31 janeiro, 2011

A real concessão dos palestinos por Hamira Hass


O artigo é de Amira Hass*


Os grupos rivais palestinos sabem usar tanto a resiliência como a criatividade de seu povo para enfrentar diariamente a tortura que é a dominação externa. Mas eles não ajudam a traduzir essa capacidade de resistência pessoal e coletiva numa estratégia de luta popular desarmada. 

O Hamas e a OLP são reféns de seu falso status como dois governos cuja existência e manutenção se tornaram um fim em si mesmo. Não tivessem desistido de seu povo como um fator decisivo, as duas forças rivais os teriam escutado, e antes de qualquer outra coisa teriam encontrado uma maneira de encerrar o comando duplo.

A verdadeira concessão da liderança palestina está no seu povo ocupado como uma força ativa na luta pela independência. Para isso não é preciso que vaze documentos.

Na verdade, os “Palestine Papers” [“Documentos Palestinos”, vazados pela cadeia de TV Al Jazeera] confirmam um segredo aberto. Ao contrário das declarações recitadas em público, as liderança da OLP e a Autoridade Palestina estão preparadas para concessões muitíssimo maiores, no santo graal da posição palestina tradicional: o direito de retorno dos refugiados da “nakba” palestina de 1948.

“Quando exigimos uma solução dos dois estados não queremos dizer dois estados palestinos”, disse-me um experiente membro do Fatah, a respeito da questão do direito de retorno dos refugiados de pré-1967 a Israel. Se a OLP tivesse respeitado o seu povo não estaria falando alto de ambos os lados com sua boca, mas conduzindo um debate aberto a respeito dessa demanda. Teria compartilhado suas conclusões com seu público (que estão em casa ou no exílio): o sonhado direito de retorno não é possível, ao menos no atual momento na história, e que não é justo continuar a manter quatro milhões de pessoas refugiadas em campos com esse propósito. Outros teriam respondido que sob o manto das negociações e a despeito das concessões palestinas, Israel simplesmente segue expandindo os seus assentamentos, de todo jeito.

Não são problemas técnicos que impedem um debate democrático assim, mas o fracasso em ver o povo como agente de mudança.

A OLP depende da generosidade e da diplomacia das nações ocidentais que cooperam com a política de ocupação. O Hamas, adicto da luta armada e suas pretensas conquistas é dependente das doações de suas próprias fontes, e está esperando pela derrubada dos regimes árabes pró-Ocidente por meio dos movimentos islâmicos radicais.

Os rivais palestinos sabem como usar tanto a resiliência como a criatividade do seu povo frente à tortura diária que é a dominação externa. Mas eles não ajudam a traduzir essa resistência pessoal e coletiva numa estratégia de luta popular desarmada.

Uma estratégia de luta popular é um compromisso diário, primeiro e antes de tudo de quem quer que se apresente como líder. Essa é a única opção que restou depois dos desastres causados pelas negociações amadoras dos anos 90, e do uso das armas, sobretudo contra civis na última década. Israel prova cotidianamente o quanto perigosa é essa opção para a ocupação, senão não estaria investindo tanto no esforço de sua repressão.
Mas a estratégia de uma luta popular geral não apenas em cinco cidades exemplares não aceita as benesses do poder de que a OLP e a liderança do Fatah tem usufruído e que são diretamente dependentes dos vistos de viagem da Administração Civil e dos contratos da USAID.

Então, a Autoridade Palestina está ficando entrincheirada como um canal de pagamento de salários e uma elite desconectada de seu povo. Onde estão os membros do Conselho Revolucionário do Fatah? Onde estão os membros do Comitê Executivo da OLP? Por que eles não estão disseminando a palavra da luta popular em outras partes da Cisjordânia?
E quando se trata do Hamas, o potencial democrático de atividades populares esbarra no caráter militar desenvolvido pelo movimento, com a obediência intelectual que exige, como mostra seu estilo de comando em Gaza.

O Hamas e a OLP são reféns de seu falso status como dois governos cuja existência e manutenção se tornaram um fim em si mesmo. Não tivessem desistido de seu povo como um fator decisivo, as duas forças rivais os teriam escutado, e antes de qualquer outra coisa teriam encontrado uma maneira de encerrar o comando duplo.

Os EUA fazem exigências e estabelecem condições? O Irã e a Irmandade Muçulmana sussurram instruções? Com licença, as duas lideranças diriam, há um povo cuja opinião deve ser considerada.

(*) Amira Hass é jornalista israelense, colunista do Haaretz.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior | 29/01/2011

29 janeiro, 2011

Fear Extremists in Egypt and the Arab World? Blame Washington




Saturday 29 January 2011
Fear Extreme Islamists in Egypt and the Arab World? Blame Washington

Jeff Cohen, Truthout: "For decades beginning during the Cold War, US policy in the Islamic world has been aimed at suppressing secular reformist and leftist movements. Beginning with the CIA-engineered coup against a secular democratic reform government in Iran in 1953 (it was about oil), Washington has propped up dictators, coaching these regimes in the black arts of torture and mayhem against secular liberals and the left.... One of the mantras on US television news all day Friday was: Be fearful of the democratic uprisings against US allies in Egypt (and Tunisia and elsewhere). After all, we were told by Fox News and CNN and Chris Matthews on MSNBC, it could end up as bad as when 'our ally' in Iran was overthrown and the extremists came to power in 1979."
Read the Article

Adalah's Newsletter, January 2011


Volume 78, January 2011
Land and Planning Rights
Adalah, Bimkom and residents of unrecognized village of Umm al-Hieran in the Naqab submit objection to plan to build Jewish town of "Hiran" after demolishing Arab Bedouin residents' homes and evacuating them from their village
Adalah and the Arab Center for Alternative Planning appeal to planning authorities against approval of master plan for newly-proposed ultra-Orthodox Jewish town of Harish in Arab Wadi Ara
Racial Incitement and Harassment
Adalah in Photos 2010
Economic, Social and Health Rights


Article
Ayelet Harel-Shalev, The Geopolitics of Minority Rights and Civil Rights in Nation States: Lessons from the Republic of Macedonia
Gaza
Human rights organizations demand criminal investigation into death of 20 year-old Palestinian patient denied permit by Israeli authorities to leave Gaza
Turkel Committee's conclusions on the Gaza blockade and Israel's attacks on the Freedom Flotilla contradict international law and the UN Fact-Finding Mission report
Parliamentary Inquiry into NGO Funding
This month, a parliamentary committee was formed by the Knesset to investigate the funding sources of human rights organizations. This step represents a dangerous escalation of the ongoing campaign against human rights organizations led by Israeli Foreign Minister Avigdor Lieberman, the head of Yisrael Beiteinu, as well as other right-wing political parties, and the extremist Im Tirtzu organization. This attack on Adalah and other human rights organizations that work on cases to promote and protect the rights of Palestinians in the 1967 Occupied Palestinian Territory (OPT) began in the wake of our cooperation with the Goldstone Mission and our influence on its final conclusions. This activity angered many right-wing Israeli actors, who accused these groups of inciting against the Israeli army and of helping to expose Israeli practices during the recent war on the Gaza Strip. This attack constitutes an attempt to intimidate human rights organizations in Israel, to prevent them from continuing their work against the practices of the Occupation, and to create the impression that they are funded by 'terrorist organizations' and illegal sources.



CEDAW Report


Adalah's Newsletter is a monthly publication issued in Arabic, Hebrew and English. It highlights Adalah's main activities, provides analysis of human rights issues, and links to new reports. Suggestions, articles and commentaries from our readers are welcome.
View previous volumes
adalah building




UN OCHA Protection of Civilians Weekly Report | 19 - 25 January 2011



Published: 2011-01-28 

Protection of Civilians Weekly Report | 19 - 25 January 2011 
Israeli forces kill one Palestinian in the West Bank and injure 60 others throughout the oPt. Clashes erupt in East Jerusalem. Israeli settler violence continues. Demolitions in East Jerusalem and demolition orders in Area C continue. In Gaza, one Palestinian killed and two others injured by rocket fire. Three workers injured in tunnel-related incidents. Major mills able to resume normal operations. Limited shipment of medical supplies enter. Power outages last up to six hours daily and cooking gas shortages continue.


United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA)



28 janeiro, 2011

Um apontamento sobre a concentração de solidariedade com o povo da palestina e de repúdio pela recepção dada a Avigdor Lieberman

Lisboa, 26 de Janeiro de 2011, 17:30, frente à Assembleia da República
Concentração de solidariedade com o Povo da Palestina 
e de repúdio pela recepção dada ao colono, racista e belicista Avigdor Lieberman

A chegada a conta-gotas:

  
 Anoiteceu depressa e o frio  apertou:


E assim terminou:



Para uma iniciativa convocada de uma noite para a tarde seguinte, na incerteza das autorizações do Governo Civil, antes do fim de uma jornada de trabalho, e sem a presença de organizações de massas, solidárias no repúdio, mas ausentes, por certo envolvidas nas tarefas nacionais, superou largamente as expectativas.