the 9/11 attacks, I attended a big holiday dinner with family and friends. Naturally much of the conversation revolved around the terrorist attacks and the rage and sorrow we all felt. There was also considerable discussion about President George W. Bush's handling of the catastrophe and his decision to send troops to Afghanistan in pursuit of the perpetrators and to eliminate the Taliban regime that was hosting them.
Everyone at the table approved of the president's actions and believed that there was no alternative. Moreover, and this was somewhat surprising considering that none of us thought Bush had been legitimately elected, we all believed that he was being honest about the situation the United States faced and the options that were before him.
There was, however, one dissenter. My younger son, then in college, was absolutely opposed to going into Afghanistan. He said that there had to be a better way to respond than rushing into a war that, in his opinion, would likely expand and last "forever." Besides, he added, "I don't believe a word that comes out of Bush's mouth."
Naturally a brouhaha ensued with everyone (including me) telling the kid how utterly wrong and unpatriotic he was. There was a lot of yelling, but he would not back down. He just kept saying "you'll see."
Boy did we. Prodded by his neoconservative advisers and outside cheerleaders eager to pick up where the first Gulf War ended, Bush quickly pivoted from Afghanistan to the calamitous invasion of Iraq. He justified that invasion by insisting that Iraq was implicated in the 9/11 attacks (it wasn't) and that it possessed weapons of mass destruction (it didn't).
Both the Bush administration and its faithful ally, the Tony Blair government in the United Kingdom, famously set out to "fix" the intelligence to deceive the people of both nations into an utterly unnecessary and unjustified war, the main accomplishment of which has been to turn Iraq into, of all things, a strong ally of the Islamic Republic of Iran. Along the way, of course, hundreds of thousands of Americans, Iraqis, Brits and others have died and Iraq has essentially been destroyed.
It is against this backdrop that I view the Iranian plot that was announced earlier this week by the Obama administration. At this point, it is impossible to say how serious the plot was and, more importantly, if it even had anything at all to do with the Iranian government. Are we ready to believe that the cold and calculating people who govern Iran are contracting out assassination plots with Mexican drug traffickers or that they would pick Washington as the best place to attack the Saudi ambassador (knowing that being found responsible for a major explosion in Washington would mean war with the Saudi Arabia and United States)?
This is not to dismiss the plot as phony or contrived. But after the Iraq war experience, it would be awfully stupid of Americans to simply accept without question anything we are told about nefarious Muslim states that must be stopped before a "mushroom cloud" appears over downtown Washington.
The only good news here is that we have past experience to guide us. But for the lies and manufactured evidenced that led us into Iraq we might not have reason to be skeptical about the case the government laid out yesterday and which the usual suspects are already joyously citing as reason to get tough with Iran (as if that country is not under onerous sanctions already). Here is Reuel Mark Gerecht, one of the leading cheerleaders for the invasion of Iraq, warning that the supposed plot justifies a U.S. attack on Iran. "The White House needs to respond militarily to this outrage. If we don't, we are asking for it," he writes. (Not very different from what he wrote in 2002 when he said that "if President Bush follows his own logic and compels his administration to follow him against Iraq and Iran, then he will sow the seeds for a new, safer, more liberal order in the Middle East.")
But for the lies and manufactured evidence that led us into Iraq, we might actually accept the idea that the Iran plot is thoroughly genuine and in no way linked to the determination of so many inside our government and out of it who are hell-bent on war with Iran and who would do anything they can to achieve it.
Fortunately, however, and this may be the only fortunate thing about the Iraq war, the Iraq experience taught us to be skeptical, especially of anything and everything championed by the hawks.
So let's go slowly here. If the plot turns out to be both real and sanctioned by powerful people in Tehran, a strong response of some kind is warranted. But first let's make sure. The neocons' "drop bombs now and ask questions later" approach has been thoroughly discredited. How stupid would we have to be, then, to allow the same gang to lead us into yet another reckless war, one that would be infinitely more deadly?
Count me among the skeptics.
Foreign Policy Matters is updated daily. Check us out HERE.
Media Matters Action Network


Copyright (C) 2009 Media Matters Action Network All rights reserved.

10 outubro, 2011

O poder de veto dos EUA é um tigre de papel ou a Resolução 377 A da ONU

Hoje um leitor do Financial Times, o Senhor Michael Voggenauer (ver carta) chamou a atenção para a Resolução 377 A, adoptada em 3 de Novembro de 1950, após 14 dias de discussões na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, por 52 votos, com 5 votos contra (Checoslováquia, Polónia, República Socialista Soviética da UcrâniaUnião das Repúblicas Socialistas Soviéticas República Socialista Soviética da Bielo-Rússia), e 2 abstenções (Índia e Argentina). 

A resolução "Unir para a Paz",  também conhecida como o "Plano de Acheson", afirma que em todos os casos em que o Conselho de Segurança, por causa da falta de unanimidade entre os seus cinco membros permanentes, não agir conforme o necessário para manter a paz e a segurança internacionais, a Assembleia Geral delibera sobre o assunto imediatamente e poderá emitir as recomendações que julgue necessárias a fim de restaurar a paz e a segurança internacionais. Se não estiver em sessão nesse momento a Assembleia Geral pode reunir-se usando o mecanismo da sessão especial de emergência.

Esta resolução é fruto da Guerra Fria
e da Guerra da Coreia, e tinha por objectivo libertar a intervenção americana e dos seus aliados, sob a bandeira da ONU, do veto da URSS no Conselho de Segurança.

Esta resolução já foi utilizada por diversas vezes e será bom recordar aquela que apresenta maiores pontos de contacto com a situação geral da Palestina - a oitava sessão especial de emergência da AG NU convocada pelo Zimbabwe, a fim de discutir a "Questão da Namíbia"

As suas reuniões foram realizadas entre 03 de Setembro e 14 de Setembro de 1981. Na conclusão da reunião final da sessão, a Assembleia aprovou a Resolução A/RES/ES-8/2, em que:

    "Declarando que a ocupação ilegal da Namíbia pela África do Sul em conjunto com os repetidos atos de agressão cometidos pela África do Sul contra os Estados vizinhos constitui uma violação da paz e da segurança internacionais",

    "Observando com pesar e preocupação que o Conselho de Segurança não conseguiu exercer a sua responsabilidade primordial de manutenção da paz e da segurança internacionais, quando projetos de resolução propondo sanções obrigatórias abrangentes contra a África do Sul sob o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas foram vetadas pelos três membros permanentes ocidentais do Conselho em 30 de Abril de 1981, "...

    
"6. Exorta os Estados-Membros, organismos especializados e outras organizações internacionais para prestar um maior e sustentado apoio e assistência material, financeira, militar e outros tipos de assistência à Organização do Povo da África do Sudoeste (SWAPO) para permitir-lhe intensificar a sua luta pela libertação da Namíbia;." ...

  "13 Exorta todos os Estados, tendo em vista a ameaça à paz e segurança internacional colocada pela África do Sul, para impor contra esse país sanções obrigatórias abrangentes, em conformidade com as disposições da Carta;."

    
"14. Também exorta os Estados a cessar de imediato, individual e coletivamente, todas as relações com a África do Sul a fim de isolá-la completamente em termos políticos, económicos, militares e culturais;"

Esta foi a primeira ocasião em que a Assembleia autorizou sanções económicas, diplomáticas e culturais contra um Estado; já havia autorizado sanções militares pela sua Resolução 1.001, de 7 de Novembro de 1956, durante a primeira sessão especial de emergência.

Fontes: Financial Times e o artigo da Wikipedia " "United Nations General Assembly Resolution 377".

Mulheres Palestinianas - Ciclo de cinema e debate


Ciclo de cinema e debate

Mulheres Palestinianas

26 de Outubro a 6 de Dezembro de 2011
8, 15, 22, 29 de Novembro e 6 de Dezembro, 21h30m, Fila K Cineclube/Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto, Av. Sá da Bandeira, 83, Coimbra.

 Programa em Lisboa

26 de Outubro, 2, 9, 16 e 23 de Novembro, 21h30m, Centro de Cultura e Intervenção Feminista / Rua da Cozinha Económica, Bloco D, 30m e N, Alcantâra / Lisboa (ver Localização e transportes, aqui.)

The camera is like a magic lantern
that we embrace
to make our dreams come true.
It is the tool we use to reclaim our existence,
memory, and humanity
.
Mai Masri (realizadora palestiniana)

A experiência do que é ser palestiniana agrega vivências como a guerra, a despossessão, a desterritorilização, a pobreza e a emigração, mas essas experiências por si só não bastam para captar a complexidade das vidas destas mulheres. É igualmente necessário ter em conta uma cultura patriarcal, as amarras da tradição, bem como as tensões, os desafios e as convulsões políticas e sociais de sociedades em processo de modernização e sob forte impacto da globalização e da ingerência externa. Como vivem as palestinianas as diversas forças que as oprimem e querem silenciar? Como reagem, como se insurgem contra a ocupação israelita e lutam por direitos e pela emancipação? Para tentar compreender e reflectir sobre estas questões propomos dar a voz a realizadoras que reclamam uma identidade palestiniana e a cineastas do Médio Oriente que colocaram lutas de palestinianas no centro dos seus projectos cinematográficas. Um olhar cinematográfico sobre as mulheres palestinianas e os seus combates é assim também um olhar alternativo sobre o tão mediatizado conflito israelo-palestiniano.
À exibição de cada filme seguir-se-á um comentário e um debate aberto ao público.
Filmes legendados em inglês.
Entrada gratuita

Responsáveis da Organização: Shahd Wadi e Júlia Garraio.

Uma iniciativa do Núcleo de Estudos sobre Humanidades, Migrações e Estudos para a Paz (NHUMEP) e da União Alternativa de Mulheres e Resposta (UMAR).
Esta iniciativa só foi possível graças a uma série de apoios e de patrocínios. O nosso obrigada a Zein Tewfic Qattan, Buthina Canaan Khoury, Eran Riklis, Hany Abu-Hassad e Simone Markus.  Agradecemos igualmente às seguintes instituições e empresas: Amal International Euro-Arab Film Festival, Pieter van Huisteen Film, Augustin Film e Centro de Documentación sobre Cine Palestino Handala.