15 maio, 2009

NAKBA (a catástrofe) 61 anos depois

A convite do MPPM, Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, - a quem agradecemos a cedência do texto que a seguir apresentaremos - a Senhora Embaixadora Randa Nabulsi, Delegada-Geral da Autoridade Nacional Palestina, evoca a NAKBA, 61 anos depois, nos seguintes termos:


A 29 de Novembro de 1947 as Nações Unidas aprovaram a Resolução 181 que recomendava a Partilha da Palestina histórica num Estado israelita, para menos de 20% de habitantes representados por colonos provenientes na sua maioria da Europa, sobre 51% do território e um Estado palestino nos outros 49%, para um milhão de Palestinianos. Esta divisão, apesar de demograficamente desigual, nunca chegou a efectuar-se.

Entre a decisão de partilha e o dia 15 de Maio de 1948, dia oficial do fim do mandato britânico e a declaração do Estado de Israel, houve uma verdadeira guerra de limpeza étnica que foi relatada historicamente por inúmeros escritores e pensadores.
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Talvez tenha sido Ilan Pappe, o historiador israelita quem mais relatou e transmitiu as realidades desta guerra através do seu livro denominado “A Limpeza Étnica da Palestina” e baseado em documentos “libertados” pelo governo israelita há mais de dois anos.
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Neste livro, o escritor relata palavra por palavra e detalhadamente como nasceu a questão dos refugiados, as aldeias completamente destruídas e os massacres cometidos contra o povo palestiniano.

Com a guerra de 1948, iniciou-se um processo de ocupação territorial em benefício dos emigrantes judaicos e da limpeza étnica da população palestiniana que foi seguindo o seu percurso fatídico até aos dias de hoje.
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O primeiro afastamento da população palestiniana foi levada a efeito por milícias sionistas provocando um êxodo massivo de 750.000 palestinianos que se converteram em refugiados. Junto com os seus descendentes, representam hoje em dia cerca de cinco milhões de pessoas refugiadas além de um milhão e meio a viverem na Faixa de Gaza, a maioria dos quais já havia sido desalojada dos territórios em 1948, 2 milhões na Cisjordânia e 1 milhão e meio de Palestinianos, cristãos e muçulmanos que representam 20% da população de Israel.

Aquela primeira ofensiva das milícias sionistas (consideradas grupos terroristas pela comunidade internacional) culminou a 15 de Maio de 1948 com a proclamação unilateral do Estado de Israel por Bem Gurion.
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Esta data ficou gravada na memória do povo palestiniano como o dia fatídico da derrota, o massacre e o exílio forçado. É relembrada a cada 15 de Maio e conhecida pelo nome de “Nakba”, a catástrofe/ a desgraça.

A resolução 194 das Nações Unidas de 11/09/1948 que exigia à comunidade internacional cumprir o direito do regresso dos refugiados palestinos e garantir a respectiva indemnização foi condição para entrada de Israel nas NU mas esta resolução continua sem implementação e a ser anualmente recordada na Assembleia Geral das Nações Unidas Sob o tema: Palestina, os Direitos Inalienáveis.
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Durante estes longos 61 anos e até hoje, o Estado de Israel pratica nos Territórios Palestinos Ocupados uma politica de expansão e imposição de factos no terreno, construção de uma rede imparável de colonatos, violação dos direitos fundamentais e políticos da população civil palestiniana, anexação de terras e recursos hídricos, castigos colectivos, isolamento das populações e restrição de movimento dos cidadãos através de controlos militares (check points) cerca de 650 fixos além dos temporários, o muro de separação racista, detenções (11 mil prisioneiros alguns dos quais já ultrapassaram os 37 anos nas prisões israelita), expulsões, torturas, assassinatos, bombardeamentos….
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Ignorando as resoluções das NU e de outros organismos internacionais, Israel continua praticando uma política de colonização e expulsão. Continua ampliando o número e tamanho dos colonatos israelitas na Cisjordânia e em Jerusalém onde tem vindo a instalar cerca de meio milhão de colonos.

Após 61 anos o povo palestiniano, apesar de todas as injustiças que tem vindo a sofrer, resiste firmemente aos seus direitos.
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Resiste contra um Estado militar e confessional que se apoia num “lobby” internacional sionista muito poderoso, que se nega a acatar as resoluções das NU especialmente a 243 e a 338 que insistem na retirada de Israel dos territórios árabes ocupados e a 194 e a 3236 que reconhecem o direito de regresso dos refugiados assim como a declaração do Tribunal Internacional de Haia de 2004 sobre o rápido derrube do muro de separação racista. Sem o apoio e consentimento internacional, o estado ocupante de Israel não poderia ter mantido todos estes anos a incomensurável injustiça contra todo um povo. Os 86 vetos americanos no Concelho de Segurança ajudaram a fazer com que Israel seja um país acima de lei.
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Apesar de se recordarem agora os 61 anos da Nakba (desgraça) os palestinos não desistem, continuam e continuarão a insistir no direito ao estabelecimento do seu estado independente nos territórios ocupados em 1967 com Jerusalém oriental como sua capital e encontrar uma solução justa para a questão do regresso dos refugiados.

O Povo Palestiniano nada mais pede do que aquilo que lhe foi concedido pelas resoluções das NU, pela comunidade e legalidade internacionais de acordo com os direitos humanos se é que, e esperamos que sim, ainda exista algum respeito e consideração por aqueles conceitos e resoluções.

Ao relembramos os 61 anos da Nakba (catástrofe/desgraça), lembramos 61 anos do sofrimento que vivemos, os massacres, a tortura e a miséria nos campos dos refugiados nos países vizinhos.
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61 anos da Nakba, é altura de mais uma vez exigirmos de todos os governos europeus que assumam a sua obrigação de fazer cumprir as resoluções das NU assim com as obrigações estabelecidas pelo Tribunal Internacional de Justiça sobre a ilegalidade do muro de separação racista.
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A criação pela União Europeia de uma comissão e tribunal especial que investigue as violações cometidas por Israel em relação aos Convénios, ao Direito Internacional e especificamente sobre o regime de “apartheid” que têm vindo a desenvolver assim como as suas violações à IV Convenção de Genebra e crimes contra a humanidade na sua campanha de isolamento e genocídio contra um milhão e meio de cidadãos que vivem na Faixa de Gaza.

Israel conta com a ideia de que os mais velhos irão morrer e os mais novos irão esquecer-se. Morrerão os mais velhos, mas os mais novos, geração após geração, continuam a ter na mão as chaves das casas dos pais e as escrituras das suas terras para um dia regressarem… As novas gerações mostram-se lutadoras e ligadas às aspirações da sua identidade e de uma pátria própria não desistindo do direito ao regresso, à independência e ao estabelecimento do Estado Palestiniano independente com Jerusalém como capital.

13 maio, 2009

Jornalista israelita detida por estar onde as notícias acontecem

A polícia de Israel deteve ontem, terça-feira, a laureada jornalista israelita, correspondente do Haaretz, Amira Hass após esta ter regressado da Faixa de Gaza, onde se encontrava nos últimos meses por motivos profissionais.

Amira Hass foi detida num posto de controlo quando saia da Faixa de Gaza e levada para interrogatório, acusada de violar uma lei que proíbe um cidadão de Israel de residir num estado inimigo.

Posteriormente foi libertada sob fiança após ter-se comprometido a não entrar na Faixa de Gaza nos próximos 30 dias.

Amira Hass é a primeira jornalista israelita a entrar na Faixa de Gaza nos últimos dois anos, desde que as Forças de Defesa de Israel proibiram a sua entrada na Faixa de Gaza no seguimento da captura do soldado Gilad Shalit, em 2006, por militantes palestinos.

Em Dezembro passado, mais precisamente no dia 1, Amira Hass já tinha sido presa, no posto de controlo de Erez quando regressava a Israel, após ter entrado na Faixa de Gaza, por mar, há semanas atrás, a bordo do “Dignity”, um navio do movimento internacional “Free Gaza”, que pela segunda vez rompia o bloqueio naval israelita a Gaza, para assim fazer a cobertura do evento.

Ao descobrirem que ela não tinha autorização para estar em Gaza, os soldados transferiram-na para o posto de polícia de Sderot.

Quando questionada, Amira Hass salientou que ninguém a tinha proibido de entrar na Faixa de Gaza, o que fizera, como jornalista, para trabalhar.

Hass foi libertada em seguida, sob medidas de coação, e o Superintendente Shimon Nahmani, comandante da polícia em Siderot, disse então que o seu caso seria levado a tribunal.

Também por essa ocasião a presidente do Conselho de Imprensa Dalia Dorner, que anteriormente exercera funções no Supremo Tribunal de Justiça, comentou que, mesmo os jornalistas estão sujeitos à lei e o Conselho não pode defender um repórter que viole a lei. Em vez disso, afirmou, os jornalistas deveriam apresentar uma petição ao Supremo Tribunal de Justiça contra a ordem do exército.

Amira Hass In: Wikipedia

Amira Hass é uma proeminente jornalista e escritora israelita conhecido principalmente pela sua coluna no jornal Ha'aretz. É particularmente reconhecida pelo seu trabalho jornalístico sobre os assuntos palestinos, desde a Cisjordânia e Gaza, onde também viveu durante alguns anos.Filha de dois sobreviventes do Holocausto (Bergen-Belsen), Amira Hass nasceu em Jerusalém, e foi educada na Universidade Hebraica de Jerusalém, onde estudou a história do nazismo e a Esquerda Europeia com o Holocausto.

No início de sua carreira, viajou bastante e tendo tido diversos empregos.

Frustrada com os acontecimentos da Primeira Intifada, iniciou a sua carreira jornalística, em 1989, como editora do jornal israelita Ha'aretz, tendo, a partir de 1991, passado a trabalhar directamente dos territórios palestinos.

Vivendo, desde 1993, na Faixa de Gaza, e em Ramallah, desde 1997, a partir de 2003, ela é a única jornalista judia israelita que vive a tempo inteiro, entre os palestinos.

Amira Hass recebeu em 2000, o prémio Press Freedom Hero instituído pelo International Press Institute, em 2002, o galardão Bruno Kreisky Human Rights Award, em 2003, o prémio da UNESCO, Guillermo Cano World Press Freedom Prize, e em 2004, o galardão inaugural atribuído pelo Anna Lindh Memorial Fund.

O seu trabalho é geralmente solidário com o ponto de vista palestino e crítico da política do governo israelita para com os palestinos.

No entanto, durante os anos da Intifada de Al-Aqsa, no entanto, altamente Amira Hass publicou diversos artigos altamente críticos sobre o caos e a desordem causada pelas milícias associadas ao partido Fatah de Yasser Arafat e à sangrenta guerra entre facções palestinas em Nablus.A sua descrição dos acontecimentos, e a expressão de opiniões que contrariam as posições oficiais, quer israelitas, quer palestinas expôs Amira Hass aos ataques verbais, e à oposição de ambas as autoridades, israelitas e palestina.

Recentemente Amira Hass definiu Israel como um estado apartheid, com privilégios reservados principalmente para os judeus. Afirmando:

“Os palestinianos, como povo, estão divididos em subgrupos, algo que faz lembrar a África do Sul sob a lei do apartheid.”

Em Junho de 2001, a Juíza Rachel Shalev-Gartel, Magistrada do Tribunal de Jerusalém decidiu que Hass tinha difamado a comunidade judaica do colonato de Beit Hadassah, em Hebron, e sentenciou-a a pagar 250.000 shekels (cerca de 60,000 dólares) por danos.

Amira Hass havia relatado o testemunho de palestinos que viram colonos israelitas a profanar o corpo de um militante palestino que tinha sido morto pela polícia israelita; os colonos alegaram que tal nunca acontecera e que Hass tinha contado a história com intenções malévolas.
O juiz presidente decidiu em favor dos colonos.
O Ha'aretz declarou que não teve tempo para organizar a defesa do caso, e anunciou que iria recorrer da decisão.

Hass fez notar que tinha apresentado informações adquiridas a partir da comunidade palestiniana, e afirmou que era da responsabilidade dos editores de jornal fazer o cruzamento da informação com as outras entidades envolvidas FDI e comunidade do colonato.
A 1 de Dezembro de 2008, Amira Hass, que havia viajado para Gaza a bordo de um navio do Movimento “Free Gaza”, um movimento internacional de direitos humanos, furando assim o bloqueio marítimo a Gaza, foi detida pela polícia israelita, no seu retorno a Israel por estar em Gaza sem licença.

A 12 de Maio de 2009 Amira Hass foi novamente presa pela polícia israelita num posto de controlo entre a Faixa de Gaza e Israel, quando mais uma vez regressava a Israel, acusada de violar uma lei que proíbe um cidadão de Israel de residir num estado inimigo.

10 abril, 2009

Entrevista do Embaixador de Israel em Portugal ao DN

O embaixador de Israel em Portugal, Ehud Gol, deu uma entrevista ao DN, conduzida pela jornalista Lumena Raposo.
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Aqui se transcreve e se comenta.
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"O embaixador de Israel em Lisboa recusa a ideia de uma eventual crise entre o seu país e Washington, ao mesmo tempo que apela à comunidade internacional para ajudar a pressionar o Irão para que este não se dote da arma nuclear.

Fonte do gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu diz que, em termos de processo de paz, o Governo está disposto a trabalhar com os EUA mas o ministro do Ambiente, Gilad Erdan, afirmou que Israel não recebe ordens dos EUA. Está o Governo a falar a duas vozes?

Só temos um primeiro-ministro, que está no poder há pouco mais de uma semana. E, no início, há ministros que fazem declarações para se afirmarem na cena política israelita. Mas posso garantir que é o primeiro-ministro quem toma as decisões e que, no futuro, cada ministro apenas fará declarações que se relacionam com a pasta que chefia.

De qualquer modo a declaração do ministro foi muito forte...

Acredito que os EUA entendem que Erdan é apenas o ministro do Ambiente e que lhe dão a importância adequada.

Não há o perigo de uma crise com os EUA?

Não; absolutamente. Não é a primeira vez nem será a última que o ministro do Ambiente, ou de qualquer outra pasta, fará declarações desse tipo mas ninguém dá importância."
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Tal como o Senhor Embaixador se refere de forma desprestigiante a um ministro do seu Governo, o Senhor Gilad Erdan, membro do Likud, ainda presidente da sua Juventude (aos 38 anos?) e que foi colocado em terceiro lugar nas listas do Likud, nas últimas eleições, eu entendo que as suas declarações valem o que valem, vindas de quem vêm.

O que se deve reter é que o Senhor Gilad Erdan é um político muito influente no Likud, conhecido pelas suas propostas extremistas para a “solução palestina”.


"O Presidente Barack Obama, no discurso que fez na Turquia, insistiu na solução dos dois estados (Israel e Palestina) como forma de pôr termo ao conflito entre os dois povos. Qual a opção de Netanyahu?

O Governo israelita está empenhado em respeitar todos os acordos que foram assinados pelos anteriores executivos. É o que acontece em todos os países democráticos e não vamos criar novas regras. Estamos comprometidos com o Roteiro para a Paz, documento que é muito claro na sequência do passos a dar em termos negociais e na posição face ao terrorismo. O Roteiro para a Paz fala especificamente do fim do terrorismo mas este ainda não acabou."

O Senhor Embaixador também sabe que o Road Map é um documento sem conteúdo, face às 14 provisões ditadas por Israel e assim há que sistematizar o que até hoje foi sendo acordado, - normalmente sem ser posto em prática - e dar novos passos em frente.

E sabe que, se por um lado, ainda não acabou o “terrorismo”, ou seja a luta de auto-determinação do povo palestino desapossado das suas terras e oprimido pelo colonialismo cada vez mais racista de Israel, também continua o desenvolvimento agressivo de colonatos e das suas infra-estruturas, desapossando os palestinos das suas terras, na sua própria terra, destruindo as suas casas, fazendo razias em qualquer lugar e em qualquer momento, levando na rede alegados “terroristas” e gente que nada fez, apenas porque é mais um árabe.

"Como vai 'Bibi' lidar com o terrorismo? Vai responsabilizar, como antes, o presidente da Autoridade Palestiniana (AP)?

O que precisamos é que o presidente palestiniano faça 100% de esforços para acabar com o terrorismo; não lhe podemos exigir que tenha 100% de resultados. O mesmo acontece connosco: Netanyahu não tem a ilusão de que pode acabar a 100% com o terrorismo. Sabemos que é impossível; já o sabíamos quando iniciamos a operação contra Gaza.

Em sua opinião como se pode solucionar o problema de Gaza?

Sendo muito, muito claros na oposição ao Hamas. A mais pequena insinuação de que 'temos de falar com o Hamas, temos de tê-lo em consideração', encoraja o terrorismo e não ajuda o processo de paz. O diálogo com o Hamas só pode acontecer quando, como fez a Fatah [de Yasser Arafat], se convencer que não pode destruir Israel e retirar essa cláusula da sua Carta."

Se Gaza, com o seu milhão e meio de seres humanos a viverem em condições infamantes devido ao cerco que há quase três anos impôs Israel, agravadas pela destruição massiva das suas infra-estruturas básicas, pela última agressão israelita, deve estar no centro das nossas preocupações, não devemos tirar os olhos do que se passa nos territórios ocupados da Cisjordânia.

Na Cisjordânia em geral e em Jerusalém Oriental, em especial, onde quotidianamente Israel exerce uma opressão negra, expressão do fascismo emergente. Palestinos expulsos dos seus lares, casas destruídas, terrenos expropriados, olivais derrubados, terras e culturas destruídas, comércio e pequenas industrias encerrados, e mortos e feridos e prisioneiros políticos da resistência.

É a tentativa de destruir a base de sobrevivência de todo um povo para que abandone sua Terra-Mãe, tão somente para que o colonato sionista se erga e que o Ertz Yisrael se concretize.

O Senhor Embaixador também sabe que quando Israel aceitou finalmente dialogar com Yasser Arafat, a destruição de Israel era ainda um objectivo inscrito na Carta da OLP e também sabe que Israel, desde há muito que dialoga com o Hamas – é certo que através de negociadores egípcios e por outros canais, mas dialoga.

Aliás a paz faz-se negociando com o inimigo. Israel sabe disso. Mas Israel não quer a Paz. Israel só fará a paz sob pressão. Porque cada dia que passa é mais um pouco de terra ocupada que absorve, e quando o momento limite de fazer a paz chegar, irá jogar para cima da mesa “os factos consumados” – mais de meio milhão de judeus (494 mil em 2006), nos colonatos, em terras ocupadas da Palestina.
"Segundo jornais israelitas, para Netanyahu impedir o Irão de se dotar da bomba nuclear é uma missão quase religiosa...

Esse problema não é só israelita. O Irão é um risco maior para toda a civilização ocidental; quer destruir Israel, o mundo árabe moderado, a Europa, a América. Acredito se trabalharmos juntos podemos neutralizar a ameaça do Irão. E isso pode ser feito através da via diplomática, de sanções económicas, em várias etapas, não tem necessariamente que ser através da solução militar."

Eu concordo que o Irão deverá ser convencido a não se dotar com armas nucleares, pela via do diálogo, no quadro do respeito pela sua soberania e do direito internacional. Aliás o que se deveria propor seria a desnuclearização de todo o Médio Oriente, o que obviamente significaria o desarmamento nuclear de Israel, que detém, pelas últimas estimativas, entre 250 a 200 vectores nucleares.

As medidas que o Senhor Embaixador preconiza para o Irão, são as medidas que se deverão impor desde já a Israel, para que passe a respeitar os direitos humanitários e o direito internacional.

"Avigdor Liberman, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros, está a ser interrogado por corrupção. O que acontecerá se for considerado culpado?

Terá de deixar o poder. Isto é algo de que nos orgulhamos. No nosso país, toda a gente é igual perante a lei - quer seja primeiro-ministro ou presidente. Por vezes, e porque são políticos, pagam um preço mais alto do que o comum dos mortais. Não toleramos erros à pessoa mais simples e à mais poderosa. Foi um erro adiar [o processo de investigação], devíamos ter actuado antes e não esperar por agora que é MNE."

Olmert sobre quem recaiem graves acusações de corrupção apresentou a sua demissão em 21 de Setembro de 2008 à cause e saiu só agora do Governo… E a investigação já se arrasta desde…2007?

"Qual a decisão mais difícil que espera o Governo de Israel?

O processo de paz. Queremos a paz mas não a qualquer preço. Nunca colocaremos a nossa sobrevivência em risco."

Desde há muito que a questão da sobrevivência de Israel não se põe. No dia que Israel quiser de facto a paz, ela será realizada.

23 março, 2009

Um documento jurídico, por Uri Avnery

(Nota: Os destaques e paginação são da nossa responsabilidade)
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A MAIS importante frase escrita em Israel esta semana foi perdida no tumulto geral de excitantes eventos.

Realmente emocionante: Num acto final da vilania, típico de todo o seu mandato como primeiro-ministro, Ehud Olmert abandonou o soldado Gilad Shalit, ao seu cativeiro.

Ehud Barak decidiu que o Partido Trabalhista deve aderir ao governo ultra-direitista, que inclui completos fascistas.

E isto, também: o ex-presidente de Israel foi oficialmente indiciado por violação.

Nesta cacofonia, quem iria tomar atenção a uma frase escrita por advogados num documento apresentado ao Supremo Tribunal?

A DISCUSSÃO JURIDICA diz respeito a uma das leis mais revoltantes alguma vez promulgada em Israel.

Diz que à esposa de um cidadão israelita não é permitido a ele se juntar, em Israel, se ela viveR nos territórios palestinos ocupados ou num país árabe "hostil".

Os cidadãos árabes de Israel pertencem a Hamulas (clãs), que ultrapassam as fronteiras do estado. Árabes geralmente casam dentro do seu Hamula. Este é um antigo hábito, profundamente enraizado na sua cultura, provavelmente originário do desejo de manter a propriedade da família em conjunto. Na Bíblia, Isaac casou com a sua prima, Rebecca.

A “Linha Verde”, que foi fixada arbitrariamente pelos acontecimentos da guerra de 1948, divide famílias.

Uma aldeia “encontrou-se” em Israel, a próxima permaneceu fora do novo Estado, o Hamula vive em ambas. A Nakba também criou uma grande diáspora palestina.

Um cidadão árabe, do sexo masculino, em Israel, que deseje casar com uma mulher do seu Hamula irá encontrá-la muita das vezes na Cisjordânia ou num campo de refugiados no Líbano ou na Síria.

A mulher, geralmente, irá juntar-se ao seu marido, levada pela sua família.

Em teoria, o seu marido poderia juntar-se a ela em Ramallah, mas o padrão de vida de lá é muito inferior, e toda a sua vida - família, trabalho, estudos - está centrado em Israel.

Devido à grande diferença no padrão de vida, um homem, dos territórios ocupados, que case com uma mulher de Israel também irá normalmente juntar-se a ela e receber a cidadania israelita, deixando para trás a sua antiga vida.

É difícil saber quantos palestinos, homens e mulheres, têm chegado a Israel, durante os 41 anos da ocupação israelita, e que, desta forma, se tornaram cidadãos.

Um departamento governamental fala de vinte mil, outro de mais de uma centena de milhar. Seja qual for o número, o Knesset adoptou uma lei (oficialmente "temporária") para pôr fim a este movimento.

Como é habitual entre nós, o pretexto foi a segurança. Afinal, os árabes que estão naturalizados em Israel poderiam ser "terroristas". Verdadeiro é nunca terem sido publicadas estatísticas sobre esses casos - se existem. Mas desde quando é que uma afirmação sobre "segurança" necessita de evidências para se comprovar?

Por trás do argumento da segurança espreita, naturalmente, o demónio demográfico.

Os árabes constituem agora cerca de 20% dos cidadãos de Israel. Se o país vier a ser inundado por uma torrente de noivas e de noivos árabes, esta percentagem poderá subir até - Deus nos livre! - 22%. Como é que o "Estado judeu" parecerá então?

O assunto chegou até ao Supremo Tribunal. Os peticionários, judeus e árabes, argumentaram que esta medida contradiz as nossas Leis Básicas (o nosso substituto para uma inexistente Constituição) que garantem a igualdade de todos os cidadãos.

A resposta dos advogados do Ministério da Justiça deixa o gato fora do saco. Nela se afirma, pela primeira vez, em linguagem clara, que:

"O Estado de Israel está em guerra com o povo palestiniano, pessoas contra as pessoas, colectivo contra colectivo."


DEVE-SE ler esta frase várias vezes para apreciar todo o seu impacto.

Esta não é uma frase que escapou da boca de um político em campanha eleitoral e que desapareceu ao respirar, mas uma frase escrita por advogados cautelosos, pesando cuidadosamente cada letra.

Se nós estamos em guerra com "o povo palestino", isto significa que cada palestino, esteja, ele ou ela, onde estiver, é um inimigo. Isso inclui os habitantes dos territórios ocupados, os refugiados dispersos por todo o mundo, bem como os cidadãos árabes de Israel propriamente dito.

Um pedreiro de Taibeh, em Israel, um agricultor perto de Nablus, na Cisjordânia, um polícia da Autoridade Palestina, em Jenin, um combatente do Hamas, em Gaza, uma menina numa escola no acampamento de refugiados de Mia Mia, perto de Sidon, no Líbano, um gerente de loja, naturalizado americano, em Nova York - "colectivo contra colectivo".

Evidentemente, que os advogados não inventaram este princípio. Tem sido aceite desde há longo tempo na vida quotidiana, e todas as armas do governo agem em conformidade.

O exército desvia os olhos, quando um posto avançado "ilegal" é estabelecido na Cisjordânia, sobre a terra dos palestinos, e envia soldados para proteger os invasores.

Os tribunais de Israel habitualmente impõem penas mais severas aos árabes arguidos do que aos judeus culpados de crime idêntico.

Os soldados de uma unidade do exército encomendam T-shirts mostrando uma mulher grávida árabe com a reticula de uma mira de espingarda sobreposta na sua barriga e as palavras "1 tiro, 2 mortes" (como publicado no Haaretz).

ESTES ANÓNIMOS advogados talvez devessem receber agradecimentos pela ousadia em formular num documento judicial a realidade que anteriormente tinha sido escondida.

A simples realidade é que 127 anos após o início da primeira onda de imigração judaica, 112 anos após a fundação do movimento sionista, 61 anos após o estabelecimento do Estado de Israel, 41 anos após o início da ocupação, a guerra israelo-palestina continua, ao longo de todas as frentes, sem diminuir de vigor.

O objectivo inerente à aventura sionista foi e é de transformar o país - pelo menos até ao rio Jordão - num estado judeu homogéneo.

Ao longo da história sionista-israelita, este objectivo não foi abandonado nem por um momento. Cada célula do organismo israelita contém este código genético e, portanto, age em conformidade, sem a necessidade de uma directiva específica.

Na minha imaginação vejo este processo como o impulso de um rio para chegar ao mar. A ânsia de um rio pelo mar não lhe reconhece qualquer direito, excepto o decorrente da lei da gravidade.

Se o terreno o permitir, vai correr em linha recta, claro, se não - vai cortar um novo leito, torcer como uma cobra, virar à direita e à esquerda, rodar em torno de obstáculos. Se necessário, dividir-se-á em novos cursos. De tempos em tempos, novos arroios se lhe irão juntar. E a cada minuto irá lutar para chegar ao mar.

O povo palestino, evidentemente, opõe-se a este processo. Eles recusam-se a mover, colocando barragens, tentando empurrar o fluxo de volta.

É verdade que, há mais de cem anos têm vindo a recuar, mas nunca se renderam. Eles continuam a resistir com a mesma persistência que o avanço do rio.

TUDO ISTO tem sido associado, do lado israelita, a uma obstinada recusa, usando de mil e uma formas, pretextos, slogans e santimoniais inverdades. Mas de vez em quando um inesperado flash de luz mostra o que está realmente acontecendo.Isso aconteceu esta semana quando, uma das escolas preparatórias pré-militares, criada para educar futuros oficiais, convocou uma reunião de antigos alunos, a maioria deles em serviço activo ou na reserva, e incentivou-os a falar livremente sobre suas experiências.

Uma vez que muitos deles tinham acabado de regressar da Guerra de Gaza, e as coisas ainda estavam “queimando nos seus ossos” (como se diz em hebraico), informações chocantes foram divulgadas. Estas rapidamente encontraram o seu caminho para os mídia e aí foram publicados em toda a sua extensão, nos jornais e na televisão.

Para os leitores desta coluna, por certo que não foi uma surpresa. Já antes tinha escrito sobre elas, por exemplo, no meu artigo "Bandeira Negra" (31 de Janeiro de 2009) [aqui reproduzido em português, a 3 de Março] e Amira Hass e Gideon Levy têm recolhido depoimentos de testemunhas oculares, habitantes de Gaza, relatando basicamente as mesmas histórias.

Mas há uma diferença: desta vez, os dados são divulgados pelos próprios soldados, aqueles que tomaram parte nos eventos ou viram com os seus próprios olhos.

O exército estava Chocado. Surpreso. Revoltado.

O Mentiroso oficial do Exército, que ostenta o título do Porta-voz do Exército, tinha anteriormente negado qualquer coisa do género.

Agora, ele promete que o exército irá investigar cada incidente ", conforme o caso o possa exigir".

O Procurador-Geral Militar ordenou, ao ramo de investigação da polícia militar, a abertura de um inquérito.

Uma vez que o mesmo Procurador-geral já tinha vindo gabar-se, no passado, que os seus oficiais haviam sido colocados, durante toda a guerra, em todos os postos de comando das linhas da frente, qualquer um teria de ser mais do que ingénuo para levar a sua declaração a sério.

Podemos confiar no exército para garantir que nada de tangível emergirá a partir da investigação.

Um exército investigando-se - tal como qualquer instituição investigando-se - é uma farsa.

Neste caso é ainda mais do que ridículo, uma vez que os soldados têm o dever de testemunhar sob os olhos de seus comandantes, enquanto os seus camaradas estão a ouvir.

Na reunião dos antigos alunos, eles falaram livremente, acreditando que apenas os presentes iriam ouvir. Mesmo assim, eles precisaram de muita coragem para falar. E uma vez que cada um deles poderia falar apenas sobre o que tinha acontecido na sua proximidade imediata, apenas alguns casos foram trazidos. O exército tem a intenção de investigar apenas essas pessoas.

Mas o quadro é muito mais vasto. Ouvimos falar de muitos casos do mesmo tipo, e eles foram claramente um fenómeno generalizado.

Uma mulher e os seus filhos foram expulsos por soldados da sua casa no meio dos combates e imediatamente a seguir mortos, a curta distância, por outros soldados que tinham ordens para atirar sobre tudo o que se movesse.

Pessoas idosas e crianças, caminhando em terreno aberto, foram fuziladas a sangue frio por atiradores, que as viam claramente através da sua mira telescópica, que tinham ordens para que todos os que se movessem deviam ser considerados "terroristas".

Casas foram destruídas sem qualquer razão, simplesmente porque estavam lá.

Pertences dentro dos apartamentos foram vandalizado apenas para diversão "porque pertencem a árabes".

Soldados destruíram sacos de alimentos destinados pelas agências da ONU para a população faminta, porque "iam para os árabes".

Eu sei que estas coisas acontecem em todas as guerras. Um ano após a guerra 1948, escrevi um livro sobre elas chamado "O outro lado da moeda".

Todos os exércitos combatentes têm a sua quota de psicopatas, de desajustados e de sadistas, lado a lado com soldados decentes. Mas mesmo alguns dos soldados normais podem ficar furiosos em batalha, perderem o sentido do certo e do errado e entrar em sintonia com o "espírito de unidade".

Algo aconteceu com o nosso exército.

Os seus comandantes não se cansam de chamá-lo "o mais moral dos Exércitos do Mundo" e isto transformou-se num slogan, como "Guinness é bom para si". Mas o que aconteceu durante a operação em Gaza testemunha uma enorme deterioração.
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Esta deterioração é um resultado natural da definição da guerra, tal como é utilizada no documento apresentado ao Supremo Tribunal.

Este documento deve despertar choque e condenação e servir como que um grito de alerta para todas as pessoas a quem o futuro de Israel é caro.

Esta guerra tem de acabar.

O rio deve ser canalizado para um leito diferente, de modo a que as suas águas tornem a terra fértil - antes que nos tornemos irreversivelmente bestializados aos nossos próprios olhos e aos olhos do mundo.

21 março, 2009

Imagens de cadáveres de bebés palestinos e de mesquitas bombardeadas viram moda.

"1 tiro 2 mortes"



Esta é a tradução possível – porque eu não sou um profissional - de um corajoso artigo de Uri Blau, publicado no Haaretz, que também assim honra o jornalismo independente.
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NB: Este post é ainda um "avanço" que irá ser completado e revisto durante o dia de hoje, pois o artigo é muito extenso. No entanto basta clicar no link acima indicado para ter o original disponível em inglês.
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A recepção da loja de impressão no sul Tel Aviv trata um fluxo constante de clientes, muitos deles soldados em uniforme, que vêm encomendar a personalização das suas roupas com a insígnia da sua unidade, geralmente acompanhada de um slogan e um desenho da sua escolha.

Algures, no local, os desenhos são transformadas em chapas utilizadas para imprimir os itens ordenados, principalmente T-shirts e bonés de basebol, mas também casacos com capuz, anoraques e calças.

Um jovem árabe de Jaffa supervisiona os trabalhadores que imprimem as palavras e imagens, e posteriormente o produto acabado. Cadáveres de bebés, mães chorando sobre a sepultura das suas crianças, uma mira de uma arma centrada numa criança e mesquitas bombardeadas - são alguns dos exemplos das imagens que soldados das Forças de Defesa de Israel mandam imprimir, nos dias de hoje, para marcar o fim da sua formação, ou do seu tempo de serviço.

As frases que acompanham os desenhos também não são exactamente anémicas:

Uma t-shirt para snipers de infantaria ostenta a inscrição "O melhor é usar Durex", e a foto de uma mãe palestina chorando, agarrada ao seu bebe morto, com um ursinho ao lado dele.

Uma t-shirt de um atirador especial da Brigada Givati, do Batalhão Shaked, mostra uma mulher grávida palestina com uma mira sobreposta sobre a barriga, com o slogan, em inglês, "1 tiro, 2 mortos".

Uma camisa de "fim-de-curso", para aqueles que completaram um outro curso de snipers, mostra o desenvolvimento em três fases de um bebé palestino. De bebé, a jovem combativo, terminando num adulto armado, com a inscrição: "Não importa como começa, vamos por um fim a isto."
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Há também muito de camisetas com mensagens sexuais flagrantes.

Por exemplo, o batalhão Lavi produziu uma camiseta com um desenho de um soldado ao lado de uma jovem mulher com contusões, e a inscrição, "Aposto que foi violada!"

Nalgumas das imagens ressaltam acções cuja existência o exército nega oficialmente - como "a que confirma a morte" (disparar uma bala na cabeça de um inimigo à queima roupa, para garantir que ele está morto), ou danificar sítios religiosos, ou fazer mal a mulheres ou crianças não-combatentes.

Em muitos casos, o conteúdo é apresentado para aprovação de um dos comandantes da unidade. Este último, porém, nem sempre tem controlo sobre o que fica impresso, porque as ilustrações são uma iniciativa privada de soldados, de que eles nunca ouviram falar.

Desenhos ou slogans anteriormente proibidos em algumas unidades têm sido aprovados para distribuição noutras unidades.
Por exemplo, camisas com a inscrição, "We won't chill 'til we confirm the kill" (Nós não arrefecemos, até confirmar que morreu" foram proibidas no passado (o IDF alega que a prática não existe), mas o batalhão Haruv imprimiu algumas no ano passado.
O slogan "Deixem que todas as mães árabes saibam que o destino dos seus filhos estão nas minhas mãos!" tinha sido anteriormente proibido de usar numa camisa de uma outra unidade da infantaria.

Um soldado da Brigada Givati, declarou esta semana, no entanto, que no final do ano passado, o seu pelotão imprimiu dúzias de camisetas, jaquetas e calças com este slogan.

"Tem um desenho representando um soldado como o Anjo da Morte, ao lado de uma arma e de uma cidade árabe", explica ele. "O texto era muito poderoso. A parte mais divertida foi a de que quando o nosso soldado chegou para receber a camisa, o homem que as imprimiu era um árabe, e o soldado sentiu-se tão mal que disse à jovem que estava no balcão para ir buscá-las."
Será que o projecto vai aos comandantes para aprovação?

Resposta do soldado da brigada Givati:

"Normalmente, as camisas sofrem um processo de selecção por parte de alguns oficiais, mas, neste caso, elas foram aprovadas a nível do sargento do pelotão. Encomendamos camisas para 30 soldados e eles foram realmente nessa, e todos quiseram vários itens e pagaram em média 200 NIS." [Cerca de € 37].

O que acha do slogan que foi impresso?

"Eu não gostei tanto, mas a maioria dos soldados sim".

Muitas das camisas que causaram controvérsia foram encomendadas por diplomados dos cursos de snipers, que juntam militares de diversas unidades.

Em 2006, soldados do curso "Carmon Team" para atiradores especializados de unidades de elite imprimiram uma camiseta com um desenho de um palestino empunhando uma faca, centrado na reticula da mira de uma arma e o slogan, "Você tem que correr rápido, correr rápido, correr rápido, antes que tudo acabe." Por baixo está um desenho de uma mulher árabe chorando sobre um túmulo e as palavras: "E depois eles choram, e depois eles choram." [As inscrições são frases de uma canção popular.] Outra camisa de um atirador também apresenta um homem árabe na mira, e o anúncio, "Tudo com a melhor das intenções".

G., um soldado de uma unidade de elite que realizou um curso de atiradores, explicou que, "é um tipo de processo de ligação e também é sabido que qualquer pessoa que é um sniper é confuso da cabeça.

As nossas camisas têm uma data de expressões de duplo sentido, como por exemplo: "Más pessoas com bons objectivos». Cada grupo que termina um curso coloca coisas como essas. "

Quando são essas camisas usadas?

G. "São camisas para usar em casa, para fazer jogging, para usar no quartel. Não para sair. Às vezes as pessoas podem perguntar de quê que se trata." Acerca das camisas que apresentam uma mulher grávida, sob a mira de uma arma, ele respondeu: "Há pessoas que pensam que não é correcto, e eu penso da mesma forma, mas isto realmente não significa nada. Quero dizer, não é provável que alguém vá e dispare sobre uma mulher grávida. "

Qual é a ideia por trás da camisa de Julho de 2007, que tem uma imagem de uma criança com o slogan "Smaller - harder!" (Menor – Difícil)?

"É um garoto, de modo que você tem um pouco mais de problemas, moralmente, e também o alvo é menor".

Os seus superiores aprovam as camisas antes da impressão? "Sim, embora houve uma vez que eles rejeitaram algumas camisas que eram demasiado radicais. Eu não lembro do que estava inscrito nelas."

Essas camisetas também parecem bastante radicais. Porquê desenhar uma mira sobre uma criança - você atira em crianças?

"Como atirador, você enfrenta um monte de situações extremas. De repente você vê um menino que pega numa arma e cabe-lhe decidir se atira. Essas camisetas são meio a brincar. Uma fronteira com a verdade, e reflectem as situações extremas que poderão encontrar. Aquele que é honesto-para-com-Deus vê o alvo com os seus próprios olhos – esse é o sniper."

Já encontrou uma situação como essa?

"Felizmente, não envolvendo um garoto, mas envolvendo uma mulher - sim. Houve alguém que não estava a segurar uma arma, mas que estava perto de uma área proibida e poderia ter colocado uma ameaça."

O que fez?

"Eu não atirei" (ou seja, não matou).

Não lamenta isso, imagino.

"Não. Mas em quem tenha de atirar, eu atiro".

Uma camiseta impressa, esta semana para os soldados do batalhão Lavi, que passou três anos na Cisjordânia, tem inscrito: "Chegámos, vimos, destruímos!" - A par de imagens de armas, um soldado zangado e uma vila palestina com uma mesquita arruinada ao centro.

Uma camiseta impressa após a Operação Cast Lead em Gaza, para o Batalhão 890 de pára-quedistas, retrata um soldado parecido com o King Kong, numa cidade sob ataque. O slogan é claro: "Se acredita que pode ser arranjado, então acredite que pode ser destruído!"

Y., um soldado/estudante da Torah, projectou a camisa. "Você arranja quem [na unidade] saiba desenhar e depois entrega aos comandantes antes da impressão", explicou.

O que é que o soldado tem na sua mão?

Y. "Uma mesquita. Antes de ter desenhado a camisa tinha algumas dúvidas, porque queria que fosse como o King Kong, mas não demasiado monstruoso.

A parte em que ele agarra a mesquita - Eu queria que ele tivesse um rosto com aparência mais normal, assim não seria parecido com um cartoon anti-semita.

Algumas das pessoas que viram isto disseram-me: 'É isso que tem que mostrar para as FDI? Que destrói casas? "

Sou capaz de compreender as pessoas que, ao olhar para isto de fora, a vejam desse jeito, mas eu estava em Gaza e eles [os comandantes] mantinham a ênfase, de que o objectivo da operação era a destruição da infra-estrutura, de modo que o preço, que os palestinianos e os seus dirigentes, iriam pagar os faria perceber de que não vale a pena para eles andar no tiroteio. Portanto, essa é a ideia do "viemos para destruir" no desenho."

De acordo com Y., a maioria destas camisetas são usadas estritamente no contexto militar, não na vida civil. "E dentro do exército as pessoas olham para isto de maneira diferente", acrescentou.

"Eu não penso em ir a pé pela rua com esta camisa, porque [a situação] pegaria fogo. Mesmo na minha yeshiva [escola religiosa judaica] penso que as pessoas não gostariam disto."

Y. Também veio com um projecto para imprimir a camisa da sua unidade no final da formação básica. Mostra um punho cerrado estilhaçando o símbolo do Corpo de pára-quedistas.

De onde lhe veio a ideia do punho?

"É uma reminiscência do símbolo de Kahane [rabino Meir Kahane (1)]. Apropriei-me dele a partir de algo na Rússia, mas basicamente é suposto parecer o símbolo de Kahane, o de “Kahane estava certo" - é uma espécie de piada. O nosso comandante de companhia é uma espécie de Gung-ho".

A camisa foi impressa?

"Sim. Era uma camisa para a companhia. Imprimimos cerca de 100 como essa."
(NB: Este texto está incompleto. Assim ainda irá sofrer actualizações)
(1) Rabi Meir David Kahane, (1de Agosto de 1932-5 de Novembro de 1990), um rabi ortodoxo israelo- americano, conhecido pelas suas ideias nacionalistas, baseadas no conceito do "Grande Israel". Fundador do partido nacionalista Kach, e por ele eleito para o Knesset. Em 1986 o Kach foi declarado como um partido racista pelo Governo de Israel e assim Kahane banido do Knesset. Acrescente-se que depois do massacre da Caverna dos Patriarcas, em 1994, - um massacre de árabes, incluindo crianças, enquanto rezavam, por Baruch Goldstein, um activista do Kach - o movimento foi declarado fora da lei.

Sobre este tema poderá ainda ler o Público .