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13 março, 2011

O Protesto de 12 de Março, pela dignidade, pela legalidade, pelo trabalho


Estive no protesto promovido pela “Geração à rasca”, em Lisboa, tal como tinha programado e antes do mais quero saudar os seus primeiros promotores e todos os outros que a tornaram possível e de seguida destacar o elevado civismo e tolerância, com que a mesma decorreu.

Se esta iniciativa já tivera um primeiro sucesso no Facebook, ao obter mais de 60.000 adesões; um segundo sucesso, ao conseguir a atenção prévia da comunicação social, que se multiplicou ao longo do tempo, dando-lhe uma visibilidade e cobertura, reservada apenas a poucos eventos de cariz político; hoje ao concretizar um protesto em 11 cidades de Portugal - não sei como correram os protestos convocados fora do país – pelo número de participantes – mais de 300 mil – e pela sua caracterização – maioritariamente jovens e porventura uma maioria de participantes, jovens e menos jovens, estreantes numa afirmação pública de indignação, podemos afirmar que o sucesso foi definitivo e para além de tudo o que fora sonhado.

Há quem pergunte e a seguir que fazer?

O diagnóstico está há muito feito. E hoje um frémito de indignação percorreu o país, nas ruas, e entrou nas casas de todos nós, exigindo uma solução. Não pode existir mais lugar à indiferença.

O relógio começou a contar. Aguarda-se uma resposta em tempo útil do Governo ou da Assembleia da República. Porque há muito que se pode fazer de imediato, mesmo com as constrições económico-financeiras actuais.

Num país democrático não podem ser consentidas ilegalidade. Comecemos por aí!

01 maio, 2010

1.º de Maio - Dia Internacional do Trabalhador: As origens. 120 anos de luta

O 1.º de Maio é o dia em que se homenageiam os mártires e os heróis - na esmagadora maioria anónimos cidadãoes e cidadãs -  que ao longo dos tempos sacrificaram a sua vida e o seu bem-estar para que os trabalhadores em geral conquistassem melhores condições de trabalho e de vida.

A data recorda a luta dos trabalhadores da industrializada cidade de Chicago, nos EUA, que no dia 1 de Maio de 1886, saíram em massa para as ruas reivindicando melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias.

A resposta ao movimento reivindicativo foi a repressão brutal, quer através das forças policiais, quer de bandos de mercenários contratados pelos patrões.

Decretou-se o  “Estado de Sítio” e a proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, mercenários pagos pelos patrões invadiram as casas de trabalhadores, espancando-os e às suas famílias e destruindo seus parcos pertences.

Os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel, foram presos e indiciados sob falsos pretextos.

O julgamento começou no dia 21 de Junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de Outubro.

Parsons, Engel, Fischer, Lingg e Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, a prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.

No dia 11 de Novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois que, entretanto, já se tinha suicidado.


Mártires de Chicago: Parsons, Engel, Spies e Fischer foram enforcados, Lingg (ao centro) suicidou-se na prisão.

Seis anos depois, o governo de Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniquidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.

A importância da luta iniciada nesse dia reflectiu-se na decisão do congresso fundador da Segunda Internacional 1), que teve lugar em Paris, entre 14 e 19 de Julho de 1889, de instituir o 1.º de Maio como o Dia Mundial do Trabalho.

Hoje como no passado o 1.º de Maio continua a ser um marco no longo e tortuoso caminho  pela defesa da dignidade humana, da justiça e progresso social e económico, da liberdade e pela democracia.

1) No centenário do início da Revolução Francesa, em 14 de Julho de 1889, reuniu-se em Paris um congresso operário marxista.  Os delegados representavam três milhões de trabalhadores. 

Esse congresso marca a fundação da Segunda Internacional, que agrupou inicialmente sindicalistas ingleses, anarquistas e socialistas franceses e italianos e republicanos italianos. O seu objectivo era a organização política do proletariado na Europa e no resto do mundo, assim como o de ser um fórum para analisar problemas comuns e propor linhas de actuação.