07 agosto, 2010

No meio de uma onda de calor, não há energia eléctrica em Gaza

A única central geradora de energia eléctrica da Faixa de Gaza, que cobre um terço do consumo, deixou de funcionar hoje, no meio de uma onda de calor, por falta de combustível industrial, informaram fontes da própria central.

O encerramento, por Israel, dos postos de passagem, por ser sabat agravou a carência de combustível.

A central gera 33% da electricidade consumida na Faixa de Gaza, enquanto Israel vende 58% e o Egipto, 9%. (Ou seja para além de os deterem num "campo de concentração" ainda fazem negócio... ).

A Faixa de Gaza tem limitações ao consumo de energia eléctrica, que só está disponível entre 6 a 12 horas por dia.

A central já fechou momentaneamente em diversas ocasiões por escassez de combustível. Este ano é a terceira vez que tal acontece.

Família de Gilad Shalit planeia acção junto às costas de Gaza

A família de Gilad Shalit, o soldado israelita, capturado em 2006, que é mantido como prisioneiro de guerra, em sítio incerto pelo Hamas, por motivos de segurança, planeia enviar um navio para Gaza no próximo mês, numa iniciativa que conta com a participação de membros da Orquestra Filarmónica de Israel e do director da orquestra Zubin Mehta, que actuarão nesse momento, informou na passada sexta-feira o jornal Haaretz.

Citando fontes que trabalham pela libertação de Shalit, o Haaretz informa ainda que a embarcação deverá sair no próximo dia 7 de Setembro do porto israelita de Ashdod, a 25 km de Gaza, levando a bordo familiares de Gilad Shalit.

O objectivo é chegar a um dado ponto, em frente à faixa de Gaza, onde se encontrarão com uma embarcação de activistas palestinos, trocando presentes na festa muçulmana que marca o fim do mês do Ramadão (Eid el-Fitr), festejando ao mesmo tempo o início do ano novo judaico (Rosh Hashanah).

06 agosto, 2010

A cerimónia do 65.º aniversário do lançamento da primeira bomba atómica e a indelicadeza do embaixador dos EUA

Pedindo o fim das armas nucleares, a cidade japonesa de Hiroshima lembrou nesta sexta-feira o 65º aniversário do lançamento da primeira bomba atómica, numa cerimónia que, pela primeira vez, teve participação oficial de algumas das potências nucleares, China, Estados Unidos, França e Reino Unido e ainda de um secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), neste caso, Ban Ki-moon.

Estiveram ainda presentes outros diplomatas representando 70 países.

Às 8h15 locais, exactamente a mesma hora em que o avião americano Enola Gay lançou a bomba atómica em 1945, as 55 mil pessoas que, segundo a agência local Kyodo, se reuniram no parque da Paz de Hiroshima, fizeram silêncio.

O parque ocupa a esplanada deixada pela detonação da bomba de urânio Little Boy, que arrasou Hiroshima, cidade que contava então com cerca de 350 mil habitantes, segundo cálculos actuais.

Cerca de 80 mil pessoas morreram de imediato, e até ao fim de 1945, o número de mortes já chegava às 140 mil. Ao longo dos anos muito mais pessoas morreram precocemente devido aos efeitos da radiação.

Três dias depois deste ataque, os EUA lançaram uma segunda bomba nuclear, agora de plutónio, sobre a cidade de Nagasaki, causando 74 mil mortes até o final daquele ano, levando o Japão à rendição e colocando assim fim à Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Na cerimónia que marcou os 65 anos da tragédia, o prefeito de Hiroshima, Tadatoshi Akiba, pediu para o Japão abandonar o "guarda-chuva nuclear" dos EUA, país que após a Segunda Guerra Mundial se tornou o seu principal aliado.

Diante de um público que incluía o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, Akiba prestou homenagem aos mortos e aos hibakusha, (literalmente "pessoa afectada pela explosão") como são conhecidos os sobreviventes do desastre atómico, que "sem entender a razão, se viram envolvidos num inferno, para além de seus piores pesadelos".

O pedido do prefeito teve pronta resposta do primeiro-ministro do Japão, que após a cerimónia afirmou que a protecção nuclear dos EUA "continua sendo necessária" para o Japão, embora ao mesmo tempo tenha assegurado que o país tem a responsabilidade moral de liderar a luta contra as armas atómicas.

O embaixador americano compareceu "para expressar respeito por todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial", segundo comunicado da delegação diplomática em Tóquio, que destacou que os EUA e o Japão "compartilham o objectivo comum de avançar na visão do presidente Obama de conseguir um mundo sem armas nucleares".

A participação do embaixador dos EUA tinha suscitado grandes expectativas, que esperava alguma indicação sobre uma visita à cidade do presidente americano, Barack Obama, em Novembro, aquando da sua programada deslocação ao Japão.

No entanto, um porta-voz da Casa Branca afirmou nesta sexta-feira que, por enquanto, uma visita à cidade, que os EUA arrasaram em 1945, não está nos planos do presidente americano.

Ou seja o Senhor Embaixador dos EUA, John Roos, foi a uma cerimónia onde se prestava homenagem às vítimas do primeiro bombardeamento nuclear da história para, mais tarde e por comunicado, lhe tentar retirar significado e fazer propaganda do seu governo, que no entanto continua incapaz de assumir perante o seu aliado, o Japão, a responsabilidade do massacre e sofrimento de milhares de civis. Para fazer tal figura...

O secretário-geral da ONU, por seu lado, reiterou o seu compromisso com a abolição das armas atómicas, e mostrou a sua esperança de poder celebrar em 2020 a existência de um mundo sem ameaças nucleares.

Ban propôs fixar 2012 como o ano de entrada em vigor do Tratado para a Proibição de Testes Nucleares (CTBT), assinado em 1996, mas que continua à espera da ratificação de 44 nações, entre elas Estados Unidos e China.

O alto representante para Desarmamento, Sérgio Duarte, declarou à Rádio ONU, que:

"O Secretário-Geral fez um discurso de esperança, de futuro, de paz. Esta foi a mensagem que ele quis deixar aqui. Foi a primeira vez que um secretário-geral participou na cerimónia. Foi um gesto simbólico muito importante."

Sérgio Duarte afirmou ainda que o testemunho dos hibakusha é importante para que um ataque como este jamais se repita.

"Hoje, a média de idade dos hibakusha é de 77 anos. Em breve, eles desaparecerão. O que é preciso é que a memória deles, e o sofrimento deles ao longo da vida com os efeitos da radiação e dos problemas físicos que tiveram, sejam lembrados para que as gerações futuras saibam que a bomba é um instrumento desumano, que mata indiscriminadamente", concluiu.

Anunciada organização de novo comboio de ajuda humanitária para Gaza

Os organizadores da frota de barcos que levaria ajuda humanitária à Faixa de Gaza e que foi atacada em Maio pelo Exército israelita anunciaram hoje que têm a intenção de enviar um segundo comboio, noticiou o Stockholm News.

"Estamos a planear uma nova frota em direcção a Gaza, que esperamos que seja ainda maior e mais bem-sucedida que a anterior, e que incorporará muitas outras organizações", disse, numa conferência de imprensa em Estocolmo, Dror Feiler, um activista da organização "Ship to Gaza" que ficou ferido no ataque militar israelita, do passado dia 31 de Maio, contra o comboio de embarcações civis que transportavam 700 activistas e toneladas de ajuda humanitária e que terminou com a morte de nove civis, oito turcos e um turco-americano e dezenas de feridos.

Feiler disse que a nova frota poderia partir rumo ao território palestino em meados do segundo semestre.

Membros da organização humanitária turca IHH e da "Freedom for Gaza", entre outras, também participaram no encontro de hoje em Estocolmo.

"Bombardeie um gueto [Gaza] e faça um brinde"

A propósito do cartoon que a ADL classificou de anti-semita lembrei-me de um vídeo realizado por Max Blumenthal e Alternet, em 11 de Janeiro de 2009, em Nova Iorque, por ocasião de uma manifestação a favor do ataque de Israel a Gaza.

O "ovo da serpente" está bem patente, transvestido agora em "nacional-sionismo"