20 junho, 2010

Sondagem: A maioria dos palestinos quer a paz com Israel

Poll: Most Palestinians want peace with Israel - Haaretz Daily Newspaper | Israel News

Uma sondagem conduzida pela Fafo na Cisjordânia e em Gaza concluiu que 89% dos palestinos apoiam a realização de eleições legislativas durante este ano, e 84% acreditam que o Fatah ganhará.

A Fafo, uma fundação de pesquisa multidisciplinar internacional, sedeada na Noruega, concluiu que 73 por cento dos palestinos, tanto na Cisjordânia com em Gaza são favoráveis às negociações de paz com Israel, mas acentuaram que o congelamento dos colonatos deve ser uma condição prévia às negociações.

A maioria dos palestinos apoiam um acordo de paz com Israel e acreditam que a Autoridade Palestina deve usar meios não-violentos para alcançar os seus objectivos políticos, revelou uma nova sondagem da Fafo.

A sondagem também revelou um aumento do apoio palestino à interrupção dos ataques com mísseis a partir de Gaza contra Israel, subindo de 53 por cento em 2009 para 61 por cento em 2010.

A maioria dos palestinos que concordaram em responder à sondagem disseram que tinham mais confiança na liderança do Fatah, liderado por Mahmoud Abbas, do que no Hamas, e revelou que o apoio do Hamas em Gaza era relativamente menor do que em 2008.

Além disso, mais de 89 por cento dos palestinos são muito favoráveis à realização de novas eleições legislativas ainda neste ano, mas somente se forem realizadas tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza e com a participação do Hamas.

A pesquisa também concluiu que, se as eleições se realizassem neste ano, 84 por cento acreditava que o Fatah ganharia. No entanto, três em cada dez dos inquiridos acreditavam que nem Abbas nem o líder do Hamas Ismail Haniyeh são competentes para liderar a Autoridade Palestina, e afirmaram que não votariam.

A sondagem que foi realizada na Cijordânia e em Gaza durante os últimos três anos, constatou que após a Guerra de Gaza em Dezembro de 2008, o apoio ao Hamas aumentara, mas que tem diminuído gradualmente desde então.

Os entrevistados foram aleatoriamente seleccionados entre indivíduos com idade igual ou superior aos 18 anos.

Entre os 960 entrevistados, na Cisjordânia, em Fevereiro de 2010, e os 933 entrevistados em Gaza durante Maio de 2010, a sondagem verificou que os palestinos estavam divididos sobre a declaração unilateral de um Estado palestino.

As entrevistas ocorreram em 66 pontos distintos em ambas as áreas, mas os pesquisadores limitaram os seus resultados afirmando que "São pessoas que se recusam a responder à pergunta, afirmam que não pretendem exercer o seu voto, ou que não sabem qual o partido (ou candidato) que apoiarão."

Israel expulsa 4 parlamentares palestinos residentes em Jerusalém Oriental

(You can find the original version in English after the Portuguese version.)
Comunicado de imprensa recebido do departamento de Negociações da OLP, no dia 20 de Julho, às 10:51 

O responsável do Departamento de Negociações da OLP, Dr. Saeb Erekat condenou a revogação de residência e expulsão de Jerusalém Oriental, de quatro membros do Conselho Legislativo Palestino (CLP), Mohammad Abu Teir, Mohammad Totah, Abu Khaled Arafah e Atoun Ahmad.

"Condenamos fortemente as recentes directivas para negar aos naturais de Jerusalém o direito de viver na sua própria cidade. Esta revogação de direitos dificilmente é uma política isolada. Desde a ocupação israelita do território palestino iniciada em 1967, tem sido conduzida, de forma sistemática, uma política destinada a expulsar os palestinos de Jerusalém Oriental.''

''Nos últimos dois anos, mais de 5000 palestinos foram despojados dos seus direitos de residência em Jerusalém. E hoje, centenas de famílias palestinas vivem sob a ameaça de terem as suas casas demolidas, enquanto os colonatos ilegais continuam a ser construídos nos territórios ocupados. "No ano passado, 103 casas foram demolidas, só em Jerusalém Oriental.

Referindo-se aos relatórios de Israel de que a decisão foi tomada com base em considerações de segurança, o Dr. Erekat afirmou que "a directiva nada tem a ver com segurança, mas com a consolidação de um sistema de apartheid, onde os judeus de todo o mundo estão autorizados a entrar livremente e a desfrutar de direitos em Jerusalém, enquanto aos palestinos naturais da cidade são negados o direito de viver na sua própria terra. O mundo não pode continuar a olhar em silêncio enquanto estas políticas continuarem. Esta directiva não é apenas uma ameaça para os indivíduos afectados, mas também uma ameaça contra a solução de dois estados e todo o processo de paz. Israel não pode continuar a agir acima da lei."

"A pedido do presidente Mahmoud Abbas, transmiti a mensagem ao governo americano e a Israel que a revogação de bilhetes de identidade é uma forma de punição colectiva. Resultando severas consequências para as famílias, e constitui um ataque contra a democracia palestina.''

Concluindo o Dr. Erekat afirmou: "a nossa visão para a paz inclui uma Jerusalém compartilhada que é a capital de dois estados. A visão de Israel para a cidade, como evidenciado por acções de Israel, é de exclusividade. Até que Israel reconheça os direitos dos palestinos na cidade, a paz será elusiva para todos os envolvidos."

For Immediate Release

June 20, 2010

Negotiations Affairs Department

Palestine Liberation Organization

Dr. Erakat on Israel’s announcement of residency revocation and expulsion of four PLC members

Chief Palestinian Negotiator Dr Saeb Erakat condemned the announcement of Israel’s revocation of residency and expulsion of four Palestinian Legislative Council (PLC) members from East Jerusalem, Mohammad Abu Teir, Mohammad Totah, Khaled Abu Arafah, and Ahmad Atoun.

“We strongly condemn the recent orders to deny Jerusalemites their right to live in their own city. This revocation of rights is hardly an isolated policy. Since Israel’s occupation of the Palestinian territory began in 1967, it has carried out a systematic policy aimed at expelling Palestinians from East Jerusalem.’’

‘’In the past two years alone, over 5000 Palestinians have been stripped of their residency rights in Jerusalem. And today, hundreds of Palestinian families live under the threat of having their homes demolished while illegal settlements continue to be built on occupied land.” Last year, 103 homes were demolished in East Jerusalem alone.

Referring to the Israeli reports that the decision was made based on security considerations, Dr. Erakat said “the order has nothing to do with security but with the consolidation of an Apartheid system where Jews from all over the world are allowed to enter freely and enjoy rights in Jerusalem, while the indigenous Palestinians of the city are denied the right to live on their own land. The world can no longer look on in silence as these policies continue. This order is not only a threat to the individuals affected, but also a threat against the two state solution and the entire peace process. Israel cannot continue to act above the law.”

“Upon President Mahmoud Abbas’ request, I conveyed the message to the American administration and to the Israeli side that revocation of identity cards is a form of collective punishment. It results in severing families, and it constitutes an attack against Palestinian democracy.’’

Dr. Erakat concluded “our vision for peace includes a shared Jerusalem that is the capital of two states. The Israeli vision for the city as evidenced by Israeli actions is an exclusive one. Until Israel recognizes Palestinian rights in the city, peace will be elusive for all involved.”

"L'Osservatore Romano" apelida Saramago de "populista e extremista"

"L'Osservatore Romano" apelida Saramago de "populista e extremista" - Portugal - DN

Antes o ataque aberto que a desconsideração do silêncio.

Chamar populista a Saramago é tentativa falhada de o denegrir. De facto querendo-o atacar politicamente, acertaram literalmente na sua caracterização.

Saramago foi um populista, pois produziu parte da sua obra, tendo o povo mais simples como tema e retratando-o com simpatia critica, mas sem paternalismo.

De ser extremista... quem mais extremista e radical que Jesus Cristo.

Quanto a ser marxista, ou seja acreditar na utopia de uma sociedade sem classes, numa sociedade mais justa, mais solidária e fraterna é sonho, estou certo, que Jesus Cristo, não desdenharia abraçar.

Quanto à ideologia anti-religiosa, de facto Saramago era ateu confesso e um homem livre a quem agradava desmascarar mitos, superstições, efabulações, tão próprias das religiões. E que o fez com acutilante e certeira arte.

O fel do "L'Osservatore Romano" só tem um efeito: destacar a sua mesquinhez e demonstrar a impiedade dos que se reclamam seguidores de um deus de amor.

Saramago afirmou: "Foi a Morte que inventou deus" (a grafia é minha, pois que só ouvi as suas palavras).

E eu com a devida distância acrescentava... e a religião a justificação para o preconceito, a intolerância e o ódio.

19 junho, 2010

O primeiro passo de Saramago


Esta é a capa do primeiro romance de Saramago, na sua primeira edição datada de 1947.

A sua reedição só se faz em Setembro de 1997, cinquenta anos depois, pela Editorial Caminho. Para ela escreveu Saramago este interessante "Aviso", explicando as suas razões, porque só então aceitou reintegra-lo na sua obra.

     Aviso

    O autor é um rapaz de vinte e quatro anos, calado, metido consigo, que ganha a vida como praticante de escrita nos serviços administrativos dos Hospitais Civis de Lisboa, depois de ter estado a trabalhar durante mais de um ano como aprendiz de serralheria mecânica nas oficinas dos ditos hospitais. Tem poucos livros em casa porque o ordenado é pequeno, mas leu na Biblioteca Municipal das Galveias, tempos atrás, tudo quanto a sua compreensão logrou alcançar. Ainda estava solteiro quando um caridoso colega da repartição, segundo-oficial, de apelido Figueiredo, lhe emprestou trezentos escudos para comprar os livrinhos da colecção “Cadernos” da Editorial Inquérito. A sua primeira estante foi uma prateleira interior do guarda-louça familiar. Neste ano de 1974 em que estamos nascer-lhe-á uma filha, a quem medievalmente dará o nome de Violante, e publicará o romance que tem andado a escrever, esse a que chamou A Viúva mas que vai aparecer à luz do dia com um título a que nunca se há-de acostumar. Como no tempo em que viveu na aldeia já havia plantado umas quantas árvores, pouco mais lhe resta para fazer na vida. Supõe-se que escreveu este livro porque numa antiga conversa entre amigos, daquelas que têm os adolescentes, falando uns com os outros do que gostariam de ser quando fossem grandes, disse que queria ser escritor. Em mais novo o seu sonho era ser maquinista de caminho-de-ferro, e se não fosse por causa da miopia e da diminuta fortaleza física, imaginando que não perderia a coragem entretanto, teria ido para aviador militar. Acabou em manga-de-alpaca do último grau da escala hierárquica e tão cumpridor e pontual que à hora de começar o serviço já está sentado à pequena mesa em que trabalha, ao lado da prensa das cópias. Não sabe dizer como lhe veio depois a ideia de escrever a história de uma viúva ribatejana, ele que de Ribatejo saberia alguma coisa, mas de viúvas nada, e menos ainda, se existe o menos que nada, de viúvas novas e proprietárias de bens ao luar. Também não sabe explicar por que foi que escolheu a Parceria António Maria Pereira quando, com notável atrevimento, sem padrinhos, sem empenhos, sem recomendações, se decidiu a procurar um editor para o seu livro. E ficará para sempre como um dos mistérios impenetráveis da sua vida haver-lhe escrito Manuel Rodrigues, da Editorial Minerva, dizendo ter recebido A Viúva na sua casa por intermédio da Livraria Pax, de Braga, e que passasse ele pela Rua Luz Soriano, que era onde estava a editora. Em momento nenhum ousou o autor perguntar a Manuel Rodrigues por que aparecia a tal Pax metida no caso, quando a verdade é que só tinha enviado o livro à António Maria Pereira. Achou que não era prudente pedir explicações à sorte e dispôs-se a ouvir as condições que o editor da Minerva tivesse para lhe propor. Em primeiro lugar, não haveria pagamento de direitos. Em segundo lugar, o título do livro, sem atractivo comercial, deveria ser substituído. Tão pouco habituado estava o nosso autor a andar com tostões de sobra no bolso e tão agradecido a Manuel Rodrigues pela aventura arriscada em que se ia meter, que não discutiu os aspectos materiais de um contrato que nunca veio a passar de simples acordo verbal. Quanto ao rejeitado título, ainda conseguiu murmurar que iria tentar outro, mas o editor adiantou-se, que já o tinha, que não pensasse mais. O romance chamar-se-ia Terra do Pecado. Aturdido pela vitória de ir ser publicado e pela derrota de ver trocado o nome a esse outro filho, o autor baixou a cabeça e foi dali anunciar à família e aos amigos que as portas da literatura portuguesa se tinham aberto para ele. Não podia adivinhar que o livro terminaria a pouco lustrosa vida nas padiolas. Realmente, a julgar pela amostra, o futuro não terá muito para oferecer ao autor de A Viúva.

         J. S.

Actualização: 19 de Julho de 2010, 17:34

Soube agora, pelo Público, que o Governo decretou dois dias de luto nacional. Para mim é igual. Esses sinais de hipocrisia mundana, pretendem servir mais os da "situação" do que a memória de quem partiu e deixa Obra.

No meu caso, Saramago está onde sempre esteve. No meu pensamento. Como um Homem que  admiro, tanto pela Obra como pela sua coragem e persistência na defesa dos seus valores e causas. Um exemplo a ter presente.

Se muitos apenas lhe reconhecem a Obra, eu, sou dos que, para além disso, valorizo a sua solidariedade, dedicação e luta contra a injustiça, a opressão e a miséria, nomeadamente, no tocante à causa da Palestina, face à qual sempre demonstrou  interesse  e generosidade, sendo uma das personalidades mundiais que subscreveu a criação do Tribunal Russell sobre a Palestina.

Estou certo que a sua Fundação zelará pelo seu legado, para que continuemos a fruir da sua sabedoria. Espero que possa reunir o seu espólio, de forma mais profunda e alargada possível e que o coloque acessível a todos através da Internet. (Obviamente não me estou a referir a materiais que sejam sujeitos de direitos de autor e que por isso sejam um justo suporte financeiro para a sua  Família e da sua Fundação.)

17 junho, 2010

Quem é mais pernicioso que um menino da yeshiva? Uma crónica de Gideon Levy

Who's more harmful than a yeshiva boy? - Haaretz Daily Newspaper | Israel News

Antes do artigo algumas definições:

Yeshiva: Escola onde se estudam os textos sagrados do judaísmo, principalmente o Talmude

Haredi - Qualquer das várias seitas do judaísmo ortodoxo que rejeitam a cultura secular moderna e muitas das quais não reconhecem a autoridade do Estado de Israel.

Mizrahim - Judeus que nunca saíram do Médio Oriente e Norte da África desde o início do povo judeu, há 4.000 anos atrás.

Ashkenazim - Termo utilizado para definir primeiramente, os judeus cuja ancestralidade se situava na Alemanha medieval, no norte de França Actualmente judeus provenientes da Europa Central. (Neste caso a questão é muito mais complexa e abrangente pelo que mais do que uma definição, é uma indicação)

Gideon Levy faz a comparação entre dois grupos sociais de Israel e o seu impacto na sociedade israelita: os colonos e os judeus ultra-ortodoxos.

"A semelhança é impressionante: dois grupos de população insular e arrogante, diferentes e às vezes peculiares, minorias poderosas com líderes autoritários, ambos com as suas próprias leis e normas. Os colonos e os ultra-ortodoxos - o primeiro grupo ultrapassa os 300.000 indivíduos, sem contar com os colonos de Jerusalém Oriental, e os últimos cerca de 700.000, incluindo os colonos Haredi.

No Israel de 2010, estes são os dois mais energéticos e determinados grupos entre a complacente e sonolenta população judaica. Ambos causam danos ruinosos para o estado, e ambos custam vastas quantidades de dinheiro. E, vejam só, enquanto a campanha contra os judeus ortodoxos está ganhando força - uma campanha que está apenas no princípio, mas é acompanhado pelo feio ódio e o racismo - a atitude para com os colonos oscila entre a apatia e a simpatia, e até mesmo a compaixão.

Compaixão? Um membro da comissão que investiga como Israel tratou os evacuados da retirada de Gaza, Yedidya Stern,  descreveu-os, esta semana, como nada menos do que as vítimas "da mais grave violação dos direitos humanos na história do Estado de Israel." Não os pobres de Israel, não os imigrantes que foram despejados nas cidades em desenvolvimento, não as crianças em risco, não os filhos dos trabalhadores migrantes, não os árabes que foram expulsos em 1948 e 1967, e não os palestinos sob ocupação, mas os colonos que foram evacuados e compensados, isto de acordo com o código ético notável do Prof. Stern.

Ao contrário dos colonos, os Haredim são um alvo fácil. Não há maior consenso na sociedade israelita secular do que no ódio por eles. Criticar os colonos é controverso, tem um preço e é preciso coragem. Políticos populistas construíram carreiras na propagação do ódio ao Haredim, mas é o juiz, em vez de dos líderes do país que estão tomando a liderança em mudar as normas que lhes digam respeito.

Sem terem feito qualquer tentativa anterior de se aproximarem deles, são os tribunais, que estabelecem uma decisão atrás de outra. O Supremo Tribunal decidiu que as bolsas financiadas pelo Estado para os estudantes das yeshiva são injustas;  decretou que há racismo intolerável em Immanuel [é um pequeno colonato na Cisjordânia ocupada, onde a população é maioritariamente ultra-ortodoxa e onde se manifestou, a nível escolar, um movimento segregacionista entre Ashkenazim e Mizrahim]; e o exército quer recrutar milhares de estudantes das yeshiva. Todas estas decisões foram justas e eram inevitáveis, mas e a condenação sobre o outro grupo recalcitrante?

De acordo com o movimento Peace Now, os colonos custam NIS 2,5 bilhões por ano. Para quê? Pelos seus esforços em contrariar todas as perspectivas de paz. Isso não é mais prejudicial do que um menino da yeshiva? Isso não é mais perigoso do que um estudante da Torah?

Os Haredim Ashkenazim tratam os Mizrahim de forma abominável. É racismo. Mas pelo menos não é violento, como o racismo dos colonos para com os palestinos. Os Haredim colocam as mulheres na parte de trás do autocarro; os colonos não só barram a entrada de palestinos nos seus autocarros, mas às vezes de toda a estrada. Os Haredim erguem barreiras entre Ashkenazim e Mizrahim nas suas escolas; os colonos realizam limpeza étnica sob a égide do estado, como o de 25 mil residentes de Hebron.

Então, quem é o verdadeiro racista aqui? Comparado com os jovens colonos dos morros [os colonatos israelitas são edificados nas zonas mais altas por forma a terem um maior controlo sob a região à sua volta], os meninos da yeshiva são modelos de moralidade. Mas quem recebe a punição? Os Haredi, claro. Quando é que os tribunais se declaram contra o racismo dos colonos como o têm feito contra o racismo Haredi? Mas eles próprios mantêm sistemas diferentes para penalizar os judeus e os árabes.

Quando vamos ouvir falar dos milhares de postos de serviço civil fictícios exercidos pelos colonos - um oficial de segurança assalariado em cada casa móvel - da mesma maneira que ouvimos sobre os parasitas Haredi?

E o que dizer dos milhares de soldados que têm de guardar os colonos, das estradas supérfluas que foram construídas para servi-los, da electricidade e do abastecimento de água para os postos avançados ilegais? Tudo, tudo, pago por nós, mais do que nós pagamos para o estudo da Torá como uma ocupação Haredi.

Então, vamos chamar esse mal pelo seu verdadeiro nome: um duplo padrão [dois pesos e duas medidas]. Covardia também serve."