02 agosto, 2010

Redes Sociais – da abordagem institucional à participativa - Universidade de Verão

Universidade de Verão: Redes Sociais – da abordagem institucional à participativa

15 a 18 de Setembro de 2010, São Brás de Alportel

O Programa Rede Social, implementado a título experimental a partir do início do ano 2000, tem sido decisivo para a adopção de uma lógica de intervenção que pensa os problemas sociais na sua multidimensionalidade e nos contextos territoriais específicos em que ocorrem.

Tendo por base estes dois pressupostos, o Programa arranca com a proposta de criação de parcerias estratégicas entre autarquias, serviços públicos desconcentrados e entidades particulares sem fins lucrativos, como base impulsionadora da descentralização, da territorialização e da mobilização conjunta de recursos para o combate à pobreza e à exclusão social.

Outro dos elementos essenciais desta política pública reside na promoção de um planeamento integrado e sistemático da intervenção conjunta dos agentes locais, procurando, desse modo, contrariar as acções avulsas e normalmente muito sectoriais que caracterizaram a intervenção social em Portugal durante as décadas de 80 e 90.

Embora a várias velocidades e com níveis de consistência diferenciados, foi por via do Programa que começaram a emergir os primeiros Diagnósticos e Planos de Desenvolvimento Social de âmbito municipal, em Portugal.

01 agosto, 2010

Uri Avnery: Nada de novo no "front oriental”

Uma crónica de Uri Avnery, publicada em 31 de Julho, e traduzida por Caia Fittipaldi, de que se manteve a norma de escrita.

Pessoas dotadas de audição política sensível surpreenderam-se essa semana com duas palavras que, parece, escaparam por acidente dos lábios de Binyamin Netanyahu: “front oriental”.

Há muito tempo, as mesmas palavras andavam em todas as bocas, parte do vocabulário diário da ocupação. Nos últimos anos ficaram esquecidas, cobertas de pó no fundo do quintal político.

A expressão “front oriental” nasceu depois da Guerra dos Seis Dias. Era usada como muro de arrimo, para sustentar a doutrina estratégica segundo a qual o rio Jordão seria “fronteira de segurança” de Israel.

A teoria rezava que seria possível que três exércitos árabes – do Iraque, da Síria e da Jordânia – se reunissem a leste do Jordão, cruzassem o rio e ameaçassem a existência de Israel. Israel teria de contê-los antes de entrarem no país. Portanto, o vale do Jordão teria de ser base permanente do exército de Israel, os soldados não poderiam afastar pé de lá.

Para começar, sempre foi teoria muito duvidosa. Para participar de tal ofensiva, o exército do Iraque teria de reunir-se, atravessar o deserto, acampar na Jordânia, em operação logística demorada e complexa, o que daria ao exército de Israel tempo de sobra para atacar os iraquianos, muito antes de alcançarem a margem do rio Jordão. Quanto aos sírios, muito mais fácil seria atacarem Israel nas Colinas do Golan, em vez de mover seus exércitos para o sul, para atacar pelo leste. E a Jordânia sempre foi parceiro secreto – mas leal – de Israel (menos durante o curto episódio da Guerra dos Seis Dias.)

Em anos recentes, essa teoria tornou-se muito evidentemente ridícula. Os EUA invadiram o Iraque e derrotaram e desmontaram o glorioso exército de Saddam Hussein, o qual, como logo se constatou, não passava de tigre de papel. O reino da Jordânia assinou tratado oficial de paz com Israel. A Síria não perde ocasião de demonstrar que anseia pela paz, bastando para isso que Israel devolva as colinas do Golan. Em resumo, Israel não tem o que temer dos vizinhos orientais.

Sim, as coisas podem mudar. Mudam os regimes, mudam as alianças. Mas é impossível imaginar situação na qual três assustadores exércitos cruzem o Jordão rumo a Canaã, como os filhos de Israel na história bíblica.

Sobretudo, a ideia de ataque por terra, como a blitzkrieg dos nazistas na 2ª Guerra Mundial, já é história. Em todas as guerras presentes e futuras, fator dominante serão os mísseis de longo alcance. Podem-se imaginar os soldados israelenses em espreguiçadeiras no vale do Jordão, assistindo ao voo dos mísseis pelo céu, em todas as direções.

Assim sendo, como essa ideia estúpida voltou à vida?

"Time" ao serviço da propaganda ideológica do belicismo e do ódio

Afegã desfigurada pelo marido é capa da Time - Ionline



A jornalista Maria Catarina Nunes colocou no Ionline um apontamento sobre a capa da revista americana Time que dá destaque à trágica história de Aisha, uma jovem afegã, de 18 anos, a quem foram cortadas as orelhas e o nariz por não respeitar as regras talibans e ter fugido da casa da família do marido.

De facto, mesmo cruelmente desfigurada, vê-se que é uma jovem muito bela. E pergunto-me: se não se visse ainda tanta beleza teria sido escolhida pela fotografa Jodie Bieber para modelo e pela Time como capa, para sustentar o seu objectivo político que claramente inscreve junto com a fotografia: "What happens if we leave Afghanistan" (O que acontece se nós deixarmos o Afeganistão).

Como se a agenda dos Estados Unidos no Afeganistão não continuasse a ser ditada pelos interesses do complexo militar-industrial-financeiro do "império".

A capa da Times, apresentada nestes termos, é um produto de propaganda ideológica, potenciando o ódio e a descriminação racial, étnica e religiosa ao serviço das forças mais conservadoras, retrógradas e belicistas da sociedade americana e não a execração da violência contra a mulher, como, por exemplo, a da campanha das Nações Unidas  UNITE!  que o primeiro ministro do XVI Governo Português (o actual é o XVII) subscreveu, acompanhado pelo seu ministro das Negócios Estrangeiros, mas por aqui se ficaram...

 

Israel: Netanyahu confessa ter destruído o acordo de Oslo e enganado os americanos

Transcrição integral de um artigo assinado por Vera L. no "Blog do Atheneu".



O vídeo foi filmado, aparentemente, sem o conhecimento de Netanyahu, nove anos atrás, quando o governo de Ariel Sharon começou a invadir as principais cidades da Cisjordânia para esmagar a resistência palestina nos estágios iniciais da segunda Intifada.

Na época Netanyahu havia se afastado um pouco da política, mas logo se juntou ao governo de Sharon como ministro das Finanças.

Em uma visita a uma casa no assentamento judaico de Ofra, na Cisjordânia para prestar condolências à família de um israelense morto em confrontos com palestinos, ele faz uma série de revelações sobre seu primeiro período como primeiro-ministro de Israel de 1996 a 1999.

Sentado em um sofá na casa, ele pede para desligar a câmera antes de dizer à família que enganou o presidente dos Estados Unidos da época, Bill Clinton, fazendo-o acreditar que desejava ajudar a implementar o acordo de Oslo – um acordo apoiado pelos Estados Unidos para a paz entre Israel e os palestinos – usando de pequenas retiradas da Cisjordânia, enquanto, na verdade, ele consolidava a irreversibilidade da ocupação. No vídeo Netanyahu se gaba de destruir o acordo de Oslo dessa forma.

Ele ainda afirma que “os Estados Unidos podem ser manipulados facilmente para a direção certa (para Israel)” e chama de “absurdos” os altos níveis de apoio popular norte-americano para com Israel.

Netanyahu também sugere que, longe de ser defensiva, a dura repressão militar israelense da revolta palestina foi projetada principalmente para esmagar a Autoridade Palestina liderada por Yasser Arafat, para que pudesse ser mais flexível e aceitar as exigências israelenses.

Todas essas alegações tem paralelos óbvios com a situação atual, com Netanyahu novamente como primeiro-ministro de Israel, enfrentando a Casa Branca e se opondo à sua política de reativar o processo de paz e limitar a expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados.

Como no passado, ele tem aparentemente feito concessões públicas à administração dos Estados Unidos concordando em princípio com a criação de um Estado palestino, autorizando a realização de conversações indiretas com a liderança palestina em Ramallah, e declarando um congelamento temporário na construção de assentamentos.

Mas, os mesmo tempo, ele pediu ao poderoso lobby pró-Israel para exercer pressão sobre a Casa Branca, que parece ter cedido suas exigências mais importantes, e manteve na prática a expansão dos assentamentos, a desapropriação e expulsão dos palestinos, o bloqueio a Gaza, e não permite a criação do Estado Palestino.

A visão desdenhosa de Netanyahu sobre Washington demonstrada pelas suas próprias palavras no filme, e as confissões orgulhosas de ter destruído o acordo de paz confirmam as suspeitas de muitos observadores – incluindo os líderes palestinos – que acusam Netanyahu de má fé quanto à busca pela paz no Oriente Médio.

Escrevendo no jornal israelense Ha’aretz liberal, [um artigo initulado "Tricky Bibi" (Bibi o trapaceiro)] o colunista Gideon Levy chamou o vídeo de “escandaloso” e prova que Netanyahu foi um artista “que acredita ter Washington no bolso e pode enganá-la quando desejar”. Ele acrescentou que o primeiro-ministro não mudou ao longo dos anos.

No filme, Benjamin Netanyahu diz que Israel deve provocar “sopros (ataques sobre os palestinos), tão dolorosos, que o preço seria muito pesado para ser suportado … Um amplo ataque à Autoridade Palestina, para aterrorizá-la e fazê-la acreditar que tudo está em colapso”.

Quando perguntado se os Estados Unidos podem se opor a isso, ele responde: “A América é algo que pode ser facilmente manipulado. Mudado para a direção certa … Eles não vão ficar no nosso caminho … Oitenta por cento dos norte-americanos nos apóiam. É um absurdo”. 

Ele então conta como lidou com o presidente Clinton, a quem ele se refere como “extremamente pró-palestino.. Eu não tinha medo de entrar em conflito com Clinton”.

Netanyahu teria usado um conselho de seu avô para fracassar as demandas da Casa Branca pela retirada do território palestino sob o acordo de Oslo. Diz ele: “Como meu avô diria, é melhor dar 2% do que 100%”.

Ele assinou o acordo de 1997 para retirar o Exército israelense de grande parte de Hebron, a última cidade palestina sob ocupação direta, como forma de evitar maiores concessões de territórios palestinos.

“O truque”, diz ele, “não é continuar lá (no território ocupado) e falir, o truque é estar lá e pagar um preço mínimo.”

O “truque” que paralisou a retirada israelense foi ditar que só Israel pode definir as “zonas militares de segurança” nos territórios palestinos ocupados sob o acordo de Oslo.

Netanyahu exigiu por escrito tal poder, com isso podia manter a ocupação de forma justificada pelo acordo.

“Eles não queriam me dar esta carta, então não dei a eles o acordo da retirada de Hebron. Parei a reunião do governo, e disse: ‘Eu não vou assinar. Apenas quando a carta chegar eu assino o acordo de Hebron’. Por que isso importa? Porque naquele momento eu realmente parei o acordo de Oslo” confessou Netanyahu.

Israel vs. Direitos Humanos: Conclusões da Comissão de Direitos Humanos

Em 29 de Julho de 2010, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, emitiu as suas Considerações Finais depois de examinar, a conformidade da actuação do Estado de Israel com a Convenção sobre os Direitos Civis e Políticos (CCPR). O resultado aqui fica, em Inglês, para quem quiser consultar ou fazer o respectivo download.
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Note que existe uma tradução para português de um breve sumário destas conclusões, na visão da DCI, aqui publicado sob o título: "DCI sumariza as preocupaçoes e recomendações da Comissão de Direitos Humanos sobre Israel"