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22 julho, 2012

"Confissão de um terrorista" 

Mahmoud Darwish

Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista

Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas

Praticaram odiado apartheid
Destruíram,
dividiram,
humilharam
E me chamaram de terrorista

Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles...mataram um terrorista!

(Sem indicação de origem e tradução)






(Autor desconhecido)
Via FB: Maria Anjos Palma Baguinho

23 novembro, 2011

"NESTA TERRA" de Mahmud Darwich declamado por Omar Offendum

Omar Offendum declama "NESTA TERRA" de Mahmud Darwich em árabe e em inglês.

(Encontrará as palavras, em Português, na tradução de Albano Martins, que as publicou na colectânea de poemas de Mahmud Darwich, por si selecionados, intitulada "O Jardim Adormecido e outros poemas" e editada pela Campo das Letras. Tentei manter a organização original do texto )




NESTA TERRA

Nesta terra há coisas que merecem viver:                             a
hesitação de abril, o cheiro do pão ao amanhecer, as opiniões
duma mulher acerca dos homens, os escritos de Ésquilo, o
despertar do amor, a erva sobre as pedras, as mães erguidas
sobre um fio de flauta e o medo que a lembrança inspira
aos conquistadores.

Nesta terra há coisas que merecem viver:                   o fim
de setembro, uma mulher que entra nos quarenta, com todo
o seu vigor, a hora de sol na prisão, as nuvens que imitam
um bando de criaturas, as aclamações dum povo pelos que
caminham, sorridentes, para a morte e o medo que as can­ções
inspiram aos tiranos.

Nesta terra há coisas que merecem viver:                    nesta
terra está a dona da terra, mãe dos prelúdios e dos epílo­gos.
Chamavam-lhe Palestina. Chama-se ainda Palestina.
Minha Dama, eu mereço, mereço viver, porque tu és
a mi­nha Dama

26 abril, 2010

No Dia da Liberdade um voto pela Palestina


Hoje é Dia da Liberdade. Só quem a não teve é que lhe sabe dar valor e em cada dia a saboreia.

Por isso neste dia 25 de Abril de 2010 faço votos pela liberdade da Pátria Palestina ocupada e anexada por Israel, aqui cantada por um seu poeta maior, Mahmoud Darwich.

EU SOU DALI

Eu sou dali. E tenho lembranças. Nasci como nascem as
as pessoas. Tenho mãe
e uma casa com muitas janelas. Tenho irmãos. Amigos. E
uma prisão com um frio postigo.

Tenho uma onda arrebatada pelas gaivotas, a minha
paisagem favorita, a erva daninha,
uma lua nos confins da palavra, o sustento dos passáros e
um olival que não morre.

Andei pela terra antes da passagem das espadas por um
corpo à volta do qual abancaram como à volta de uma mesa.

Eu sou dali. Restituo o céu a sua mãe quando chora por ela
e choro para que a nuvem me reconheça no seu regresso.

Aprendi, para quebrar a regra, todas as palavras ajustadas
ao tribunal do sangue.

Aprendi toda a linguagem e destruí-a para construir uma única
palavra: Pátria...

in: O Jardim Adormecido e outros poemas, Mahmud Darwich,
Selecção e tradução de Albano Martins, Colecção Campo da Poesia,
Editora Campo das Letras

26 janeiro, 2009

"Palestina" de Mahmoud Darwich

só me resta
perder-me pela tua sombra, que é a minha.
só me resta
habitar a tua voz, que é a minha.

afastei-me da cruz estendida
como claridade em horizonte que não se inclina
até ao mais minúsculo monte que a vista alcança
mas não achei minha ferida, minha liberdade.

porque não sei onde moras
não encontro o caminho,
e porque meu dorso não se apoia em ti com pregos
inclinei-me tanto
como teus céus fazem
a quem espreita de escotilhas de avião

devolve-me os pedaços do meu nome
para que possa convocar as fibras das árvores
devolve-me as letras do meu rosto
para que possa chamar as tempestades próximas
devolve-me as razões do meu prazer
para que possa invocar esse regresso sem razão

porque a minha voz está seca como pau de bandeira
e a minha mão vazia como o hino nacional
porque a minha sombra é ampla como se fora uma festa
e os traços do meu rosto se passeiam de ambulância,
porque eu não sou mais do que isto:
o cidadão de um reino que não nasceu ainda.

Mahmud Darwich (Palestina, 1942) - Tradução de Adalberto Alves.
In. “Palestina: A saga de um Povo”, Al-Khudayri, Tariq, Hugin Editores, 2002.
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Mahmoud Darwich nasceu em 1941 em Al-Birwa, um povoado da Galileia que a sua família foi obrigada a abandonar, para fugir para o Líbano, quando ele tinha apenas sete anos.

A localidade foi destruída na guerra ocorrida após a criação do Estado de Israel e que marcou o início da perseguição de todo o Povo palestino.

Este exílio forçado marcou toda sua obra e forjou o seu compromisso político, que cumpriu até à sua morte.

Após ter retornado do Líbano com a família, Darwich morou em várias regiões palestinas e foi preso, por diversas vezes, pelas autoridades israelitas por causa dos seus escritos e da sua actividade política contra a ocupação.

Com 22 anos, publicou Leaves of Olives (Folhas de Oliveira), - o primeiro dos 20 livros de poesia que escreveu, junto a outros cinco de prosa -e cedo se tornou um membro da Organização de Libertação da Palestina de Yasser Arafat.
.
Em 1970, foi mais uma vez obrigado a abandonar a sua terra exilando-se, primeiro em Moscovo, e depois em várias capitais árabes, até chegar a Ramala.

Até sua morte, ele conseguiu conciliar a política e a poesia com determinação, embora nem sempre com facilidade.

Em várias ocasiões memoráveis, fundiu esses dois mundos como, por exemplo, quando se sentou para escrever o discurso de Arafat à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1974, onde incluiu a famosa frase:

"Hoje, cheguei trazendo um ramo de oliveira e a arma de um lutador pela liberdade. Não deixem que o ramo de oliveira caia da minha mão. "

Foi o autor da Declaração da Independência da Palestina, em 1988, o que lhe valeu, junto com sua obra em defesa da liberdade e da sua terra, a alcunha de "poeta da resistência", apesar de também ter escrito sobre a vida e o amor.

Darwich fez parte do comité executivo da OLP, cargo ao qual renunciou em protesto contra os Acordos de Oslo, em 1993.

Morreu no passado dia 10 de Agosto de 2008, por o seu coração já não poder conter a vida.