17 agosto, 2009

"Locked In": O impacto humanitário de dois anos de bloqueio sobre a Faixa de Gaza.

Seguindo o link encontrará um novo relatório da OCHA, "Locked In": O Impacto Humanitária de dois anos de bloqueio sobre a Faixa de Gaza.

O relatório documenta o impacto humanitário do bloqueio imposto por Israel desde Junho de 2007 a 1,5 milhões de pessoas que vivem na Faixa de Gaza.

Incide sobre os efeitos das restrições à importação e à exportação e à proibição de viagem, para Gaza de Gaza, nos meios de subsistência, segurança alimentar, educação, saúde, abrigo, energia, água e saneamento.

O relatório também descreve como a repetição dos ciclos de violência e de violações dos direitos humanos, agrava o sofrimento da população em Gaza.

O relatório conclui que o bloqueio em curso sobre um das áreas mais densamente populadas do mundo, desencadeou uma prolongada crise de dignidade humana com consequências humanitárias negativas.
 
Factos e números em destaque sobre o bloqueio:
  • A média diária de camiões que entraram em Gaza desde o bloqueio (112) representando 1 / 5 do valor comparável (583), no período anterior ao bloqueio (Janeiro-Maio 2007).
  • Antes do bloqueio as exportações atingiam os 1.090 caminhões por mês (Janeiro-Maio 2007). Durante os dois anos de bloqueio, todas as exportações foram proibidas, excepto no caso de 147 camiões, de flores e morangos.
  • 120.000 empregos foram perdidos, no sector privado.
  • A população sofre cortes programados de energia eléctrica de 4 a 8 horas por dia.
  • 80 milhões de litros de esgotos sem tratamento ou parcialmente tratados são lançados diariamente no meio ambiente como resultado da falta de manutenção e modernização das infra-estruturas de águas residuais.
  • Mudança gradual na dieta dos Gazenos de alimentos ricos em proteínas para alimentos ricos em hidrocarbonetos e de baixo custo.
  • No primeiro semestre do ano lectivo 2007-2008, apenas 20% da sexta série passou nos exames padronizados de matemática, ciências, Inglês e Árabe.
Desde a ofensiva militar de Israel Cast Lead (Dezembro de 2008 - Janeiro 2009):
  • 3.540 casas destruídas e 2.870 severamente danificados.
  • Cerca de 20.000 pessoas permanecem deslocadas.
  • 280 escolas e jardins-de-infância foram danificadas, incluindo 18 instalações totalmente destruídas.
  • Durante a ofensiva militar, o número de mortes no período neo-natal aumentaram 50%, os abortos espontâneos 31%, e as mulheres que deram à luz, tinham normalmente alta 30 minutos após o parto, a fim de libertarem as camas para os feridos graves.
  • Os relatórios sobre o número de palestinos mortos durante a ofensiva israelita variam entre 1.116 (IDF) a 1.455 (Ministério da Saúde palestino em Gaza).Com base no cruzamento das várias listas de baixas, a OCHA, identificou os registos de 1.383 palestinos, incluindo 333 crianças, cuja morte foi confirmada por pelo menos duas fontes independentes; uma proporção significativa dessas mortes foi de civis não envolvidos nas hostilidades.

09 agosto, 2009

Barak reconhece que tem um interlocutor para a Paz?

Em declarações à imprensa antes de entrar para o conselho de ministros israelita semanal, realizado hoje, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak qualificou de "graves e inaceitáveis" a "retórica e as posturas" defendidas no congresso do movimento palestino Fatah, destacando no entanto, que Israel "precisa perceber que não há mais solução para o Médio Oriente que a de um acordo".
"Peço a Abu Mazen (o presidente palestino e líder do Fatah, Mahmoud Abbas) que inicie negociações sérias connosco, e peço aos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Obama, que conduza um processo de paz no Médio Oriente, que inclua os palestinos, a Síria e outros países", acrescentou.
Nota:
Recomendo a leitura do que Uri Avnery escreveu na sua crónica 10 maneiras de matar a Fatah para que se entenda como é grande a hipocrisia de Ehud Barak e difíceis os caminhos da paz para a Palestina. aqui fica um pequeno apontamento:
"As coisas chegaram ao clímax na conferência de Camp David, em 2000.

Ehud Barak, o então primeiro-ministro, iniciou a conferência e, de seguida, ele próprio a afundou com uma mistura de arrogância e ignorância.

Nos dias seguintes, em vez de declarar que as negociações iriam continuar até que a paz fosse alcançada, ele espalhou o mantra "Não há ninguém para falar connosco! Nós não temos nenhum parceiro para a paz!”

...

Barak não só destruiu a "esquerda sionista", mas também de um golpe esmagou a Fatah, o movimento que havia prometido aos palestinos a paz com Israel.

Não contente com isso, Barack permitiu que Ariel Sharon levasse a cabo a sua provocadora visita ao Monte do Templo, acompanhado por centenas de soldados e policiais.

Assim, provocou a eclosão da Segunda Intifada e preparou o terreno para Sharon chegar ao poder."

19 julho, 2009

Russia exorta Israel para que pare actividade dos colonatos

A Rússia exorta Israel para que acabe com todas as actividades de colonização na Cisjordânia, declarou este domingo, durante uma visita à Síria, o enviado especial ao Médio Oriente de Moscovo, Alexander Saltanov.

Após uma reunião com o Ministro dos Negócios Estrangeiros sírio Walid Muallem, o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros russo Alexander Saltanov declarou aos jornalistas: "Moscovo apela a um fim de todas as formas de actividades de colonização, incluindo o crescimento natural".

Durante o encontro, os diplomatas discutiram os meios de impulsionar o processo de paz na região, e constataram a "forte determinação da comunidade internacional para renovar o diálogo com o objectivo de resolver o conflito árabe-israelita", disse Saltanov.

A Rússia, juntamente com os outros três membros do Quarteto para o Médio Oriente - Organização das Nações Unidas, União Europeia e Estados Unidos – já concordara, numa reunião de Ministros dos Negócios Estrangeiros, em finais de Junho, que a única solução viável para o conflito israelo-palestino é a da criação de um estado palestino.

O Quarteto também concordou que a situação em Gaza é insustentável, e manifestaram sérias preocupações sobre a situação humanitária no enclave.

16 julho, 2009

À terceira foi de vez... Cynthia McKinney chega a Gaza

Cynthia McKinney

Fontes ligadas à ex-congressista americana Cynthia McKinney informaram que ela conseguiu entrar em Gaza através do Egipto.
Esta é a sua terceira tentativa.

As duas primeiras tentativas foram realizadas por mar, em colaboração com a organização de defesa dos direitos humanos “Free Gaza”.

Na primeira vez foi obrigada a voltar para trás devido ao navio onde seguia, o SS Dignity, ter sido abalroado em águas internacionais pela marinha israelita.
 SS Dignity, 2008.12.30
 
Na segunda tentativa foi sequestrada pelas forças navais israelitas que abordaram o barco, onde seguia, o apressaram e sequestraram todos os tripulantes e passageiros, os levaram para Israel, onde, no caso de Cynthia esteve detida por 7 dias até à sua expulsão por …”ter entrado ilegalmente em Israel”.

10 julho, 2009

Rabinos jejuam e apelam ao jejum de crentes e não crentes, em solidariedade com Gaza e pela Paz

Um grupo ad hoc de rabinos, Ta’anit Tzedek – Jewish Fast for Gaza (Jejum Judaico por Gaza), está a organizar um jejum comunal mensal para protestar contra as acções de Israel em Gaza, segundo informa a JTA ( Jewish Telegraphic Agency).

O jejum terá lugar na terceira quinta-feira de cada mês, desde o amanhecer ao pôr-do-sol, estando o primeiro jejum previsto para 16 de Julho.

Aos participantes está a ser pedido que assinem uma declaração no site do grupo, e que doem o dinheiro que pouparem em comida para a Campanha de Leite para o Pré-escolar, campanha patrocinada pela American Near Eastern Refugee Aid, uma campanha que tem por objectivo combater a desnutrição entre as crianças de Gaza, que frequentem o pré-escolar.

Os 13 rabinos que lançaram esta iniciativa - liderada pelo Rabinos Brian Walt, ex-diretor executivo da Rabbis for Human Rights - North America (Rabinos para os Direitos Humanos - América do Norte) e Brant Rosen da Congregação Judaica Reconstrucionista de Evanston, Illinois - disseram que o projecto é baseado na tradição judaica, em que "um jejum comunitário é realizado em momentos de crise, tanto como uma expressão de luto como um apelo ao arrependimento."

Os organizadores declararam ainda que o jejum tem quatro objectivos:
  • Apelar para o levantamento do bloqueio israelita da Faixa de Gaza, que está em vigor desde a vitória eleitoral do Hamas, no início de 2006;
  • Prestar ajuda humanitária e ao desenvolvimento para o povo de Gaza;
  • Apelar a Israel, aos Estados Unidos e à comunidade internacional para que negoceiem com o Hamas para pôr fim ao bloqueio;
  • Exortar o governo dos Estados Unidos para "que envolva vigorosamente tanto israelitas como palestinos na direcção de uma resolução justa e pacifica do conflito."
Para se inscrever nesta iniciativa não precisa de professar a religião judaica, nem sequer ser crente, basta apenas ser um ser humano solidário e pode sempre moldar o seu contributo à sua capacidade e disponibilidade fisica.