31 janeiro, 2009

Anúncio "HAMAS" a publicar em Israel

Uri Avnery enviou-nos o texto do anúncio que vai ser colocado no Haaretz, no dia 30 de Janeiro, pelo Gush Shalom (Bloco da Paz), que traduzimos e que aqui deixamos:

HAMAS

Israel não reconhece
o Governo do Hamas em Gaza -
mas considera-o responsável
pelos ataques de lá partem.

Israel não reconhece
o Governo do Hamas em Gaza -
mas exige que ele
garanta o cessar-fogo.

Isto é ridículo. Isto é desesperador.
Temos de falar com o Hamas.
O inimigo na guerra é também
o parceiro no cessar-fogo.

Se quiserem ajudar a pagar as actividades e os anúncios do Gush Shalom, podem enviar os vossos cheques para:

Gush Shalom, P.O.Box 3322, Tel-Aviv 61033

Os contactos são:
972-3-5221732
www.gush-shalom.org
info@gush-shalom.org

30 janeiro, 2009

Uma parábola sobre o “terrorismo”

Adalberto Alves[i], na apresentação, datada de 2002, da obra “Palestina: A saga de um Povo[ii]” de Tariq Al-Khudayri, escreveu a seguinte parábola:


“Como é sabido, na Península Ibérica, antes da chegada dos Árabes, em inícios do século VIII, reinava um povo godo, de origem germânica, os Visigodos. O território do que é hoje Portugal fez, também, durante cerca de três séculos, parte desse Império Visigótico. Os Godos consideravam a Hispânia como a sua pátria indisputada, situação que se manteve até virem a ser obliterados pelo domínio muçulmano.

Suponha-se agora que, num país qualquer do centro da Europa, tinha subsistido, até hoje, uma minoria identificável como goda e que, objecto de discriminação e repressão nesse tal país, tinha, em parte, optado pela diáspora.

Como os Godos ansiavam pela criação de um lar comum, constituíram um lobby de pressão em todo o mundo, no sentido de a ONU decidir arranjar-lhes um território para a constituição de um Estado Godo.

Discutido o assunto e olhando à relevância, no passado, do Império Visigótico na Península Ibérica, a ONU decidiu que seria nela o local correcto para a instalação da Godolândia.

A Espanha opôs-se tenazmente desde logo e, como Portugal era a parte mais fraca em questão e tinha escassa população, foi-lhe imposta a abdicação de uma parte do seu território para a instalação da Godolândia: 50% do mesmo, ou seja, todo o território a norte do Tejo. O sul ficaria para Portugal, sendo Lisboa Oriental goda e Lisboa Ocidental portuguesa.

Com o apoio de diversos países e num curto prazo, começou imediatamente o êxodo de godos em direcção ao território que lhes fora atribuído, apesar dos protestos e da oposição generalizada dos Portugueses.

Os invasores, mediante a força e a intimidação, não tardaram em ocupar cidades e campos, colonizando mediante expulsão as melhores zonas: Porto, Braga, Coimbra, Leiria, Santarém e outras foram, assim, parar às suas mãos. E à menor resistência à ocupação, as casas dos portugueses eram arrasadas para a instalação dos colonatos. Deste modo, a soberania de metade do território português passou para a mão dos Godos que impuseram, aos portugueses do norte, uma nova bandeira e uma nova língua. Em suma, haviam perdido a sua pátria.

A brutalidade da repressão goda causou numerosas mortes e, em breve, mais de dois milhões de portugueses foram deslocados das suas terras e muitos deles forçados a fugir para Espanha, Marrocos e outros países onde passaram a vegetar em miseráveis campos de refugiados.

Portugal, virtualmente, viria a desaparecer do mapa, já que o sul do território, encabeçando a resistência contra a usurpação goda, rapidamente foi invadido pelos novos senhores, que apenas deixaram nas mãos dos Portugueses a parte leste do Alentejo e uma faixa de terreno junto ao mar, que passou a chamar-se a Faixa de Palmela.

Por outro lado, os portugueses que ficaram a viver ou a trabalhar na Godolândia não passavam de cidadãos de 2.ª categoria, ou de mão de obra barata para os Godos.

Os Portugueses, quase abandonados pela comunidade internacional, haviam sido forçados a reconhecer o novo Estado, passando a bater-se, ao menos, pelo reconhecimento da sua soberania total no território alentejano oriental e na Faixa de Palmela. Porém, a Godolândia nem isso aceitava, argumentando que tal iria ameaçar a sua segurança.

A ONU através da Assembleia-geral, emitia resoluções atrás de resoluções, condenando o expansionismo godo, mas nenhuma acção era levada a cabo pelo Conselho de Segurança, uma vez que os E. U.A., tendo apoiado e armado a Godolândia até aos dentes, vetavam todas as tomadas de decisão favoráveis a Portugal.

E foi assim que os Portugueses, despojados das suas terras, casas e pátria, se viram condenados ao desespero num exíguo território, onde viviam em condições infra-humanas e de onde toda a esperança parecia ter fugido. No exílio, os que haviam partido sonhavam com um longínquo regresso e, como símbolo desse sonho, guardavam a chave da casa que há muito haviam deixado para trás: quem sabe, um dia voltariam ao lar ...

Os Portugueses iniciavam uma longa e dolorosa luta pela sua dignidade, apesar da desproporção de meios perante o poderoso inimigo. Tinham quase só, como armas, a revolta e a dádiva da própria vida, pois, tendo perdido tudo, já nada tinham a perder.

Passaram a ser chamados de terroristas.

Acabou-se a parábola!”

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[i] José Adalberto Coelho Alves nasceu em Lisboa, a 18 de Julho de 1939, de uma ancestralidade onde se entrecruzam celtas e árabes.

Poeta, ensaísta escritor, orientalista, tradutor de árabe para português e conferencista, Aldalberto Alves, licenciou-se em Direito, exercendo ainda hoje advocacia.


Frequentou também o Conservatório Nacional e a Academia dos Amadores de Música, tendo estudado violino e guitarra clássica.


O seu interesse pela cultura muçulmana levou-o a estudar Língua Árabe na Universidade Nova de Lisboa, curiosidade que se alarga à História e Cultura Árabico-Islâmicas.


Neste âmbito está ligado a várias instituições, sendo actualmente Presidente do Conselho Geral do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves.


Tem vasta obra publicada, poesia, contos e ensaios destacando-se os trabalhos que dedicou ao sufismo e à poesia luso-árabe, alguns deles fazendo parte de obras de referência, estrangeiras e nacionais, da especialidade.


Entre os títulos dedicados ao mundo árabe, referem-se:



  • Arabesco (Da Música Árabe e da Música Portuguesa), ensaio, 1989



  • O Meu Coração é Árabe, (A Poesia Luso-Árabe), poesia, 1998



  • Ibn‘Ammâr Al-Andalusî - O drama de um poeta, Biografia e poesia, 2000
    (Em co-autoria com Hamdane Hadjadji)
  • Al-Mu‘tamid, Poeta do Destino, poesia, 2004
  • Em Busca da Lisboa Árabe, ensaio, 2007
  • Irão, Viagem ao País das Rosas, poesia, 2008
  • Portugal e o Islão Iniciático, ensaio, 2008
Em 2008, também dá à estampa "No Vértice da Noite", mais um livro de poesias, cuja apresentação remeto para as palavras de Elsa Rodrigues dos Santos.
Adalberto Alves foi distinguido em 2008 com o prémio Sharjah 2008 para a cultura árabe, atribuído pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).
O prémio visa distinguir personalidades, grupos ou instituições que tenham contribuído de forma significativa para o desenvolvimento, difusão e promoção da cultura árabe no mundo, bem como para a preservação e a revitalização do património cultural imaterial árabe.

No caso de Adalberto Alves, director do Centro de Estudos Luso-Árabe, em Silves, a UNESCO enalteceu-o por ter “inspirado muitos escritores portugueses e espanhóis [um deles o romancista Pedro Plasencia, autor de El Tiempo de los Cerezos] a divulgar a história da cultura árabe do Gharb al-Andalus”.
Actualmente está a preparar um dicionário de palavras portuguesas com origem árabe (toponímia, antroponímia, léxico corrente e empréstimos semânticos), a publicar durante este ano,
Igualmente irão para o prelo durante esta Primavera:



  • As Sandálias do Mestre , 3ª edição revista e aumentada
  • Escritos do Crescente

[ii]
Palestina - A Saga de um Povo
Al-Khudayri, Tariq Hugin Editores, 2002. ISBN: 9727941370 / 972-794-137-0EAN: 9789727941377

28 janeiro, 2009

Do lado errado

Um texto datado de 24.01.2009 da autoria de Uri Avnery, do Gush Shalom (Bloco da Paz), uma organização israelita que se bate pela Paz na Palestina e em Israel, onde analisa o discurso de tomada de posse de Barack Obama.
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DE TODAS as belas frases que Barack Obama proferiu no seu discurso de tomada de posse, estas são as palavras que ficaram presas na minha memória:

"Estão do lado errado da história".

Obama referia-se aos regimes ditatoriais no mundo. Mas nós, também, devemos reflectir sobre estas palavras.

Nos últimos dias tenho ouvido inúmeras declarações de Ehud Barak, Tzipi Livni, Binyamin Netanyahu e Ehud Olmert. E de cada vez que as oiço, estas oito palavras voltam para me assombrar: "Estão do lado errado da história".

Obama estava a falar como um homem do século XXI. Os nossos líderes (israelitas) falam a linguagem do século XIX. Eles lembram-me os dinossauros que antes aterrorizavam a sua vizinhança sem que notassem que o seu tempo já tinha passado.

DURANTE a cerimónia, uma e outra vez, o mosaico multicolorido da família do novo presidente foi mencionado.

Todos os 43 presidentes anteriores eram brancos protestantes, excepto John Kennedy, que era um branco católico.

38, entre eles, foram descendentes de imigrantes das Ilhas Britânicas.

Dos outros cinco, três foram de ascendência holandesa (Theodor e Franklin D. Roosevelt, bem como Martin Van Buren) e dois de ascendência alemã (Herbert Hoover e Dwight Eisenhower).

O rosto da família Obama é muito diferente.

A família alargada inclui brancos e descendentes de escravos negros, africanos do Quénia, indonésios, chineses do Canadá, cristãos, muçulmanos e até mesmo um judeu (um convertido Afro-Americano).

Os dois primeiros nomes do presidente, Barack Hussein, são árabes.

Este é a face da nova nação americana - uma mistura de raças, religiões, países de origem e de cores de pele, uma sociedade aberta e diversificada, onde todos os seus membros são supostamente iguais e identificam-se com os "pais fundadores".

O americano Barack Hussein Obama, cujo pai nasceu num vilarejo do Quénia, pode falar com orgulho do "George Washington, o pai da nossa nação", da "Revolução Americana" (a guerra de independência contra os britânicos), e manter o exemplo dos "nossos antepassados", que incluem tanto os pioneiros brancos como os negros escravos que "sofreram o açoite do chicote".

Essa é a percepção de uma nação moderna, multi-cultural e multi-racial: uma pessoa pertence-lhe ao adquirir cidadania, e a partir desse momento, é o herdeiro de toda a sua história.

Israel é o produto do estreito nacionalismo do século XIX, um nacionalismo fechado e exclusivo, com base na raça e na origem étnica, no sangue e na terra.

Israel é um "Estado judeu", e um judeu é uma pessoa nascida judia ou convertida de acordo com a lei religiosa judaica (Halakha).

Tal como o Paquistão e a Arábia Saudita, Israel é um estado cuja dimensão espiritual é em grande medida condicionada pela religião, raça e origem étnica.

Quando Ehud Barak fala sobre o futuro, ele fala a linguagem de séculos passados, em termos de força bruta e ameaça brutal, com exércitos fornecendo a solução para todos os problemas.

Essa foi também a linguagem de George W. Bush, que na semana passada se escapou furtivamente de Washington, uma linguagem que já soa aos ouvidos ocidentais como um eco do passado distante.

As palavras do novo presidente ressoam no ar:

"O nosso poder por si só não pode proteger-nos, nem nos dá o direito de fazer o que nos apetecer."

As palavras-chave foram "humildade e moderação".

Os nossos líderes estão agora ostentando a sua participação na Guerra de Gaza, na qual desenfreada força militar foi desencadeada intencionalmente contra uma população civil, homens, mulheres e crianças, com o objectivo declarado de "criação de dissuasão".

Na era que se iniciou terça-feira passada, essas expressões só podem despertar horror.

ENTRE Israel e os Estados Unidos abriu-se uma fissura, esta semana, uma estreita fissura, quase invisível - mas ela pode abrir-se num abismo.

Os primeiros sinais são pequenos.

No seu discurso de tomada de posse, proclamou Obama que:

"Somos uma nação de cristãos e de muçulmanos, judeus e hindus - e de não-crentes."

Desde quando?

Desde quando é que os muçulmanos precederam os judeus?

O que aconteceu com o "Património judaico-cristão"? (Uma ideia completamente falsa para começar, já que o Judaísmo está muito mais próximo do Islamismo do que do Cristianismo. Por exemplo: nem o Judaísmo nem o Islamismo apoiam a separação entre religião e estado).

Na manhã seguinte, Obama telefonou a alguns líderes do Médio Oriente.

E decidiu ter um gesto bastante singular: fazendo a primeira chamada para Mahmoud Abbas e só depois telefonando a Olmert.

A media israelita não teve estômago para tanto.

O Haaretz, por exemplo, falsificou conscientemente a informação escrevendo - e não uma vez, mas duas vezes sobre a mesma questão - que Obama teria telefonado a "Olmert, Abbas, Mubarak e ao rei Abdallah" (por essa ordem).

Em vez do grupo de judeus americanos que haviam sido responsáveis pelo conflito israelo-palestiniano durante as administrações de Clinton e de Bush, Obama, no seu primeiro dia no cargo, nomeou um árabe-americano, George Mitchell, cuja mãe havia chegado à América vinda do Líbano com 18 anos, e que, órfão de seu pai irlandês, foi criado por uma família libanesa cristã-maronita.

Estas não são boas notícias para os dirigentes israelitas.

Nos últimos 42 anos, têm prosseguido uma política de expansão, ocupação e de colonização em estreita cooperação com Washington.

Têm confiado no ilimitado apoio americano, desde a oferta massiva de dinheiro e de armas, ao uso do veto no Conselho de Segurança. Este apoio foi essencial para sua política. Este apoio poderá agora ter atingindo o seu termo.
Vai acontecer, naturalmente, de forma gradual.

O lobby pró-Israel em Washington vai continuar a colocar o medo de Deus no Congresso. Um navio enorme como os Estados Unidos só pode mudar de rumo muito lentamente, numa curva suave. Mas a mudança começou já no primeiro dia da administração Obama.

Isso não poderia ter acontecido, se a própria América não tivesse mudado.

Não se trata apenas de uma mudança política. É uma mudança na visão do mundo, na mentalidade, nos valores.

Um certo mito americano, que é muito semelhante ao mito sionista, foi substituído por um outro mito americano. Não é por acaso que Obama dedica ao tema uma tão grande parte do seu discurso (no qual, por sinal, não houve uma única palavra sobre o extermínio dos nativos americanos).

A Guerra de Gaza, durante a qual dezenas de milhões de americanos viram a horrível carnificina na Faixa de Gaza (mesmo que uma rigorosa auto-censura, cortasse quase tudo excepto uma ínfima parte), acelerou o processo de afastamento.

Israel, a corajosa irmãzinha, o fiel aliado de Bush na "guerra ao terror", tornou-se no violento Israel, o monstro enlouquecido, que não tem qualquer compaixão pelas mulheres e crianças, os feridos e os doentes. E quando ventos destes estão soprando, o Lobby perde peso.

Os líderes de Israel não deram conta. Eles não sentiram, quando Obama os colocou num outro contexto, que "o terreno fugira debaixo deles." Eles pensam que este não é mais do que um problema político temporário que pode ser resolvido a contento com a ajuda do Lobby e dos membros servis no Congresso.

Os nossos líderes continuam intoxicados com a guerra e embriagados com a violência.

Refraseando a famosa expressão do general prussiano, Carl von Clausewitz: "A guerra é apenas a continuação de uma campanha eleitoral mas por outros meios." Competem, uns contra os outros, vangloriando-se e bazofiando pela sua parte dos "créditos".

Tzipi Livni, que não pode competir com os homens para a coroa de senhor da guerra, tenta supera-los na tenacidade, na belicosidade, e na dureza de coração.

O mais brutal é Ehud Barak.

Uma vez chamei-lhe "criminoso da paz", porque levou ao fracasso a conferência de Camp David, em 2000, e destruiu o campo da paz em Israel.

Agora, devo chamá-lo de "criminoso de guerra", pois que planificou a Guerra de Gaza sabendo que iria assassinar massivamente civis.

Aos seus próprios olhos e aos olhos de uma grande parte do público, esta é uma operação militar, que merece todos os elogios.

Os seus assessores também pensaram que esta operação iria trazer-lhe sucesso nas eleições.

O partido trabalhista, que tinha sido o maior partido no Knesset durante décadas, tinha encolhido nas sondagens para 12, até 9 lugares, num total de 120.

Com a ajuda da atrocidade de Gaza subiu agora para os 16, se tanto. Não é uma vitória retumbante e não há nenhuma garantia de que não se vá afundar novamente.

Qual foi o erro de Barak?

Muito simples: qualquer guerra ajuda a direita. A Guerra, por sua própria natureza, desperta na população as mais primitivas emoções - ódio e medo, medo e ódio.

Estas são as emoções que a Direita tem cavalgado por séculos.

Mesmo quando é a "Esquerda", que começa uma guerra, ainda é a direita que dela beneficia.

Num estado de guerra, a população prefere uma honesto-e-bondoso direitista que um impostor esquerdista.

Isso está acontecendo com Barak pela segunda vez.

Quando, em 2000, ele espalhou o mantra "Tenho virado cada pedra no caminho para a paz, / Tenho feito aos palestinos ofertas sem precedentes, / Eles rejeitaram tudo, / Não há ninguém com quem falar" -, conseguiu não só estilhaçar a esquerda, mas também preparar o caminho para a ascensão de Ariel Sharon nas eleições de 2001.

Agora, está preparando o caminho para Binyamin Netanyahu (esperando, claramente, tornar-se o seu ministro da Defesa).

E não só para ele.

O verdadeiro vencedor da guerra é um homem que não teve parte em nada dela: Avigdor Liberman.

O seu partido, que, em qualquer país normal seria chamado de fascista, tem vindo a subir nas sondagens. Por quê? Porque Liberman parece e soa como um Mussolini israelita, ele odeia os árabes desenfreadamente, um homem do mais brutal vigor. Comparado a ele, inclusive Netanyahu parece um “fraco”.

Uma grande parte da geração jovem, alimentada por anos de ocupação, mortandade e destruição, depois de duas guerras atrozes, considera-o um líder digno.
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ENQUANTO OS E.U.A. deram um gigantesco salto à esquerda, Israel está prestes a saltar ainda mais para a direita.

Quem viu os milhões agitando-se em Washington, no dia da tomada de posse. sabe que Obama não estava a falar apenas para si próprio. Ele expressava as aspirações do seu povo, o espírito da sua época (Zeitgeist).

Entre a mentalidade de Obama e a mentalidade de Liberman e de Netanyahu não há qualquer contacto. Entre Obama e Livni e Barak (Ehud) também se escancara um abismo.

A pós-eleição de Israel poderá encontrar-se em rota de colisão com o pós-eleitoral da América.

Onde estão os judeus americanos?

A esmagadora maioria deles votaram a favor de Obama. Ficaram entre o martelo e da bigorna - entre o seu governo e a sua natural simpatia por Israel.

É razoável supor, por isso, que irão exercer pressão sobre os "líderes" do judaísmo americano, que aliás nunca foram eleitos por ninguém, e sobre organizações como a AIPAC.(The American Israel Public Affairs Committee – America’s Pro-Israel Lobby).

O forte bordão, aonde os dirigentes israelitas estão habituados a encostar-se em momentos de angústia, poderá revelar-se não ter qualquer valor.

A Europa, também, não é intocável pelos novos ventos.

É verdade que, no final da guerra, vimos os líderes da Europa - Sarkozy, Merkel, Browne e Zapatero - sentados como crianças de escola, atrás de uma mesa, na sala de aula, a ouvir, respeitosamente, as mais abomináveis e arrogantes posições de Ehud Olmert, recitando seu texto, depois dele.

Pareciam aprovar as atrocidades da guerra, falando dos Qassams e esquecendo a ocupação, o bloqueio e os colonatos. Provavelmente não irão pendurar esta foto nas paredes do seu escritório.

Mas durante esta guerra multidões de europeus, vieram em torrentes para as ruas manifestando-se contra os horríveis acontecimentos. As mesmas multidões que saudaram Obama no dia da sua tomada de posse.

Este é o novo mundo. Talvez os nossos dirigentes já estejam sonhando com o slogan: "Pare o mundo, quero descer!" Mas não existe um outro mundo.

SIM, AGORA ESTAMOS no lado errado da história.

Felizmente, há também um outro Israel.

Não está na ribalta, e sua voz é ouvida apenas por aqueles que a querem escutar.

Este é um Israel são e racional, virado para um futuro, de progresso e de paz.

Nas próximas eleições, a sua voz vai ser fracamente ouvida, porque todos os velhos partidos estão firmemente assentes no mundo de ontem.

Mas o que aconteceu nos Estados Unidos terá uma profunda influência sobre o que acontecerá em Israel. A imensa maioria dos israelitas sabe que não poderão existir sem se manterem estreitos laços com os E.U.A.

Obama é agora o líder do mundo, e nós vivemos neste mundo.

Quando ele promete trabalhar "agressivamente" para a paz entre nós e os palestinos, é uma ordem de marcha para nós.

Queremos estar do lado certo da história. Isso vai levar meses ou anos, mas estou certo de que vamos chegar lá. O tempo de começar é agora.

26 janeiro, 2009

"Palestina" de Mahmoud Darwich

só me resta
perder-me pela tua sombra, que é a minha.
só me resta
habitar a tua voz, que é a minha.

afastei-me da cruz estendida
como claridade em horizonte que não se inclina
até ao mais minúsculo monte que a vista alcança
mas não achei minha ferida, minha liberdade.

porque não sei onde moras
não encontro o caminho,
e porque meu dorso não se apoia em ti com pregos
inclinei-me tanto
como teus céus fazem
a quem espreita de escotilhas de avião

devolve-me os pedaços do meu nome
para que possa convocar as fibras das árvores
devolve-me as letras do meu rosto
para que possa chamar as tempestades próximas
devolve-me as razões do meu prazer
para que possa invocar esse regresso sem razão

porque a minha voz está seca como pau de bandeira
e a minha mão vazia como o hino nacional
porque a minha sombra é ampla como se fora uma festa
e os traços do meu rosto se passeiam de ambulância,
porque eu não sou mais do que isto:
o cidadão de um reino que não nasceu ainda.

Mahmud Darwich (Palestina, 1942) - Tradução de Adalberto Alves.
In. “Palestina: A saga de um Povo”, Al-Khudayri, Tariq, Hugin Editores, 2002.
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Mahmoud Darwich nasceu em 1941 em Al-Birwa, um povoado da Galileia que a sua família foi obrigada a abandonar, para fugir para o Líbano, quando ele tinha apenas sete anos.

A localidade foi destruída na guerra ocorrida após a criação do Estado de Israel e que marcou o início da perseguição de todo o Povo palestino.

Este exílio forçado marcou toda sua obra e forjou o seu compromisso político, que cumpriu até à sua morte.

Após ter retornado do Líbano com a família, Darwich morou em várias regiões palestinas e foi preso, por diversas vezes, pelas autoridades israelitas por causa dos seus escritos e da sua actividade política contra a ocupação.

Com 22 anos, publicou Leaves of Olives (Folhas de Oliveira), - o primeiro dos 20 livros de poesia que escreveu, junto a outros cinco de prosa -e cedo se tornou um membro da Organização de Libertação da Palestina de Yasser Arafat.
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Em 1970, foi mais uma vez obrigado a abandonar a sua terra exilando-se, primeiro em Moscovo, e depois em várias capitais árabes, até chegar a Ramala.

Até sua morte, ele conseguiu conciliar a política e a poesia com determinação, embora nem sempre com facilidade.

Em várias ocasiões memoráveis, fundiu esses dois mundos como, por exemplo, quando se sentou para escrever o discurso de Arafat à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1974, onde incluiu a famosa frase:

"Hoje, cheguei trazendo um ramo de oliveira e a arma de um lutador pela liberdade. Não deixem que o ramo de oliveira caia da minha mão. "

Foi o autor da Declaração da Independência da Palestina, em 1988, o que lhe valeu, junto com sua obra em defesa da liberdade e da sua terra, a alcunha de "poeta da resistência", apesar de também ter escrito sobre a vida e o amor.

Darwich fez parte do comité executivo da OLP, cargo ao qual renunciou em protesto contra os Acordos de Oslo, em 1993.

Morreu no passado dia 10 de Agosto de 2008, por o seu coração já não poder conter a vida.

23 janeiro, 2009

Guerra e gás natural: A invasão de Israel e os campos de gás no offshore de Gaza

Michel CHOSSUDOVSKY


A invasão militar da Faixa de Gaza pelas forças israelenses prende-se directamente com o controlo e propriedade das reservas estratégicas de gás natural na sua plataforma marítima. Esta é uma guerra de conquista.

Descobertas em 2000, são extensas as reservas de gás presentes ao longo do offshore de Gaza. À British Gas (BG Group) e ao seu parceiro Consolidated Contractors International Company (CCC) com sede em Atenas, propriedade das famílias libanesas Sabbagh e Koury, foram dados os direitos de exploração de petróleo e gás num acordo de 25 anos assinado em Novembro de 1999 com a Autoridade Palestina.

Os direitos de exploração costeira das jazidas de gás são, respectivamente, da British Gas (60%); Consolidated Contractors (CCC) (30%); e o Fundo de Investimento da Autoridade Palestina (10%). ( Haaretz, 21/Outubro/2007).

O tratado AP-BG-CCC inclui o desenvolvimento da jazida e a construção de um gasoduto. (Middle East Economic Digest, 05/Janeiro/2001).

A licença da BG cobre toda a zona marítima costeira de Gaza, que é contígua a várias instalações de gás marítimas de Israel (ver mapa abaixo).

Mapa 1

De ressalvar que 60 por cento das reservas de gás ao longo do litoral Gaza-Israel pertencem à Palestina.

O BG Group abriu dois furos em 2000: Gaza Marine-1 e Gaza Marine-2 . As reservas, segundo estimativa da British Gas, são da ordem dos 40 mil milhões de metros cúbicos [1,4 x 10 12 pés cúbicos], avaliados em aproximadamente 4 mil milhões de dólares. Estes são os números anunciados pela British Gas. A dimensão das reservas de gás da Palestina pode ser bastante maior.
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Mapa 2

QUEM POSSUI OS CAMPOS DE GÁS

O tema da soberania sobre os campos de gás de Gaza é crucial. Do ponto de vista legal, as reservas pertencem à Palestina.

A morte de Yasser Arafat, a eleição do governo do Hamas e a ruína da Autoridade Palestiniana permitiram a Israel estabelecer um controlo de facto sobre as reservas de gás costeiras de Gaza.

A British Gas (BG Group) tem estado a negociar com o governo de Tel Aviv. Por sua vez, o governo do Hamas foi ignorado no que se refere à exploração e direitos de desenvolvimento das jazidas de gás.

A eleição do primeiro-ministro Ariel Sharon em 2001 foi um ponto de viragem.

A soberania da Palestina sobre as reservas costeiras de gás foi desafiada no Supremo Tribunal de Israel. Sharon afirmou inequivocamente que "Israel nunca compraria gás à Palestina", insinuando ainda que as reservas costeiras de Gaza pertenciam a Israel.

Em 2003 Ariel Sharon vetou um acordo inicial que permitiria à British Gas fornecer a Israel gás natural vindo dos furos costeiros de Gaza. ( The Independent, 19/Agosto/2003)

A vitória do Hamas nas eleições de 2006 conduziu ao fim da Autoridade Palestiniana, que ficou confinada à Cisjordânia, sob o regime fantoche de Mahmoud Abbas.

Em 2006, a British Gas "esteve próxima de assinar um acordo para enviar o gás para o Egipto." ( Times, 23/Maio/2007). De acordo com o relatado, o primeiro-ministro britânico Tony Blair interveio em nome de Israel com o propósito de bloquear o acordo com o Egipto.

No ano seguinte, em Maio de 2007, o governo israelense aprovou a proposta do primeiro-ministro Ehud Olmert "para comprar gás à Autoridade Palestiniana".

O contrato proposto foi de 4 mil milhões de dólares, com lucros na ordem dos 2 mil milhões de dólares, dos quais mil milhões iriam para os palestinianos. Tel Aviv, no entanto, não tinha qualquer interesse em dividir os seus ganhos com a Palestina.

Uma equipa de negociadores de Israel foi encarregada pelo governo de refazer o acordo com a BG Group, sem intervenção do governo do Hamas e da Autoridade Palestiniana:

"As autoridades militares israelenses querem que os palestinianos sejam pagos em bens e serviços e insistem que não haja qualquer dinheiro a ser entregue ao governo controlado pelo Hamas". (Ibid, ênfase acrescentada)

O objectivo era essencialmente anular o contrato assinado em 1999 entre o BG Group e a Autoridade Palestina sob Yasser Arafat.

Segundo o acordo proposto em 2007 à BG, o gás palestiniano dos poços costeiros de Gaza seria canalizado por um gasoduto marítimo para o porto israelense de Ashkelon, transferindo portanto o controlo da venda do gás natural para Israel. O negócio falhou. As negociações foram suspensas:
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"O chefe da Mossad, Meir Dagan, opôs-se à transacção por motivos de segurança, afirmando que o dinheiro serviria para financiar o terrorismo". (Gilad Erdan, deputado do Knesset, dirigiu-se à câmara, acerca da "Intenção do primeiro-ministro adjunto Ehud Olmert de comprar gás aos palestinianos quando o pagamento servirá o Hamas", 01/Março/2006, citado pelo general na reserva Moshe Yaalon em Does the Prospective Purchase of British Gas from Gaza's Coastal Waters Threaten Israel's National Security? Jerusalem Center for Public Affairs, Outubro 2007).
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A intenção de Israel era impedir a possibilidade de o dinheiro ser recebido pelos palestinos.
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Em Dezembro de 2007 o BG Group retirou-se das negociações e em Janeiro de 2008 encerrou os seus escritórios em Israel. (sítio web da BG).

PLANO DE INVASÃO NA MESA DE PROJECTOS

O plano de invasão da Faixa de Gaza sob a "Operação Chumbo Fundido" foi iniciado em Junho de 2008, segundo fontes militares israelenses:

"Fontes militares afirmam que o ministro da Defesa Ehud Barak deu instruções às forças de defesa de Israel (IDF) para prepararem a operação há mais de seis meses (Junho ou antes de Junho), mesmo antes de Israel começar a negociar o acordo de cessar-fogo com o Hamas". (Barak Ravid, Operation "Cast Lead": Israeli Air Force strike followed months of planning [Operação "Chumbo Fundido": Ataque da Força Aérea Israelense após meses de planeamento], Haaretz, 27 de Dezembro de 2008)

Nesse mesmo mês as autoridades de Israel contactaram a British Gas, com vista a retomarem as negociações cruciais para recomeçar a compra do gás natural de Gaza:

"Tanto o director-geral do ministério das Finanças Yarom Ariav como o director-geral do ministério das Infraestruturas Nacionais Hezi Kugler concordaram em informar a BG do desejo de Israel em retomar as conversações. As fontes informam ainda que a BG não respondeu oficialmente ao pedido de Israel, mas que executivos da empresa provavelmente virão ao país em poucas semanas para conversar com membros do governo." (Globes online- Israel's Business Arena, 23 de Junho, 2008)

A decisão de acelerar as negociações com a British Gas (BG Group) coincidiu cronologicamente com o planeamento da invasão de Gaza, iniciado em Junho. Parecia que Israel estava ansiosa para chegar a acordo com o BG Group antes da invasão, que estava já numa fase avançada do planeamento.

Mais ainda, as negociações com a British Gas foram conduzidas pelo governo de Ehud Olmert com o conhecimento de que a invasão militar estava na mesa de projectos e que um novo acordo politico-territorial para a Faixa de Gaza estava a ser contemplado por Israel.

De facto, as negociações entre a British Gas e os representantes israelenses ainda estavam a decorrer em Outubro de 2008, dois a três meses antes do início dos bombardeamentos a 27 de Dezembro.

Em Novembro de 2008, os ministérios israelenses das Finanças e das Infraestruturas Nacionais deram indicações à IEC (Israel Electric Corporation) para começar a compra de gás natural à concessão da BG em Gaza. (Globes, 13/Novembro/2008)

"O director-geral do ministério das Finanças, Yarom Ariav e o director-geral do ministério das Infraestruturas Nacionais, Hezi Kugler, escreveram recentemente ao presidente da IEC, Amos Lasker, informando-o da decisão do governo de permitir que negociações começassem, em consonância com o quadro de referência aprovado este ano.

A direcção da IEC, liderada pelo presidente Moti Friedman, aprovou os princípios da proposta do quadro de referência há poucas semanas. As conversações com o BG Group começarão assim que a direcção aprove a isenção de uma licitação". (Globes, 13 de Novembro, 2008)

GAZA E GEOPOLÍTICA ENERGÉTICA

A ocupação militar de Gaza tem o objectivo de transferir a soberania dos campos de gás para Israel, em violação das leis internacionais.

O que se pode esperar em consequência da invasão?

Qual é a intenção de Israel em relação às reservas de gás natural da Palestina?

Um novo acordo territorial, com a instalação de Israel e/ou tropas de "manutenção da paz"?

A militarização de todo o litoral de Gaza, que é estratégico para Israel?

O confisco puro e simples dos campos de gás palestinos e a declaração unilateral da soberania israelense sobre as áreas marítimas de Gaza?

Se isto ocorresse, as jazidas de gás de Gaza seriam integradas nas instalações costeiras de Israel, que são contíguas às da Faixa de Gaza. (Ver Mapa 1 acima).

Estas várias instalações costeiras estão ligadas ao corredor de transporte energético que se estende do porto de Eilat, um terminal de oleodutos no Mar Vermelho para transporte marítimo, até ao terminal de Ashkelon e na direcção norte para Haifa, eventualmente ligando-se através de um projectado gasoduto israelo-turco com o porto turco de Ceyhan. Ceyhan é o terminal das condutas Trans-Caspianas: Baku, Tblisi, Ceyhan (BTC).

"O que está planeado é ligar as condutas BTC às condutas Trans-Israel Eilat-Ashkelon, também conhecida como a Tipline de Israel." (Ver Michel Chossudovsky, The War on Lebanon and the Battle for Oil (A Guerra com o Líbano e a batalha pelo petróleo), Global Research, 23/Julho/2006).
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Mapa 3
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Autor: Michel Chossudovsky
Canadiano, economista, professor de Economia da Universidade de Otava.
Chossudovsky leccionou como professor visitante em universidades na Europa Ocidental, América Latina e sudeste da Ásia, tem actuado como conselheiro económico de governos dos países em desenvolvimento e tem trabalhado como consultor para organizações internacionais, incluindo o Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o Banco Africano de Desenvolvimento, o Instituto Africano para o Desenvolvimento Económico e Planeamento (AIEDEP), o Fundo da População das Nações Unidas (UNFPA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Mundial de Saúde (OMS), a Comissão Económica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Em 1999, Chossudovsky, ingressou na Transnational Foundation for Peace and Future Research como conselheiro. Membro de organizações de investigação, que incluem o Comité das Estatísticas Monetárias e Reforma Económica (COMER), o Geopolitical Drug Watch (OGD) (Paris) e o International People's Health Council (IPHC).


Chossudovsky é um activista do movimento anti-guerra no Canadá, e tem escrito extensivamente sobre a guerra na Jugoslávia.

Após os ataques terroristas de 11 de Setembro tem-se envolvido em esclarecer a relação histórica entre o governo dos E.U.A., Bin Laden e a Al Qaeda.

Colaborador frequente do Le Monde Diplomatique, Third World Resurgence e Covert Action Quarterly.

As suas obras já foram traduzidas em mais de vinte idiomas.

O seu último livro é intitulado: America’s "War on Terrorism"

Editor no
Centro de Investigação sobre Globalização.

O Centro de Investigação sobre Globalização afirma estar "empenhado em refrear a onda de" globalização "e" desarmar "a nova ordem mundial".
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Tradução de João Camargo
João Camargo é colaborador do site http://resistir.info/, parceiro da Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade linguística.
(Esta tradução pode ser reproduzida livremente na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como a menção ao autor, aos tradutores, aos revisores e à fonte.)