17 junho, 2010

Patriarca Latino de Jerusalém pediu o fim do bloqueio à Faixa de Gaza.

Nenhum povo tem de ser sujeito a uma situação desta natureza, afirma Mons. Fouad Twal.

O Patriarca Latino de Jerusalém pediu esta terça-feira, segundo a Rádio Renascença, o fim do bloqueio israelita à Faixa de Gaza.

o Patriarca Fouad Twal, numa entrevista à revista da Caritas Internacional, diz que nenhum povo tem de ser sujeito a uma situação desta natureza.

O prelado considera que a ocupação israelita dos territórios palestinos impede os católicos de terem uma vida normal ou de se deslocarem livremente para o trabalho, o hospital ou a igreja, como acontece com toda a gente.

“Na Faixa de Gaza os problemas são vastos, há muitas pessoas marcadas pela guerra e muitas casas estão destruídas”, afirma o Patriarca.

Gabinete de segurança israelita analisa como "suavizar" bloqueio a Gaza

AFP: Gabinete de segurança israelense examina suavizar bloqueio a Gaza

Como já ontem tinha referido no post "Blair saudou acordo com Netanyahu para aliviar bloqueio a Gaza" o plano gizado por Tony Blair e Benjamim Netanyahu iria ser hoje analisado na Comissão Ministerial de Segurança do governo israelita.

Neste despacho da agência France Press (AFP), citando uma rádio pública israelita, confirma aquela informação mas acrescenta que um porta-voz do primeiro-ministro israelense indicou que, hoje, não será anunciada qualquer medida oficial.

A AFP diz ainda que pouco antes "... Netanyahu enfatizara que o bloqueio marítimo a Gaza continuará em vigor, pois, segundo ele, se trata de uma medida indispensável para impedir que Gaza se "converta num porto iraniano" pelo qual transitem armas.".

Como podem verificar Netanyahu continua a utilizar o Irão como o grande "papão" para justificar o injustificável.

16 junho, 2010

Blair saudou acordo com Netanyahu para aliviar bloqueio a Gaza

Blair hails deal with Netanyahu to ease Gaza blockade - Haaretz Daily Newspaper | Israel News

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair declarou que "o plano irá permitir-nos manter as armas e material de guerra fora de Gaza, mas por outro lado, ajudará a população palestina".

Tony Blair, o enviado especial do Quarteto (EUA, Rússia, UE e ONU) para o Médio Oriente, saudou, esta terça-feira, a expectável aprovação pelo governo israelita de um plano para aliviar o bloqueio à Faixa de Gaza e permitir que mais ajuda entre no território como "um passo muito importante."

O plano, que foi formulado em conjunto por Tony Blair e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, provavelmente, será apresentado ao governo para aprovação nesta quarta-feira.

Para ler o restante artigo (em inglês) siga o link acima indicado.

O Governo de Netanyahu está em risco quer a nível internacional quer a nível nacional. Então surge o valente membro do Quarteto, a conciliar um planozinho de salvação para Netanyahu e de caridadezinha para os sitiados palestinianos.

Os sitiados continuarão sitiados, e a morrer sobre as agressões israelitas, se saem à pesca ou se vão trabalhar a terra, a sua terra, ou se... vão a passar, só que porventura morrerão mais bem alimentados e cuidados, e Israel continuará a tripudiar sobre as leis internacionais e humanitárias, como até aqui.

Nos 70 anos de Auschwitz e no terceiro ano do bloqueio definitivo à Faixa de Gaza, há que saudar o Quarteto por se mostrar um bom aluno da máxima: “é preciso que as coisas mudem para que permanecem como estão”.

Editorial do Haaretz: Nem comissão, nem inquérito

Neither commission nor inquiry - Haaretz Daily Newspaper | Israel News

Tradução do editorial do jornal israelita de referência Haaretz, de 15 de Junho de 2010

A comissão, cuja composição e autoridade são percebidos como predeterminados será incapaz de satisfazer os líderes internacionais e os seus eleitores, que exigiam o inquérito, em primeiro lugar.

O governo [de Netanyahu] autorizou ontem a criação de uma comissão independente para examinar os acontecimentos que rodearam o ataque a flotilha com destino a Gaza no mês passado. Infelizmente, nem os membros da comissão, nem a sua autoridade são adequados para enfrentar os desafios colocados pelo caso.

A comissão deveria ter sido convidada a analisar os fatos e a responsabilizar aqueles que causaram que o incidente terminasse como terminou, permitindo assim que os israelitas e o seu governo aplicassem as lições que precisam ser aprendidas. Em vez disso, o gabinete criou um júri destinado a apaziguar o mundo, em particular os Estados Unidos. A sua autoridade é demasiado limitada para conduzir uma autêntica investigação, e a sua composição levanta a suspeita de que foi projectada mais como uma ferramenta de relações públicas do que para propriamente analisar os acontecimentos e revelar os responsáveis.

Um júri que não é uma comissão estatal de inquérito não será capaz de apresentar à justiça aqueles que forem considerados responsáveis pelas falhas da operação.

E não importa quanto possam ser considerados os membros da comissão, todos têm estado há décadas longe dos acontecimentos, tanto militares, como governamentais, e, portanto, não serão capazes de chegar às necessárias conclusões. A observação feita pelo presidente da Comissão, Jacob Turkel, antes da sua nomeação, de que certas pessoas não devem ser implicadas, levanta uma interrogação sobre se foi escolhido justamente por causa dessa observação.

Ter parado a flotilha já causou danos políticos imensos a Israel. Impedir uma investigação autêntica, nomeando uma comissão com poderes tão limitados é susceptível de causar danos ainda maiores não só para a imagem de Israel no exterior, mas também à sua capacidade para evitar imbróglios semelhantes no futuro.

É difícil acreditar que a comissão recém-nomeada, mesmo incluindo dois observadores internacionais, irá convencer o mundo de que Israel está investigando seriamente as falhas operacionais do ataque.

O governo teve a oportunidade de tentar controlar os danos que trouxe sobre si mesmo através da realização de uma investigação ousada e abrangente. Ontem, o governo perdeu essa oportunidade. O estranho híbrido que surgiu em seu lugar - quer quanto à sua intrigante composição, quer pelo fraco mandato - é um mau presságio para Israel.

A comissão, cuja composição e autoridade são percebidos como predeterminados será incapaz de satisfazer os líderes internacionais e os seus eleitores, que exigiam o inquérito, em primeiro lugar. Teria sido melhor, portanto, que a comissão Turkel nunca tivesse nascido, poupando-nos a aparência enganosa de uma autêntica investigação.

15 junho, 2010

Sondagem: 65% dos israelitas judeus critica indirectamente Obama; 55% acredita que uma solução de dois Estados é essencial

Poll: Jewish Organizations Need To Support Israeli Government Policies - B'nai B'rith International - The Global Voice of the Jewish Community

De acordo com uma sondagem encomendada pela B'nai B'rith International - The Global Voice of the Jewish Community 65% dos inquiridos optaram pela posição que declarava que os Americanos-Judeus devem criticar as politicas do Presidente Obama no tocante a Israel, enquanto apenas 12% responderam que os Americanos-Judeus devem apoiar as políticas sobre Israel do seu Presidente.

Este é um dos resultados obtidos pelo 5.º Inquérito anual sobre as Atitudes Contemporâneas dos Israelitas [judeus] face à Comunidade Judaica Internacional. A sondagem foi conduzida pela KEEVOON Research, em nome do B'nai B'rith World Center, em Jerusalém, sobre temas actuais, tais como, os sentimentos dos israelitas [judeus] para com os judeus da Diáspora.

Esta sondagem foi conduzida pelo telefone, entre 1 e 4 de Junho p.f. para um universo definido como "representantes da população israelita judaica com mais de 18 anos" - o que deixa cerca de 20% da população de Israel de fora. Foram realizadas 500 entrevistas e a margem de erro declarada é de mais ou menos de 4,5%.

De acordo com o censo de 2008, existiam 7,243,600 indivíduos residentes em Israel, dos quais 75,6 % se declaram judeus, 20% árabes e 4,4% adoptaram por outras denominações.

Assim para um universo de 5.476.161 unidades, uma sondagem de 500 telefonemas parece-me curto, para ser totalmente credível.  No entanto aqui fica o registo bastando seguir os links para saber mais (em inglês).

Apenas mais três resultados que eu entendo relevantes:

A maioria dos inquiridos (54 por cento) entendem que as organizações de judeus que defendem Israel junto de governos estrangeiros e que se reclamam "pro-Israel" devem apoiar sempre as políticas do governo [israelita], enquanto 28 por cento entendem que não.

A sondagem também revelou que 56% dos inquiridos não concordam com a petição "Apelo à razão" lançada por uma nova organização europeia JCall [European Jewish Call for Reason], em que se afirma que o apoio inequívoco da política do governo israelita pela diáspora judaica não é no melhor interesse do país, enquanto 30% concordam com esse apelo.

No entanto 55% dos inquiridos acreditam que uma solução de dois Estados é essencial para a sobrevivência de Israel como pátria dos judeus e de uma democracia próspera. Estes 55% representam o total dos que concordam fortemente e dos que concordam só um pouco, e que se dividiram quase igualmente pelas duas posições. Apenas 36 por cento dos inquiridos discordavam.

Para ver uma apresentação em PowerPoint da sondagem siga este link.