06 agosto, 2010

Cartoons sobre a Palestina: "Negociações..."


Al-Bayan, 4 de Agosto de 2010 (Emiratos Árabes Unidos)
Nas roupas do palestino que o Judeu segura: "Negociações Indirectas"; nas calças do palestino: "Negociações Directas". 


Este cartoon foi copiado do site da Liga Anti-Difamação (The Anti-Defamation League), e encontra-se titulado como: "Anti-semitismo no Mundo Árabe. Cartoon da semana".

Como podem verificar o cartoon é "altamente anti-semita"... aliás esta classificação é muito esclarecedora sobre o conservadorismo e radicalismo desta organização.

A Anti-Defamation League foi fundada em 1913 "para impedir a difamação do povo judeu e garantir justiça e tratamento correcto para todos." Actualmente intitula-se "como a primeira agência de relações humanas e de direitos civis da nação [EUA], a ADL combate o anti-semitismo e todas as formas de intolerância, defende os ideais democráticos e protege direitos civis para todos."

De facto é hoje um dos lobbies de judeus-americanos mais poderoso dos EUA, com uma influência desmedida junto dos meios políticoe e da comunicação social americana, e que é responsável pela perseguição, ao melhor estilo do macarthismo de todos aqueles que de alguma forma se mostram contrários às políticas de colonização, de apartheid e de total desrespeito pelos direitos humanos da clique "nacional"-sionista que vem governando Israel.

Como contraponto podemos referir organizações americanas de Judeus que, como a JStreet ou a Jewish Voice for Peace, se batem por uma solução que traga a paz e a segurança para ambos os povos, palestinos e israelitas.

05 agosto, 2010

1.500 dias de cativeiro do militar israelita Gilad Shalit

"Prova de vida" de Gilad Shalit em Setembro de 2009 


Perfez ontem 1.500 dias de cativeiro o jovem militar israelita Gilad Shalit.

Os seus pais e família, assinalando a data, deram uma conferência de imprensa para através dela chamar, mais uma vez, à responsabilidade o governo israelita, aproveitando para ao mesmo tempo apelar para que os habitantes de Gaza pressionem o Hamas para que chegue a um acordo sobre a necessária troca de prisioneiros.

Mas se Gilad Shalit está prisioneiro do Hamas, e se é o Hamas que tem a chave da sua prisão, será o Hamas que tem a chave para a resolução do problema, ou esta questão é como os cofres dos bancos onde são necessárias duas chaves para o abrir.

A questão é se o governo de Israel está disposto a libertar os prisioneiros palestinos que o Hamas reclama.

Não sei ao certo quantos prisioneiros palestinos detém neste momento Israel, mas são muitos milhares. Homens, mulheres e crianças. Destas sei o número exacto. No final de Junho eram 291, das quais 23 com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos.

A libertação do soldado Gilad Shalit está determinantemente nas mãos do governo de Israel.

A questão de que alguns dos prisioneiros palestinos a libertar tem as “mãos sujas de sangue” e após serem libertados voltariam a “por em risco centenas de vidas de civis israelitas” não é nova.

Já no governo de Ehud Olmert, de Tzipi Livni e de Ehud Barack se tinha colocado.

Por essa altura, a 19 de Janeiro de 2009 comentava um judeu, “ex-terrorista” do Irgun, herói de 48 com sangue vertido, e um homem que se bate pela paz e pelos direitos humanos, Uri Avnery de seu nome:

“O argumento hipócrita do “sangue nas mãos”, levantado contra este tipo de acordo, deve ser removido dos vocabulários de uma vez por todas.

Pelo menos metade dos 1.300 palestinos mortos pelo Estado de Israel nas últimas semanas eram civis desarmados, incluindo centenas de crianças. [Está-se a referir à agressão de Israel à Faixa de Gaza].

De agora em diante, a expressão “sangue nas mãos” na boca de um político ou militar israelita será uma triste zombaria ou simples descaramento.”

Desde há um mês, depois de realizarem uma marcha nacional para chamarem à atenção para a situação do seu filho decidiram acampar frente à residência oficial do primeiro-ministro Benjamim Netanyahu, em Jerusalém, onde prometem permanecer até à sua libertação.

Que a sua porfia tenha sucesso são os meus votos. Pelo jovem Gilad e por todos os prisioneiros palestinos que possam vir a ser libertados.

Mas infelizmente parece-me que a crónica de Uri Avnery "Uma história de traição", publicada a 3 de Outubro de 2009, continua a manter toda a sua actualidade. Mudaram os governantes, não mudou a peçonha.

03 agosto, 2010

Filhos de imigrantes em Israel correm risco de deportação

Israel aprovou hoje novos critérios de residência que podem resultar na deportação de centenas de filhos de estrangeiros que trabalham no país.

Com a decisão tomada hoje, em reunião ordinária do governo, Israel pretende resolver a situação de milhares de estrangeiros que trabalham em seu território.

No entanto, segundo o texto aprovado, os filhos de imigrantes cujos pais entraram legalmente em Israel poderão permanecer no país somente se estiverem matriculados na escola, falarem hebraico fluentemente e estiverem no país há mais de cinco anos.

O grupo de defesa dos imigrantes Linha Directa com os Trabalhadores Estrangeiros calcula que entre 700 a 1.200 filhos de imigrantes em idade escolar correm o risco de serem deportados, assim como seus pais.

Cerca de 200 mil estrangeiros trabalham e moram em Israel, a maior parte deles vindos das Filipinas, da China e de diversos países africanos. Cerca de metade desses imigrantes está com o visto de trabalho vencido. Muitas destas crianças nasceram já em Israel e só falam hebraico.

Segundo a BBC, Netanyahu afirmou que o controlo da imigração é em grande parte para preservar o carácter judeu de Israel e que o seu governo pretende deportar todos os imigrantes ilegais até 2013.

02 agosto, 2010

O despejo das familias palestinas Hanoun e Al Ghawi


Os móveis das famílias Hannoun e Al Ghawi atirados para a rua (à esquerda) e os colonos israelitas apossando-se da casa dessas famílias (à direita) no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental em 2 de Agosto de 2009.

Que cesse a colonização israelita, apelo da OLP

You can find the original version in English after the Portuguese version.

Recebemos hoje às 14:26, do Departamento de Negociações da Organização para a Libertação da Palestina o seguinte comunicado de imprensa que traduzimos:

Assinalando um ano após a expulsão das famílias Al Ghawi e Hanoun, o chefe negociador palestino, Dr. Saeb Erekat apelou à comunidade internacional para faça cessar as políticas brutais de Israel contra os palestinos em Jerusalém Oriental.

Hoje assinala-se o primeiro aniversário da expulsão das famílias Al Ghawi e Hanoun das suas casas no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental.

O chefe negociador palestino, Dr. Saeb Erekat assinalou o aniversário, convidando a comunidade internacional a tomar medidas eficazes para deter tais acções de colonização israelita na parte ocupada de Jerusalém Oriental e em noutras partes da Cisjordânia.

"No momento em que líderes mundiais apelam ardentemente para negociações directas, peço-lhes para que empreguem o mesmo nível de entusiasmo para impedir Israel de continuar o seu processo de colonização no território palestino ocupado, particularmente em Jerusalém Oriental" afirmou o Dr. Erekat. "Há um ano atrás, duas famílias palestinas com 19 crianças foram violentamente expulsas de suas casas pela polícia israelita, que posteriormente permitiu que colonos israelitas ocupassem as casas deles."

"Uma noite antes da Liga Árabe se reunir no Cairo para discutir o destino das negociações directas, na [passada] quinta-feira 30 de Julho, colonos israelitas apossaram-se de um edifício no coração da Cidade Velha com o apoio da polícia israelita. Hoje milhares de pessoas estão ameaçadas pela continuação das políticas de colonização ilegal de Israel, que incluem despejos de casas, demolições e revogação dos seus cartões de identificação, privando-as assim do direito a viver na sua cidade natal."

"Israel continua afirmando que Jerusalém é uma cidade aberta com direitos iguais para todos. Eu desafio os tribunais de Israel a permitirem os palestinos de Jerusalém a reclamarem a devolução de suas propriedades em Jerusalém Ocidental.

Eu desafio os governos de Israel a parar de expulsar os palestinos de Jerusalém Oriental e para que cessem de trazer mais colonos para a cidade.

Eu desafio o município israelita de Jerusalém, para que cesse a demolição de casas palestinas e que cesse de pôr em prática os seus planos de expansão implacável de colonatos israelitas em seu lugar.

E desafio a comunidade internacional para agir reconhecendo que o principal problema é a execução implacável pelo establishment político e judicial israelita desde 1967 do seu programa de colonização no território palestino ocupado ".

Dr. Erekat concluiu: "Não haverá Estado palestino sem Jerusalém Oriental como sua capital, e não haverá paz sem o fim da ocupação israelita e uma reversão das suas políticas de colonização.

A nossa visão é de uma cidade aberta e compartilhada de Jerusalém como a capital dos dois estados, com base nas fronteiras acordadas.

A comunidade internacional apoia esta visão e entretanto Israel faz todos os esforços para sabotar a possibilidade de alcançá-la. "

OLP Press Release